Odor de sal, impregnando-se entre o sangue seco das roupas, consumindo o vago deslizar da água e deixando apenas o silêncio... silêncio esse que criava vozes, vozes que criavam monstros, monstros que criavam sombras, sombras que criavam medos e medos que se misturavam ao sal e aos músculos tencionados de uma caminhada interminável.

Um labirinto de pedra em que a saída brilhava em dourado no topo, mas as paredes lisas e úmidas tornavam a escalada impensável e por isso enterrada sob a salmoura, fazendo-o buscar dia após dia uma saída ao alcance das mãos, dia após dia frustrando-se com o não encontro que só fazia tornar mais desejável tal saída, idealizando-a, esquecendo-se por completo da saída que já existia ao topo, quase clamando para ser vista.

Mas o clamor era vazio, a salmoura anestesiava os sentidos e mantinha os olhos voltados para baixo.