Pase lo que pase - VONDY
28 Bombardeio de Farinha
P.O.V UCKER
Desde que a notícia do divórcio da Dulce foi divulgada, a mídia não deu trégua. Além de cercarem ela em todo lugar, também começaram a perseguir os outros membros do RBD, fazendo perguntas inconvenientes sobre o término ou tentando arrancar declarações de como estamos lidando com tudo. Eu tive que pausar minha agenda por uma semana na tentativa de ver se esse assédio diminuía, tanto para mim quanto para os outros.
Durante esse tempo, fiquei praticamente todo o período com Dulce e Mapi. A pequena não conseguia ir nem para a creche devido à repercussão do divórcio. Estávamos tentando manter a rotina o mais normal possível, mas a situação estava nos pressionando. Apesar de tudo, consegui aproveitar o tempo com elas, o que trouxe uma sensação boa em meio ao caos, mas ao mesmo tempo, lidar com o frenesi da mídia se tornava exaustivo.
Foi então que a Lors me mandou uma mensagem, dizendo que precisava se encontrar comigo e com o Christian em um restaurante no centro da cidade. Só de imaginar a quantidade de repórteres e paparazzi que estariam nos aguardando lá fora, minha cabeça já começou a latejar. No entanto, ela estava com a agenda completamente apertada e aquele era o único horário em que estaria passando pela Cidade do México. Na verdade, ela já estava esgotada de tantas remarcações por conta da situação da Dulce.
Eu sabia que a Lors não tinha nada a ver com os problemas do nosso círculo, mas ela também podia entender que ser famoso em 2024 é bem mais complicado do que era em 2008. A pressão da mídia, as redes sociais, tudo tornava qualquer deslize um verdadeiro espetáculo.
Combinei com o Christian de buscá-lo em casa antes do encontro com a Lors. Precisávamos discutir a situação atual sem o incômodo de olhares curiosos ou a insistência da imprensa. Assim que ele entrou no carro, notei que parecia tão exausto quanto eu. O sorriso habitual estava lá, mas os olhos entregavam cansaço.
— E aí, cara? Como estão as coisas? — perguntei enquanto acelerava em direção ao restaurante.
— Ah, você sabe como é... Nada como ser perseguido por jornalistas vinte e quatro horas por dia — ele respondeu com um toque de ironia, recostando-se no banco. — Nem o elevador do meu prédio me dá trégua. Achei que depois de 2008 a gente ia ter um pouco mais de paz, mas parece que a mídia sempre encontra uma forma de nos arrastar de volta.
Soltei um suspiro, compartilhando da mesma frustração.
— Pois é, eu tive que pausar minha agenda por uma semana. Até a Mapi não tem ido para a creche. Não é justo que a vida dela seja afetada por algo assim.
Christian ficou em silêncio por alguns segundos, pensativo.
— E como está a Dul? Ela parece estar segurando bem a barra nas redes, mas sei que a coisa deve estar pesada para ela.
— Está tentando manter a cabeça no lugar, mas, sinceramente, não tem sido fácil. Essa situação com o Paco já vinha se arrastando por muito tempo e, agora que finalmente ela se livrou, a mídia caiu em cima dela como um bando de abutres. E pior ainda, estão cercando todos nós. Os fãs especulam, a mídia quer manchete, mas ninguém quer saber como estamos de verdade.
Christian riu, mas era um riso amargo.
— Como sempre, né? As pessoas esquecem que somos humanos. Querem o show, a vida perfeita. Acham que a gente deve isso a elas.
— Exatamente. E o pior é que, ao mesmo tempo, a gente sente que deve uma satisfação aos fãs... Eles nos apoiaram por tanto tempo. Mas essa pressão toda... — balancei a cabeça, incapaz de terminar a frase.
— Eu sei, irmão. Sei exatamente como é. Só que, por outro lado, você precisa cuidar da sua família também. A Mapi é pequena ainda, mas vai entender tudo isso um dia. E a Dulce, bom... Ela sempre foi forte, mas mesmo os fortes têm limites. E você? Como está lidando com tudo?
A pergunta me pegou de surpresa. Nem sabia direito como responder. Claro, eu queria proteger a Dulce e a Mapi de tudo isso, mas, ao mesmo tempo, havia uma parte de mim que ainda estava tentando se ajustar à ideia de estar de volta nesse furacão de mídia, de viver esse "novo normal" com elas.
