Paraíso secreto

3 03. "Você acredita em lendas?"


Notas iniciais
Me perdoem pela demora ;; Tive que reescrever o capítulo, mas finalmente está aí

Havia algo em Sam que me atraía. O fato de ele ser misterioso e sedutor. Eu me odiava por isso, acredite. Eu odiava tanto a mim quanto odiava o fato dele nunca se importar com nada. Ele era meu amigo, porém havia coisas nele que me fazia querer odiá-lo, e consequentemente me odiar por ser amiga dele e não conseguir odiá-lo. Mas que confusão! Cheguei à escola faltando poucos minutos para o sinal tocar. Corri até o meu armário e esbarrei com uma garota.

– Desculpa, me desculpa... – Falei enquanto reparava nos meus livros jogados no chão.

– Não se preocupe. – Ela sorriu para mim. Ajudou-me a pegar meus livros e se apresentou. – Meu nome é Sara.

– O meu é Leah, e me desculpe por derrubar tudo. – Rimos. O sinal tocou. – Eu preciso ir, tenho aula de física agora.

– Professor Eliot?

– Sim. Você também? – Ela balançou a cabeça afirmando.

Fomos andando até a sala e conversando. Foram duas aulas de física. Não me importei muito, pois conversar com Sara fez tudo passar muito rápido. Não vi Sam durante o intervalo, nem na hora da saída. Sara era uma pessoa legal, amigável e doce. Sua pele era morena e cabelos longos e ondulados. Ela era bonita, eu não podia negar.

Tão bonita quando Érica.

Voltei a pensar na noite anterior, sobre Érica na floresta, Sam logo em seguida, e os barulhos que escutamos na floresta. Me despedi de Sara e procurei por Sam, mas não o encontrei. Talvez não tivesse ido. Cheguei em casa, almocei e liguei para Melanie. Ela não atendeu, estava ocupada. Deixei o celular em cima da cama, peguei o notebook comecei a pesquisar sobre a cidade. Rovelood tinha seus mistérios e lendas, como vários outros lugares. Mas, era diferente. Abri uma página e comecei a ler:

“Rovelood é uma das cidades mais antigas e misteriosas da região. A começar por lendas que são usadas para explicar como a cidade surgiu. Bruxaria, vampiros, sacrifícios entre outros. A mais contada por nossos ancestrais, é a de uma família que morava no atual casarão proibido, no centro da floresta ao sul da cidade. A família era composta de um casal e dois filhos, a mais velha acusada de bruxaria, foi condenada á força pelos cidadãos. Como os pais se recusaram a entregar a filha, invadiram o castelo, e assim, a jovem amaldiçoou não só aquele local, mas toda a cidade de Rovelood. Por isso, durante a época de Hallowen, dizem que jamais devemos visitar o casarão, pois é quando o espírito da moça ganha forças, e procura o corpo de alguém fraco para dominá-lo e assim, vingar-se de toda a cidade.”

Essa era a coisa mais esquisita que eu já tinha visto desde que chegara á cidade.

xx

O dia seguinte amanheceu chuvoso. Prendi o meu cabelo em um rabo de cavalo e coloquei um casaco mais quente. Ao chegar à escola, vi Sam e outra garota conversando. Minha curiosidade falava mais alto, outra vez, então me aproximei deles devagar.

– Você não vai conseguir fugir por muito tempo, sabe disso. – Tomei cuidado para eles não me verem. Pude enxergar o rosto da garota. Era Sara. A garota que eu havia conhecido no dia anterior

– Eu só preciso de mais tempo. Conheço uma pessoa, ela tem algo que pode ajudar... – Sam falou enquanto passava a mão nos cabelos, deixando-os bagunçados.

– Seja rápido, por favor. – Ela sorriu fraco e ele a abraçou. Respirei fundo e passei direto, tendo cuidado para que eles não me notassem.

– Vai dar tudo certo. – Foi a última coisa que eu escutei Sam falar antes de me distanciar.

Minha terceira aula foi de química, ou seja, era uma aula inteira ao lado da minha dupla: Sam. Entrei na sala e ele ainda não tinha chegado. Sentei-me e não demorou muito para o professor chegar na sala. Sam chegou em seguida. Quando me viu, sorriu para mim.

– Escutar a conversa dos outros é feio, sabia? – Ele riu e sentou-se ao meu lado.

– Do que você está falando? – Eu sabia do que ele estava falando, da conversa com Sara.

– Ah, Leah... – Ele tocou a ponta do meu nariz – Você definitivamente não é boa pra “espionar” – Ele fez aspas com as mãos.

– Eu... – Tentei inventar uma desculpa qualquer, mas desisti. Eu não era boa com mentiras. — Droga. – Fiz uma careta e ele riu, fazendo com que o professor olhasse para nós. – Sam, eu preciso te fazer uma pergunta.

– E qual é? – Ele abria o livro na página que o professor havia pedido.

– Você... – Olhei em volta me certificando de que ninguém estava de olho na nossa conversa – Acredita nas lendas dessa cidade?

– Por que está interessada nisso? – Ele parou e virou-se para me olhar, com uma expressão confusa.

– Você acredita? – Perguntei novamente.

– Leah... – Ele suspirou.

– Você acha que é verdade? Sabe... Bruxaria?

– Acho melhor falarmos sobre isso depois. – Ele estava fugindo do assunto.

