Notas iniciais
Sim, eu sei que talvez vocês estejam com um pouquinho de raiva em seus lindos corações! Porém eu tenho meus motivos! Eu viajei para a casa da minha madrasta, minha internet é um lixo e a dela é MARAVILHOSA, aí eu pensei: Vou baixar as 3 temporadas que eu preciso e escrever pra caramba. Só que eu não parei desde que cheguei aqui, já baixei 25 temporadas de séries diferentes, é claro, isso é viciante gente! Consegui tempo pra escrever esse capítulo, segunda a noite estou voltando pra casa e provavelmente tudo estará se normalizando, espero que gostem da proposta do capítulo que é conhecer melhor os melhores amigos dos nossos protagonistas. @MoraineBoiler xoxo

No outro dia enquanto iam para a escola Marina contou tudo para a amiga Diana.

– E o que você achou?
– Do que?
– Do beijo dele, combinou?
– Combinou ué. – ela olhou pra baixo – Combinou muito – Marina deu ênfase no “muito” – Mais até do que eu esperava.
– Sério? Quem diria.
– Pois é, ele disse até que quer continuar ficando comigo, aí eu questionei sobre o carnaval estar chegando e ele disse que não se importava, ia ficar só comigo mesmo assim.
– Nossa que fofo. Eu já ouvi isso antes só que não era carnaval – ela deu uma pausa – pelo menos ele não tem como sumir – ela aumentou o tom de voz – você sabe onde ele mora, onde ele estuda.
– Isso é por causa do Enzo ou do veranista?
– Do veranista. Desculpa.

O nome do veranista era Leandro, mas o nome havia sido proibido depois dele não ter ligado mais, como se fizesse diferença, Diana sentia falta dele da mesma forma. O que ninguém sabia era que ela já havia achado o facebook dele, que verificava quase todos os dias, e tinha o número dele, mas se recusava a ir atrás, talvez por orgulho ou por medo de descobrir se havia acontecido alguma coisa ou se ele não queria nada mesmo.

O diferencial de Leandro para Diana era a seriedade com que ele a havia tratado, ele chegou uma semana antes do ano novo e ficou por mais duas semanas em janeiro. Ele havia alugado a casa ao lado da dela e ficaram amigos logo de cara, por mais que ela quisesse, não conseguia esquecer o primeiro beijo deles, era véspera de ano novo, todos estavam juntos na praia esperando o momento, quando o relógio marcou meia noite, ele sorriu, desejou feliz ano novo e a beijou. Já estavam sempre juntos, depois desse momento ficaram mais grudados ainda. No momento em que ele foi embora prometeu que ligaria sempre que pudesse, porque ele tinha acabado de entrar na faculdade, estava sempre ocupado.

– Ele provavelmente vai voltar no carnaval e vocês vão poder conversar.
– Não vou falar com ele Marina, ele nem deve lembrar-se de mim, afinal está seguindo muito bem.
– Como você sabe?
– Só um palpite. – Diana disse e Marina ficou desconfiada.

Enzo nunca dava detalhes de suas ficadas, mas talvez enquanto contava para Renan sobre ter ficado com Marina tenha se mostrado um pouco mais feliz do que o comum.

– Pelo visto você gostou.
– Bastante. – Enzo admitiu.
– Que bom, já pensou se tivesse que namorá-la e não gostasse do beijo.
– Muito difícil eu não gostar. – falou sem pensar.
– Ah para! – Renan o empurrou de leve – Já gamou?
– Para de ser idiota.
– Tudo bem eu deixo você se apaixonar.
– Já parou?
– Qual é cara? Estou te ajudando, assim fica mais fácil você ganhar a aposta.- Esquece isso.- A aposta? Está com medo?- Óbvio que não. Mas se toda vez que eu ficar com a Marina na sua frente você ficar falando que eu to apaixonado ou qualquer coisa do tipo, vai ser um saco aturar você. Parece até que nunca gostou de ninguém.

