Paris
2 Capítulo II - Jake
Primeiro dia de aula, o que se esperar? Bom, claramente quando se está no segundo ano do ensino médio, você espera reencontrar os seus colegas do ano anterior que supostamente se tornariam seus amigos ou por você ser um aluno novo, chamaria um pouco mais de atenção (ou não) e talvez nos primeiros dias, levaria um tempo para se habituar a nova escola. Contudo, quando você estuda no mesmo colégio por vários anos e permanece sozinho, tudo se torna mais difícil para se tornar parte de um grupo. Isso se você quiser fazer parte de um.
Paris olhava-os seus colegas de classe formarem os típicos grupos, por exemplo: a filha dos Bourgeois era dotada de uma beleza sem igual, cabelos ruivos e longos de pele levemente morena e olhos azuis como o céu, além disso, sua personalidade era como dizer “Olá, eu sou gentil e adorável com todos, não tenho qualquer preconceito”, o que a tornou popular... Assim como sua mãe em seus tempos de colegial, contudo, a personalidade é extremamente oposta e Paris não aguentava o quão doce aquela garota podia ser... Já os gêmeos da família Lahiffe, conhecidos mais como a dupla cômica, estava totalmente fora dos parâmetros de Paris, pois não sabia lidar com a energia excessiva de ambos e muitas vezes a aparência que exibiam era demais para a garota. A pele morena e os olhos cor amêndoa, cabelos castanhos e ondulados... Além de serem atléticos, o que os deixavam com um físico atraente para muitas garotas, ou seja, mais uma dupla popular e que ela preferia manter distância. Outro que se destacava, era o filho adotivo da família Lavillant Couffaine. Um garoto tranquilo e claramente o “Príncipe”, pois o mesmo de cabelos negros, tinha um par de olhos verdes que as garotas simplesmente suspiravam, além disso, é alto e jogador do time de basquete da escola... Bom, todos haviam ficado chocados ao saberem que seus pais, na verdade é um casal homossexual, sendo mais específica... O casal é simplesmente Juleka e Rose. As duas apenas começaram a namorar depois de uma festa, onde se reencontraram pela primeira vez desde a formatura da faculdade, levou um tempo a mais para realmente firmarem o relacionamento, mas basicamente, tudo começou ali. Enfim... Eles são os mais populares e Paris não queria se misturar com nenhum deles pelo simples fato de não conseguir considerar-se parte do mundo deles, mesmo sendo filha de Adrien e Marinette. Entretanto, para sua infelicidade, os quatro citados caíram justamente em sua turma... Pela sétima vez seguida.
Era um inferno, já que para sair da sala, tinha de enfrentar uma multidão acalorada. Isso sem contar com os gritos infernais de alguns “fãs”...
O que Paris não sabia, é que ela também é considerada popular. Sendo apelidada da forma mais clichê possível, como “Lobo Solitário”. E entre tantas garotas, estava na segunda posição do Colégio como a mais bonita, apenas perdendo para Lina Bourgeois.
Seu comportamento anti-social foi o que mais chamou a atenção, logo depois, a expressão de indiferença e em seguida, a perfeição nos esportes e notas. Nisso, ela fica em primeiro lugar. Não que ela se importe, na verdade, odiava ser taxada como a aluna exemplar... Não, a aluna perfeita. Já que também não discutia com nenhum de seus professores e funcionários.
Após as três primeiras aulas, o intervalo chegou e ao invés de sair como sempre e enfrentar a multidão para pegar seu lanche... Uma mão interrompeu seu raciocínio ao pousar sobre sua mesa e uma voz um tanto grave chamar sua atenção.
— Paris Agreste-Cheng?
>— Paris
Estava ajeitando meu material dentro da minha mochila antes de me preparar fisicamente e psicologicamente para enfrentar a multidão que não levou nem um minuto para se formar em frente a porta da sala, contudo, levei um pequeno susto ao perceber alguém me chamar... E aquela voz, eu a conhecia bem, porém, nunca cheguei a trocar nem sequer um “oi” com o garoto.
Ergui meu rosto para encarar o mesmo... O que foi um pouco desconfortável, levando em conta que ele é muito mais alto.
— Jake Lavillant Couffaine... O que quer comigo?
— Direta, gosto disso... — Ele sentou ao meu lado, contornando seu braço direito em volta do meu pescoço, me abraçando. — Seja minha namorada, sim?
— Não, obrigada. — Irritada, empurro o braço dele de maneira brusca e me levanto, pegando minhas coisas e me dirigindo a saída. Porém, ele bloqueia a minha passagem, pulando por cima da mesa e se posicionando na minha frente. Merda de altura. Mais uma vez, olhei para ele. — Saia da minha frente.
— E se eu não quiser? – Sorriu ele de maneira maliciosa.
— Ora, Jake... São sete anos consecutivos. Para mim é um pouco inusitado você vir somente agora falar comigo.
— Então era eu que deveria ter dado o primeiro passo? Vocês mulheres... — O poste ambulante soltou uma risada sarcástica, baixa, mas audível para mim. — Apenas venha comigo e explicarei melhor os detalhes.
— Sua maneira de se aproximar das pessoas é surpreendente. Me ensina essa abordagem, quem sabe eu a use em um evento futuro. — Esbocei um pequeno sorriso e logo dei meia-volta, tentando escapar pelo outro lado.
Entretanto, a vida estava sendo bastante injusta comigo naquele momento. Ele, como estava no corredor do meio entre as mesas, apenas precisou acompanhar meu ritmo ao sair pelo corredor direito, que era entre as mesas e a parede. O que logo o deixou novamente em minha frente e eu apenas não tinha percebido, mas já havia um burburinho irritante comentando sobre a situação.
