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9 Capitulo 9
Notas iniciais
Eu e Rodgers ficamos com Martha até uma enfermeira entrar e medicá-la dizendo que a paciente precisava descansar, concordamos e saímos do quarto. Prometi que voltaria e Martha me pediu que da próxima vez, trouxesse uma garrafa de vinho, já que aquele hospital só tinha água e suco de pacote, eu ri concordando, enquanto Rodgers repreendia a mãe. Apesar de nos conhecermos a pouco tempo, gosto dela, Martha por mais sofrimento que tenha passado, é uma pessoa muito divertida e temos um assunto em comum que rendeu boas risadas, Rodgers e seu mau humor crônico.
Na volta para casa, pensava em como minha vida era monótona em Los Angeles, as mesmas pessoas, os mesmos sorrisos, tudo tão previsível que já não tinha mais graça alguma, e quando soube que mudaríamos para a Big Apple achei que seria a mesma coisa, até me sentar na mesma mesa que aquele garoto de olhos azuis, barba por fazer, cabelo desgrenhado e comportamento nada amistoso. Os seus olhos eram tristes e carregavam um mistério que eu senti necessidade em descobrir, além que não posso negar, ele não é de se jogar fora, apesar de andar por aí como se não visse um bom barbeador e um pente há algum tempo.
–Katherine Hougton Beckett, posso saber onde a senhorita estava?–Mamãe perguntou sentada em sua poltrona com os olhos fixos em um livro, meu plano de passar pela sala e ir até meu quarto sem ninguém notar que eu estava fora de casa, definitivamente não foi bem planejado.
–Mãe, a senhora vai acabar matando alguém desse jeito! O que está lendo...–Me aproximei dela olhando para o livro, precisava que ela esquecesse que eu estava fora de casa e, principalmente, que desobedeci a uma ordem. –O Código Civil, leitura interessante! Isso me faz lembrar que acabei de descobri no campo do Direito Civil a área que talvez, eu trabalhe no futuro. –Sorri esperando pela sua reação, ela se acomodou na poltrona abaixando o livro para me encarar com os olhos curiosos, sabia que tinha tocado em um assunto que lhe interessava.
–O quê?! Direito Civil? Desde quando você tem essa.... Katherine Beckett! Essa foi uma boa tentativa, mas não vou cair nesse golpe de novo! Quero saber onde estava? Apesar de seu pai e eu termos dito para ficar em casa. –Ela ergueu uma sobrancelha, cruzando os braços, olhando fixamente para mim. Sabia que não tinha jeito, iria ter que falar.
–Eu gentilmente fui fazer uma visita a uma amiga que está em um hospital e fui levar algumas flores, só isso. –Usei a minha melhor cara de inocente enquanto Johanna Beckett ainda me encarava do mesmo jeito que fazia nos tribunais.
–E essa amiga tem algum parentesco com aquele garoto de hoje mais cedo, um parentesco como... Mãe, talvez? –A pergunta era ironia pura e eu vi que ela já sabia a resposta.
–Talvez...
–Sei! –Ela voltou os olhos para o livro novamente e eu resolvi ir para o meu quarto antes que voltasse ao assunto. –Lanie ligou.
–Lanie! –Voltei imediatamente, quase saltitando de alegria. Não falava com Lanie desde que sai de LA, e isso para nós é uma eternidade.
–Sim, eu disse que você tinha fugido de casa e ela falou que iria ligar quando você voltasse. -Sorri do sarcasmo dela e voltei a caminhar para o meu quarto. Precisava dormir um pouco e não estou muito interessada em ser interrogada pelos meus pais. –Quando o seu pai chegar vamos conversar sobre esses seus passeios com esse garoto, viu mocinha! –Ela gritou enquanto eu subia as escadas para o meu quarto. Eu sabia que não poderia ter terminado tão fácil assim, então nada como um velho truque de dormir para fugir das perguntas dos meus pais, pelo menos por hoje.
Estava tão cansada que logo depois do banho, mal me deitei e já peguei no sono, não vi mais nada, meus pais não me incomodaram com suas perguntas impertinentes sobre minha relação com o Rodgers. Não há nada a ser dito, nós somos apenas amigos ou colegas de classe... Tanto faz! Meus pais não parecem acreditar muito nisso e desde que disse a eles sobre o Rodgers as perguntas passaram de "como é o nome do seu amiguinho?" para "Quando vamos conhecer a família dele?". Sério?! Que tipo de perguntas são essas?! Deus queira que amanhã eles não comecem com tudo outra vez!