Renan olhou pra ele e abaixou a cabeça, Enzo suspirou sabia que havia falado demais, porque o amigo já havia gostado de alguém sim e gostado muito. Namoraram por dois anos, fazia sete meses que haviam terminado. Ela morava longe, fez o que podia e o que não podia pra manter o namoro, ia vê-la, passava alguns fins de semana lá, enquanto na cabeça dele a distância os fortalecia na cabeça dela foi um motivo para traí-lo, disse que se sentia sozinha e era melhor terminar.

Renan ficou arrasado, porém seu eterno bom humor conseguia disfarçar para quem era de fora, só os mais próximos sabiam o quanto ele havia ficado mal. Entretanto não deixou que a decepção lhe tornasse em alguém vingativo, não descontava nas meninas, era sempre sincero, não lhe dava falsas esperanças, só ele sabia o quanto ele se esforçava para não se envolver emocionalmente com nenhuma garota, mas havia uma que estava mexendo com ele recentemente, lhe despertava certa curiosidade e fazia com que ele tivesse vontade de se aproximar.

– Como foi o trabalho com a menina nova? – Renan mudou de assunto – Marina mencionou que você já havia feito. Ela é legal?
– A Victória? Sim, ela é divertida. Só é tímida.
– Ela tem namorado?
– Não que ela tenha comentado, por quê?
– Nada, só curiosidade mesmo.
– Sei.

Assim que Enzo apareceu no corredor viu Marina encostada na porta da sala, ria de alguma coisa com Diana, na metade do caminho finalmente ela o encarou e sorriu timidamente, e ele teve mais do que certeza de que aquela aposta era uma sorte porque além de incrível, ela era linda.

– Bom dia. – ele colocou a mão na sua cintura.
– Bom dia.

Ele olhou em volta e não havia nenhum professor ou coordenador por perto, apenas os alunos de sua turma. Então colocou a mão em seu rosto e lhe deu um selinho demorado.

– Como assim gente? – um dos alunos gritou lá de trás fazendo com que os dois rissem.
– Não pode ficar fazendo isso, ou seremos suspensos. – Marina disse mesmo tendo adorado o beijo.
– Eu tomei cuidado. Agora espera um momento que eu preciso fazer uma coisinha. Renan vem cá – ele puxou o braço do amigo e levou em frente a carteira da Victória — Vic, esse aqui é o meu amigo Renan, ele não entendeu a lição de física e eu sei que você é ótima nessa matéria, poderia ajudá-lo?
– Claro. – suas bochechas coraram.
– Obrigado, vou pegar o caderno. – Renan respondeu de olhos arregalados.
– Olha quem está bancando o cupido. – Marina disse assim que Enzo voltou para perto dela.
– Talvez só um pouco.
– Também estou com um problema amoroso aí pra resolver.
– Boa sorte, se precisar da minha ajuda, estarei aqui.
– Obrigada. – ela deu um beijo na sua bochecha.

O sinal da entrada tocou e todos foram para os seus lugares, Diana não estava com uma cara muito boa, era sempre assim quando tocavam no nome do Leandro. Já Renan estava com um sorriso disfarçado no rosto, Enzo notou e sorriu sozinho, o amigo era como um irmão. Tocou o sinal do intervalo e Diana arrastou Marina pelo corredor e parou na porta do banheiro.

– Estou apertada, mas antes cadê seu celular?
– Descarregando.
– Então pega o meu, manda uma mensagem pra Roberta, pergunta quando vamos vê-la, porque ela sumiu.
– Ok.

Diana entrou no banheiro e Marina “passeou” pela agenda da amiga, tomou um susto quando viu que na agenda havia escrito o nome de Leandro e um coração do lado. Ficou pasma, ela estava passando por aquilo sem motivo, já que tinha o número dele, mas provavelmente não entrava em contato por orgulho. Salvou o número dele com o resto de bateria que lhe restava, mandou a mensagem para a Roberta e esperou que a amiga saísse.

