Paraíso Proibido

12 Capítulo 12. Pequenos momentos, Grandes lembranças


Notas iniciais
YAY! Demorei mais do que pretendia, me desculpem pelos dois dias sem postar :( Quase que não posto hoje também, mas estava ficando brava comigo mesma e falei: "eu vou terminar esse capítulo HOJE u.u" E assim que acordei eu comecei a escrever pelo celular, e então consegui terminar o/ aí já corri para cá postar, é claro :) Ficou um pouco grande, mas como agora já sei que minhas leitoras são amantes fiéis de um capítulo grande, eu já neeeem me preocupo ^-^ s3 Modéstia a parte: prontas para a explosão de fofura? haha *-* [Capítulo revisado, mas mesmo assim, perdão por qualquer erro.] Boa leitura!

Ísis PDV {Ísis: Ponto de Vista}

Quando eu a vi abrir aquele sorriso lindo, eu soube que tinha feito a coisa certa. Aquele era o meu sorriso, o sorriso que eu tanto amava, vindo da garota que agora eu sabia que amava por completo. Nunca entenderia como meus sentimentos puderam se transformar tão rápido, mas já não perdia mais tempo pensando nisso, agora eu queria perder meu tempo cultivando esse sentimento novo e podendo estar perto de Fernanda como queria. Aquela tarde saiu exatamente como eu havia planejado e tê-la ali, vendo o quanto ela estava feliz por aquele momento, tanto quanto eu, me fazia perceber que nada no mundo era mais importante que isso, que a felicidade dela — e eu queria ser o motivo dessa felicidade, todos os dias.

Mas o momento que me deixou realmente boba, foi quando Fernanda disse que me queria. Não saberia dizer as milhares de coisas que se passaram em minha cabeça quando pude envolvê-la em meus braços e beijá-la, era uma explosão, um apocalipse de emoções dentro do meu peito, sensações que eu nunca havia sentido e achei que jamais sentiria com alguém. Sentir seu corpo junto ao meu, poder acariciá-lo, poder beijar seus lábios doces e macios... A felicidade era tanta que transbordava dentro de mim. Naquele momento eu senti como se tivesse esperado minha vida toda para tê-la daquele jeito, para sentir o sabor do seu beijo, poder tocá-la daquela maneira, como se tivesse esperado a vida toda para que ela fosse apenas minha.

Eu não queria que aquele nosso momento acabasse nunca, queria poder ficar ali com ela para sempre. Uma vez que os lábios dela estavam sobre os meus, era como um feitiço, não conseguia me afastar, eu não queria me afastar, simplesmente não era capaz.

– Mas, Izie... Já é noite, e está chovendo muito lá fora. Que horas teremos que ir embora? — Ela fez uma carinha e um biquinho lindo ao falar.

Sorri.

– Quem falou de ir embora, pequena? Temos uma diária aqui, ou seja, podemos ir amanhã. Não precisa se preocupar com isso, está bem?

Ela deu aquele sorriso que eu amava. Não resisti, e voltei a beijá-la, apertando seu corpo contra o meu. Eu adorava o cheiro dela; mas não só o perfume, e sim o cheiro natural que vinha dela, eu enchia meus pulmões com aquele cheiro gostoso enquanto deslizava meu nariz pelo seu maxilar, chegando ao seu pescoço, onde marcava cada pedacinho de sua pele com beijos e leves mordidas que a faziam suspirar e arranhar minha nuca. Aquela posição em que ela estava, em cima de mim, seus suspiros quando eu beijava seu pescoço... Tudo aquilo estava começando a me tirar o controle. Meu corpo ardia, e sabia que ela ardia tanto quanto eu, podia sentir, mas eu não podia perder o controle tão rápido, não podia apressar as coisas, não com Fernanda. Eu não queria parar de beijar seus lábios, mas tinha que manter as rédeas firmes, pois meu desejo era fazê-la minha ali naquele sofá mesmo, sem me importar. E não podia ser assim.