— Você faz até que uma expressões interessantes... — Ele disse ao se aproximar — Mas já que não vai por bem, irá por mal.
Assim que Jake terminou a frase, me pegou no colo me colocando sobre seu ombro... É assim que o Príncipe deveria carregar uma garota? Ao menos mantenhas as aparências. Bufei. Não me debati ou algo do tipo, não tinha nem como fazer tais coisas... Merda de altura.
Ok, ok... Eu sou baixinha, apenas 1,53... E ele? Bom, acho que ele tem 1,78... E esse idiota ainda irá crescer mais um pouco até seus 21 anos. Eu? Aposto que não chego nem no 1,60 até os 18 anos.
Todos ficavam espantados com a cena, alguns até se corriam de inveja ou ciúmes. E eu... Eu quero mais é descer e dar um soco entre as pernas desse poste ambulante.
Tudo o que eu queria, era não me envolver com Jake, pois ele tem uma reputação enorme dentro e fora desse Colégio Dupont. Ele se tornou modelo aos seus sete anos, já que por influência de Rose que é fascinada por tais coisas e Juleka que trabalha como fotógrafa de modelos e até mesmo de pessoas famosas, além disso, tornou-se parte do time de basquete não só da escola, como do time mirim de Paris... Para mim, me envolver com ele é ruim. E ele me pedir em namoro... Impossível! Jake Lavillant Couffaine está na lista de namoros proibidos! Assim como os gêmeos!
No final do meu pequeno passeio, fui colocada no chão e até então, eu não havia parado pra reparar aonde estávamos indo... Até agora.
— Por que estamos fora da escola? — Pergunto, olhando para a pequena lanchonete a minha frente.
— É só hoje Paris, além disso... O que perdemos no primeiro dia? É só um bando de gente se conhecendo e se revendo.
— Diz isso como se não fizesse parte. — Resmunguei, adentrando ao lado dele na lanchonete.
— Eu preciso manter as aparências.
— Claro, me carregar como um saco de batatas é manter as aparências.
Revirei os olhos, desgostosa. Nos sentamos no fundo da lanchonete sem que houvesse uma janela do lado. Uma escolha minha e eu o obriguei. Fizemos nossos pedidos, os quais são compostos por um milkshake de morango (meu) e um x-bacon, uma pequena porção de batatas-fritas e um refrigerante diet (dele)... Que irônico.
— Então, o que quer falar comigo?
— Cara, você é tão chata... — Jake estalou a língua e pendeu a cabeça para o lado, suspirando. — Olha, eu preciso que me ajude a conquistar uma garota... Achei que você seria a melhor opção.
— Por que eu seria? Não tenho amigas e nunca namorei... — Comentei, percebendo os pedidos serem colocados em nossa mesa.
— Por isso mesmo! Você, como mais ninguém naquele colégio, deve saber como deveria ser um relacionamento... Quer dizer, você não me parece o tipo que ficaria com alguém por simples prazer. E eu também não quero isso.
Oh, ele analisou razoavelmente bem.
— De fato... — Coloquei o canudo no milkshake e comecei a tomá-lo, encarando seriamente meu colega de turma... Vulgo, quero manter distância. REJEITE O PEDIDO! — Quem seria a garota? Além disso, a maioria acha que você é gay, então...
Após dizer isso, a bata-frita que ele mastigava foi cuspida e caiu diretamente em mim.
— O-O QUE?!
Irritada, peguei um guardanapo e me limpei, apenas ouvindo os xingamentos contra essas pessoas.
— Apenas aceite, o pessoal tem a tendência de julgar o livro pela capa. E com você não foi diferente, até porque, a grande parte de seus fãs, são homens. — O encarei e notei que ele estava mais confuso ainda, tentando processar a informação... Aposto que não havia nem reparado nesse detalhe. — Se você quer conquistá-la, primeiro veja se ela não pensa o mesmo como os outros... Se ela pensar, bom, só tenho a dizer que o caminho vai ser mais difícil.
Estava para me levantar, dando por encerrado aquele assunto. E pensar que seria pra isso que seria chamada e até mesmo tirada da escola... Contudo, um senhor que sentava em um dos bancos de frente ao balcão, começou a descer, mas tropeçou e alguns de seus pertences caíram. O ajudei antes que ele pudesse atingir ao chão, me fazendo de almofada.
— O-obrigado jovem... Está tudo bem? Mesmo sendo um senhor, sou muito pesado. — Disse com uma voz rouca e tons de preocupação.
— Ah sim, estou bem. Eu que deveria lhe fazer essa pergunta. — O ajudo a levantar, recolhendo suas coisas, os entregando em seguida. – Tome mais cuidado, a cadeira é alta para o senhor.
— Obrigado jovem, seguirei seu conselho na próxima vez. — E ele sorriu, indo embora logo em seguida ao pagar a conta... Com minha ajuda, pois ele não alcançava o caixa. Me senti um gigante perto dele, poucas ocasiões que pude sentir isso.
Quando o senhor saiu, Jake veio se despedir, dizendo que pesquisaria sobre a menina...
Esse bastardo nem para me ajudar. Príncipe uma ova, está mais para um ogro! Nem me perguntou se estava bem... Inútil.
Fui pagar pelos lanches, já que o poste deu a desculpa que estava sem dinheiro e saiu correndo. Contudo, deixei algumas moedas cair e nisso, avistei uma pequena caixinha preta e deduzi que fosse do senhor de minutos atrás. Paguei rapidamente e corri atrás do mesmo, pensando que poderia alcança-lo. Entretanto, depois de uma hora correndo, não o encontrei e resolvi voltar para casa com a caixinha guardada em minha mochila. Se eu o encontrar, o devolverei com certeza.
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