Paranoid Android
11 Capítulo 11
Notas iniciais
A expressão séria deixou o seu semblante, dando lugar a um esplendoroso sorriso de pura felicidade. Ele me fizera lembrar uma daquelas crianças americanas em filmes natalinos, que ao abrirem os presentes e descobrirem uma boneca ou a locomotiva em miniatura com que tanto sonhavam sorriam demonstrando a dentição perfeita e as covinhas tão amadas. Claro, Jess não tinha covinhas, mais isso de nada importava, já que somente de ver seu rosto reluzindo alegria, a memória das crianças se perdia por inteiro em minha mente.
Os azuis tão radiantes foram sumindo aos poucos em meio aos cílios tão grossos e loiros que tinha, enquanto sua mão enlaçava-se ao meu pescoço trazendo-me para mais perto de seu rosto. Os meus castanhos também se cerraram, com a imagem do sorriso encantador de Jess queimada em minha retina. Meus braços se enlaçaram suas costas – tomando cuidado com as incomodas tipóias-, também ansiando pelo o que viria depois. E logo eu estava provando de seus lábios, como em uma continuação perfeitamente desejável para o desastroso acontecimento no provador.
Sim, fora novamente um singelo toque de nossos lábios, mas mesmo assim senti-me infinitamente feliz. Era como se o tempo parasse para que eu pudesse finalmente experimentar todas as verdadeiras sensações que Jess transmitia por seus lábios. Senti a felicidade, a ansiedade – que fazia meu estômago revirar-se por inteiro-, e até um instinto de possessão que não me permitia deixa-lo. Eu me perguntava se aquilo tudo era normal quando se amava, ou se eu e Jess éramos ligados por uma linha tênue que entrelaçava nossos destinos... Ah, como eu estava feliz!
Mas infelizmente aquele contato tão superficial – e tão maravilhoso- também era frágil. Frágil o suficiente para que Jess o interrompesse sem dificuldades. Emiti um ruído baixo em minha garganta, reprovando tal ação. Ele pareceu perceber, mas apenas continuou com nossos rostos tão próximos, sentindo minha respiração lenta e tranqüila acarinhar-lhe o rosto enquanto se deliciava com toda a experiência passada. As orbes azuis encontraram as minhas castanhas lentamente, transparecendo a emoção de ambos.
Num ato súbito, ele envolveu minha cintura com um dos braços, enquanto uma de suas mãos entrelaçava-se em meus cabelos, iniciando um lento carinho em meio aos fios castanhos e arroxeados. Aproveitando tal contato, envolvi-o em meus braços também, aconchegando minha cabeça em seu ombro, roçando meus lábios em seu pescoço. Jess recuou inocentemente com tal ato, mas logo retomou seu lugar em meus braços, acompanhando-me também no acalento. Mas diferentemente dele, eu era humana, e infelizmente tinha meus pontos fracos.
Jess parou por um momento ao ver minha reação com seu novo tipo de toque, parecia averiguar o que acontecia quando seus lábios entravam em contato com as diferentes partes de meu pescoço. Ele parecia estar curioso pelos acontecimentos.
Senti os lábios de Jess se recurvarem quando minha pele se arrepiou, um sorriso talvez?
Felizmente meu rosto estava escondido do seu, deixando-me livre de constrangimentos quando enrubesci com tal ato. Apertei minimamente meus braços em volta dele, indicando para que parasse com aquilo. Ele obedeceu, movendo seu rosto para perto de minha orelha. Péssima idéia. Ele não sabia que existem certas regiões humanas que são sensíveis ao toque? Ou sabia e queria me provocar?
-Eu te amo, Marina... – Sussurrou ele em meu ouvido, me fazendo feliz e mais constrangida ainda com meu corpo, que cedeu involuntariamente ao toque de suas palavras. Ele riu rouco, fazendo com que me encolhesse, tentando parar com o comportamento de meu corpo. — E adoro suas reações tão humanas... — Sussurrou com um sorriso brincando em seus lábios finos.
A essa altura, meu estômago parecia estar à beira de um colapso nervoso. Eu tentava controlar de alguma forma as reações tão constrangedoras de meu corpo, mas era em vão, já que Jess não permitia que minha pele voltasse ao normal com sua respiração lenta em minha orelha.