Nós ficamos nessa troca de carícias por um tempo, então decidimos acender a lareira e ligar a televisão. Ainda era oito horas da noite, então tínhamos praticamente a noite toda pela frente. Abrimos a champanhe e tomamos a garrafa enquanto assistiamos um filme aleatório em um dos canais à cabo, com ela deitada entre minhas pernas. Repassava todos aqueles últimos momentos nossos enquanto acariciava os fios macios de seu cabelo... Eu a tinha para mim agora, ela era minha. De pensar que eu havia feito aquela loucura no começo da semana, de dizer aos meus pais que ela era minha namorada... Agora eu queria que ela fosse, não queria mais que ela saísse dos meus braços, não conseguia sequer me permitir o pensamento de deixá-la ir para longe de mim, de pensar nela nos braços de outra pessoa. Aqueles pensamentos me machucavam e me enraiveciam ao mesmo tempo, não era agradável. Saí desses devaneios quando Fernanda se mexeu e respirou fundo, um suspiro cansado.

– Fê? — eu a chamei.

– Hum?

– Dormiu?

– Quase — ela respondeu meio risonha. Então, suspirou. — Ficar assim com você é tão gostoso... Me deu soninho, está confortável aqui.

Eu sorri.

– Quer subir e ir pra cama? Não parece, mas nós já estamos aqui há mais de uma hora... Nós podemos ir dormir, se estiver muito cansada. Eu vou com você.

Ela se ajeitou e virou o rosto, me olhando.

– Vai mesmo? Vai dormir lá comigo?

– Claro, Fê, se você quiser...

– Eu quero — ela assentiu. Estava com aquela carinha linda de sono. — Vai me abraçar? Eu quero isso também...

– Bem apertado — respondi com um sorriso bobo, acariciando seu rosto com a ponta dos dedos.

Ela sorriu e me abraçou, me dando um selinho demorado; eu a apertei em meus braços. Meu mundo sempre parecia parar quando eu a tinha ali.

– Então vamos, Izie.

Eu me precipitei em desligar a televisão; o fogo na lareira já crepitava suas últimas chamas, então deixaria que se apagasse sozinho. Fernanda se recostou no sofá quando levantei, cheia de preguiça, e eu fui até a porta para trancá-la e apagar as luzes de fora — antes, dei uma olhada pela janela, afastando as cortinas claras, e ainda chovia lá fora, uma chuva constante, mas fraca. Eu voltei e peguei a preguiçosa nos braços, e ela prendeu a respiração acho que por não esperar que eu fosse fazer aquilo.

– Carona especial para o quarto hoje, madame. Mas não se acostume — falei divertida, enquanto seguia com ela em direção à escada que nos levaria ao andar dos quartos.

– Ah — ela fingiu chateação. — Não posso me acostumar não? Só porque eu gostei da carona...

Ri de leve.

– Está bem. Eu abro uma exceção pra você — pisquei, e ela sorriu. — Madame, por favor, poderia fazer as honras? — Fiz um gesto com a cabeça para a porta do quarto quando paramos diante dela.

Ela entendeu o recado e esticou a mão para a maçaneta, abrindo-a em seguida. Aproveitou para alcançar o interruptor também e acender a luz. O quarto era lindo, todo em móveis claros e amadeirados, com uma cama grande logo abaixo da janela, provavelmente uma queen size, coberta por lençol branco e um edredom azul-marinho com adornos em branco. Ao lado esquerdo havia uma mesinha de cabeceira com um abajur, e ao lado havia também uma mesa com uma cadeira. A parede de madeira atrás da cama era branca e tinha uns pássaros desenhados em tinta preta, como se voassem por cima do móvel. Fernanda também ficou admirada. Eu a coloquei na cama e ela afundou no colchão, toda bonitinha com sono.

– É o colchão dos deuses!

