Depois dos eventos que ocorreram no fim do mundo eu estou vivendo pacificamente quando um anjo vem ao meu encontro:

— Caroline – ele me chama.

— Sim – digo me voltando em sua direção.

— Eu tenho uma surpresa para você.

— Para mm? – pergunto um pouco cética. O que pode ser melhor do que viver para sempre e não ter medo de ninguém fazer alguma maldade com você. – O que é?

— É algo que você queria muito... só posso dizer isso, é surpresa você entende, não é? Não vou dizer mais porque não quero estragar sua surpresa. Quero ver a sua reação. Sei que você vai gostar muito.

— Tudo bem, eu entendo e confio em você. Vamos! – digo indo para seu lado.

— Venha comigo que vou te mostrar.

Caminho o seguindo por sobre as nuvens macias, vou atrás dele enquanto ele me guia na direção que devo ir.

Andamos alguns minutos e não reconheço essa vizinhança. Eu nunca estive nesse lugar antes, é uma parte desconhecida do céu e por isso o sigo fielmente para não me perder. Sei que é um medo bobo, não há o que temer. Mas não posso evitar o receio que me invade o coração.

— Posso lhe fazer uma pergunta? – lhe digo a determinada distância que já percorremos, não suporto mais tamanha curiosidade.

— Sim, pode pedir o que quiser. No que eu posso lhe ajudar? — diz solicito.

— Como você se chama?

— Ah! – Ele esperava que eu perguntasse outra coisa, mas claro que eu não perguntaria nada que comprometesse a sua surpresa. – Bem, meu nome é Daniel.

— Sempre gostei desse nome – não estou falando apenas para ser educada, estou dizendo a verdade pois sempre tive inclinação a esse nome. Particularmente. E todos terminados em –el. Sim eu sei porque, significa Deus.

— Obrigado — ele diz parando de repente.- Alguém quer conhecer você Esme.

Assim que ele diz o nome meu coração acelera, a mulher que estava de costas para nós, distraída olhando para as estrelas vira para nos encarar. Instintivamente eu já sabia quem era mesmo antes dela se voltar para nós, pela cor do cabelo eu soube instantaneamente.

Meu coração dispara de tamanha felicidade, eu sempre quis encontrá-la de verdade e ansiava tanto por esse dia em que finalmente conheceria minha querida. Ainda bem que sou imortal agora se não fosse eu iria ter um ataque cardíaco, acho.

Mas agora todos nós, as boas pessoas, somos seres imortais e eternos e jamais vamos perecer. Eu sabia que Esme não seria condenada por ser uma vampira. Eu sabia. Ela era uma vampira, sim, mas uma boa vampira. Eu sabia que os esforços dos Cullen para viver de forma mais pacifica não iriam deixar de ter algum valor para Deus. Assim como as pessoas podem escolher se serão boas ou ruins vampiros também podem optar por ser bons ou maus. Eles escolheram ser do bem.

— Olá, sweetie! – ela diz sorrindo e abrindo os braços para me receber.

Corro na direção dela e me aconchego em seu abraço. Tão esfuziante que eu estava que nem pensei, foi uma reação automática, na verdade eu já havia decidido ter essa atitude quando a encontrasse pessoalmente.

— Esme! – exclamo de forma a expressar tudo que eu sinto por ela apenas pela maneira que digo seu nome.

Nos apertamos ainda mais, porque agora não precisamos mais nos preocupar em tomar cuidado pois somos imortais as duas.

— Eu te amo tanto, Esme, como mãe! — digo com a cabeça apoiada em seu ombro e e sentindo seu doce perfume dentre seus cabelos sedosos.

— Oh, querida! Eu também vou amar você, tenho certeza disso. Você pare uma menina muito adorável por sentir tanto carinho por mim sem me conhecer.

Eu sinto que a conheço mais do que muitas pessoas com quem convivi.

