Paraíso Perdido
33 Encontrando uma Saída...
Notas iniciais

– Pensei que estava morta! –Kakashi exclamou sentindo que se recuperava enquanto sua velha conhecida agia.
– Não... Apenas isolada e escondida aqui mesmo. –respondeu-lhe docemente a mulher de branco.
– E nem sequer se preocupou em dar um jeito naquele snake? –pôs-se ainda mais surpreso.
– Não, pois sabia que você como o Arcanjo de princípios que sempre foi, daria um jeito de resolver tudo.
– Você também é um Arcanjo. Vive no Inferno, mas ainda assim é uma celestial. –rebateu sério.
– A minha sorte é que Arcanjos não podem decair, caso contrário já seria uma humana morta. Mas enfim, você não deve ficar aqui Kakashi. –aconselhou-o.
– Nem eu e nem você. Obito já teve o que mereceu e não voltará, porque ainda insiste em viver aqui se escondendo?
– Primeiramente fiquei esse tempo todo escondida para a minha segurança, os demônios não aceitariam muito bem minha presença e depois, você sabe o porquê vim parar aqui e tenho certeza de que nunca mais irá deixar Obito sair daquela jaula.
– Claro, ele quis destruir o Céu, o nosso Céu!
– Sim, é verdade que ele deixou a ambição falar mais alto, nos últimos tempos minha fala não servia de mais nada, Obito acabou metendo os pés pelas mãos e perdendo para a sua superioridade Kakashi. Porém convenhamos que a impulsão dele tem muito á ver contigo, Obito queria lhe derrubar á qualquer custo.
– E agora está pagando esse preço.
– É incrível como a rivalidade de vocês ainda me admira. –revelou surpresa.
– Rivalidade? Não, é maior do que isso, ele botou em risco todos os que vivem nos Céus, não pense que é por sua causa.
– Sei que não é... Pelo menos não de todo, mas olhe em meus olhos e diga que não tem mais mágoas de mim. –tocou seu rosto lhe encarando intensamente.
– Mágoa? Que mágoa terei com aquela que era minha melhor amiga e parceira nos Céus, a qual de repente conheceu um demônio e se apaixonou por ele como uma humana inútil, para então largar tudo e se juntar á esse mesmo demônio no Inferno... Como posso ter mágoa Rin? –desforrou aquelas palavras duramente.
– Kakashi... –se afastou sem jeito. – Não torne as coisas mais difíceis do que são. O amor não é apenas para humanos inúteis, você saberia se o sentisse alguma vez.
– Talvez já o tenha experimentado. –sorriu tristemente. – Mas foi á muito tempo atrás e essa pessoa não é mais a mesma.
– Pode ser que você é que não seja mais o mesmo... Quero que saiba que não voltarei ao Céu quanto menos á Terra. Ficarei aqui, devo isso á memória de Obito.
– Você o que? Só pode estar ficando maluca! Como acha que os demônios que restaram vão se comportar diante disso?
– Eles aceitarão, são dependentes de um líder assim como os anjos sem falar que aprendi bastante, saberei como me cuidar. Meu papel aqui Kakashi será impedir que essas almas torturadas fiquem pior do que já estão, impedir que se tornem novos demônios.
– E como pretende fazer isso? Ensinando-os á rezar? Oh, por favor, Rin ouça o que está dizendo!
– Acha que será melhor o que então? Não podemos destruir o Inferno, ele precisa existir para que as almas ruins aprendam com o sofrimento que causaram em vida. Sem o Inferno eles iriam para onde? Para o Céu e transformá-lo num caos! Se eu ficar aqui, estarei evitando uma guerra interna por comando e sabe muito bem que um conflito que começa no Inferno acaba na Terra, como esse que acabou de ser neutralizado.
– Pois bem, faça o que quiser então. Mas apronte algo errado uma vez e mesmo contra a minha vontade, terei de detê-la também. –prometeu.
– Por acaso não confia mais em sua parceira? –questionou-o.
– Você já me deu motivos suficientes para que não o faça. –respondeu indiferente.
– Pois me dê um último voto, garanto que seus problemas com demônios irão diminuir consideravelmente. –sorriu mais uma vez.
– Isso é uma promessa?
– Um trato. –lhe estendeu a mão.
– Apenas faça sua parte e não deixe que aqueles insetos tomem o controle. –disse apenas, ignorando a mão que lhe era estendida.
– Tudo bem. –suspirou derrotada. – Vou fazê-lo voltar á Terra. –tocou seu ombro. – Foi bom te ver de novo Kakashi. –sussurrou antes que o Hatake desaparecesse de vez.