— Estou... tentando. Não é fácil. Eu sabia que a volta do RBD traria a atenção da mídia, mas não esperava que fosse assim. Só quero que a gente consiga ter uma vida normal. Uma vida em que a Dulce, a Mapi e eu possamos nos conectar sem essa interferência constante.
Christian acenou com a cabeça, compreensivo.
— Você e eu sabemos que a normalidade nunca vai ser como a gente imagina. Mas, cara, a Dulce e a Mapi têm sorte de te ter por perto. Você sempre foi aquele que dava suporte, que cuidava de todo mundo. Não acho que isso tenha mudado.
Aquelas palavras me atingiram de um jeito inesperado. Era exatamente isso que eu queria ser para elas: o suporte. Mas também era o que me consumia, essa constante necessidade de estar presente, de ser o pilar.
— E você? Como está lidando com a pressão? — perguntei, virando a conversa para ele.
Christian deu um sorriso cansado.
— Cara, eu meio que me acostumei, sabe? Já nem sinto mais. Só tento focar no que realmente importa. E, por enquanto, isso tem sido a minha família e esse reencontro com o nosso pessoal. Tem sido bom estar de volta com vocês, mesmo que essa pressão toda venha no pacote.
— Com certeza. Às vezes só o fato de estarmos juntos já é o bastante.
Enquanto o carro se aproximava do restaurante, sabíamos que a conversa com a Lors seria mais uma daquelas reuniões cheias de estratégias e planos, mas ter aquele momento entre nós foi como um respiro.
Quando chegamos ao restaurante, já era possível ver alguns flashes à distância, provavelmente fotógrafos tentando capturar qualquer movimento nosso. Christian soltou um suspiro enquanto saía do carro.
— A guerra já começou lá fora — ele comentou, com um olhar cansado.
— Pois é, e nem entramos ainda — respondi, tentando manter o tom leve, mas também já preparado para o caos.
Entramos apressadamente, cumprimentando alguns poucos funcionários que nos reconheceram, e seguimos até uma área mais reservada onde a Lors já nos aguardava. Ela parecia tão elegante quanto sempre, mas havia uma sombra de impaciência no seu olhar.
— Vocês demoraram — ela disse sem rodeios, mas o sorriso no canto da boca suavizou a bronca. — E aí, como estão os sobreviventes da última tempestade?
— Sobreviventes é a palavra certa — respondi, puxando a cadeira ao lado de Christian. — Tentar evitar a mídia está se tornando um trabalho em tempo integral.
— E se engana quem pensa que podemos simplesmente seguir em frente sem sermos notados — completou Christian. — Eles sempre sabem onde estamos, o que estamos fazendo, e provavelmente até o que estamos pensando.
Lors deu uma risada leve e cruzou os braços sobre a mesa.
— Bem, se vocês acham que os repórteres do México são ruins, esperem só até chegarem à Europa caso tenha alguma nova turnê. Já tenho recebido perguntas sobre a situação da Dulce de jornalistas de lá também e olha que eu nem represento ela. Não imagino como está a cabeça do Ariel agora.
Eu sabia que isso ia acontecer. O mundo todo acompanhava nossa trajetória, e agora, com o divórcio dela ganhando espaço, parecia que tudo estava novamente girando em torno dos dramas da nossa vida pessoal.
— Não sei como a Dulce ainda consegue manter o sorriso — murmurei, sem conseguir esconder a preocupação. — Ela passou por tanto com o Paco... e agora isso. E, claro, o resto de nós também está envolvido.
Lors nos observava atentamente.
— Eu entendo. Não queria apressar esse encontro, mas a verdade é que precisamos discutir como vamos lidar com isso daqui para frente. Vocês sabem que a imagem do grupo também está em jogo, e com a volta do RBD em alta, precisamos estar coordenados para não deixar que a narrativa da imprensa nos consuma.
Christian assentiu, e eu respirei fundo. Era difícil pensar em estratégias de mídia quando tudo o que eu queria era poder proteger a minha família. Mas eu também sabia que a Lors tinha razão. Se não tomássemos as rédeas da situação, ela se descontrolaria de vez.
— Certo, então o que você sugere? — perguntei, encarando-a.
— Primeiro, temos que ser claros com nossos fãs. Sei que a Dulce já fez o pronunciamento sobre o divórcio, mas acho que é importante que vocês, como grupo, mostrem união. Não precisa ser nada muito elaborado. Talvez uma aparição pública, algo simples, mas que reafirme que estão juntos nisso. Vai tirar o foco do drama e colocar a atenção de volta no que importa: a música e o reencontro de vocês.
