Parte de mim. Metade de mim.
3 Você levou consigo minha razão.
O sol estava se pondo e isso colaborou bastante para que Alaric abrisse a porta do carro e então Elena descesse ao ar livre. Ela vestia um vestidinho preto não muito curto. Junto a ela numa pequena bolsa, carregava o seu diário, o quadro dos dois na praia e um pequeno buquê de Calla Vinho nas mãos.
– Eu te acompanho Elena. – Ofereceu Ric.
– Não, obrigada. Preciso fazer isso sozinha. – Respondeu Elena com tristeza nos olhos.
Ela passou pelo portão do cemitério, foi quando seu coração acelerou ao máximo, ela mesma podia ouvi-lo ao caminhar. Elena passou pelo túmulo de seus pais, pelo túmulo da Tia Jenna e do tio Jhon.
Quando viu o túmulo de Damon ela sentiu um tranco abaixo de seu estômago, o que a fez se segurar na pedra do túmulo visinho. Ao olhar meio zonza para a pedra aonde se segurava, as letras meio embaralhadas em sua mente diziam: “Bonnie Bennet”. Elena abaixou a cabeça enjoada e se colocou se joelhos sob o túmulo da amiga.
– Me desculpe Bonnie! – Disse Elena trêmula. – Você foi a melhor amiga que alguém poderia ter sabia? Ah, uma heroína. Eu não consigo imaginar como o Jer está agora. Sinto sua falta... Outra vez! – Seus olhos lacrimejavam.
Ela se aproximou do túmulo de Damon, e colocou o buquê com muita cautela. Estava escurecendo, e Elena começou a contornar as letras do nome dele com os dedos, em seus olhos refletia enorme fascínio.
– “D”... “A”,,, — Elena fechou os olhos e de repente sua mente foi transportava para as lembranças mais profundas de seu coração.
Ela estava feliz num quarto, desfazendo as malas encima da cama e trocando de roupa. Elena colocava um vestido alaranjado de algodão quando viu Damon invadir o quarto, o mesmo estava sombrio e sedutor, exatamente como naquela noite no motel em Denver. Ele vestia a mesma calça preta e sua camisa também preta completamente aberta. Elena se espantou ao vê-lo.
– Hei, Damon... Não! – Disse Elena sorrindo, envergonhada por ele invadir o quarto enquanto ela se trocava.
– Por que não... Elena? – Disse Damon a olhando, desafiador. – Lembra? – Um sorriso quase se abriu em seus lábios carnudos.
Elena arregalou os olhos, ficou séria e ofegante no mesmo instante. Como se esquecer daquele dia? Daquele beijo?
– Claro! – Disse Elena num sopro de suspiro.
Ela correu para ele e o surpreendeu com um beijo, assim como naquela noite no motel. Ela o beijava com o mesmo fervor e um paralelismo aconteceu. Enquanto ela o beijava ele a apoiou na parede, exatamente como foi feito da primeira vez e ela passava as mãos pelas costas dele quanto ele beijava ferozmente seu pescoço, a fazendo transbordar desejo, segurando sua cintura e seu corpo contra a parede com força.
Não houve interrupções, pois agora era um momento só deles. Estavam sozinhos numa casa de praia não muito grande. Damon entrelaçou suas mãos enquanto a deitava naquela cama beijando-a inteira, e a mesma só aproveitava cada toque em um imenso sorriso. Quando Damon desabotoou o primeiro botão do vestido de Elena, ela então voltou para a realidade.
– Ah... Você! – Disse Elena balançando a cabeça quase chorando com os dedos sobre as letras do nome dele. – “M”... “O”... “N”. – E seu coração mais uma vez a levou para outro momento com ele.
Elena desceu as escadarias e entrou na cozinha da casa onde estavam. Ele se virou para ela que já estava sentada esperando para comer e a mesa estava farta.
Damon trouxe os últimos pratos feitos e os colocou sobre a mesa. Ao passar por trás da cadeira de Elena, ele puxou seus cabelos para trás e beijou dos ombros dela até seu rosto. Elena virou o rosto e seus lábios de encontraram.
– Eu te amo! – Disse Elena olhando nos olhos dele.
Damon tirou do bolso uma caixinha preta. Quando Elena a viu tentou pegá-la, mas Damon brincava de Olé com ela, impedindo-a de alcançá-la. Damon escondeu a caixinha atrás dele e disse:
– Dá mais um beijo então! – Ele fez biquinho e fechou os olhos.
Elena o beijou e agarrou a caixinha das mãos dele. Ao abrir, havia ali dentro uma gargantilha com a Inicial “D”.
