Pase lo que pase - VONDY
12 Brigas e Intrigas
P.O.V DULCE MARIA
Meu casamento estava em franco declínio desde o término de Christopher. As fãs de Vondy, em sua euforia desmedida, passaram a produzir inúmeros vídeos sobre nós, o que deixou Paco profundamente irritado. Nossa convivência tornou-se instável, e as discussões entre nós se intensificaram. Embora eu me esforçasse para esclarecer que não éramos responsáveis pelo comportamento das fãs e suas reações ao término, Paco parecia utilizar essa situação como pretexto para se manter distante.
Mapi, começava a perceber o ambiente tenso que se instalara em nossa casa. Sua constante tristeza pela ausência do pai e os frequentes episódios de febre psicogênica vinham roubando meu sono. A angústia de ver minha filha sofrendo despertava em mim um sentimento de rancor crescente em relação ao meu marido.
As noites eram longas e solitárias, com a preocupação sobre o estado emocional de Maria Paula corroendo minha paz. Paco, por outro lado, parecia se afundar em sua própria frustração, evitando qualquer tentativa de diálogo que pudesse aliviar a tensão entre nós. Cada dia que passava, sentia-me mais isolada em meu próprio lar, dividida entre o desejo de manter a família unida e o peso do ressentimento que começava a tomar conta de mim.
Em meio a esse turbilhão de emoções, a raiva que eu sentia por Paco se intensificava. Ele não apenas se afastava de mim, mas também negligenciava a filha que tanto precisava de seu apoio. O amor que um dia uniu nossa família parecia cada vez mais distante, substituído por uma convivência marcada pelo silêncio e pela dor não expressa.
Paco chegou em casa quase à meia-noite. Eu já havia conseguido fazer Mapi dormir e estava na minha quinta taça de vinho, tentando relaxar e reunir coragem para finalmente conversar com ele. Dirigi-me ao escritório e o encontrei servindo uma bebida em seu copo.
— Paco, não podemos mais continuar assim. A tensão aqui em casa está insuportável. Maria Paula está cada vez mais triste, e é evidente que ela sente sua ausência. Ela não entende por que você está sempre distante, e eu... eu também não entendo. — Eu começo.
— Dulce, você sabe muito bem o motivo. Desde que o Christopher terminou com a Samantha, as coisas ficaram fora de controle. Essas fãs loucas não param de fazer vídeos sobre vocês, e isso me irrita profundamente. Como você pode agir como se isso não fosse um problema?
— Eu não estou dizendo que não é um problema, Paco, mas isso não é o único motivo. A verdade é que você começou a se afastar bem antes disso. Sua ausência aqui em casa se tornou frequente antes mesmo do término de Christopher. Você mudou, Paco, e eu não sei por quê.
— E você acha que eu não percebo? Mas como eu poderia não mudar, Dulce? Tudo isso... essa exposição, essa pressão... Eu não sei mais como lidar com isso. Além disso, o trabalho tem me consumido, eu tive que parar tudo por conta da sua turnê. Você sabe o quanto estou envolvido, é difícil equilibrar tudo.
— Trabalho? Paco, você não pode colocar a culpa na Soy Rebelde Tour. Ela acabou há mais de um ano! Desde então, você tem se jogado em novos projetos, novas responsabilidades, e eu entendo que seu trabalho é importante, mas nós também somos! Nossa família também precisa de você.
Ele me encara e cruza os braços
— Desculpa? Você acha que estou usando isso como uma desculpa? Eu estou tentando lidar com tudo da melhor forma que posso! Mas é difícil quando parece que ninguém entende o que estou passando.
— Eu tento entender, Paco, mas o que me machuca é ver nossa filha sofrendo. Ela está doente, constantemente com febre, e eu sei que isso é por causa do clima que se instalou aqui. E, honestamente, parece que você não se importa. Você não está mais presente.
— Você está exagerando, Dulce. Eu estou tentando fazer o meu melhor, mas você não vê o quanto isso tudo está me sufocando. Eu sinto que estou perdendo o controle de tudo.
Eu tento reunir todas as forças que me restam, mesmo assim meus olhos começam a encher de lágrimas.
