O som calmo do mar, suas ondas chocando-se umas contra as outras. O som relaxante da água salina arrastando mais areia para dentro de sua imensidão azul, e o coro natural das gaivotas que cantam dessincronizadas, mas mesmo assim, um som reconfortante longe do asfalto e de toda a selva de concreto. Mas está escuro, sons e nada mais. Nada mais além de uma sensação de areia molhada no rosto e um sabor salgado na boca.

Há um homem numa praia, com suas costas viradas para o céu e um short meio rasgado cobrindo suas partes de baixo. Aparentemente está dormindo. De repente sente um calafrio, seus lábios tremem rapidamente e ele abre lentamente os olhos.

Está com o rosto virado para o mar que recua suas águas neste momento, e sem perceber a água avança novamente e acerta seu olho direito de maneira delicada. Num reflexo senta-se rapidamente e põe seus dedos a massagearem bruscamente enquanto resmunga do desconforto.

Após alguns segundos para de coçar os olhos, deixa suas mãos sobre as coxas, e vê um céu estrelado junto com uma bela lua cheia. Uma cena tão bela que o faz levantar um sorriso, mas após uns segundos este sorriso de desmancha. Começa a olhar para os lados tentando entender onde está. Num giro se levanta e olha para os lados, mas os lados são iguais, uma praia que parece infinita assim como o horizonte, e coqueiros seguidos de outras plantas. Em pé, num movimento rápido coloca a palma de sua mão na testa, fecha os olhos e franze a testa tentando se lembrar do que conseguir, para que entenda como chegara nesse local. Lembra de poucas coisas, e ainda assim não relevantes à situação. Lembra de seu presente de natal aos seis anos, de uma viagem à São Paulo aos doze, mas não se lembra de qualquer coisa importante, como, seus pais, seu estudo e trabalho, se é que os teve. Põe seus dedos a deslizarem rapidamente sobre seu cabelo curto, fica cabisbaixo encarando a areia fina da praia e se questiona “Quem sou eu?”.

Deixa este pensamento de lado e começa a pensar em como sair dali, “Construir um bote?”, “Emitir sinal de socorro?”, mas então surge um outro pensamento, ele está numa praia, a qual pode ser uma praia pouco frequentada, isso explicaria o porquê dessa natureza virgem ainda. E apesar de ter acordado há pouco tempo está com muito sono, está frio, mas o sono está mais intenso, então se ajoelha e em seguida se deita lentamente na areia, fecha os olhos e adormece.

Acorda e logo se levanta. Olha para o céu e vê nuvens acinzentadas, acompanhadas de um vento frio e forte que faz todas as plantas atrás dele dançarem. Tomada a decisão de andar pela praia atrás de encontrar alguém, começa a andar ao mesmo tempo que o céu começa a tremer e surge uma chuva intensa acompanhada do estrondo dos trovões. Mas não desiste, e continua a andar como o braço esquerdo protegendo seus olhos estando apoiado na testa.

Anda por alguns minutos e então enxerga folhas de coqueiro bem distribuídas formando algo que se assemelha à um abrigo. Transborda de alegria e então vai em direção ao abrigo aparentemente improvisado que tem na frente umas folhas afastadas que compõem a entrada.

– Olá?! – grita a uns dez metros do abrigo.

A chuva pesada atinge seu corpo enquanto escuta o som da água acertando-o e atingindo as plantas e a areia. Tira seus braços da guarda dos olhos e põe as mãos dos lados da boca para ampliar o som.

Após esse grito vê um garoto pardo e com o corpo sujo dentro do local, está vestindo apenas um short também. O olhar dos dois se encontram, vê que está com medo e então avança para o local. Aproxima-se e entra.

Não é muito espaçoso, mas está protegido ao menos. Se senta ao lado da entrada e ofegante olha para o pardo, que está meio retraído no canto da cabana. O mesmo fica a olhá-lo com a boca aberta e respirando brevemente.

