Notas iniciais
Eu sei que o último capítulo foi giganormesco mas esse é um pouco menor e pans, então taí

– Não, espera aí Nick. Ele não matou o Chris. Quero dizer, eles eram melhores amigos. Não pode. Pode?

– Pode não ter sido de propósito, Ella, mas ele deixou que isso acontecesse. O sangue no Will não era dele.

– Mas Nick, eles eram melhores amigos.

– Eu sei. — ela sorriu. — Eram mesmo. Não culpo o Will. Não mesmo. Eu culpei por um tempo até, mas não mais. Ele que se culpa.

– Ah.

Ela foi em direção à porta de novo, provavelmente para devolver a sacola de ambrosia para seu devido lugar e vi minha oportunidade. Eu poderia sair sem que ela me visse, mas precisava ser rápida.

Assim que ela passou pela porta, me levantei e comecei a andar sem fazer barulho. Quando estava quase lá fora, vi que a porta se abria, então não me importei mais com o barulho e saí correndo como se minha vida dependesse daquilo.

Corri olhando para trás, esperando que a Nick aparecesse correndo e me pegasse para me levar de volta. Mas eu não voltaria, pelo menos não de boa vontade.

– Será que você pode olhar por onde anda, garota? — foi com essa educação que o garoto reclamou quando eu trombei nele. Por estar correndo olhando para trás, não via para onde estava indo, então não vi que um garoto vinha na direção contrária e acabei caindo no chão junto a ele.

– Se você estivesse prestando atenção no caminho, seu doido, me veria, e sairia da frente, como qualquer pessoa normal.

Levantei-me e reparei nele. Ele era alto, moreno, e uns cachos negros ameaçavam aparecer em seu cabelo. Reconheci aqueles olhos, que antes achei tristes, mas de perto, percebi que não era bem assim. Ele tinha um olhar um tanto rebelde, mas sorria. Pedro Paulo. Ele era um dos garotos que se juntaram ao Filipe Muliterno na "quase" briga no refeitório de manhã.

– Já me chamaram de bobo e idiota, mas doido nunca. Você se machucou? — ele me perguntou.

– Ah, agora a educação surgiu magicamente?- perguntei, irônica — Não, estou bem.

– Se a sua surgisse também, teríamos uma conversa muito melhor.

– Não quero conversar, estou atrasada.

Continuei andando para onde meu nariz apontava. Mas a verdade era que eu não sabia onde seria o caça e tinha certeza que todos já estavam lá, então não tinha ninguém a quem eu pudesse perguntar. A não ser...

– Hm... Desculpa. Paulo, né?

– Olá educação! Então, não costumam me chamar assim, mas essa é a segunda vez que você me diz algo diferente. Acho que estou gostando disso. Você é a Ella.

Não era uma pergunta. Ele sabia quem eu era.

– Então, sobre eu estar atrasada, eu preciso ir a um lugar, mas não sei como chegar lá. Pode me ajudar?

– Claro, para onde quer ir?

– Vou participar da captura à bandeira, preciso chegar lá. — ele riu. Não só riu como gargalhou. — O que foi? Qual é a graça?

– A pergunta mais fácil seria qual não é a graça. — ele falou, rindo mais.

– Olha, obrigada pela ajuda, viu? — reclamei, me virando para arrumar outra pessoa para me ajudar. Eu sabia que seria difícil, mas o que poderia fazer? A minha ajuda não tinha sido muito boa, ou melhor, não tinha prestado.

– Ei, espera. — ele disse, segurando meu antebraço me impedindo de ir embora. — Eu vou te levar até lá.

– Por quê? Achei que eu fosse uma piada.

– Até é um pouco. Mas gostei de você. Vamos logo, estamos atrasados.

– Você também estava indo para lá?

– Sim, e é exatamente o caminho oposto do que você estava fazendo.

Eu ri junto a ele. Ele foi à frente e eu o segui. Entendi o motivo de ele estar rindo de mim. Era a floresta. E tinha uma faixa enorme escrita em laranja neon "Captura à bandeira". Não tinha como não saber onde era. Mas eu conseguira tal proeza.