– É você que está com muito sono — falei com uma leve risada.

– Não, é sério Izie, esse colchão é muito bom, vem ver! — a carinha que ela fazia era extremamente fofa, seus olhos estavam pequenos.

– Eu já venho ver se é tudo isso mesmo! Vou só apagar as luzes lá embaixo, ta bom?

– Ok Izie, não demora — fez bico. Bocejou logo em seguida, piscando demoradamente.

Eu poderia dormir e acordar todos os dias com ela ao meu lado, nunca me cansaria de vê-la daquele jeitinho sonolento que só a deixava ainda mais linda. Sai do quarto, deixei a luz do corredor acesa e apaguei as luzes do andar de baixo, refazendo meu caminho até o quarto e fechando a porta atrás de mim. Na cama, Fernanda estava enroscada no edredom e abraçando o travesseiro, toda encolhida. Não pude evitar sorrir ao vê-la daquele jeito. Eu apaguei a luz do quarto e sentei do outro lado da cama, acendendo o abajur, e desabotoei minha calça, tirando-a em seguida — não ia ter condições dormir com aquele jeans apertado, por isso eu já havia colocado uma "cueca feminina" por baixo, para ficar menos desconfortável. Na verdade, devia ter pensado em trazer uma troca de roupa para dormir e ter dito para Fernanda fazer o mesmo... Sorte que ela estava de legging, não era tão ruim para dormir quanto um jeans. Sacudi a cabeça, reclamando mentalmente comigo mesma por não ter tido essa ideia antes.

– Izie! — escutei Fernanda chamar meu nome quase num tom de repreensão.

Me virei para ela, as sobrancelhas unidas.

– Que foi, Fê? — perguntei sem entender.

– Você não está pensando em dormir sem roupa, não é? — ela fazia uma carinha brava.

Funguei um sorriso.

– Não, eu só estou tirando a calça, é muito apertada — encolhi os ombros. Fiquei de pé e coloquei a calça sobre a cadeira ao lado da mesinha de cabeceira. — Mas olha, estou de cuequinha — falei com uma risadinha.

Ela riu, sacudindo a cabeça.

– Cuequinha, né? Sei!

– Poxa Fêzinha, tenha piedade de mim. Ninguém merece dormir de jeans! — fiz um bico fingido de chateação.

– Você planejou tudo, não é? Espertinha.

– Obviamente — pisquei para ela e me sentei na cama novamente, me ajeitando embaixo do edredom.

Fernanda rolou para o meu lado e sentou em cima do meu quadril quando eu menos esperava. Eu sentia todos os meus músculos arderem quando ela fazia isso, aquela não era uma posição nem um pouco pura, e minha mente tarada não me ajudava em nada. Apoiei as mãos em sua cintura, enquanto ela aproximava seu rosto do meu.

– Então eu vou tirar a minha também — ela disse, mordendo o lábio.

Milhares de coisas insanas se passaram pela minha cabeça.

– Você está de cuequinha também? — perguntei divertida, tentando disfarçar meus pensamentos impuros.

– Não — respondeu rindo de leve.

– Ah, então não pode! — retruquei e dei um beijo rápido em seus lábios.

Ela se aproximou do meu ouvido e sussurrou:

– Eu não estou usando nada, na verdade.

Meu corpo inteiro reagiu àquelas palavras, estremecendo e arrepiando da primeira até a última célula. Trinquei os dentes e com um movimento rápido, eu me virei e fiquei por cima dela.

– Então você não está usando nada, hum? — sussurrei em seus lábios. Ela sorria, e balançou a cabeça negativamente. — Duvido! Deixa eu ver então — eu desci minha mão para suas pernas, mas não ia realmente tocá-la para ter certeza de nada, eu estava tirando forças até de onde não existia para me controlar naquele momento. Ela se encolheu, rindo de leve.