O único som então lá dentro é o dos pingos da chuva acertando com força as folhas que lhes protegem.

– De onde você veio? – pergunta o homem atrás de algum diálogo ou informação.

Mas o pequeno em resposta, vira lentamente o rosto, como alguém que não quer responder, e fica encarando a areia. Percebendo seu desconforto diz:

– Não tenha medo, eu não vou te machucar. – e levanta as palmas das mãos que estão apoiadas nas coxas, numa tentativa de acalmá-lo.

Então abaixa as mãos e levanta um sorriso simpático, dá um suspiro e pergunta:

– Há quanto tempo você está aqui?

Mas o garoto não parece querer ou poder interagir. O mesmo então, se espreita quase se deitando e pega uma banda de coco seco, que tem algumas frutas silvestres. Se senta novamente e o oferece apenas gestualmente, ainda olhando para baixo. Pensa em negar, mas em meio ao som da chuva surge o som d’um estômago roncando, então estende um de seus braços e pega a refeição. Nota que o coco está um pouco manchado de roxo por dentro, mas isso devem ser sulcos das frutas que já estiveram ali.

Forma uma concha usando quatro dedos de uma de suas mãos e a passa pelo interior do coco, estes ficam cheios de frutinhas, leva seus dedos à boca e torna a lambê-los, repete isso umas seis vezes.

Solta um longo suspiro olhando para cima com uma expressão de alívio, torna a olhar para o outro que se assusta. Percebe novamente e estende seu braço para devolver a tigela. O garoto num movimento rápido dá um tapa na tigela que vai parar no lado oposto à entrada, o som desse encontro é abafado pela areia. O homem então olha para o outro e logo olha para a tigela indo pegá-la, a pega e se aproxima do jovem estendendo a tigela.

– Eu só quero devolvê-la.

Em resposta, num giro se levanta e sai correndo da cabana, não dando a mínima para a chuva pesada.

O homem se preocupa, levanta-se e olha o garoto correndo, então grita:

– Está chovendo! Não corra! – mas só o vê entrando em meio ao mato.

– Droga! – exclama e põe-se a correr atrás dele.

Corre enquanto usa muitas vezes o braço para afastar as folhas que tentam acertar seu rosto. Olha para a frente e o vê se espreitando com agilidade por entre os galhos e folhas. Ele tropeça e dá de braços com a areia já misturada com terra e plantas, com isso, seus braços ficam arranhados e sangram um pouco. Olha para frente e o vê apenas se distanciando e continuando correndo. Se recompõe e volta a correr rapidamente.

– Isso é perigoso! Você vai se machucar! – grita quando está a uns quatro metros dele.

O menino olha para trás para vê-lo, enquanto sem perceber se aproxima de um galho longo, espesso e pontiagudo, que está com a ponta na sua direção. O homem percebe.

– Cuidado! – grita quando puxa o braço do pequeno, neste movimento acaba por dar um giro trocando de lugar com ele. Olha para trás e vê que está a menos de meio metro do galho, percebendo que é inevitável se encontrar com aquela lança natural, fecha os olhos e empurra o pequeno para trás, para ter certeza que o mesmo não irá de encontro com o galho.

Pressente um forte calafrio e a dor de ter a carne perfurada e em seguida sente um impacto nas costas. Abre os olhos e vê que deu de costas com uma árvore, mas tirando isso, está bem. Olha para os lados procurando o menino, mas não está lá, então olha um pouco mais atenciosamente, e a dois metros de distância vê o garotinho da cabana, atravessado no peito pelo galho agora coberto de um tom escarlate. Em seguida põe as mãos no galho e tosse mais sangue.

Assustado com o que vê, se levanta e vai lentamente até ele.

– Por que? ... – engole a seco – Por que? ... – diz com a voz trêmula.

Em resposta, vira o rosto enquanto treme fracamente, põe sua mão direita suja de sangue no rosto do outro que o encara tristemente. Fala algo, mas muito baixo pois não tem mais forças.