— Como estão todos? – pergunto me afastando um pouco para olhar em seus olhos ainda dourados como sempre foram e para sempre serão.

— Toda a minha família está bem, sweetie. Obrigada por se preocupar. Agora está ainda maior do que antes, com os pais de nossos filhos e nossos pais. Todos nós nos reencontramos aqui no céu e foi muito bom. Carlisle pode conhecer a mãe que nunca conheceu... ela é muito parecida com ele. Seu nome é Carine. Claro que meus pais e especialmente o pai dele não gostaram de saber que os filhos foram vampiros... Carine aceitou melhor porque fomos bons vampiros, sabia que o filho não seria mau. Mesmo nunca tendo visto ele... – Fico surpresa por saber que o pai de Carlisle ressuscitou já. Talvez ele não foi tão mau quanto eu pensava... Certamente não tanto quanto meu pai. Ele pode ter sido rude com Carlisle mas não tanto quanto meu pai foi comigo.

— Mas e seu filho? Ele não estava com os pais do Edward?

— Não, mas agora ele está aqui.

— É o Daniel – olho para o lado, mas o anjo sumiu. Sempre tive essa tendência de sempre colocar as outras pessoas antes de mim. Nunca acreditei que alguma coisa boa poderia acontecer comigo...

— Não, Carol. Ele é VOCÊ.

— Eu? – meu coração bate ainda mais rápido como as asas de um beija-flor transbordando de felicidade. Não acreditava que podia ser verdade.

As almas não tem sexo, só o corpo tem.

— É claro, meu filho era muito novo quando morreu e por isso Deus em toda a sua magnificência se compadeceu dele e o mandou mais uma vez para a Terra. Dessa vez ele não morreu, você não precisou morrer.

— Mas eu não me lembro de nada...

— Claro que não lembraria, você era muito novo para ter qualquer recordação. Mas de certa forma você lembra de algo, sim. Sua ligação comigo que você nunca soube explicar. Você lembrava bem no fundo do coração você lembrava do quanto eu amei você.

— Desse jeito eu vou chorar, mãe...

— Pode ficar emocionada, eu compreendo.

Lágrimas brotam dos meus olhos e escorrem pelas bochechas.

— Oh, mamãe! Isso é bom demais para ser verdade!

— Mas é a verdade, sim Caroline. Você foi meu pequeno Collin que eu abracei uma única vez antes de ser transformada e o coloquei para dormir beijando sua pequena cabecinha com toda ternura e afeto. Meu primeiro e único bebê. Meu príncipe agora se tornou minha princesa. Você é não só a ‘reencarnação’ do meu filho como também é descendente tanto de meu marido como de mim.

— Quer dizer que vocês são parentes?

— Não. Apenas nossos descendentes se encontram em você, nós dois não temos nenhuma relação antes.

— Uhm...

— Eu e Carlisle somos seus antepassados, filha.

— Mas, como isso é possível? Até onde eu sei vampiros não podiam ter filhos... não os dois. Vocês não tiveram filhos quando eram humanos, como eu posso ser descendente de vocês dois?

— Sim, Carol. Você não é nossa filha diretamente. Mas depois que Carlisle desapareceu o pai dele temendo ficar sem nenhum herdeiro se casou novamente e teve um filho mesmo já em idade avançada, a nova esposa dele era jovem. Esse meio-irmão de meu marido é um de seus avós e a sua mãe é uma de minhas tataranetas.

— Espere um pouco... – levanto a mão aberta – Preciso de um tempo para assimilar todas essas informações.

— Claro, você tem o tempo que precisar. Temos a eternidade toda diante de nós, filha.

Reflito por alguns momentos e depois digo:

— Quer dizer que o meu pai era...