Enlaçou os braços em meu pescoço, e eu capturei seus lábios em um beijo que eu estava controlando para ser calmo. Controle, controle, controle... Essa palavra estava virando uma regra naquela noite. Ela não devia saber a dimensão do "estrago" que causava em mim quando seu corpo estava tão próximo. Eu deixei o bendito controle me fugir por um instante, quando ela colocou as pernas em minha cintura e seus dedos se enroscaram meu cabelo, aprofundando aquele beijo. Eu a beijei com toda a intensidade da necessidade que eu tinha dela naquele momento, num gesto quase involuntário forcei meu quadril contra o dela, o que a fez suspirar e se agarrar mais a mim, fazendo minha espinha se contorcer num arrepio. Desci meus beijos pelo seu pescoço, mordendo próximo à sua orelha, enquanto subia minhas mãos por dentro de sua camisa pela lateral de seu corpo, e ela arqueou as costas, suspirando alto, as unhas arranhando meus ombros. Era muito fácil perder os sentidos com ela, definitivamente. Minha mão por dentro de sua camisa explorava sua pele, e eu me contive para não arrancar aquela peça de roupa que estava me atrapalhando. Fernanda separou um pouco nossos lábios.

– Izie... — ela chamou meu nome num sussurro. Eu olhei para ela, tentando domar o tsunami de sensações dentro de mim. Ela pareceu ficar meio sem jeito. — É que...

Decidi facilitar para ela.

– Relaxa, pequena. Eu nunca vou fazer algo que você não queira, ta bom?

Ela mordeu o lábio.

– Não é isso, não é que eu não queira Izie, eu só... Eu nunca fiz isso... Com uma garota... Entende? Eu não ia saber o que fazer, é isso — ela não me olhava, desviava sua atenção para um fio do meu cabelo que ela brincava com o dedo.

Eu fiquei mais que feliz ao ouvir aquilo. Sorri, mordendo o lábio para não sorrir grande demais. Só conseguia pensar naquelas palavras. Eu seria a primeira dela.

– Entendo, Fê. Mas eu não vou fazer nada, está bem? Quando tiver que acontecer, vai acontecer. Eu quero que seja especial para você, porque tenho certeza de que será muito especial para mim — dei um sorriso terno e dei um beijinho na ponta de seu nariz, e ela o franziu daquele jeitinho fofo, sorrindo também. — Nós não precisamos apressar nada, meu amor. Temos todo o tempo do mundo, não é?

O sorriso dela aumentou.

– Todo o tempo do mundo — concordou e me deu um beijo. — Mas, amorzinho... Amanhã é segunda! E a faculdade? Sei que não tem nada a ver com o assunto, mas por falar em todo o tempo do mundo, nós não temos esse tempo todo agora, amanhã tem aula e eu não vou poder ficar o dia todo com você — fez bico. Eu queria mordê-la, se ela soubesse como ficava linda me chamando de amorzinho e fazendo aquele biquinho!

– Nós não precisamos ir amanhã, até porque eu também quero ficar o dia inteeeiro com você. O que acha? — fiz aquela cara de criança que estava prestes a aprontar.

Ela abriu um sorriso lindo, exibindo a fileira de dentes certinhos e as leves covinhas que ela tinha.

– É uma exceçãozinha, certo? Só amanhã, Izie, porque não podemos ficar perdendo aulas! Nem eu e nem você — ela avisou.

– Sim senhora, capitã — dei um beijo rápido em seus lábios e me ajeitei ao lado dela na cama.

Ela virou de costas para mim, e eu passei meu braço sobre seu corpo, abraçando-a, enquanto meu outro braço estava por baixo do travesseiro onde ela descansava a cabeça. Podia sentir seu calor e ao mesmo tempo o cheiro gostoso de seu cabelo perto do meu rosto... Não havia lugar melhor no mundo que aquele ali, com ela.

– Eu vou acrescentar essa noite na lista como mais uma das noites inesquecíveis com você — murmurou.