Ele somente parecia deliciar-se com aquilo, seu riso rouco era a prova acusadora contra o seu sadismo ao ver-me lutando em vão contra os hormônios, — talvez-inexistentes em seu corpo inorgânico.
Revirei-me quando ele soprou uma fina corrente de ar contra meu lóbulo, fazendo-me estremecer de vergonha. Ele novamente riu-se de minha reação, achando muita graça em meu desespero.
- Pare com isso, Jess. – Sussurrei nervosa em sua orelha, repreendendo-o.
A mão em meus cabelos parou se desenrolando de meus cabelos e deslizando para minha nuca, prendendo-me naquela posição.
- Por quê? Isso é errado? — Perguntou-me, parecendo desculpar-se envergonhado.
- E-é! — Gaguejei um tanto surpresa com sua reação inocente, tão diferente da que se divertia há pouco.
Dito isso, ele beijou meu lóbulo. Fazendo-me estremecer e arrepiar violentamente, arrancando-me um suspiro incontido e envergonhado. Arregalei os olhos, incrédula com tal ação. O que Jess estava fazendo?
- Mas parece ser tão divertido te ver assim por minha causa... — Disse ele com a voz tomada pela satisfação.
- Jess, você está errado! — Disse-lhe nervosa, mordendo-lhe o lóbulo como em resposta por tudo o que havia feito.
Para minha surpresa, houve uma pequena alteração na pele aos arredores do local. Então havia terminações nervosas nele também, não é? Hm... A pergunta é: havia hormônios também?
- Ah! — Disse ele surpreso com a sua própria reação. Ele então soltou meus cabelos, permanecendo somente com seu braço envolto em minha cintura, afastando-se um pouco de mim para olhar meus olhos. -Vamos parar com isso então.
- Sim... — Disse aliviada com sua reação.
Eu sorri para ele, e para sua surpresa, roubei-lhe um beijo. Não passava de um selo, mas mesmo assim, era diferente dos dele, havia movimentação.
Confesso que me sentia muito tentada a descobrir se Jess era tão inexperiente a ponto de não saber beijar de outra forma. Mas não consegui comprovar tal tese, estava contente em tê-lo somente em meus braços, sorrindo e jurando-me seu amor integral.
- Está ficando tarde... – Disse-me após o beijo. – Você ainda é muito pequena para ficar por aí tão tarde da noite... — Disse-me num tom cínico.
- Não sou tão nova. – Disse-lhe acidamente, logo olhando para o grande relógio que havia no centro da praça tão agitada. Dez e meia, Ester iria me matar.– Hm... Preciso mesmo voltar. – Disse livrando-me dos braços tão possessivos dele.
Eles se fecharam ao meu redor, obrigando-me a continuar ali. Olhei sem entender sua reação, não era ele que estava dizendo para que eu fosse embora?
- Está tarde, você não vai ir embora sozinha. – Disse ele em tom maduro de repreensão, levantando-se e me tomando em seus braços. – Eu devo cuidar muito bem do que é meu. – Disse ele convencido de minha possessão.
Eu ia argumentar, mas de nada adiantava, eu era totalmente – e irrevogavelmente- apaixonada por ele. Eu era tão dele, quanto ele era meu.
Saímos do shopping e nos dirigimos para a casa de Ester – eu não pretendia nunca mais retornar à minha casa -, eu guiava Jess pelo caminho, mas ele já o conhecia, afinal, ele já fora até lá na noite passada.
A noite estava escura, havia locais meio desertos, mas eu não temia nada. Afinal, Jess seguia à minha esquerda, de forma que me protegia de qualquer perigo que a parte externa da calçada e a rua não pudesse me atingir, como manda a etiqueta. Ele até podia não ser orgânico, mas ele era muito mais cavalheiro do que muitos homens que conhecia.
Eu estava tão encantada que não sabia se aquilo estava realmente acontecendo: Jess estava do meu lado, sorrindo abobalhado como eu, dizendo coisas que pareciam totalmente desconexas no momento. Mas eu estava tão feliz, que nem dei importância.