Christian pareceu ponderar, e eu também refleti sobre o que ela estava dizendo. Uma aparição pública, ao lado de Dulce, poderia ajudar a diminuir as especulações. Mas ao mesmo tempo, significaria expor-nos ainda mais.
— E quanto ao meu relacionamento com a Dulce? — perguntei, minha voz mais baixa. — A mídia ainda não sabe oficialmente, mas é uma questão de tempo até descobrirem.
Lors olhou para mim com um olhar pragmático.
— Vocês podem adiar por mais um tempo, mas é inevitável que isso venha à tona. O importante é que vocês estejam preparados quando acontecer. Se derem as informações de maneira controlada, minimizam o impacto. A imprensa adora um escândalo, mas o que eles realmente querem é exclusividade. Se puderem controlar a narrativa, conseguem limitar os danos.
Christian interveio, se inclinando para frente.
— Acho que podemos fazer isso. Mas temos que estar todos na mesma página. Precisamos apoiar a Dulce sem parecer que estamos alimentando o drama.
Eu concordei. Era um equilíbrio delicado, mas necessário.
— Então está combinado — finalizei, sentindo uma mistura de alívio e apreensão. — Vamos encarar isso juntos, como sempre fizemos.
A conversa seguiu para outros tópicos, mais leves, enquanto tentávamos planejar os próximos passos. Mas o peso do que estava por vir ainda pairava sobre nós.
A conversa no restaurante fluiu mais leve depois que decidimos os próximos passos. Durante o almoço, Christian fez piadas sobre alguns dos momentos mais tensos da turnê passada, o que trouxe sorrisos para nossos rostos e, por um momento, parecia que o caos do mundo exterior não nos alcançaria ali dentro. Mas sabíamos que, ao sair, teríamos de enfrentar a realidade novamente.
Após algumas horas, terminamos e nos preparamos para sair. Eu olhei para Christian e Lors, ambos pareciam mais calmos, mas conscientes do que nos aguardava do lado de fora.
— Prontos? — perguntei, mais como uma formalidade.
Christian riu, ajustando a jaqueta.
— O que nos resta é enfrentar. Vamos lá.
Lors nos deu um último olhar de aprovação antes de colocar os óculos escuros. Quando saímos pela porta do restaurante, os flashes nos cegaram quase imediatamente. Repórteres estavam amontoados em frente à entrada, bloqueando parcialmente o caminho até o carro. Eu respirei fundo e comecei a andar, tentando parecer tranquilo.
— Christopher! Christian! — várias vozes chamavam ao mesmo tempo, lançando perguntas em todas as direções.
— Como vocês estão lidando com o divórcio da Dulce?
— Christopher, é verdade que vocês estão juntos agora?
— Christian, o que você tem a dizer sobre o futuro do RBD?
Nós sabíamos que não podíamos ignorar todas as perguntas, então trocamos um olhar rápido e Christian foi o primeiro a falar, sempre o mais carismático com a imprensa.
— A situação da Dulce é muito pessoal, e acho que todos deveriam respeitar isso — disse ele com um sorriso, tentando desviar o foco da curiosidade sobre o divórcio. — Mas estamos todos apoiando-a nesse momento. Somos uma família, certo?
Os repórteres imediatamente focaram em mim, como era esperado. Era inevitável que as perguntas viriam mais incisivas.
— Christopher, você e Dulce estão juntos? — insistiu um repórter, segurando um microfone a poucos centímetros do meu rosto.
Eu sabia que não poderia negar para sempre, mas também não era o momento ideal para confirmar nada. Respirei fundo e me aproximei um pouco mais.
— A Dulce é uma pessoa muito importante na minha vida, e o que importa agora é o bem-estar dela e de sua filha— respondi com firmeza, sem me comprometer demais. — Tudo o que pedimos é que respeitem o espaço dela neste momento.
Outra pergunta veio logo em seguida:
— E o RBD? Como isso afeta a dinâmica do grupo?
— Não afeta — respondi rapidamente. — Continuamos mais unidos do que nunca. Já passamos por muitas coisas juntos, e isso não vai mudar.