— Sim, Charles reencarnado. Ele foi tão mau na outra vida que teve chance de se redimir, mas não se arrependeu dos males cometidos anteriormente e pelo contrário, os reforçou ainda mais. O que ele teria feito com nosso filho caso eu não tivesse fugido e ele tivesse nascido saudável, ele, seu pai, fez com você. Não entendo porque ele fez isso com você. Como ele pode? Você sempre foi uma menina tão doce, não merecia ser maltratada daquela forma... Por isso ele ainda não está aqui, ainda não ressuscitou.

— E a minha mãe?

— Ela é apenas minha descendente. Eu era vampira não poderia voltar em outro corpo, por isso ela fez meu papel.

Agora todas as peças do quebra-cabeças da minha vida parecem se encaixar. Eu nasci quando minha mãe tinha 26 anos e tive que ficar na incubadora por um tempo pois eu nasci prematura e provavelmente tinha algum problema respiratório como na outra vida, mas dessa vez foi resolvido e eu sobrevivi...

— Esme, meu amor – Carlisle chama a esposa e se aproxima de nós duas. Eu não havia percebido ele chegar, mas, nada de mais. Não teria percebido se estivéssemos na Terra também. – É ela? – ele pergunta claramente ele já sabia sobre mim e os dois já estavam me esperando.

— Sim, querido – responde Esme sorrindo.

— Carlisle! – digo radiante por finalmente vê-lo em pessoa. Pulo e lhe dou um abraço, colocando meus braços ao redor de seu pescoço.

— Ela parece muito com você, querida... Caroline! – diz ele me pegando no colo e erguendo. – É um prazer conhecer você, filha.

— Papai... eu te amo.

Não é que eu conheci eles agora, eu já ansiava por esse momento há anos e meu sentimento por eles só crescia com a distância e a impossibilidade que eu imaginava que era encontrá-los.

— Eu também te amo muito, criança – quando ele me chama de criança meu coração acelera batendo ainda mais rápido do que antes. E por falar em coração agora o coração de Esme e Carlisle batem. Ouvir esse som no peito deles é tão lindo sempre sonhei poder ouvir, e eles continuam a ser imortais. O meu sonho se realizou.

... Mil anos de paz e sossego e agora chega a segunda ressurreição...

Aqueles que morreram iníquos são agora ressuscitados para serem julgados.

Assim que são chamados todos se levantam de suas tumbas, sepulcros e afins para receberem a promulgação da sentença divina sobre seus atos. Esse é um espetáculo escabroso de se ver.

Esme e eu estamos de mãos dadas quando avistamos dentre toda a multidão de todas as nações aquele que foi nosso algoz para ambas. Ele é um monstro horrível – como nós duas supúnhamos que ele era por trás da figura humana – ele tem duas cabeças, uma delas provavelmente com a aparência de Charles (não me surpreende ter imaginado quase certo) e a outra parecendo meu pai. Também tinha quatro braços, dois de cada lado do corpo, e quatro pernas, duas esquerdas e duas direitas. A boca dele era a coisa mais horripilante, era como a de um animal carnívoro com dentes afiados e presas enormes. Seus olhos eram de um vermelho apavorante.

Claro que havia alguns vampiros maus juntos com esses seres malignos, pude identificar os Volturi segundo a descrição deles nos livros, agora eles eram ainda mais medonhos do que antes, pois além de os olhos vermelhos também tinham os dentes semelhantes aos grandes felinos, com presas pontiagudas. Tinham também asas escuras como asas de morcego enquanto nós temos asas brancas como os anjos.

Com medo nós duas nos apertamos as mãos e damos um passo para trás quando ele nos encara. Carlisle vem até nós e se coloca em atrás de nós, nos segurando os ombros, mostrando que nada de mal vai nos acontecer, pois ele nos defenderia se fosse preciso.

Após serem justamente julgados pelo mal que fizeram são banidos e finalmente destruídos assim como o Mentor do Mal. Nunca mais haverá qualquer coisa que impeça nossa eterna felicidade.

A recompensa dos justos é a merecida tranquilidade para sempre. Viveremos em paz e harmonia eternamente

...XXX...

Notas finais
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