Notas iniciais
- Pretendia postar esta estória apenas quando terminasse de escrevê-la, mas como me conheço bem, poderia demorar um pouco, então resolvi publicar antes que a coragem me abandonasse;
??” A princípio pensei em escrever uma lenda urbana, mas conforme escrevia, a fic começou a seguir outro caminho, como se eu fosse apenas o instrumento guiado por ela;
??” Não se trata de um romance em si, caso alguém esteja lendo buscando este gênero como opção de leitura, achei melhor avisar para não se decepcionar com a proposta;
??” Sobre a fic, seria apenas uma one-shot, porém conforme escrevia, a história foi ganhando novas ramificações em minha mente.

Espero que apreciem a leitura!

O poente pronunciava sua presença no horizonte em tons de laranja e violeta, avisando-me que o anoitecer não tardaria em chegar. A paisagem pincelada de minha janela parecia se convidar sem esperar autorização prévia, a se fazer presente em meus pensamentos, como um plano de fundo e descortinando as principais lembranças dos últimos acontecimentos.

Sob promessas e um acordo velado, ele havia proposto que fugíssemos e começássemos uma nova história – a nossa história – numa cidade litorânea que estava crescendo conforme a demanda dos portos. Temia rejeitar-me após ter-lhe revelado que esperava um filho seu, do imenso amor que surgiu desde o momento que nos conhecemos e vínhamos mantendo na clandestinidade, por causa de meu pai. Um homem bom, ético, mas rígido devido à criação que teve e perpetuou tais princípios com sua única descendente – no caso eu – prometendo-me em matrimônio ao filho de seu amigo de infância – uma aliança que beneficiaria ambas as famílias – tornando-me, um arrimo de família conveniente.

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Nunca julguei este acordo um problema, até nutria um afeto fraternal por meu futuro pretendente, apesar das raras vezes que mantivemos um diálogo sob a supervisão de Dora, a cozinheira, empregada e minha mãe de coração pode-se dizer, já que havia ocupado esse papel após a morte da minha genitora. Até o dia que me apaixonei por outro que não era o meu pretendente oficial. E foi em um ato desesperado momentâneo, ao ver a data do enlace se aproximar e saber que meu pai não mudaria seu acordo por uma paixão boba de uma tola e ingênua garota – pelo menos é o que pré-avaliava qual seria a reação dele – me permiti entregar àquele que já pertencia os mais puros e lindos sentimentos. Uma única noite apenas de amor, ternura, sentir-me verdadeiramente amada, numa troca de desejos, carícias e luxúrias. Não pensei nas conseqüências, apenas as recordações que guardaria do melhor momento de minha vida. Todavia, algumas semanas após aquela noite, meu corpo começou a apresentar pequenas mudanças, assim como minha rotina. Alguns sintomas que minha antiga inocência de menina desconhecia, mas que não passaram despercebidos por Dora, que demonstrou certa preocupação por meus sintomas. Antes de confidenciar-lhe meu envolvimento com um empregado de da fazenda, a fiz prometer que jamais contaria ao meu pai meu caso de amor. Após meu relato – negligenciando os detalhes – ela me aconselhou procurar meu amado para que juntos tomássemos uma decisão mediante as decorrências dos nossos atos.

Primeiramente ele ficou surpreso, um tanto assustado, mas logo o susto deu lugar a um brilho novo em seu olhar. Me abraçou e beijou meus lábios carinhosamente. Suspendendo-me por instante, porém suficiente para perceber a alegria irradiada em seu semblante pela novidade. Logo depois estávamos sentados, planejando o que seria nosso futuro dali em diante. Não fazia muito tempo que ele trabalhava na fazenda de meu pai, desta forma não havia guardado muito, mas seria o suficiente para comprar duas passagens de trem. Ele também me disse que um amigo teria lhe escrito uma carta alguns meses atrás informando que precisavam de mão-de-obra no porto de Santos e apenas não havia partido por minha causa, mas mediante as implicações atuais, seria a melhor solução no momento. Eu também tinha alguns contos guardados, pouca coisa na verdade, mas garantiria água, alimento e estadia por alguns dias – tinha meu dote também, mas este seria uma afronta mexer, julguei descartado – e ver ambos ali sentados, no chão de terra batido, planejando nosso incerto futuro, apenas sentia esperança que no final tudo acabaria bem.

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A brisa que até pouco tempo atrás trazia-me as lembranças mais ternas, foi subitamente substituída pelo vento avassalador e castigava a folhagem das árvores desavisadas, como se fosse um prenúncio que não era somente a temperatura que mudaria através de minha janela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.