Damon colocou a gargantilha nela e Elena beijou o pingente para ele.
– Você cozinha muito bem sabia? Já eu, deixo o miojo queimar se não tiver supervisão. – Disse Elena caçoando de si mesma.
Damon beijou sua testa, e mais uma vez Elena voltou para onde estava com os dedos sob as letras gravadas na pedra.
– S — A — L... – Elena tirou do meio de seu diário a gargantilha. – V – A – T — O-R — E... De Salvador. – Sorriu Elena. – Ah, meu Damon Salvador, eu vou me lembrar de cada segundo, de cada momento, de cada olhar, de cada, gesto, de cada, toque, de cada discussão... Ah, eu vou me lembrar de você! Porque eu te amo, eu te amo. Eu decidi Damon... Eu vou seguir, eu vou fazer o que tenho que fazer enquanto Jeremy estiver vivo, eu vou viver. Eu vou me levantar, ainda que seja só pra fingir, eu vou viver, mas você vai estar comigo dentro de mim, eu prometo! – Disse Elena em meio as lágrimas.
Elena pegou o quadro e jogou com toda a força no canto da pedra, quebrando-o. Ela cobriu o rosto com as mãos.
– Droga, Damon! Essa dor é insuportável, por quê? Por que você fez isso comigo? Você prometeu Damon! Você prometeu! Você prometeu que não ia me abandonar, você disse que ia voltar pra mim!
Elena chorava amargamente, foi quando uma lágrima caiu de seu rosto. Quando aquela pequena gota bateu no chão houve um estrondo e o sol se foi totalmente. O chão do cemitério tremeu e um vento forte passou por Elena assustando-a. O local começou a ser invadido por um nevoeiro, e Ela observava tudo atentamente. A mesma então voltou a olhar para os túmulos e o quadro quebrado ao lado.
– Meu Deus! O que eu fiz? – Elena começou a juntar os cacos de vidro e se cortou. – Droga... – Disse Elena tirando a foto da moldura quebrada que ainda estava inteira.
Quando ela guardou o Diário com a gargantilha e a foto, o lugar estava tomado por uma forte névoa. Ela saiu andando com dificuldade, pois não podia enxergar direito por onde andava, tropicava.
O nevoeiro abaixava cada vez mais sobre o cemitério, Elena tinha cada vez mais dificuldade para enxergar e já estava escuro. Com os passos acelerados Elena atravessou uma nuvem forte de nevoeiro, e ao passar por ela percebeu que era uma onda marítima da maré baixa. Ela estava com um biquíni simples, coberto com um sobre tudo branco com as pernas na água, ela viu Damon e ele no mesmo instante jogou água nela e em seus cabelos, acabando então por ser atingido por uma onda que o derrubou por inteiro na água.
– Ah,ah. Ah... – Elena riu. –O feitiço virou contra o feiticeiro!
– Ah, é? – Desafiou Damon.
Ele a agarrou segurando-a no colo e começou a rodopiá-la beira à maré. As ondas vinham contra os dois, mas eles eram fortes demais para que fossem levados por elas. Elena abria um sorriso estonteante enquanto ele a rodopiava, o sol refletia nos olhos claros de Damon. Mais uma lembrança angustiante
Ela saiu aceleradamente pelo portão do cemitério e viu Alaric encostado no carro a aguardando pacientemente.
– Ric? Você ta bem? – Revistou Elena.
– Estou, estou sim Elena, por que? – Interrogou Alaric com um olhar de quem não estava entendendo.
– Ric, como assim? Houve um tremor, o chão todo tremeu! Olhe o cemitério, ele está todo coberto por um nevoei... – Sem terminar a frase Elena apontava para dentro do cemitério, ele estava completamente nítido, como se ali nunca houvesse descido névoa alguma. – Eu sei o que eu vi e o que eu senti Ric.
– Eu entendo Elena, mas agora precisamos voltar para a mansão e pegar suas coisas, os outros logo vão partir e precisamos ir , pois já está ficando tarde. – Disse Alaric.
Ao ver Alaric entrando apressadamente no carro ele ligou o motor. Elena olhou para trás em direção ao cemitério aberto, e lá estava o nevoeiro.
Chegando à mansão Elena viu um caminhão com o nome "Instituição de caridade Whitmore" passando da esquina.
– Ric, aquele caminhão estava na mansão? — Perguntou Elena estranhando.
–Eu acho que não, por que alguém o convocaria?
