Notas iniciais
UM MALDITO ANO SEM ATUALIZAR......... EU SEI! Desculpem, mas é a vida.

— Rick? — Glenn me chamou em voz baixa.

— Quantos andarilhos você já matou? — perguntei, franzindo o cenho.

Sua expressão mudou rapidamente ao ouvir a pergunta, ela parecia surpresa.

— Eu... Não sei.

— Quantos humanos você já matou?

Seus ombros se encolheram, mas logo ela se recompôs.

— Três — ela se virou para mim.

— Por quê?

— Ou eles, ou eu. — Rebecca falou com indiferença, sem mudar a postura em momento algum.

Estava sentado em um dos sofás da sala observando Carl. Ele até se parecia comigo, nós tínhamos os mesmos olhos.

Eu o amava muito, ele era minha criança, meu filho, mas eu ainda me arrependia do que havia acontecido naquela festa.

O garoto me olhou com seus grandes olhos azuis e sorriu para mim, me chamando para brincar com ele.

Me sentei ao seu lado no tapete branco e felpudo e peguei alguns blocos que estavam no chão.

— Que cor é essa, Carl?

— É... Vemelho! — Ele mostrou seus dentinhos enquanto sorria.

— E essa?

— Zul! — Ele parecia animado por acertar o nome das cores.

Beijei sua bochecha e fiz cócegas em sua barriga escutando sua risada gostosa.

Mas eu só conseguia pensar em Valerie.

Imaginei Carl com olhos verdes assim como os dela, com a pele levemente morena, cabelo castanho-claro... Eu o amaria mais.

Ele se levantou e guardou seus brinquedos em uma pequena bandeja. Eu achava um exagero o jeito que Lori criava Carl, mas eu não podia opinar. Ao terminar virou-se para mim e eu sorriu.

— Ela pode entrar — sussurrei para Glenn.

Abriram o portão e ela entrou, sorrindo aliviada.

— Quem é ela? — perguntou Valerie, que agora estava ao meu lado, segurando Judith no colo.

Rebecca virou-se para nós e sorriu ao ver a bebê.

— Eu tinha filhos... — o sorriso de Rebecca desvaneceu-se lentamente.

Todos nós entendemos o que ela quis dizer.

Eu estava sentado na cama limpando o suor de minha testa com a palma das mãos. Sempre que eu sonhava com Valerie ou com meu passado eu ficava desse jeito. Me arrastei até o banheiro e tirei minhas roupas enquanto olhava meu rosto pálido no espelho. Já era de madrugada e eu havia perdido o sono.

Eu queria quebrar alguma coisa, socar alguém e gritar, mas eu não podia; eu já era adulto, era casado e meu filho estava no cômodo ao lado.

Tomei um banho gelado para tentar me acalmar, mas não adiantou. Desci as escadas assim que coloquei uma roupa qualquer e fui à cozinha, eu me sentia um zumbi.

Quatro horas da manhã e eu estava sentado na cozinha pensando naquele sonho idiota que eu tivera.

Eu havia traído a Valerie há mais de dois anos e a consequênciameu filho— estava perto de mim, mas seu rosto continuava me perturbando, não saia de minha cabeça, como uma melodia. Eu ainda a amava.

Ela sorria para mim como costumava fazer quando eu a elogiava ou quando planejava um futuro estranho para nós dois. Lembrei-me do dia que falei que adoraria me casar com ela, mas ela só pensava em morar ao lado de Oprah. Isso partiu meu coração em pedaços pequenos.

— Querido? — uma voz sonolenta e fina me chamou.

— Na cozinha.

Escutei seus passos leves, logo Lori estava na porta vestindo uma regata branca e um short preto.

— Está sem sono? Quer que eu prepare algo para você? — ela perguntou se aproximando lentamente, coçando os olhos. Fiz que não com a cabeça.

Estava escuro, a fraca luz que iluminava o local passava pela cortina, eu conseguia ver pouco do corpo magro de Lori. Ela se sentou ao meu lado e encostou a cabeça em meu peito como sempre fazia quando queria atenção.

Acariciei sua nuca com os olhos fechados.

Eu me odiava.

Ela se acomodou perto das garotas obviamente por causa de Judith, era interessante como a garotinha encantava todos. Escutei a conversa delas no refeitório, ela havia feito amigas muito rápido.

— Eu era uma dona de casa — Rebecca começou a falar. — Quando essa destruição toda começou eu não estava com meus filhos, eles estavam com uma babá.

Valerie parecia comovida com a história.

— E então, quando eu e meu marido chegamos para buscá-los eles estavam mortos.

Ela falou com uma certa naturalidade assustadora, como se já tivesse se acostumado e a imagem não fosse mais tão assustadora. Maggie se juntou a elas e eu saí de perto, me sentia uma vizinha fofoqueira.

Andei pela prisão com os braços cruzados no peito, estava tudo muito mais organizado do que antes, havíamos limpado bastante coisa.

Avistei aquela conhecida figura de vestido branco e cabelos escuros, ela estava aqui para me atormentar novamente.

— Mais uma, Rick? Eu achei que você ia cuidar de Judy — ela se aproximou de mim.

— Você está morta.

— Não aqui. — Ela apontou para meu peito. — Eu sei que você ainda me ama.
Eu me afastei dela, queria que ela sumisse logo. Ela levantou o braço esquerdo e com o dedo indicador tocou meu rosto, senti um arrepio percorrer meu corpo.

— Eu sei. — Eu estava cansado daquilo, mas deixei que ela beijasse minha boca. Eu sabia que era loucura minha, mas eu pude sentir aquele toque. Não era um toque verdadeiro; era uma brisa sutil em minha pele.

— Rick? — uma mulher me chamou e eu abri os olhos, Lori já não estava mais ali.

Eu me virei para a dona da voz e dos olhos verdes mais bonitos que eu já vira. Eu estava prestes a enlouquecer e apenas ela conseguia me acalmar. Ela notou a angústia em meu rosto e chegou perto de mim.

— Você não quer entrar? — ela me chamou puxando-me pelas mãos, seu toque leve acalmou meus nervos.

Eu concordei com a cabeça e deixei ela me puxar. Lori me olhava do andar de cima, mas eu tentei não ligar para o seu olhar aterrorizante.

— Você não ama essa mulher.

Era cedo, Carl estava em meu colo segurando um carrinho de brinquedo e estávamos andando na rua. Ele olhava as vitrines com seus atentos olhos azuis enquanto eu escutava seus gritos animados, ele era realmente filho de Lori.

Coloquei ele no chão e segurei sua mão minúscula enquanto ele falava com o cachorro peludo de uma mulher e apresentava seu carrinho azul, sua inocência me encantava. Olhei para os lados escutando Carl imitando o latido do pequeno cachorro e eu vacilei quando vi um rosto conhecido. Valerie.

Ela sorria despreocupada para uma amiga, elas estavam de braços dados e saíam de uma loja de roupas, meu coração estava se acelerando descontroladamente.

Seu sorriso diminuiu quando ela me viu, ela piscou várias vezes e balançou a cabeça levemente tirando o cabelo do rosto com os olhos fechados. Ela falou com sua amiga e elas seguiram na direção contrária das outras pessoas.

Senti meu coração se apertando quando percebi que ela estava indo embora de mim. Eu queria correr atrás dela e pedir perdão, mas eu não podia fazer isso; estava tudo acabado entre nós para sempre.

Peguei Carl no colo e me afastei da garota de olhos verdes. Eu era um babaca.

Notas finais
B E I J O S
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.