Lors deu um passo à frente, percebendo que os repórteres não iriam se acalmar tão cedo, e falou em um tom diplomático:
— O RBD tem um futuro brilhante pela frente. Estamos ansiosos para compartilhar novidades em breve, mas agora precisamos que vocês respeitem nossos momentos pessoais.
Os flashes continuaram, mas a resposta de Lors parecia ter dado o recado que precisávamos. Fizemos nosso caminho até o carro, os repórteres ainda gritando perguntas e tentando tirar mais de nós, mas, felizmente, conseguimos entrar sem maiores incidentes.
Dentro do carro, eu soltei o ar que nem sabia que estava prendendo. Christian estava ao meu lado, com um sorriso tranquilo.
— Nada como um pouco de caos para manter as coisas interessantes, né? — ele brincou, me fazendo rir de leve.
— Sempre foi assim, não é? — respondi, enquanto o carro começava a se afastar.
Me virei para a janela, vendo as luzes da cidade passarem, e pensei em Dulce. Sabia que, no final, tudo daria certo. Mas o caminho até lá ainda parecia longo.
Decidi passar na casa de Dulce depois de deixar Christian, sentindo a necessidade de ver como ela e Mapi estavam. Com toda a repercussão da entrevista e os olhares da mídia sobre nós, me preocupava que Dulce estivesse se sentindo pressionada, embora soubesse que ela estava se afastando das redes sociais para preservar sua saúde mental.
Quando chego, abro a porta com a senha que ela me deu e sou recebido por uma visão que aquece meu coração. Dulce e Maria Paula estavam na cozinha, tentando fazer um bolo — ou pelo menos algo parecido. A cena era caótica: farinha espalhada por toda parte, ingredientes derramados no balcão e as risadas delas enchendo a casa. Era como se o caos tivesse se tornado uma espécie de harmonia, criando um momento de pura felicidade.
Ao me aproximar, não pude evitar sorrir. Beijei a testa de Mapi, que estava empolgada com a bagunça, e dei um selinho em Dulce, que, mesmo com a cozinha parecendo um campo de guerra, irradiava tranquilidade e alegria.
— O que está acontecendo aqui? — perguntei, rindo ao ver o estado do lugar.
Dulce sorriu, piscando para mim enquanto segurava uma colher de pau cheia de massa.
— Estamos fazendo um "bolo surpresa", mas acho que a surpresa está sendo para a cozinha inteira.
Antes que eu pudesse responder, senti algo atingindo meu rosto. Olhei para baixo e vi Mapi com as mãozinhas ainda levantadas, uma expressão travessa no rosto. Ela havia me jogado um punhado de farinha, cobrindo meu rosto e roupas de branco.
— Ah, então é assim, Mapi? — brinquei, fingindo estar ofendido, enquanto tentava limpar a farinha do rosto.
Ela riu alto, e logo Dulce também estava rindo. O som das risadas delas ecoava pela casa, criando um ambiente que me fazia sentir completamente em casa, mesmo que tecnicamente não fosse minha própria casa.
— Você vai pagar por isso! — brinquei, pegando um punhado de farinha do balcão e fingindo ameaçar Mapi, que começou a correr em volta da mesa.
Dulce, com a mão na cintura, olhava para nós com um sorriso enorme no rosto.
— Acho que eu devia ter avisado que aqui as regras são outras — ela disse, rindo enquanto me observava tentar pegar Mapi, que agora corria pela sala.
O ambiente era tão leve, tão cheio de vida. Ali, no meio de toda aquela confusão, eu senti uma calma que não sentia há tempos. Não importava o que acontecesse do lado de fora, o importante estava bem aqui, diante de mim.
Depois de alguns minutos de brincadeira, finalmente conseguimos nos acalmar e nos reunir ao redor da mesa. O bolo estava longe de ser perfeito, mas isso não importava. O que importava era o riso, a cumplicidade, o carinho compartilhado.
— Acho que nunca vi uma cozinha tão bagunçada, mas valeu a pena — comentei, ainda rindo enquanto observava Dulce e Mapi.
Dulce se aproximou e me deu um beijo suave, com aquele olhar que sempre me deixava sem palavras.
— Obrigada por estar aqui — sussurrou ela.
— Não há outro lugar onde eu preferisse estar — respondi, passando a mão suavemente pelo rosto dela.
Naquele momento, percebi que nada, nem a imprensa, nem os repórteres, nem o passado, poderiam interferir naquilo que estávamos construindo. Eu estava finalmente onde deveria estar.
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