Notas iniciais
Olá anjos! Mais um capí­tulo (NaruHina), espero que gostem, boa leitura (sem mais delongas, descubram o passado de Naruto-kun 'hehe)

Hinata não havia encontrado Itachi no Céu e mesmo se estivesse com o Uchiha, sabia que o conforto que encontraria nele não seria maior do que o que tinha agora enquanto estava nos braços do Uzumaki. As lágrimas ainda lhe escorriam pela face e os soluços escapavam de sua boca.

– Hinata... O que houve? –perguntou preocupado. – Ah quer saber? Nós temos é que sair daqui. –desmanchou o abraço e pegou em sua mão afastando-os daquele ambiente não muito bom das vielas escuras.

Foram para um lugar quase tão deserto quanto aquele. Uma praça abandonada iluminada apenas por um único poste aceso. Sua vontade era levá-la á um lugar tão belo quanto aquele que viu em seu sonho, mas a anja estava abalada de mais e sentia que precisava confortá-la o quanto antes.

Naruto então se sentou com as costas recostadas no poste e puxou-a para que sentasse entre suas pernas. A cabeça dela ficou recostada sobre seu peito enquanto lhe acariciava os cabelos, para que ela se acalmasse.

Um pouco depois, voltou á perguntar:

– Agora pode me contar o que aconteceu? –estava estranhando a presença dela ali, ainda mais sem seu irmão guarda-costas por perto.

– Neji nii-san... –disse com dificuldades ainda. – Ele está morto.

Logo entendeu o motivo de tamanha tristeza e se sentiu muito mal por ela, tudo bem que o anjo havia implicado consigo desde o início, mas ainda assim não merecia a morte.

– E como foi isso? –sua curiosidade foi maior, embora não quisesse abalá-la ainda mais.

– Eu não sei, não fui capaz de prever a morte de quem mais me importava. –choramingou e Naruto apertou-a ainda mais em seus braços.

Passou alguns minutos refletindo sobre a coisa certa á lhe dizer:

– Você não deve se sentir culpada por não ter conseguido prever o que aconteceria com seu irmão. Não é porque é uma profetisa que tem que saber de tudo sempre. –ela não disse nada, porém sabia que havia lhe escutado. – Sabe, eu sei mais do que ninguém sobre o que é perder uma pessoa importante, na verdade eu não a perdi, apenas abri mão, como você mesma já sabe. –começou á desabafar quando a sentiu virar e lhe encarar com os olhos vermelhos pelo choro.

– Sei o que houve, mas não com todos os detalhes e sentimentos que deve ter sentido. –esclareceu, na verdade aquilo era mais um pedido para que ele desse sua versão dos fatos.

– Acho que nunca falei sobre isso com ninguém, mas se é para fazer você se sentir melhor... Tudo bem. –confirmou com um sorriso nostálgico e começou seu desabafo:

“Eu era de uma família burguesa alemã. Meu pai Minato era um soldado que lutou bravamente para defender seu país e por isso acabou morrendo em campo de batalha quando eu era apenas uma criança de sete anos. Minha mãe Kushina estava grávida e quando soube da notícia, abriu mão de suas próprias necessidades, passou muito mal e perdeu o meu irmão ou irmãzinha, quando era apenas um feto em sua barriga. Alguns conhecidos cuidaram de mim durante a fase difícil dela, mas eu sabia que naquele momento, era o único homem da nossa minúscula família e meu dever era cuidar de minha mãe.

E os anos se passaram... Eu fazia vários tipos de trabalhos braçais, era conhecido e querido por todos e vivia tranquilo, afinal minha mãe estava bem e só de ver o sorriso dela, sabia que todo o sacrifício valia á pena.

Entretanto, quando eu tinha dezesseis anos cheguei em casa do trabalho na mina e Kushina estava caída no chão. Fiquei muito preocupado e ainda mais aflito quando o médico disse que ela não teria muitos dias de vida.

Foi como se o chão tivesse sido tirado de meus pés e toda a luta desde a morte do meu pai até ali, tivesse sido em vão, pois minha maior motivação poderia desfalecer á qualquer instante bem diante de meus olhos.

Já tinha ouvido falar de feitiços, tratos milagrosos que trouxeram mortos de volta á vida, uma paixão impossível e até mesmo a riqueza repentina. A maioria das pessoas sabia deles, mas até então eram apenas lendas.