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POV RICK
Acordei assustado, tive um pesadelo que não consigo lembrar e quase cai daquele sofá minúsculo, só então percebi a dor irritante na minha nuca, por provavelmente ter dormido em uma posição nada confortável. Massageei a nuca e estiquei as costas, o meu corpo todo doía, mas não reclamo. Ver minha mãe dormindo naquela cama de hospital, me fez lembrar o porquê é necessário que eu durma aqui e para protegê-la do idiota do Chad, dormiria nesse sofá desconfortável pelo resto da minha vida.
–Richard...
–Oi mãe! –Me aproximei da cama com um sorriso no rosto.
–Richard, você já não devia está na escola? –Olhei para o relógio preso na parede apenas para confirmar que ela estava certa, mas isso não importa. Não planejo sair daqui.
–Mãe, eu não vou à escola! Vou ficar aqui! –Sentei novamente no sofá, olhando para ela.
–O quê?! Faltar mais um dia?! Negativo Richard, vá pegar suas coisas e já para a escola! –Ela me olhou do mesmo jeito de quando eu era pequeno e me escondia para não ir ao dentista.
–Mãe...
–Não tem discussão, você vai e acabou! Não vou permitir que aquele diretorzinho arrogante tenha motivos para implicar mais ainda com você!
–Mas eu não posso deixá-la sozinha! –Me aproximei novamente da cama com o peito apertado só de pensar na possibilidade de algo acontecer a ela enquanto não estiver por aqui, ela segurou a minha mão me olhando nos olhos.
–Eu vou ficar bem, não pode parar a sua vida! A educação é a coisa mais importante que deixarei para você, e não vou deixar que perca nenhuma oportunidade de ter uma vida melhor por minha causa. Para isso você precisa estudar, meu filho! –Ela me olhou com ternura e eu suspirei resignado, não teria nenhum argumento que a fizesse mudar de ideia e me deixar ficar.
–Tudo bem... Eu vou! –Beijei sua testa e ela sorriu como resposta. –Mas qualquer coisa eu volto correndo.
–Não se preocupe, não irei a lugar algum! –Dei um sorriso fraco ainda emburrado por está sendo obrigado a ir para aquele lugar.
Proibi a entrada de qualquer pessoa enquanto eu estava fora, a recepcionista do hospital me assegurou que ninguém entraria sem a minha autorização. Agradeci um pouco mais aliviado, apesar de saber que isso não era nenhuma garantia, já que Beckett entrou sem nenhuma dificuldade. Tentei afastar esses pensamentos e torci para que Deus ou qualquer força superior a nós, protegesse ela enquanto eu estaria naquela escola. E para piorar, ainda tenho que passar em casa para pegar as minhas coisas e ver se consigo tomar um banho. Espero não encontrar o Chad, porque não sei o que faria com esse desgraçado!
Para minha sorte não tinha ninguém em casa, suspirei aliviado, mas conseguia sentir o cheiro de cigarro, ele esteve aqui a pouco tempo e isso me enoja. Resolvi fazer o que vim fazer e sair daqui o mais rápido possível. Tomei um banho rápido, coloquei a roupa mais limpa que encontrei e saí daquele lugar com a mochila nas costas e alguns livros na mão. Preciso correr se quiser chegar a tempo para o segundo horário.
–Ei! Olha pra onde anda! –Agarrei mais forte os livros em minhas mãos, e para minha sorte, consegui retomar o meu equilíbrio e nenhum deles caiu. Seria péssimo se eu tivesse que pagar a biblioteca da escola por algum dano em qualquer um desses livros.
–A culpa é sua que anda por aí como se tivesse fugindo da policia e nem olha pra frente! –Eu olhei para a morena a minha frente confuso, afinal ela deveria pedir desculpas por ter praticamente me atropelado em frente a minha escola e não quase me agredir, certo?!
–Algum problema aí Lanie? –Um garoto moreno e com cara de poucos amigos chegou perto dela abraçando-a pela cintura.
–LANIE!! –Ouvi a voz da única pessoa que não pensaria em ver agora.
