Parfait
1 Mon Amour
Por um segundo me senti apaixonada, encantada com tudo o que ele podia dizer, fazer. Desejei seu abraço, desejei que seus olhos azuis estivessem encarando-me com todo aquele desejo, aquele amor.
Até que enfim, depois daquelas palavras, senti-me agraciada por sua amizade. Encarei-o ainda, engolindo em seco, tentando controlar minhas emoções que teimavam em se rebelar, aquelas lágrimas presas que queriam escapar pelo canto de meus olhos...
Suspirei. Aquele mesmo amor ainda manteve-se. Finalmente aquelas gotas salgadas escaparam de minhas órbitas, percorrendo a fina linha de meu nariz e finalmente parando em minha boca, onde pude senti-las. Gastei um pouco de tempo, desviando minha total atenção dele, para limpar as que ainda não haviam encontrado seu dramático fim em meus lábios.
O fim, eu queria saber o fim de tudo. Queria saber onde aquelas palavras iriam me levar... Onde iriam levá-lo.
É, aquelas palavras perturbaram-me por um segundo, mas logo meu coração se encantou novamente, já havia me controlado mais uma vez. E, sem ao menos perceber, sem nem entender também a razão, já não me encontrava tão encantada... E logo percebi o que ele realmente era.
Meus olhos agora arregalaram-se. Foi como um soco na cara. Ele era lindo e ao mesmo tempo horrível. Colocou-me contra a parede num segundo. Chutei-o longe, ao chão...
Assustada tentei secar minhas lágrimas que teimavam em cair.
Engraçado... Por um segundo realmente acreditei nele.
Me senti tão apaixonada que me deixei iludir.
Que pena, não terá mais meu amor... Suas palavras me seduziram e também me assustaram...
Não tem problema, posso dedicar meu amor a outro. Outro personagem, bem mais perfeito que você. Já não ligo mais. Romeu, Darcy, Heathcliff... Tão melhores, mais perfeitos...
Iludi-me por alguns segundos ao imaginar que você era melhor do que os outros que eu tanto amava.
Ah, meu amado Romeu, volto agora para você...
Ao sem querer tentar descobrir outros livros, acabei iludindo-me de amor. É, um personagem... Apenas um personagem.
Mas por poucos segundos realmente acreditei nele.
Aproximei-me do livro que com tanta raiva jogara no chão, tomando-o em meus braços com cuidado. Meus dedos voltaram a percorrer as páginas.
É, pelo menos no começo ele parecia perfeito... Então vou ficar apenas com o começo.
Afinal, se apenas nos livros posso encontrar esses personagens perfeitos, por que não deixá-los perfeitos? Por que os autores teimam em colocar defeitos e mais defeitos neles?
É, apenas nos livros...
E, em meu momento de tal ódio àquele personagem, talvez ao autor que tinha o transformado em tal horrível personagem, arranquei as páginas em que começara a odiá-lo, mantendo todo meu amor nas páginas iniciais e rasguei-as, jogando-as pela janela aberta.
Deixei-os perfeitos, pelo menos isso, já que nunca poderão existir.
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