Há um encontro de olhares entre os dois, o garoto treme os lábios e fala claramente:

– Eu te perdoo – e uma lágrima escorre por seu olho direito, seus dedos deslizam pelo rosto do outro deixando dois filetes de sangue, e seus braços se estendem em direção ao chão. A vida se esvaia daquele corpo, e o brilho de seus olhos desaparece devagar tornando-os pedrados.

Então põe sua mão esquerda no ombro esquerdo do menino.

– Ei... garoto? – diz trêmulo esperando alguma resposta – vamos lá.

Entende que de fato acontecera, então se ajoelha lentamente e apoia as mãos no chão.

– Não! – dá um grito alto e longo, um som que se mistura com o dos pingos de chuva acertando tudo ao seu redor bruscamente. Vai com sua cara de encontro ao chão enquanto põe suas mãos a cobrirem seus olhos, soluça em meio ao choro e tosse, e após um tempo, acaba por dormir.

O céu agora está limpo, o azul claro do oceano refletido no céu, e o sol brilhando com toda força, iluminando aquela ilha perdida no mar. O homem abre os olhos e vê, dentre vários tipos de folhas, mas todas iguais, feixes de luz dourada que passam por onde houver passagem. Que imagem bela, a beleza da natureza demostrada em um de seus ápices. Fica somente olhando vagamente para tal imagem, apreciando o canto das gaivotas. A primeira vista, este é o único som que há, mas então escuta o som de algo como uma cachoeira.

Se levanta devagar quando sente uma dor forte e aguda nas costas, o que o faz se esticar rapidamente num reflexo e exclamar de dor. Desliza dois dedos sobre a ferida assemelhada a um corte que está na parte inferior de suas costas, o que o faz sentir novamente uma dor, porém, mais intensa, e com isso estica novamente.

Então se lembra do que aconteceu no dia anterior: acordou numa ilha, choveu, ele correu para dentro do mato atrás de algo que pudesse lhe abrigar, tropeçou e deu de costas com força numa árvore e caiu no chão. E cansado, decidiu dormir ali mesmo.

Não lembra de nada com relação ao garoto, e tudo parece ter sido organizado, não há sangue, ou corpo, ou qualquer outro vestígio dele, todos desapareceram.

Abre e fecha a boca umas quatro vezes, seus lábios estão rachados de tão secos, passa a língua tentado molhá-los um pouco, mas sua boca toda está seca. Para com os sons estranhos e presta atenção em um som um pouco distante, a cachoeira que escutou um pouco atrás, e então, louco por água doce segue o som.

Há muita folhagem no caminho, mas passa normalmente apenas usando as mãos para afastá-las e quebrar algumas. E então, vê uma cachoeira incrível. A queda é de, no mínimo, uns sessenta metros, e a largura são dez metros. No topo a água é branca como a neve, e embaixo é como um azul esverdeado, uma aquarela simples e bela.

No chão já não mais há areia, mas sim terra e grama. Olha rapidamente de um lado para o outro da cachoeira, e só nota em rochas e mais plantas. Percebe que deixou algo passar e volta o olhar, e em cima de uma pedra vê uma mulher linda, de cabelos negros e pele branca que veste um vestido branco, está sentada de frente para ele e com o rosto virado para à esquerda, enquanto com o dedo indicador da mão esquerda enrola um pequeno filete de seu cabelo. Nunca vira alguém com tamanha beleza, e naquele momento seu coração começa a bater mais rápido, o que o faz ficar ofegante.

– Moça! – grita, já que está do outro lado.

Ela escuta, e em resposta, num movimento rápido mas delicado vira o rosto e fica a encará-lo com a expressão mais inocente que se pode reproduzir ou imaginar. E logo dá um sorriso leve mas extremamente reconfortante.

Então, adentra pela parte mais rasa por onde a água passa para chegar nela. Chega do outro lado e então apoia-se com a mão direita na pedra onde está, logo levanta a cabeça e fica apreciando aquela feição delicada. Olhos levemente puxados, um nariz perfeito, lábios claros e as maçãs do rosto bem definidas. Simplesmente cora enquanto olha-a fixamente.