Meu coração bateu mais rápido. Sorri e a apertei em meus braços.

– Com certeza vai estar na minha lista também — respondi.

Ela sorriu e virou para me dar um último beijo, antes de dizer meio baixo, a voz sonolenta:

– Boa noite, Izie. Obrigada por tudo o que você fez hoje, eu amei cada detalhe. Não podia ter sido mais lindo e especial. Obrigada.

Dei um beijo em seu cabelo, apertando-a em meus braços.

– Eu que te agradeço, minha pequena. Você foi o motivo disso tudo, e fico muito feliz por ter gostado. Dorme bem, meu amor, boa noite.

Ela sorriu entrelaçou seus dedos nos meus, segurando minha mão que estava por baixo do travesseiro. Com a outra mão eu apaguei o abajur e voltei a abraçá-la bem apertado, como disse que faria para que ela dormisse. E assim, peguei no sono, escutando a chuva gostosa bater contra a janela do quarto. Havia dentro de mim um sentimento, uma paz que eu nunca tinha sentido antes. E era a melhor sensação do mundo.

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Fernanda PDV {Fernanda: Ponto de Vista}

Acordei no dia seguinte me sentindo tão bem que por um momento achei que estava nas nuvens. O colchão macio, o cheiro dela que parecia estar em todos os lugares... Izie. Ontem havia sido, com toda a certeza do mundo, o melhor dia da minha vida desde que conheci Ísis. Imaginar que ela sentia o mesmo por mim, que me retribuía aquele sentimento na mesma intensidade... Eu nunca havia estado tão feliz em toda a minha existência. Por um momento, eu não me mexi, fiquei memorizando o calor de seu corpo e seu cheiro. Minha cabeça estava em seu ombro, ela estava deitada virada para cima e uma mão sua estava em meu braço sobre sua barriga, enquanto a outra estava em minhas costas. Eu poderia ficar ali para sempre sem me importar.

Quando Izie acordou, nós ficamos mais um pouco na cama, e então levantamos para poder ajeitar as coisas. Ela decidiu que ficaria no meu apartamento aquele dia, já que não iríamos para a faculdade. Eu não reclamei nem um pouquinho. Nós ajeitamos as coisas direitinho dentro do carro e saímos do chalé por volta das dez da manhã, e então paramos na cafeteria do parque para tomar café. Quando terminamos, Izie deixou as chaves na recepção e fomos embora.

– Então vamos fazer assim, Fê: eu te deixo no seu apê, para você ir tomando um banho e tal, e vou para o meu tomar um banho também e tirar as coisas do carro. Aí eu já pego uma troca de roupas também, já que vamos juntas pra faculdade amanhã, e então eu volto. Tudo bem?

– Claro, Izie. Sem problemas — sorri. O importante era que ela ficaria aquele dia todinho comigo.

Ela sorriu de volta e me deu um beijo rápido antes de o farol abrir. Então, acelerou o carro e só parou diante do prédio onde eu morava. Eu me despedi dela com muitos e muitos beijos, não queria largá-la de jeito nenhum, mas precisava. Ela riu quando fiz um bico chateado por ter que me separar dela.

– Logo logo eu vou ser toda sua pelo resto do dia, ta bom? Volto antes de você sentir muita saudade. Coisa linda. — Me deu um beijo.

– Volte rápido mesmo! — exigi e ela assentiu. Dei outro beijo nela e então desci do carro.

Acenei para ela que acenou de volta e mandou um beijo, antes de sair dali com o carro. Eu estava tão radiante que até o porteiro tirou uma onda com a minha cara, mas eu nem liguei! Nada podia abalar meu ânimo, nada! Mas é claro que havia uma pessoa em particular que não concordava com isso. Quando meu celular tocou e eu vi a foto de Claire no visor, rolei meus olhos num gesto automático. Deslizei o dedo na tela e a atendi.