– Diana porque você nunca entrou em contato com o Leandro se estava com o número dele o tempo inteiro no seu celular? – Marina perguntou.
– Porque isso não é função minha.
– Em que século você vive? Ninguém está dizendo pra você pedir pra namorar ele. Só pra falar um “oi”.
– Eu não vou fazer isso Marina. – Diana puxou o celular da mão da amiga provavelmente temendo que ela enviasse uma mensagem sem sua autorização.
– Tudo bem Diana, não faça. Só que agora eu vou saber que pelo menos metade do seu sofrimento é sua culpa, porque você podia muito bem acabar com essa dúvida, se ele perdeu seu número ou se não quer nada com você.
– E se ele não quiser nada comigo?
– Você seguiria em frente, melhor do que ficar parada no mesmo lugar.
– Marina eu não vou mandar mensagem e nem vou ligar pra ele, agora vamos esquecer esse assunto porque eu não quero me desentender com você.
– Ok, só estava falando pro seu bem.
– Eu sei, mas chega desse assunto.

No pátio da escola Enzo ficou olhando e segurando um pouco a vontade de rir enquanto observava Renan com um olhar perdido.

– Como foi com a Victória? – finalmente perguntou.
– Como assim? Não aconteceu nada, ela só me explicou a lição.
– Então, eu queria saber se você entendeu.
– Entendi.
– Ah sim. Não era isso que você queria quando me perguntou sobre ela?
– Era. – Renan pigarreou.
– Ela é bem legal né?
– É. – ele olhou torto para Enzo – Não estou entendendo essa conversa.
– Eu que não estou entendendo o porquê que você não me disse antes e ainda está tentando me esconder que é afim dela.
– Eu não sou afim dela, queria ajuda na matéria.
– Até porque quem tem duvida na matéria pergunta se a pessoa tem namorado né?! – Enzo deu um tapa de leve na cabeça do amigo.
– Está bem, não sou dos melhores em disfarçar. Só não queria que você ficasse me zoando.
– Igual você me zoa com a Marina? Fica tranqüilo, não sou igual a você.
– Você gosta.
– Ah claro. Mas enfim, você a chamou pra sair, pegou o contato dela?
– Eu mal consegui ouvi-la essa é a verdade, ela parecia que queria se esconder atrás do caderno.
– Isso pode ser um sinal.
– É, um sinal que ela não quer nada comigo.
– Ela é tímida Renan, mas comigo conseguiu falar normalmente. Se ficou tão tímida com você a esse ponto, ela pode estar interessada também.
– Desde quando você virou o Doutor Amor? Foi a Marina?
– Você é tão engraçado. – Enzo revirou os olhos. – Mas você precisa pegar o contato dela, nem que seja com a desculpa de tirar outras dúvidas. Com certeza ela é menos tímida pelo celular, não vai estar cara a cara é mais fácil se soltar.
– Você tem razão, vou tentar isso.

O sinal tocou em seguida, Enzo e Marina se encontraram no pé da escada, ele pegou sua mão e ela sentiu sua bochecha queimar, era a primeira vez que ele pegava na mão dela na frente do colégio inteiro e ela gostou tanto daquilo que nem ligou para os burburinhos que rolaram em sua volta.

As aulas se arrastaram, até que Marina tomou um susto com a sacudida que Diana deu em seu braço, assim que ela olhou a amiga estava com um papelzinho na mão, ela abriu e era de Enzo, “Posso te levar em casa hoje?”, pra alguns aquilo poderia não ser nada, mas pra ela significava que ele queria passar mais um tempo com ela. Marina então olhou na direção de Enzo e acenou com a cabeça dizendo que sim enquanto sorria discretamente, logo ganhou um sorriso de volta.

– O que estava escrito? – Diana perguntou.
– Perguntou se ele podia me levar pra casa hoje.
– E a apaixonadinha aceitou de cara.
– O que é que tem? Ele só quer me fazer companhia, onde isso significa que eu estou apaixonada.
– Sei. – Diana deu um riso debochado e voltou a prestar atenção na aula.