Ainda assim tive fé e fui atrás daquilo como se fosse minha última esperança. Uma encruzilhada, uma caixinha com alguns objetos estranhos e uma mecha do meu cabelo foi o suficiente e quando estava quase desistindo, uma garota de expressões inocentes apareceu.

– O que lhe traz aqui? Com certeza por beleza não é, pois já á tem herdada dos Céus. –a garota disse e senti que ela me avaliava de cima á baixo.

– Quero que cure minha mãe. Pode fazer isso? –ignorei-a indo direto ao ponto, o tempo voava para Kushina.

– Claro que sim, mas antes devemos negociar. –o tom dela era envolvente.

– O que quer dizer com isso? –indaguei confuso.

– Vejo que sua áurea é muito boa e preciosa, de onde eu venho isso vale ouro. Curo sua mãe agora mesmo para que ela possa ter uma saudável e longa vida, mas... –começou acercando-se cada vez mais de mim. – Dentro de vinte e quatro horas você será levado para sua nova casa, no lugar do qual eu saí.

– Você quer dizer... –minha cabeça estava ainda mais embaralhada.

– O Inferno lerdinho. –completou tocando meu rosto e rindo.

Sabia que era errado, afinal minha mãe sofreria muito com minha morte, mas se a perdesse, eu mesmo não hesitaria em tirar minha própria vida.

– Tudo bem, eu aceito. –respondi decidido.

– Ótimo, agora só nos resta selar o pacto. –ela disse calmamente.

– Selar o pacto? –repeti ainda sem entender.

– É seu bobinho. –então ela me puxou de encontro aos seus lábios e quando abri os olhos novamente, estava sozinho na encruzilhada.

Mesmo minha mãe estando de cama, lembro-me de ter aproveitado muito bem aquele último dia em sua presença. A peguei nos braços e levei para os jardins, onde ela cultivara várias espécies de flores dos mais variados e coloridos tipos e com as quais sempre fizera questão de conversar todas as manhãs, durante tantos anos. Mesmo que escondido da senhora que dava á ela seu tratamento, dei-lhe um pouco do seu doce favorito. Contei sobre o que me lembrava de meu pai e mesmo com dificuldades, ela recordou os momentos felizes que tivera ao lado dele também. Escovei os longos cabelos vermelhos que tanto me fascinavam desde quando me entendia por gente. Fiquei ao seu lado até ter a certeza de que havia adormecido e a recordação mais contente era de seu sorriso, que mesmo sem a mesma vivacidade de antes, era lindo.

E então, quando as vinte e quatro horas se passaram os cães do Inferno vieram atrás de mim e por mais que fosse brutal, me entreguei de bom grado pela vida daquela que tinha a maior importância para mim.

Não pude vê-la nem presenciar como foi o resto de sua vida, mas só de saber que ela poderia ter uma longevidade normal já me contentava e isso foi o que me manteve com a mesma essência de antes, mesmo estando naquele lugar terrível, pelo menos o sofrimento dela havia tido fim...”.

Naruto se sentia até mais leve depois de seu depoimento, nunca imaginou que o faria tão bem contar sobre suas lembranças que apesar de felizes, eram nostálgicas e dolorosas ao mesmo tempo.

Hinata havia parado de chorar e parecia fascinada com suas palavras, de repente ela deu um sorriso iluminado e voltou a abraçá-lo, agora de frente, e dizer:

– Arigatô, arigatô Naruto-kun. –parecia de fato mais aliviada também. – Fez um lindo sacrifício por sua okaa-san. Saiba que ela se manteve firme e viveu ainda mais intensamente, não só por ter praticamente nascido de novo, como também porque passou á viver pelo filho que não teve a oportunidade para tal. –contou-lhe e o loiro sabia que aquilo estava relacionado com mais uma de suas visões.

Ele abriu um grande sorriso e pôs-se á mexer com ela, fazendo-lhe cócegas na barriga:

– Mas não é possível, você sabe de tudo garota! –continuava atacando sua barriga com os dedos, fazendo com que a morena soltasse uma gargalhada como não fazia desde sua infância, pelo que se lembrava.

Então ele parou e ela estava ofegante, seus rostos bem próximos um do outro, quando ele apenas inclinou um pouco a cabeça e seus lábios entraram em contato.

Foi um toque delicado e inocente, como de fato deveria ser vindo de indivíduos tão puros como aqueles dois...

...

Notas finais
Escrevi o flash back em primeira pessoa, não estou acostumada entãoo não sei como ficou... E então, explicada a origem da bondade e fofura do nosso Uzumaki?

Bjos anjos ^.^