–Kate, garota quase eu não acho esse lugar! –Elas se abraçaram e eu definitivamente tinha perdido algum capitulo dessa historia.
–Eu sei. Você veio! –Kate saiu dos braços da amiga, para abraçar o garoto que tinha um sorriso amistoso nos lábios.
–Eu vim ver você... E não ia deixar ela em Nova York sozinha! –Ele apontou para a morena que deu um tapa em sua cabeça. Resolvi sair sem incomodar o que parecia ser um reencontro entre amigos, afinal tinha aula para assistir e não acho que tivemos o que se pode dizer.... uma boa primeira impressão um do outro. Então é melhor eu ir antes que se torne uma situação um pouco embaraçosa.
–Ei, Rodgers! Aonde você vai? –E lá se vai a oportunidade de ir embora sem ser notado!
–Assistir aula! –Dei um sorriso fraco voltando a andar para dentro da escola.
–Espera, quero te apresentar aos melhores amigos do mundo! –Kate riu gesticulando as mãos em direção aos dois que me encaravam. –Lanie e Espo... Esse é Richard Rodgers, o garoto mais mau humorado do mundo! –Eu revirei os olhos para ela que apenas sorriu encolhendo os ombros.
–Isso eu já percebi...–A morena se aproximou de mim, me analisando. -Então.. Você além de esbarrar com os outros por aí, ainda namora a minha melhor amiga?
–Lanie?! –As bochechas de Kate coraram furiosamente enquanto abaixava a cabeça, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. Achei adorável e resolvi desviar os olhos dela para encarar os dois a minha frente.
–Então você é o namorado da minha maninha! –O garoto moreno se aproximou de mim e meus músculos ficaram tensos com o olhar ameaçador que ele me lançava.
–Eu... Eu não... Não namoro com ela!
–Vocês podem parar com isso?! Quem foi que disse que eu namoro com ele... MINHA MÃE! Foi ela, não foi?! –Lanie riu e quando eu pensei que isso não poderia ficar mais estranho, ela me surpreende com um abraço.
–Prazer em conhecê-lo Rodgers, por mais que você não seja namorado dela...Ainda!
–Obrigado...Eu acho!–Eu sorri desajeitado e Espo segurou a minha mão. Na verdade se eu fosse uma pessoa paranóica, diria que ele estava tentando quebrar minha mão.
–Tudo bem, já chega de apresentações! Vamos logo, antes que Ryan desista e a mãe dele volte! –Ela riu sendo acompanhada pelos dois amigos e eu fiquei mais confuso ainda. –Você vem ou não?–Quando dei por mim, eu já estava seguindo-a. Minhas pernas pareciam ter obedecido ao comando dela sem ao menos eu perceber.
–Aonde vamos?
–Vamos à festa de boas-vindas! –Kate jogou os braços para cima, comemorando
–Tia Johanna vai nos matar se descobrir que por nossa causa você fugiu da escola. –Lanie tinha um sorriso malandro no rosto, ao contrario de Espo que tinha uma expressão preocupada.
–É só vocês ficarem quietos e ela não vai saber de nada. –Entramos em um taxi e Kate deu o endereço ao motorista.
–E você? –Lanie me olhou com os mesmos olhos analíticos de antes.
–Eu não estava a fim de ir para a aula! –Dei de ombros, me desculpando mentalmente a minha mãe por isso, mas eu odeio aquele lugar.
–Então eu salvei sua vida mais uma vez! Acho que posso me considerar uma heroína... Posso ser a Elektra, o que acha? –Kate riu colocando a língua entre os dentes, me olhando como uma criança, ao lado da amiga. De repente o ar pareceu escasso e meu coração parecia que ia sair pela boa. Sem saber o que responder, apenas revirei os olhos, me sentindo ridículo por não consegui responder a uma coisa boba como essa.
Não sei se é uma boa idéia seguir a Beckett até essa festa, contrariando minha mãe e talvez arranjando mais um problema, só que agora além de dona Martha, ainda tem os pais dela. Eles estão me ajudando e ter que acobertar a filha enquanto ela foge da escola para ir a uma festa, não é bem uma forma de ganhar confiança, mas por alguma razão já não consigo negar nada a ela, e muito menos sair do seu lado.
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