- Bem, aqui estamos. – Disse, emendando a frase com algo sobre a televisão que o seu criador – que eu considerava como sendo seu pai — comprara.
Ele parou à minha frente, segurando firmemente em seus braços, evitando o contado com meus pulsos imobilizados, fitando-me intensamente, com o mesmo receio que eu sentia em relação à partida.
- Eu tenho mesmo que ir? – Perguntei-lhe com a voz desanimada.
- Tem. – Disse ele frio e definitivo.
- Ei! A gente não está invertendo os papéis? – Perguntei-lhe, e logo estávamos rindo.
O som de nossas risadas cessou após algum tempo, dando lugar novamente à sensação de tristeza da despedida. Essa era aquela parte que todos nós odiamos nos filmes de romances: quando o mocinho tem que se separar tragicamente da mocinha. Mas ao contrário deles, não iríamos morrer, ou enfrentar um grande desafio ou uma separação que duraria muito tempo. Mas mesmo assim, era insuportável ter que deixá-lo.
Beijamos-nos depois do silêncio torturante e tão melancólico. Esse pelo menos durara mais tempo do que os anteriores, mas em compensação, o sabor que deixara em minha boca fora o de amargura. Talvez eu fosse um tanto dramática, mas eu não queria ir embora.
- Vá, Marina. – Disse–me encostando sua testa na minha, ambos com os olhos fechados. – Não torne isso mais difícil do que já é.
- Promete que vai estar lá, na praça de alimentação, amanhã? – Perguntei-lhe de forma tão imbecil, era óbvia a resposta.
- Prometo. – Disse num sussurro, afastando nossos rostos e abrindo os olhos. – Vá, eu te amo. – Disse beijando minha bochecha.
- Tá. – Disse-lhe roubando um beijo rápido de seus lábios. — Eu te amo, Jess.
Eu me despedi com um sorriso bobo, encarando a figura que desaparecia rapidamente atrás de mim. Suspirei adentrando a grande casa, esperando alguma grande bronca de Ester ou de Stephanie.
- Marina! – Sibilou preocupada Ester. – Onde você estava? – Perguntou, enquanto me chacoalhava em seus braços, dizendo algo sobre preocupação e sobre a policia.
- Calma, calma, calma Ester! Me desculpa, é que eu tinha que sair um pouco, sabe? – Parei analisando a mentira que estava contando, finalizando cautelosamente com algo sobre estar sobrecarregada com tudo que estava acontecendo comigo e toda aquela besteira sobre a pressão da adolescente em crise por causa de um trauma – o que não deixava de ser uma verdade para mim-.
- Ah!Tudo bem... – Disse-me Ester acalmando-se e tomando novamente o seu lugar no sofá enquanto eu subia para meu quarto. – Qualquer coisa, se precisar conversar querida, me chame. Ah! Peça ajuda para Stephanie quando for tomar banho. – Disse apontando para minhas tipóias.
Subi direto para meu quarto, escolhi um pijama e peguei uma toalha para tomar banho. Stephanie sorriu maliciosamente para mim quando fechou a porta do banheiro, fazendo-me recuar alguns passos.
- Huhuhu... Me conta. — Pediu ela com uma cara assustadora. — O que você fez com aquele garoto bonitão do cabelo branco lá embaixo? – A voz dela começava a insinuar coisas um tanto obscenas.
Mordi o lábio, remoendo-me pensando no que dizer.
- É eu beijei ele. – Disse finalmente a verdade para a satisfação dela. – E ele disse que me ama. – Disse-lhe para que pensasse que eu que estava dominando a situação.
- E você?Ama ele?
Engoli seco.
- Sim! E muito! – Disse sorrindo.
Era bom poder ter alguém para confessar essas coisas, Stephanie era realmente a minha irmã mais velha.
- Tá, agora me ajuda a tirar a roupa pra tomar banho!
Notas finais
Estou estudando demais, e agora vou ficar sem tempo nenhum!
Desculpa!
Só postei hoje porque estou doente e faltei na escola u-u'''
Prometo que os capítulos serão SUPER INTERESSANTES daqui pra frente - huhuhu.
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