É claro que ele não falou. Nem depois, nem semana que vem. Três semanas se passaram e não tocamos mais no assunto. Vi Sara falando com Sam outras vezes, mas não dei muita importância para isso, preferi ignorar. Quando Melanie me ligou, contei para ela sobre tudo isso.

– Acha mesmo que existe um espírito assombrando aquele casarão? – Escutei ela gargalhar.

– Mel, por favor.

– Desculpe Leah, mas acho que isso é só história para pegar trouxas.

– Mas, a floresta... Ah, vou esquecer isso. Então, me conte sobre Paris!

– É tudo tão perfeito! Parece um sonho, queria que você estivesse aqui comigo Leah.

– Eu também queria estar aí com você, Melanie.

Era final de semana, o sol estava fraco então aproveitei para passear pela cidade. Fui até uma praça que tinha ali. Algumas árvores, dois balanços, um laguinho, duas mesas de xadrez e quaro bancos de madeira. Sentei em um deles e coloquei o fone de ouvidos. Vi um grupo de garotos se aproximarem, todos aparentavam ter a mesma idade, e quando um deles olhou para mim, pude ver seus olhos castanhos claros. Ele era lindo, seus cabelos escorridos e ruivos combinavam perfeitamente com o seu tom de pele. Tão perfeito quanto Sam! Senti um calafrio percorrer meu corpo, o garoto sorriu e desviou o olhar. Fechei os olhos por alguns minutos prestando atenção apenas na música que tocava. Alguém sentou do meu lado, abri os olhos e pude ver o tal garoto ruivo.

– Você conhece o Sam, não é? – Continuei séria, olhando para ele. – Desculpe, eu me chamo Thomas – Ele estendeu a mão.

– Prazer em conhecê-lo Thomas – Sorri e apertei sua mão. – Por que quer saber?

– Nada.

– Desculpe se fui grossa... – Ele riu.

– Tudo bem. É que eu estou atrás dele... Estamos, na verdade. – Ele apontou para o grupo de garotos que eu vi chegando com ele.

– Posso saber sobre o que é? – Talvez seja algo ruim, não vou entrega-lo. E se por acaso eles quiserem bater no Sam? Ah, sem chances.

– Não vamos machucá-lo. – Ele riu. Fiquei o encarando por alguns segundos.

– Eu preciso ir. – Eu estava com medo, ele me assustava.

– Não precisa ter medo. – Ele segurou meu braço.

– Não estou com medo. – Blefei. Eu estava com medo, muito medo. Aquele garoto era estranho. Encantador, porém estranho.

– Leah, você precisa dizer onde ele está.

– Como sabe meu nome? – Voltei a me sentar.

– É uma longa história. – Ele me soltou e desviou o olhar.

– Adoro histórias! – Eu adorava ser irônica.

– Acredita nas lendas dessa pequena cidade, Leah? – Fiquei séria.

– Não... – Menti.

– Devia começar a acreditar. Logo tudo começa a ficar estranho, e se quiser sobreviver é melhor ser esperta, lindinha. – Ele piscou e se levantou indo na direção dos outros garotos. Levantei e fui para casa, peguei o telefone e liguei para Sam.

– Leah?

– Sam, precisamos conversar.

– O que houve?

– Que tipo de relação você tem com Thomas? – O ouvi resmungar – Ele me perguntou sobre você.

– Ele fez alguma coisa com você? – Ele pareceu preocupado.

– Quem é ele Sam, e o que ele quer?

– Onde você está?

– Indo para casa... Estou numa rua antes da minha, não pensei que fosse tão deserta á essa hora.

– Estou indo para aí, nos vemos na sua casa.

– Tudo bem, daqui a dez minutos eu... – Escutei um barulho, olhei para trás e vi um dos garotos que estavam na praça – Sam?

– Sim?

– Tem um garoto atrás de mim. Ele é um dos garotos que estava na praça...

– Merda.

– Devo me preocupar? – Acelerei os passos.

– Leah, ande mais rápido, não olha para trás. Certo?

– Você está me assustando...

– Eu estou indo par aí, qualquer coisa grite. Está me ouvindo?

– Estou. – Eu estava quase correndo, o garoto estava andando mais rápido também. Eu estava ficando apavorada, aquele garoto me dava medo. Comecei a correr, parei ao perceber que não havia mais ninguém atrás de mim. Respirei aliviada, e ao me virar para continuar andando, dei de cara como tal garoto.

– Está com medo? – Ele sorriu de canto.

– De você? Não. – Minha voz falhou.

– Parece assustada – Ele se aproximava cada vez mais, enquanto eu recuava.

– O que você quer? – Falei num tom mais alto, tentando parecer firme.

– É uma história muito longa, permita-me lhe contar... – Ele passou a mão pelo meu rosto. Sua mão gelada me provocou arrepios.

– Não toque em mim – Sussurrei. Minhas mãos tremiam e senti a sua outra mão segurar firme em meu pulso.

– Você não me parece tão corajosa agora. – Ele riu e se aproximou mais. Preparei-me para gritar, quando alguém o empurrou contra a parede.

– Continua desatento, não é Nicholas? – Era Sam.

– Você está ferrado cara. – O garoto empurrou Sam e começou a dar socos nele, eu me virei e comecei a correr. O tal Nicholas era forte, Sam também, mas não conseguiria vencê-lo.

Notas finais
Acho que posso dizer que é daí que a história fica menos ruim. UHEUEHUEH Eu prometo que não vou demorar a postar o próximo capítulo u_u Aguardo os comentários de vocês
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.