Paredes de ar
5 Passos no corredor
Largou o celular no gabinete da cozinha, o calor emanando dos poros, uma força que se estendia pelo corpo, força de quem pode ter o mundo nas mãos. Deixou tudo para trás, ergueu os olhos e atirou-se no curto e largo corredor. Rumores altos soavam no piso escuro do corredor, corpo leve, passos pesados, cabeça erguida, coluna ereta, passadas largas, sobrancelhas franzidas, ar se afastando e roçando em sua pele, pernas se dobrando, fazendo curvas. Empurrou a porta entreaberta num ímpeto de habilidade que ela não tinha. E tudo que via era o quarto estreito e ela, sozinha, naquele mundo minúsculo. O calor se dissipou, a força ruiu. O mesmo de sempre. Mesmo depois dos nove meses de um namoro agora terminado, continuava tudo o mesmo: ela sozinha no quarto, olhando a luz dourada que vinha da janela, poucos contatos no whatsapp e sem coragem para falar com nenhum deles.
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