Do outro lado da sala, Renan não perderia nunca a chance de provocar o amigo, ainda mais depois do intervalo onde havia sido zoado por estar afim de Victória.

– Vai levar ela em casa, que fofo gente.
– Você conseguiu ler daí? Para de ser fofoqueiro.
– Achou que eu ia perder a chance de te zoar?
– Não, eu acho que você não está prestando atenção de propósito, pra depois pedir ajuda pra Victória.
– Haha muito engraçado.

Eles nunca ficavam com raiva um do outro. Na hora da saída Enzo e Marina foram andando de mãos dadas enquanto conversavam.

– Ajudou o Renan?
– Ele admitiu que estava afim dela, mas também está na cara. Acredita que ele teve a coragem de perguntar pra mim se ela tinha namorado e depois dizer que só queria tirar a dúvida da matéria com ela?!
– Que desculpa mais esfarrapada – Marina riu – Achei que só as meninas faziam isso pra disfarçar o que estavam sentindo. – Ela disse sem perceber que talvez estivesse descrevendo a si mesma.
– Pois é, agora você está vendo que até os homens fazem isso, mas e você ajudou a Diana?
– Na verdade eu fiquei bem surpresa, ela ficou com um veranista e depois ele não deu sinal de vida, mas eles ficaram juntos umas três semanas, eu realmente acredito que tenha acontecido alguma coisa. Ela ficou sofrendo e reclamando e hoje eu descobri que ela tem o número dele.
– E porque ela não manda uma mensagem como quem não quer nada, só pra ver qual é a dele?
– Eu pensei a mesma coisa, mas ela acha que isso é função dele.
– Mas não é um pedido de namoro é só uma mensagem.
– Exatamente. – ela sorriu ao se lembrar que usou o mesmo exemplo, eles não eram tão diferentes afinal.
– E o que você pretende fazer?
– Eu peguei o número dele, mas ainda não sei mesmo o que fazer.
– Você quer que eu te ajude?
– Como?
– Eu acho que sei quem você está falando, se for quem eu estou pensando, nós nos falamos umas vezes enquanto ele esteve aqui, eu poderia inventar alguma coisa, perguntar se ele vai vir no carnaval, porque vai ter uma festa e a gente está colocando os nomes na lista e eu queria saber se ele estaria aqui.
– Mas e se ele perguntar de onde você arrumou o número?
– Eu digo que pedi a Diana, aí entramos no assunto sobre ela, aí eu vejo o que ele vai falar.
– Nunca pensei que fosse falar isso, mas você é um gênio!
– Eu sempre soube que ouviria isso da sua boca um dia. – ele deu um selinho nela.
– Convencido. – ela disse assim que parou no portão de casa.
– Sabe o quanto é difícil me controlar pra não te beijar na escola?
– Sim eu sei – ela admitiu envergonha sem olhá-lo nos olhos – Mas é melhor a gente se controlar pra não sermos expulsos.
– Tão comportada sempre.
– Você deveria prestar mais atenção no seu comportamento Senhor Representante.
– Pode deixar, tomarei mais cuidado. – ele respondeu no mesmo tom de brincadeira.
– Agora eu preciso entrar.
– Já?
– Já, e você devia também se quer um carnaval em paz e não cheio de tarefas.
– Tem razão, mas antes eu quero um beijo. – ele a tirou do chão.
– Precisa ser assim? – ela riu.
– É claro que precisa. – ele respondeu e a beijou por um bom tempo e depois a colocou no chão.
– Eu sei que a Diana vai me matar, mas eu vou aceitar sua ajuda.
– Fica tranqüila, ninguém mais vai saber disso, ok?
– Obrigada. – ela deu um selinho nele. – Tchau.
– Tchau.

Ela deu um tchauzinho e entrou em casa, ele ainda olhou o portão por alguns segundos antes de seguir seu caminho para casa.

Notas finais
E aí, gostaram? @MoraineBoiler xoxo