– Você ... – perde-se me meio às palavras, e abaixa um pouco a cabeça num sinal de vergonha – você é linda.

– Obrigada – responde com sua voz suave e meiga.

Ela olha para a cachoeira e sorri novamente.

– Veja a cachoeira, meu deus a fez belíssima, e esta beleza é destinada a ser eterna – e olha com certa tristeza para baixo – meu deus me pôs no mundo bela, devo ao menos devolver esse favor.

Então puxa uma faca de pedra talhada a qual estava debaixo dela e a segura com ambas as mãos.

– Eu não fui criada para ser eterna... como a cachoeira.

O homem entende sua intenção, se assusta e então lhe estende a mão.

– Não se deixe levar por isso... me dê essa faca.

– Eu preciso devolver sua obra! Não posso morrer velha e decaída em beleza! – grita.

Pensa em meio a devaneios, e apesar de tê-la conhecido há pouco, sente que ela é a chave de sua vida, o porquê, nem mesmo ele sabe. Mas sabendo que ela é a chave de sua vida, se desaparecer, não há pelo que viver.

Então põe as mãos sobre a faca.

– Mande-me de volta então.

Ela se espanta. O olha e começa a chorar pondo uma mão sobre a boca enquanto chora.

– Mas você nem me conhece – diz tentando esconder a expressão por trás de sua mão.

– Mas... – faz uma pausa – eu sei que sou capaz disso por você... – para novamente – não sei porquê, mas sei. – e olha diretamente em seus olhos.

Assim, põe sua mão que tapava seu choro sobre as mãos dele. Inspira e expira longamente.

– Se você for, pode pedi-lo para me manter bela por mais tempo.

Ele sorri.

– Tudo bem então. – responde ao sorriso.

O homem lhe toma a mão direita e a ajuda a descer da pedra com cuidado. Apoia os pés descalços firmemente no chão de terra, e em seguida caminha sendo guiada pelo apaixonado, que dá poucos passos.

Ele se ajoelha e põe as mãos nos ombros opostos às mãos formando um xís. Fecha os olhos, respira profundamente até encher os pulmões. Libera todo o ar devagar e toma a respiração normal.

– Mesmo que por pouco tempo – ele dá uma pausa, e ela suspira – foi bom te conhecer.

O momento é seguido por um longo silêncio dos dois, os únicos sons são o das gaivotas e da cachoeira, algo absurdamente relaxante.

Ele está com medo, e mesmo não sendo nem um pouco religioso, está prestes a morrer em nome de uma divindade que nem sequer conhece.

Escuta o som de uma apunhalada com força, em meio a tudo aquilo não sente nada. Em seguida escuta gemidos e o som de algo pesado que caiu. No susto abre os olhos e vê a bela dama no chão, seu vestido agora é branco com uma grande mancha vermelha que cresce, e no meio dessa mancha está a faca talhada em pedra. A mesma treme os lábios enquanto treme o corpo e geme de dor. E o líquido rubro começa a molhar seus lábios claros, que ficam vermelho escuro, assemelhando-se a um batom forte.

Ajoelhado, passa a engatinhar trêmulo em direção a ela, que está a um metro de distância. Se deita do lado enquanto começa a chorar, e em seguida levanta o seu torso, usa uma mão para se apoiar no chão e a outra para levantar a cabeça dela.

Ambos estão chorando, mas o homem chora sem parar e intensivamente, enquanto naquele rosto feminino correm apenas duas lágrimas. Passa seu polear esquerdo pelo lábio inferior dela, o que deixa um borrão de sangue da boca até a bochecha.

O encara com os olhos trêmulos, e usa o que resta de suas forças para levantar a mão direita. Alisa a bochecha dele e diz com a voz fraca, quase como um sussurro roco:

– Marcos...

