Paraíso Negro
3 Ponche de Frutas
Notas iniciais

“Continue beijando meus lábios de ponche de fruta no pôr-do-sol”
As sobrancelhas de Valerie se arquearam levemente, um tanto surpresa com a minha resposta. Eu sabia que ela estava um pouco aliavada, mesmo sendo errado. Tão errado quanto o que eu fiz com ela, talvez.
— É... meus pêsames. — abaixou a cabeça levemente, me olhando nos olhos.
— Certo... Essa daqui é a sua cela — mudei de assunto rapidamente — qualquer coisa é só procurar alguém.
Me virei e fui até a saída, atordoado, a única coisa que eu queria era conseguir pensar. Me apoiei em uma parede, enquanto tentava respirar, mas só conseguia me lembrar das coisas que eu fiz.
— Muito bem... — uma voz conhecida sussurrou em meu ouvido.
— Você. Está. Morta. — Abri os olhos lentamente.
Ela estava na minha frente, ou eu queria que estivesse. Os braços amigáveis estavam esticados, queria me dar um abraço pachorrento, mesmo que eu não sentisse nada.
Eu estava em sua república, pretendia estudar com ela, já que ela não estava entendendo algumas coisas. Sentei-me em sua cama enquanto esperava ela terminar de pegar seus materiais, eu não sabia se seria um bom professor, ou se conseguiria prestar atenção no que fazia.
Valerie se ao meu lado na cama,a blusa rosa e justa era – extremamente – decotada, o shorts jeans era curto. Mas tudo isso se encaixava tão bem nela que, em momento algum, eu pensei que a roupa mostrava partes demais.
Ela abriu o livro de economia em seu colo e se dobrou sobre ele, fazendo com que uma parte de seu sutiã preto e rendado aparecesse. Engoli em seco e desviei os olhos.
Eu tinha 24 anos. Obviamente, não era virgem. Mas, em relação à mulheres gostosas, eu ainda era um leigo.
— Então... eu simplesmente não estou entendendo nada. — Valerie admitiu, me fazendo rir.
— Mas você é muito inteligente, por que não está indo bem?
— Eu... estava distraída com outras coisas. — respondeu, uma das sobrancelhas arqueadas de forma sugestiva.
Fazia três semanas que eu havia conhecido Valerie, e já havia descoberto muitas coisas sobre ela. De longe, um mistério. De perto, um livro aberto.
Quanto mais tempo você passava perto dela, descobria mais detalhes que a faziam parecer mais bonita. O modo como seus olhos eram brilhantes. Como seu nariz franzia quando ela se preocupava.
O modo que, quando você se aproximava dela o suficiente, podia sentir o cheiro que vinha dos lábios dela. Ponche de frutas.
Fui até o bloco de Judith, eu precisava de um pouco de paz. Avistei Beth, que estava rindo, provavelmente por conta de Judith. Adentrei silenciosamente, Valerie estava alí, conhecera Judith.
Diminui a velocidade, ninguém havia notado a minha presencia, eu provavelmente estava sorrindo bobo. Lori estava morta, mas um pedaço dela estava aqui, e era segurada por Valerie.
— Eu não estou entendo nadinha. — sorriu mostrando os dentes, sua boca era realmente bonita.
— E-eu te explico, — olhei em seus olhos — apenas me mostre o que não entende.
– Tudo.
Eu não conseguia pensar direito, a cada palavra eu sentia o cheiro doce de seu hálito, o que me deixava maluco. Precisava fazer alguma coisa, rápido.
Abriu o livro de economia, mostrou-me a página e eu tentei começar a explicação. Seus olhos se semi cerraram, de forma sexy, eu estava sendo seduzido.
— Eu adoro seus olhos... — sussurrou, me fazendo parar a explicação. — eu quero os ver mais de perto.
Olhei para ela, fazendo-a sorrir simpática. Meu olhar escorregou por seu rosto, encarei seus lábios rosados
Eu já havia parado de funcionar completamente. Apoiei minha mão esquerda na cama enquanto me aproximava, ela não se afastou (obrigado, Deus!), parecia gostar. Eu a beijei. Nós nos beijamos.
O gosto do ponche de frutas estava totalmente espalhado em minha boca, era nostálgico, era incrível, único. Por instinto levei minha mão até sua nuca, aprofundando o beijo de forma perigosa, se alguém nos pegasse seria um problema.
Mas agora não importava. Ela estava ali, com seus lábios nos meus, a sua língua me provocando de uma maneira que eu nunca conseguiria descrever com palavras.
Afinal, eu estava beijando Valerie Perrine.
Judith estava rindo como eu nunca a vira fazer. Beth sorria, encantada. Valerie segurava a minha filha em seus braços alvos, a balançando e brincando com ela.
Ela se virou para mim. Seus olhos verdes se encontraram com os meus, seus lábios se curvaram em um sorriso. Eu ainda sentia o sabor de ponche de frutas na minha boca.
Ela mencionou mais uma vez, como fizera no colégio para tentar me seduzir:
— Eu adoro os seus olhos.
Eu sorri para ela. Por algum motivo, depois de que ela falou sobre eles, eu também os adorava.
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