– Oi, amiga linda! — atendi animada.

Eita! Será que eu disquei para a pessoa certa? Espere aí a voz dela se distaciou, o que me disse que ela havia afastado o celular para olhar o visor. — Está certo... Mas quem é você e o que está fazendo com o celular da minha amiga?!

– Sou eu mesma, coisa chata — respondi dando uma risada, enquanto entrava no elevador e apertava o botão do meu andar.

Ah sim, agora parece mais com a Fernanda que eu conheço– ela falou sorridente. — Mas por que esse bom humor todo, posso saber? E por que a senhorita não veio para a faculdade hein?

– Ah, nada Claire, só estou de bem com a vida hoje, não estrague meu humor, ok? E eu não fui porque tenho pendências importantes para resolver.

Hummm, pendências, é? E essas pendências atendem pelo nome de Ísis Vasconcelos, eu imagino, huh? Porque pelo o que eu vi ela também não veio hoje, visto que minha primeira aula era com ela.

Ri de leve. Inacreditável essa garota.

– Bem, isso não vou confirmar nem negar, ok? Vou deixar essa pulguinha atrás da sua orelha. Mas enfim, minhas pendências me custarão o dia todo hoje e não espere me ver pelo campus, então amanhã nós conversamos sobre isso, dona Claire. Tchauzinho.

Sacanagem isso! - ela disse aborrecida. — O que você está aprontando, dona Fernanda? Espero que seja algo produtivo!

Tchau, tchaaau– cantarolei e desliguei a ligação.

Peguei minhas chaves no bolso do blazer quando sai do elevador e parei diante da porta, abrindo-a em seguida. Dentro do meu apartamento, deixei minhas coisas sobre a mesinha da sala e fui para o meu quarto. Por um instante quase desisti de tomar banho, não queria tirar aquelas roupas, pois o cheiro dela estava em tudo ali. Se dependesse de mim, nunca mais lavaria aquela camisa! Mas, derrotada, peguei uma troca de roupa mais leve e fui para o banheiro, tomar aquele banho chato que lavaria de mim todo o cheiro gostoso de Izie. Quando terminei, fui para a cozinha preparar o almoço. Olhei no relógio e era meio dia e quinze. Enquanto ela não chegava, eu me dediquei à preparar a comida — escolhi fazer um macarrão ao molho branco e almôndegas com molho temperado. Eu sabia que Izie adorava macarrão ao molho branco, e as almôndegas cairiam perfeitamente como acompanhamento.

Eu deixei a mesa pronta, com um par de cada coisa — talheres, copos e pratos. Estava passando a comida para as travessas de vidro quando meu interfone tocou. Era o porteiro me avisando que Ísis havia chegado. Eu disse que podia autorizar a subida dela e voltei para terminar de ajeitar a cozinha. Três ou quatro minutos depois, a campainha tocou, e eu fui atendê-la. Izie sorriu quando me viu e eu a abracei apertado, para logo em seguida receber um beijo seu. Dei passagem para que ela pudesse entrar, ela tinha uma mochila nas costas.

– Hummm, que cheiro gostoso é esse hein? — ela perguntou sentindo o aroma no ar.

– Nosso almoço. Adivinha o que eu fiz pra você? — perguntei, encarando-a com os olhos estreitos e um pequeno sorriso.

– Pra mim? — Eu assenti. Ela sorriu. Apertou os lábios, pensativa. — Não sei Fê, mas o cheiro está realmente muito bom! O que é?

– Não vou dizer, você já vai ver! — falei animada. — Mas, primeiro, vamos deixar essa mochila lá no meu quarto, vem.

Nós fomos até meu quarto e deixamos a mochila sobre a cadeira giratória. Quando fomos para a cozinha, eu fui na frente.

– Então, o que temos aqui? — ela questionou.

Levantei a tampa da travessa de vidro, onde estava o macarrão.

Tchanan– falei num tom brincalhão. — Macarrão ao molho branco.