Seus olhos se abrem num espanto, então a encara duvidoso.

– Agora está claro que... – faz uma pausa e pisca devagar – não importa o que aconteceu...

As lágrimas dele param de escorrer por um momento, mas ainda corre uma por seu olho esquerdo.

– Você nos amou. Até tentou se sacrificar por nós. – e mais uma lágrima desce.

Põe-se a chorar compulsivamente, e deita a cabeça no peito da mulher. Seu pulmão dói, de tanto que chora neste momento.

– E nós te perdoamos – diz pondo sua mão direita sobre a cabeça dele.

Então, a cabeça da mulher cai para a esquerda e ela suspira uma última vez. Agarra fortemente o seu vestido enquanto chora. Com dificuldade, toma fôlego, levanta a cabeça e dá um grito longo misturado à seu choro.

– Mônica!

De repente todo o som que se escuta e toda a luz que se vê, se dissipam. Literalmente, tudo fica escuro.

O homem volta sua consciência, mas ainda em meio ao escuro. Agora escuta várias pessoas falando com tom de urgência, coisas então sem sentido pois sua audição está opaca, enquanto seu corpo vibra pouco mas freneticamente.

Abre os olhos e vê um monte de luzes brancas num teto branco que lhe passam por cima rapidamente. Vira sua cabeça para a esquerda e vê aquela mulher branca de antes numa maca, sendo empurrada pelo mesmo caminho que ele, seu rosto está ensanguentado e está com uma máscara de oxigênio médica toda embaçada, e está desacordada. Tenta se mover e percebe que está fraco demais. Olha para o outro lado e vê o garotinho da cabana, também numa maca sendo levado na mesmo direção e no mesmo estado da mulher. Olha para cima e vê que também está rodeado de médicos, uma mulher olha para ele e diz:

– Não se preocupe senhor, vamos fazer o possível para ajudá-lo.

Já estava sonolento, e então dorme.

Retoma a consciência, abre os olhos e vê uma lâmpada branca e fraca em cima dele, acoplada ao teto branco. Percebe que está num leito de hospital, põe as mãos na cama onde está e levanta o torso com um pouco de dor no peito e na barriga. Está com um tipo de pijama, e então levanta a camisa e vê um corte brusco no peito com pontos, e um corte limpo na barriga, também com pontos.

Agora já se lembra de sua vida. Põe as mãos no ferimento do peito e depois as desce colocando-as no ferimento da barriga, e se recorda da mulher e do garoto da ilha, e associa o fato dos locais onde eles foram perfurados foram os mesmos dele.

Neste momento um médico entra no quarto e fecha a porta.

– Como está senhor Marcos?

– Bem – diz triste.

– Tenho de dizer, o senhor tem muita sorte mesmo, por um centímetro seu coração não foi perfurado.

Marcos o encara seriamente. O médico olha para os lados tentando descontrair.

– Olhe, eu sei que está passando por algo difícil, mas é minha obrigação lhe dizer isso – o encara fixamente – senhor...

– Eu sei que minha mulher e filho morreram – interrompe e faz uma pausa – por causa do acidente de carro que eu causei. – e olha para a janela oposta à porta.

O médico dá um suspiro.

– Eu sinto muito.

Marcos fica apenas a encarar a janela. Quando o médico fala.

– Sua esposa me disse algo nos últimos momentos dela – e os dois encontram os olhares – diga ao meu marido: “estávamos diferentes, foi algo estranho, mas foi real e sincero”.

Marcos compreende e se assusta um pouco.

– Eu não entendi o significado disso, mas era para você, sendo assim, deve significar algo – diz o médico.

– Eu agradeço – ele olha para baixo – mas eu gostaria de ficar sozinho agora.

– Claro – diz abrindo a porta – mais uma vez, eu sinto muito por sua perda – sai e fecha a porta.

Marcos encolhe as pernas encostando os joelhos no queixo, fecha os olhos e fala quase em um sussurro:

– Vocês realmente me perdoam?

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