Elena não deu importância e depois de entrar foi direto para o quarto de Damon pegar suas malas. Ao entrar ela surpreendeu Caroline tirando todas as roupas dobradas de Damon das gavetas, as jaquetas e blusas do closet, e os sapatos estavam todos fora do armário. Elena entrou em um estado completamente alterado, ela estremeceu.
– Caroline, o que está fazendo? – Berrou Elena vendo tal cena, ela estava em choque.
Caroline olhou para Elena desentendida e tentou responder.
– Ah, eu só estou, limpando esse quarto, Elena. A faculdade está pedindo doações de roupas para Instituições de caridade, o caminhão já levou boa parte, achei que você não iria...
Caroline não terminou, pois Elena voou para cima de dela imobilizando-a com força na parede, segurando seu pescoço e apertando. Elena estava descontrolada.
– Como pôde mexer nas coisas dele, Caroline? Como? Como vc... Você as deu? Você as doou? Você as jogou FORA!!! – Elena gritava e Caroline tentava se defender.
– Elena, não... Pare! Alguém, por fa... – Caroline estava se sentindo sufocada e Elena a prendia mais na parede.
– Caroline, por quê? Você não devia... Você não tinha o direito de tocar nas coisas dele! NUNCA! – Elena agora mostrava as presas para Caroline e a erguia. – Não deveria ter tocado, não era seu! Você não tinha o direito de decidir nada, Caroline... NADA!
Stefan chegou por trás de Elena e a tirou com força de cima de Caroline, ele segurou seus braços, mas ela esperneava e se debatia gritando e chorando
– Elena, pelo amor de Deus... Pare! – Pediu Stefan segurando os braços de Elena para trás.
– Não, não, não, não! Ela tocou nas coisas dele, ela tirou-as do lugar, Stefan... Ela tirou de onde ele tinha deixado! Não, não, não... – Gritava Elena se debatendo.
Alaric entrou no quarto e ajudou Stefan a tirar Elena em total descontrole do quarto. Com muita dificuldade Ric tentava levar a garota, mas ela se contorcia e se debatia chorando. Caroline estava assustada e trêmula sem saber o que dizer ou fazer, já Stefan olhou para a situação dos pertences de Damon fora de seus devidos lugares, em cima da cama havia algumas coisas já empacotadas e embrulhadas. Faltavam muitas coisas dali.
– Não devia ter feito isso, Caroline! – Exclamou Stefan.
– Me desculpa! Eu não pensei que ela fosse... Ficar desse jeito, ela quase me matou Stefan! – Disse Caroline pasma com a mão sobre o pescoço.
– Eu sei Caroline, mas você precisa entender a grande besteira que fez! Elena está sem chão, ela não tem mais nada dele com ela! E você invade o quarto do meu irmão e decide que vai levar as roupas dele para uma Instituição de caridade na faculdade? – Stefan estava indignado. – Caroline, pense bem no que você fez!
– Tá, Stefan! Desculpe-me, ok? Eu não preciso que você fique me azucrinando com isso! Esse quarto é enorme, e não tem mais dono, as coisas estão todas empoeiradas e as roupas vão embolorar.
– Caroline, esse quarto sim, tem dono! É o Damon, e não é só porque ele não está mais aqui que lhe dá o direito de decidir o que fazer com as coisas dele. As únicas pessoas que podíamos fazer isso sou eu ou a Elena, eu fui claro? –Explicou Stefan com punho firme.
Está bem, Stefan. Desculpe-me! – Pediu Caroline abaixando a cabeça totalmente desconcertada.
– Não é comigo que você deve desculpas Caroline! Coloque tudo o que restou em seu devido lugar, cada peça exatamente onde estava e na mesma posição. Depois vá se acertar com a Elena e a chame para mostrar que todo o resto está como estava antes, sem nenhuma modificação. Quero ver como vai fazer pra recuperar os outros pertences.
– Mas Stefan eu não sei a ordem e posições dos pertences do Damon! E não há como recuperar, aquilo foi doado!– Reclamou Caroline.
– Se vira! – Stefan saiu do quarto e Caroline observava completamente encantada com a autoridade de Stefan, apesar de não ter gostado muito da forma que ele a tratou ela o admirou.
Depois que Caroline organizou os pertences de Damon no quarto, ela se dirigiu à sala de estar onde Elena estava. Ela entrou na sala vendo a mesma sentada em frente à lareira que estalava, a moça estava mais calma coberta com um edredom apreciando o fogo, paralisada. Ric trouxe um chá de camomila para Elena que estava mais abatida do que antes.
– Elena?! — Chamou Caroline com receio.
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