Ela abriu a boca, surpresa.

– Macarrão ao molho branco?! Eu adoro, Fê! — falou com um sorriso. Mas então estreitou os olhos para mim. — Mas é claro que você já sabia...

– Foi por isso que fiz — pisquei com um sorriso.

Ela me abraçou e me deu um beijo, sorrindo aquele sorriso que me deixava feito uma boba olhando-a.

– Obrigada, coisa mais linda e atenciosa desse planeta! Está com uma cara ótima.

Eu sorri de volta. E quando eu pensava que ela não podia ser mais linda...

– Então, quer comer agora? Ou quer esperar mais um pouquinho?

– Vamos atacar agora! — ela disse animada. — Não posso esperar nem mais um minuto para provar o macarrão ao molho branco da minha namorada.

Minha namorada. Dessa vez, aquelas palavras soaram tão reais, sem fachadas, que meu coração se agitou.

Nós nos sentamos à mesa e comemos. Eu não conseguia parar de sorrir ao vê-la tão feliz ali, nada me deixava mais feliz que isso. Eu queria ser a felicidade dela todos os dias.

– Fê, o macarrão estava ótimo. Muito bom mesmo mesmo mesmo — ela disse e pegou minha mão por cima da mesa. — Já pode casar, ok?!

– É só você dizer que aceita — respondi divertida.

Siiiim, eu aceito! — ela disse com um sorrisão, dando um beijo nas costas da minha mão. — Minha futura esposa linda.

Aquelas palavras eram como música para os meus ouvidos. E eu não poderia estar mais feliz. Nós terminamos de comer e depois ficamos na sala, assistindo televisão. Aquela tarde passou mais rápido do que eu gostaria, mas só de tê-la ali só para mim o dia todo, era motivo suficiente para que eu não pensasse ou me preocupasse com mais nada. No final da tarde, começou a chover fraquinho novamente, aquela frente fria permaneceria até de madrugada. Eu liguei meu video game na sala e nós ficamos ali, uma "brigando" com a outra nos jogos de luta, nos jogos de tiro, e até no futebol — ela era uma completa viciada!

– Espera! — Izie disse rindo quando eu avancei para cima dela com uma almofada. Ela tinha me matado pela oitava vez em COD. — Saiba perder, Fê, você estava moscando ali!

– Perder eu sei, mas não oito vezes seguidas! Você nem me deixa voltar direito, apelona! — cruzei os braços.

– Eu, apelona?! Mas...

– Sim! E fim! — larguei o controle em cima da mesinha de centro da sala e fiquei emburrada no sofá.

Ela riu divertida e colocou o controle sobre a mesinha também. Me abraçou e começou a me dar vários beijinhos. Agora vem com mimo! Estalei a língua.

– Não fica assim, meu amor! É só um jogo — ela me abraçou apertado. Eu fui tentar me esquivar, mas acabei escorregando no sofá e ela, nada rápida e esperta, no segundo seguinte já estava em cima de mim. — Daqui você não sai, não tem escapatória. É melhor se render de uma vez... Aos meus encantos — ela sorriu, arqueando uma sobrancelha.

Não consegui evitar sorrir. Eu nunca conseguiria resistir aos encantos dela.

– Aos seus encantos, eu me rendo — falei. — Mas só à eles!

– Mas é só à eles mesmo que você tem que se render agora — ela piscou, e em seguida seus lábios estavam sobre os meus.

Eu enlacei meus braços em seu pescoço e a beijei. Nada mais naquele momento importava, eu já nem lembrava mais o que a palavra "video game" significava. E o resto da noite nós ficamos assim... Eu tinha até me esquecido de pedir uma revanche.

Notas finais
Agora eu vou almoçar e depois já começar a escrever o próximo, para tentar postar amanhã mesmo :) Espero que tenham gostado! *-* Até o próximo capítulo amiguinhos, beijos!