– Ella! Você sumiu a tarde toda! Gustavo já estava desistindo do cargo de instrutor. Onde você... Quer saber? Esquece. Você precisa de uma armadura e um elmo urgentemente. — Madu me disse assim que eu e Paulo entramos na floresta, onde dúzias de adolescentes se preparavam para a batalha. — Pedro, você vem também.

Ela nos segurou pelos braços e nos puxou até uma tenda completamente vermelha.

Por dentro ela parecia bem maior que por fora aparentava. Haviam duas mesas compridas no centro, cheias de espadas e arcos e aljavas. Nas paredes -a tenda era da mesma cor tanto por fora quanto por dentro- haviam elmos prateados com detalhes tão vermelhos quanto as próprias paredes e armaduras no mesmo estilo.

Madu escolheu um elmo e uma armadura para mim, enquanto Paulo já estava vestindo uma, o que eu achei realmente incrível quando comecei a colocar a minha. Aquilo era uma armadilha, simplesmente impossível de entrar, mas a Madu me ajudou a vestir e a armadura coube perfeitamente. Não vesti o elmo logo,pois Madu disse que era muito incômodo e eu deveria colocar no último segundo. Eu já não sabia mais onde Paulo estava.

Ela me levou a outra tenda onde reconheci os conselheiros dos chalés. Pablo e Gustavo estavam lá e quando me viram, pararam de falar para me encarar.

– Olha só quem apareceu! -Pablo falou, vindo me dar um abraço — Mioja, me deixar preocupado duas vezes no mesmo dia não é legal.

– Principalmente numa sexta, Ella. Ele fica paranoico nas sextas. — Nando completou, rindo.

– Fico feliz que esteja bem, o que fez essa tarde? — a calma do Gus me assustava, principalmente porque esperava que ele gritasse com Pablo ou algo do gênero por tem me deixado com o Lyu. O Gus parecia bastante um tipo de cara bem paternal.

– Muito legal e bonitinho o momento família, mas está de bom tamanho. Temos uma estratégia para revisar. Se quisermos mesmo ganhar temos que levar isso a sério. — falou um garoto baixo que eu reconheci da reunião. Avila.

– O Avila está certo. E todo o Hades sabe o quanto eu odeio dizer isso. — concordou a Duda, que também reconheci da reunião, que usava outra blusa de banda. "Arctic Monkeys" estava escrito nela.

– Ótimo. Agora que até a minha irmãzinha se manifestou, a pirralha já pode sair.

– Pirralha? Quantos anos você acha que eu tenho?- perguntei, indignada com aquele garoto que evidentemente era menor que eu me chamando de pirralha.

– Não importa o que eu acho. Você não sabe mesmo. E talvez nunca saiba. Então faça o favor e...

– Chega, Avila. Chega agora. — Madu se manifestou. — A Ella fica.

– Ela não... — ele começou

– Tudo bem, eu saio, vovô. Desculpem o incômodo.

A Madu me segurou, mas me desvencilhei dela e saí da tenda. Paulo estava lá fora sentado no chão.

– Você é conselheiro, não é? De Ares. — perguntei a ele

– Sub conselheiro, mas sim. Por quê?

– O que faz aqui fora? Deveria estar lá dentro...

– Fazendo o que?

– Ah, não sei, o que todos estão...

– Nada de interessante.

– Tudo bem então. — dei de ombros.

Eu não tinha para onde ir, mas como tinha dito ao Avila que sairia, não achei que seria uma boa ideia ficar na entrada.

– Ei, Raio, para onde pensa que vai?- Paulo chamou

– Raio? Eu? Que?

– Eu estava lá também, sabia? Na reunião. Eu vi o raio. Até achei bem legal. É um apelido legal também. Para onde pensa que vai?

– Não sei. — fui sincera.

– Esse é o melhor lugar de todos.

Eu ri e um sinal tocou. Parecia um sino e era muito alto.

– O que é isso? — perguntei.

– Vai começar, Ella.