Não o culpava pelo tratamento, os dois sempre tiveram um laço muito forte, no entanto Rin havia sido capaz de abdicar á tudo por sua paixão impossível e não se arrependia, pois se aos olhos alheios Obito era um crápula sem noção, ao seu lado era o homem que amava.
...
– Eu disse que sua áurea era boa demais para um demônio. –Hinata comentou sorrindo para o loiro.
– Quer dizer que é assim? Qualquer um simplesmente deixa de ser um demônio e vira um anjo do nada? –Sasuke questionou de volta ao seu mau humor costumeiro.
– Nada acontece por acaso, ainda mais para nosso Deus. Se Naruto agora é um anjo é porque de fato o mereceu. –Itachi lhe respondeu e Sasuke de fato concordava, pois Naruto era o único que mesmo sendo um demônio, fazia bem ás pessoas.
– Vamos logo, temos que terminar com aquela batalha. –Sasuke apressou-se.
– Deixe-os aí. –Itachi disse, pretendendo deixar o casal de anjos á sós.
Os irmãos logo chegaram ao cânion e a paisagem que presenciaram era devastadora: corpos de demônios estirados ao chão e anjos gravemente feridos.
Antes que intercedessem em algo, Kakashi os encontrou e ambos souberam pelo seu estado, que o Arcanjo havia tido sucesso.
– PAREM COM ISSO! –gritou do alto e por incrível que pareça, todos eles pararam na mesma hora. – Devemos voltar para casa, quanto aos demônios restantes, deixem que retornem ao Inferno. –todos ficaram sem entender, mas não ousaram desrespeitar uma ordem de Kakashi e mesmo á contragosto, deixaram os inimigos sumirem e depois eles próprios desapareceram.
– O que será do Inferno agora? Sasuke não pretende voltar para lá, Obito deve permanecer trancado e – Itachi foi interrompido.
– Há alguém lá para assumir o controle. –respondeu seco, indicando que não queria falar sobre o assunto.
Fez-se um longo momento de silêncio antes que Sasuke desse as costas e saísse andando, rapidamente seu irmão lhe alcançou:
– Vai atrás de Sakura agora?
– O que acha? –perguntou de volta sem paciência.
– Posso ajudá-lo á encontrá-la.
– Sei onde ela está.
– Sabe também como fazê-la se lembrar de você? –nesse momento Sasuke parou e o olhou intrigado. – Posso fazê-la recuperar a memória.
– Venha. –disse relutante, sem querer admitir que sua ajuda seria muito útil.
– Iria de qualquer forma. –rebateu com sua voz controlada.
...
Sakura estava sentada num frio banco de concreto numa movimentada praça. Sozinha e sem saber absolutamente nada de sua própria vida, as coisas não vinham sendo nada fáceis para ela.
De dia, ficava nas ruas, algumas pessoas ficavam tocadas por aquela menina tão bonita estar na rua e a davam o que comer. Já á noite, ela passava em algum abrigo para desabrigados assim como ela. Os outros a chamavam de Rosa por causa dos seus cabelos.
Estava mais uma vez observando o movimento e se perguntando o porquê aquelas pessoas corriam tanto, quando notou que dois homens estranhos estavam parados diante de si. Ambos de cabelos escuros, um de branco e outro de preto, não pôde deixar de notar as semelhanças entre os dois e principalmente como lhe eram familiares, principalmente o de roupas negras.
Sentiu-se de repente amedrontada, os olhares deles eram tão sérios. Lentamente deslocou-se para fora do banco e saiu correndo assim que pôde.
Continuou sua fuga, olhou para trás e eles estavam parados no mesmo lugar, lhe observavam como se ela fosse louca. Atravessou a avenida e continuou, olhou mais uma vez: não estava sendo seguida. Entrou num beco, onde parou para recuperar o fôlego.
Quando abriu os olhos novamente, o mesmo moreno de roupas negras estava ali bem diante de si:
– Por favor, não faça nada comigo! Eu não tenho nada, por favor não –foi interrompida quando ele pegou-a pelos braços.
– Sakura! –exclamou.
Ela arregalou os olhos assustada, mas “Sakura”? Alguma coisa se remexeu dentro de si ao ser chamada por aquele nome e mais ainda por estar em contato direto como os olhos ônix daquele moreno.
– Não se lembra mesmo de mim? –perguntou parecendo magoado.
Balançou a cabeça de um lado para o outro e permaneceu naquele estado de hipnose até que o moreno a virou a segurando junto de si, o homem de branco já lhe aguardava. Pensava que ele iria lhe ferir, mas tudo o que fez foi tocar sua testa com dois dedos.
...
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