— E acha que está fácil para mim? Eu estou aqui, segurando as pontas, tentando dar suporte para Maria Paula e para você, mas estou ficando sem forças, Paco. O que aconteceu? Onde está o homem que eu conheci? O homem que fazia inúmeras declarações de amor durante a turnê. Parece que estamos nos perdendo, e eu não sei como mudar isso.
— Eu... Eu não sei, Dulce. Sinto que estamos nos afastando cada vez mais, e não sei como voltar atrás. Tudo isso, a pressão, a exposição... me fizeram questionar tantas coisas. Mas não sei como consertar.
— Não pense que somente você teve questionamentos, Paco. Eu sempre lidei com esse tipo de exposição, afinal, sou uma artista, e você sabia disso quando se envolveu comigo. Então não use isso como desculpa. Eu conversei com você antes da turnê começar, expliquei tudo que poderia acontecer, e você aceitou, prometendo que iria lidar com isso da melhor maneira.
— Dulce, me desculpa. Eu gostaria muito de tentar entender, mas é difícil. Toda vez que abro as redes sociais, sempre aparece um vídeo de vocês dois, e isso deixaria qualquer homem de cabeça quente. Eu sinto muito por ter me afogado no trabalho, por ter me afastado de vocês. Eu me odeio por não estar presente na vida dos meus filhos. — Ele passa a mão na cabeça, visivelmente abalado, e termina de beber o que restava no copo — Estamos brigando tanto ultimamente que não parecemos mais o casal de antes... Parece que algo mudou.
— Muita coisa mudou, Paco. Eu sinceramente não te reconheço mais. Eu entendo a sua frustração, mas eu não tenho culpa de como as coisas aconteceram, nem de como você reagiu a tudo isso. Você poderia muito bem ter conversado comigo, explicado o seu lado, mas, ao invés disso, preferiu me afastar... e pior ainda, afastou-se da sua filha. Maria Paula te idolatra, Paco, e você se ausentou da vida dela.
— Eu acho que nosso casamento não tem mais salvação, não é?
— Eu não sei o que te responder. Você falhou comigo e, principalmente, com a sua filha. Eu preciso de um tempo para pensar em como vou resolver as coisas. Nesse meio tempo, vou dormir com a Mapi no quarto dela. Tudo bem para você?
— Não precisa, Dul. Eu me mudo para o quarto de hóspedes até acertarmos tudo.
— Obrigada por ser sincero comigo, Paco.
— Obrigado por me entender, Dul.
Saí do escritório de Paco, sentindo o peso das palavras que trocamos e o silêncio esmagador que agora pairava sobre a casa. Cada passo que eu dava parecia mais pesado do que o anterior, como se o ar ao meu redor estivesse se tornando denso, difícil de respirar.
Caminhei em direção ao banheiro, como se aquele espaço fosse o único refúgio onde eu pudesse finalmente processar tudo o que acabara de acontecer. Fechei a porta atrás de mim, tentando me isolar do mundo exterior, do tumulto que se instalou em minha mente.
Ao encarar o espelho, por um breve momento, eu evitei meu próprio reflexo. Não queria ver a dor estampada no meu rosto, não queria confrontar as lágrimas que já ameaçavam cair. Lentamente, liguei o chuveiro, esperando que a água pudesse trazer alguma clareza, algum alívio para o turbilhão de emoções que me consumiam.
Mas, à medida que as gotas de água começaram a escorrer pelo meu corpo, percebi que, em vez de aliviar, elas apenas intensificavam o que eu sentia. As lágrimas que antes eu segurava com tanta força, agora se misturavam à água que caía, e eu não consegui mais segurar. Chorei. Chorei pela minha filha, que não merecia passar por isso. Chorei por mim, por tudo que eu tinha perdido, por tudo que eu não sabia se seria capaz de recuperar.
Eu precisava encontrar uma saída, precisava proteger a minha princesa, mas, no fundo, eu sentia que estava à beira de um abismo. E, naquele momento, sob a água morna que deslizava sobre minha pele, a única coisa que eu conseguia fazer era chorar, enquanto a realidade da minha situação me atingia em cheio.
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