Parasite Eve: 20th Birthday

3 Capítulo 3: A ascensão de Eve


Notas iniciais
Antes tarde do que nunca, né?

Aya ficou surpresa ao descer pelo buraco e descobrir que havia uma escada bem abaixo dele. A descida foi longa, mas chegou ao nojento e fedido esgoto de Nova York. E ainda estou descalça, pensou cansada. Parecia um santuário abandonado há décadas, com escadarias à frente e várias lâmpadas iluminando o caminho.

Empunhando sua arma, Aya caminhou pela ‘calçada’ localizada nas laterais do esgoto. Cada passo na gosmenta calçada lhe dava arrepios, mas era uma atitude necessária para interromper os planos de Eve. Da água, dois ratos mutantes pularam e pararam bem à frente da policial. Ela atirou três, quatro vezes nas cabeças dos roedores e conseguiu matá-los. Apesar da aparência assustadora e da mutação, eles ainda eram ratos e eram frágeis às armas de fogo. Mas não conseguia explicar a resistência dos roedores no teatro.

Chegando à escada, Aya percebeu a presença de um portão bloqueando a subida. Xingando silenciosamente, ela se obrigou a descer na água. Respirando fundo, pôs o pé direito na água, sentindo como era quente e nojenta. Desceu o pé esquerdo também. A água era rasa, mas não diminuía o nojo da situação. Ouviu uma risadinha. Aya apontou a arma, mas viu a mesma garotinha das visões e que surgiu no teatro.

—Menininha — disse ela. A menina saiu correndo, ignorando outra vez a policial. — Espere!

Perdeu ela de vista após passar pela grade. Além do cansaço, também tinha raiva pelos sucessivos fracassos. De forma repentina, um enorme sapo saltou e assustou Aya, que caiu para trás. Assim como os ratos, o anfíbio do esgoto apresentava mutação. Era verde, escamoso, com bolhas saindo da cara, sua língua parecia solta, a ponta tinha um formato curvo. O sapo, entretanto não percebeu a presença da policial, que saiu correndo pela água.

Passando pelo primeiro sapo, Aya não esperava que um segundo anfíbio surgisse e, dessa vez, a golpeando com a língua. Ela caiu para trás, mas logo se levantou e atirou. O sapo preparava um segundo ataque, mas caiu morto após o quinto tiro. Ficou parada, respirando. Toda essa situação era estressante demais, sentir nojo do esgoto parecia o menor dos problemas. Agora estou andando em um esgoto com sangue de sapo mutante, pensou irônica.

O descanso parou quando avistou o outro sapo, que ouviu os tiros, seguindo até ela. Aya correu para escapar do monstro, conseguiu encontrar um botão. Aya o apertou várias vezes até a grade de ferro abrir, ela entrou e o sapo monstruoso ficou do outro lado sem poder alcançá-la.

O corpo de Aya começou a esquentar outra vez. A policial olhou adiante e encontrou Eve flutuando no fim do corredor. Tonta, a policial se aproximou da vilã de vermelho. Sua cabeça estava baixa, seus olhos pareciam fechados, estava maior do que antes. Aya puxa sua arma.

—Já chega, Eve! — grita.

Eve riu baixinho. Aya sentiu o corpo esquentando mais ainda, parecia ceder à pressão da fraqueza, porém conseguiu se manter firme.

—Você se acha preparada para me derrotar por conta própria. É cômico. — Ela riu outra vez e esticou a imensa mão na direção da policial. — Todos são suscetíveis a mim, mas você… — Balançou a cabeça em negação.

—Por que eu sou imune? Diga!

—Você saberá em breve, criança. Eu vou te dar um tempo para pensar, para se descobrir. Para evoluir. — A voz engrossou outra vez. — E o dia das mitocôndrias chegará quando você despertar!

Eve esticou os dois braços para as laterais do esgoto, flutuou para perto de grades circulares. para trás. Aya a seguiu, gritava ordens que eram ignoradas pela monstruosa atriz. Não havia uma forma de fuga, elas iriam se confrontar. Não.

Da cabeça aos pés, o corpo de Eve se transformou em uma gosma amarronzada, se espremeu para passar pela grade. Desde que aquela noite se iniciou, Aya deveria acreditar em qualquer coisa que via, mas aquilo era tão inimaginável que ficou boquiaberta e sem reação alguma. Eve se misturou na água e desapareceu.

—Acabou — sussurrou, admitindo a derrota.

Sua resposta veio bem depressa. Uma boca aberta surgiu da água assim como um corpo de crocodilo se levantou. Ele ficou de pé, era muito alto e escamoso, suas mãos possuíam garras e a cauda era reta de ponta vermelha. Alguma eletricidade começou a surgir entre os dentes do monstro.

Ótimo, mais um monstro. O crocodilo mutante atacou primeiro, liberando ondas verdes de sua cauda. Aya se protegeu do ataque com os braços e revidou ao disparar três vezes na cauda do enorme monstro. O contra-ataque da criatura veio com um ataque com as garras. A policial foi jogada contra a parede, a arma parecia saltar de sua mão. Recuperando-se, atirou mais três vezes. O monstro rugiu de raiva e movimentou o corpo para atacá-la mais uma vez. Desviou e fez o réptil mutante bater contra a parede. Aya recarregou a arma e disparou na cabeça. A eletricidade em sua boca foi disparada, uma onda de choque quase pulverizou Aya, que mergulhou para poder escapar do ataque.

Emergindo, a policial percebeu o crocodilo zonzo e aproveitou para esvaziar o pente. Foram os tiros da vitória. Enquanto o monstro desabou na água e sangrou, a policial sentiu a temperatura corporal diminuindo. Sentiu alívio, enfim poderia dar fim a esse pesadelo.

—Estamos aqui ao vivo em frente ao Carnegie Hall, em Nova York, um lugar de puro caos nesta noite de véspera de Natal. As informações ainda estão confusas e sendo apuradas para melhor compreensão, mas tudo indica que o público presente para a mais aguardada apresentação de ópera simplesmente entrou em combustão e…

O repórter fazia sua entrada ao vivo quando Aya, enfim, saiu do Carnegie Hall. Cansada, molhada, fedendo, carregava a arma em uma mão e o calçado na outra, o vestido tão rasgado que qualquer puxão revelaria mais do que o necessário. O homem da câmera sinalizou para o repórter, que olhou para trás e se interrompeu.

—Senhorita, por favor. Uma palavrinha — disse o repórter, movendo o microfone na direção da policial. — Robert Sanders, NYC News, estamos ao vivo. O que aconteceu lá dentro? Onde está Melissa Pearce?

—Deixe-me em paz, por favor.

—O mundo está vendo você, moça. As informações dizem que Melissa Pearce iniciou tudo isso e as pessoas pegaram fogo, mas você está molhada. Pode explicar?

—Sem comentários. — Diz, distanciando-se. O repórter persistia.

—Melissa Pearce morreu? Está viva e fugiu? O que aconteceu lá dentro?

—Ei, ela disse sem comentários, cara! — Daniel surgiu e afastou Aya do repórter. — Tira essa câmera daqui ou eu tiro ela pra você.

—Estou fazendo meu trabalho, amigo.

Depois da ameaça, o repórter não insistiu. Aya e Daniel já esavam longe. O toque de Daniel tranquilizava Aya. Depois da longa noite, enfim se permitiu relaxar.

Notas finais
O epílogo vem em breve. Assim espero.