Paraíso
7 Lipe
–Mary?
Acordei com os sussurros de Lincoln chamando pelo nome de uma garota que não fazia a menor ideia de quem era.
–Mary? — Ele repetiu.
Não, nós não havíamos transado, ele estava completamente bêbado, mas o beijo era real, e eu estava completamente apaixonado pelo garoto dos olhos cinzas.
– Quem é Mary, Lincoln? — Perguntei.
Ele se virou e depois de alguns segundos pode chegar à conclusão que havia passado a noite comigo.
– Não me diga que a gente — Lincoln interrompeu a frase e ficou me olhando.
– Não aconteceu nada, relaxa — Respondi e sorri.
– O que aconteceu ontem? Eu não lembro de nada.
–Nada? — Lincoln havia esquecido do beijo, “merda” pensei.
– Nada, aconteceu algo que eu deveria saber?
Claro seu idiota, nós nos beijamos, pensei.
– Não, não houve nada.
–E por que estou na sua casa? Dividindo a mesma cama contigo?
– Você não estava em condições de ser deixado sozinho em casa então eu o trouxe até aqui.
– Ah sim — Lincoln coçou a cabeça — Posso tomar um banho?
– Pode sim — Sorri e apontei onde era o banheiro.
Lincoln se levantou e nem percebeu que estava pelado, tentei resistir à tentação de vê — lo, mas meus olhos não conseguiram se segurar.
Quando sai do transe, percebi que de longe vinha um latido frenético e vozes de uma mulher, ela estava gritando, vesti meu roupão e me encaminhei até a porta de casa.
A surpresa foi inevitável, Briel estava no chão cheio de feridas, e uma mulher de aparentemente 52 anos segurava uma faca em sua mão direita, ensanguentada.
– Filha da puta — A combinação de palavras escorreu da minha boca enquanto eu corria até Briel.
– O cachorro estava endemoniado, com o espírito da viadagem, seja louvado oh Deus, que me usas- tê de ferramenta para tira — lo da terra.
A senhora estava louca, um fogo brilhava dentro de teus olhos, a cena horrível gravada dentro de meus pensamentos se repetia, os batimentos de meu coração cada vez mais rápidos, coloquei as mãos sobre Briel, sentia as lágrimas arderem, minha vista ficará escura, e em poucos minutos desmaiei.
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Um cheiro de menta pairava sobre o ar, meus sentidos pouco a pouco eram restaurados, eu estava num quarto de hospital, ouvi uma voz chamar meu nome, ela era familiar, mas não a de Lincoln.
– Lipe? Você está bem? — Ao interpretar a imagem percebi que era uma garota, pera, era a mesma garota que me atenderá no dia do jornal.
– Eu só quero saber quem é aquela vagabunda que matou o meu cachorro!
– Bem – A garota abaixou a cabeça – A mulher é minha mãe, mas eu posso explicar, ela estava possuída.
– Possuída? – Meu grito provavelmente deve ter ecoado o hospital inteiro – Não há desculpas para o que ela fez!
– Me desculpe, mas, essa é a verdade, e a culpa é minha, ela disse – A garota começou a chorar.
– Sem “chororo” aqui minha filha, cadê ela? Quando eu pega-la, torça pra não matar.
– Não moço, por favor, ela não tem culpa.
– Qual é seu nome garotinha?
– Adália.
– Adália, fique sabendo que eu não acredito nessas baboseiras, e não pense que esqueci como me tratou aquele dia.
Adália me encarou por alguns segundos e saiu da sala sem abrir a boca.
5 minutos.
10 minutos.
Lincoln entrou pela porta.
– Você está melhor? – Ele se aproximou e sentou na cadeira ao lado da maca em que eu estava deitado.
– Não né – Tentei não soar grosso, mas as palavras já haviam saído.
– A mãe da Adalia é assim mesmo, se mantem longe dela, não vale a pena.
– Mas e o Briel?
– Meus pêsames Lipe – Lincoln pousou sua mão na minha.
– Obrigado por tudo – Sorri de canto.
– Ta tudo bem, e sobre a Ad, dá uma chance pra ela, pode ser complicado e tudo mais, mas ela é uma pessoa super legal.
– Você não viu como ela me tratou!
– Calma, não grita de novo, seu último deu pra ouvir do corredor, vamos fazer assim, amanhã, Sam, Ad, Mary e eu vamos ao zoológico, você vem com a gente e se distrai, okay?
Pensei por alguns minutos, era impossível negar algo pra Lincoln.
– Okay.
– Okay.
– Você deve parar de ler estes livros românticos juvenis, são tão toscos.
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