Ela não sabia exatamente o que queria.

Apesar de toda dor ter uma causa, a causa não era nada mais que sua realidade. A prisão se tornou sua própria vida. Suas escolhas formaram as próprias algemas. Era só uma menina, mas tinha mente de heroína e isso nem sempre era bom.

Tem coisas que não podem ser salvas.

Sempre sorria por fora, até que chegou uma hora que não pôde mais.

Ela queria sorrir; queria continuar criando esse imaginário de anos. Achava que assim as pessoas poderiam ser felizes, logo ela também seria.

Era o que pensava.

Seu interior gritava, mais sua boca estava sempre calada.

Quantas vezes gritou? Quantas vezes implorou por perdão, mas ninguém ouviu? Não era exatamente culpa deles. E nunca foi a sua.

Nunca houve forças de grita que doía.

Encontrou uma forma de fugir.

Um fim para tudo? Eu consigo? Se perguntou diversas vezes. Talvez fosse um pouco radical sua ideia de fim, mas não a culpem.

Algemas também doem.

O escuro se fez.

Era angustiante continuar, então rompeu com o caminho. Decidiu não seguir o convencional, então de maneira trágica disse para si mesma.

Até que enfim acabou.

Talvez eu tenha exagerado.

Ela não decidiu esse fim. Nem mesmo era esse o fim que queria. Ela só optou por ele no meio das lágrimas e depois muito chora durante anos escondida.

Pessoas felizes não querem partir.

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