Pass
2 Utopia
Notas iniciais
Acordei com os raios de sol batendo na janela na qual me encostava.
Já era de dia, provavelmente já estávamos chegando em Ventrum, a metrópole humana, capital do império, uma cidade utópica e extremamente tecnológica.
A menina ainda dormia em sua poltrona, fechei a cortina para não atrapalhar seu sono.
Levantei-me de minha poltrona e fui conversar com o motorista, éramos os únicos acordados no momento.
— Ei, quanto tempo falta para chegarmos em Ventrum?
O motorista parecia em transe, depois de alguns momentos finalmente processou o que eu disse.
— Em menos de duas horas devemos chegar na cidade.
— Você sempre faz esse percurso?
— A maioria das vezes ... Mas e você, o que pretende fazer em Ventrum?
— Procuro por aventuras, uma fuga da monotonia de onde eu vim.
O motorista tira um folheto amassado do bolso e me entrega.
"Tropas de exploração do império humano, ajude-nos a expandir nossas fronteiras!"
— É uma boa ideia ... Só tenho que lidar com mais uma coisa antes de poder tentar entrar.
— O que seria?
— Ontem me encontrei com uma menina, ela precisa de um lugar pra ficar, eu prometi a ela que acharia um lugar ...
— Fala sobre a menina de cabelo rosa?
— Exatamente!
— Acho melhor encontrar ela primeiro ...
Olho de novo para o meu lugar e para minha surpresa não vejo a menina!
Saio correndo pelo corredor do ônibus derrubando várias malas e acordando bastante gente até chegar no fim.
Olho para os lados, as malas e o casaco dela continuam no mesmo lugar, porém nenhum sinal dela.
No último assento, vejo uma janela aberta. Não... Isso não seria possível...
Olho para a estrada, não consigo ver nada, nenhum sinal de nada.
Como?
Fico olhando pela janela até que sinto uma mão me puxar pra cima do ônibus.
Caio em cima de um bagageiro.
—O que você está fazendo aqui?!
— Ah, eu senti calor, não é tão ruim assim, é?
— Isso não explica exatamente por que estamos na parte de cima de um ônibus...
— Ei, não era você que queria aventura?
— Não exatamente desse jeito, mas não é tão ruim...
Empilho algumas malas para formar um banco mais elevado, sinto o vento me empurrar para trás.
—Isso é ... incrível!
— Viu, não foi tão ruim assim!
Desço das malas e sento no teto.
— Então, nunca conversamos de verdade huh?
— Não tivemos muito tempo, foram mais choro e pedidos de ajuda até agora...
— Conte-me sobre você, qual seu nome?
— Meu nome é Rayne, e você?
— Me chamo Nicholas, mas me chame de Nick.
— Bem, Nick, como era o lugar de onde você veio?
— Pra falar a verdade, bem chato, viver em uma cidade pequena não deve ser um grande problema se você gosta da calmaria, o que totalmente não é meu caso. Eu só queria escapar por um momento, depois do que aconteceu aquele lugar já não era o mesmo para mim...
— Parece... bom.
Antes que pudéssemos continuar a conversa ouvimos a buzina do ônibus. Descemos do bagageiro e voltamos pela janela.
— O que houve?
Uma senhora no banco da frente olha para mim.
— Aparentemente acabamos de chegar na fronteira, devemos passar pela por ela agora.
Pegamos nossos pertences e saímos do ônibus.
A fronteira parecia uma amostra da cidade em si, haviam robôs patrulhando a área, a construção em si era fantástica, as luzes combinavam-se, formando um espécie de letreiro onde se podia ler "Bem vindos a Ventrum!".
Entramos na construção. Haviam duas filas, uma para os moradores de Ventrum e outra para imigrantes.
Na fila havia todo tipo de gente, vi seres estranhos, de diversas cores, características e tamanhos... Isso é uma cidade
Chegou minha vez na fila, entrei na primeira cabine, um homem me atendeu, ele parecia estar tendo um péssimo dia de trabalho.
—Informe seu nome e entregue seus documentos.
Fiz como o ordenado, entregando os poucos documentos que levava comigo.
—O que planeja fazer em Ventrum?
— Procuro por aventuras, e possivelmente me alistarei nas tropas de exploração.
O homem revirou os olhos.
— Pretende cometer alguma atrocidade contra Ventrum?
Esse é o momento em que me pergunto se os cidadãos de Ventrum são realmente inteligentes, se eu realmente fosse fazer algo do tipo, eu não falaria, lógico.
— Sim, claro, pretendo explodir este prédio com a minha mente.
Falei brincando.
— Terei de chamar os seguranças.
—Não! Era uma brincadeira, nunca faria algo assim! por favor, eu sou pacífico, não me prenda, por favor senhor agente da fronteira!
Ele começa a rir da minha cara e me deixa passar a catraca.
— Não exploda tudo, se não terei de chamar os seguranças!
Diz ele zombando.
Rayne é a próxima, não demora muito para que passe, até por que não teve a brilhante ideia de ter um pouco de humor.
Nos juntamos novamente e seguimos até a saída da construção.
A cidade de Ventrum é simplesmente a coisa mais bonita que já vi em toda a minha vida, os prédios futuristas, movimentação inquietante, tráfego intenso, o que mais poderia se esperar de uma metrópole
— Isso é maior do que tudo que já vi...
— Por isso escolhemos esse lugar não !, tantas possibilidades, nem sei o que fazer!
—Bom, seria conveniente comermos já que a viagem foi longa e que não conhecemos absolutamente nada aqui, não existem muitas opções!
— Certo, tem um restaurante naquela rua, vamos!
Atravessamos a rua correndo, quase sendo atropelados uma ou duas vezes.
— Você... tem... problemas... mentais...
Diz Rayne ofegante.
— Aventuras lembra?
— Que seja...
Entramos no restaurante e automaticamente somos levados a uma mesa por um sistema de esteiras rolantes.
— O cardápio por favor.
Eis que surge um pequeno robô-garçom a nossa frente, o tamanho de sua cabeça em relação ao resto de seu corpo fazia-o parecer um tanto cômico.
Ele começa a projetar hologramas do cardápio.
— O que vai querer senhor?
— O que sugere?
— Senhor, não temos permissão para sugerir, mas vale a pena dizer que o risoto está impecável.
— Então queremos dois!
— Espere, como se chama?
Pergunta Rayne.
— Não possuo um nome, meu modelo é M4RV-5.
—Marvie!
—Não senhora, M4RV.
— Você não pode dar opinião, ou era sugestão? Eu não lembro. Tanto faz, agora você é o pequeno Marvie!
O robô altera levemente a tonalidade de sua face para um vermelho-claro.
— Vou servi-los agora.
O robô saí da mesa e vai rolando pelas esteiras.
—Ele não é muito fofo?!, vamos ficar com ele!
—Rayne, não dá, ele é do restaurante...
—Não me interessa, vamos roubar ele!
—Que, não! A gente pode ser preso por isso!
—Ah, esses homens tem vários desses robôs, até parece que vão sentir falta do Marvie!
— Ok...
Vemos o pequeno robô voltar à mesa mas sem prato algum.
— Se escondam! Estamos sendo assaltados!
Vejo dois homens armados correrem pelas esteiras.
Que bela sorte pra um primeiro dia!
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