Todos os dias faço os mesmos passos e me sinto saturada, a caixa cinza já não tem mais essa cor. O sol entra e ilumina as paredes azuis como o céu que tanto amo, mas por alguma razão me remete a um hospital dessa vez.

Talvez porque digo todos os dias que estou doente. E isso me satura mais ainda.

Janeiro está acabando, não fui a praia para ver o mar. Me disseram pra não ficar triste, porque tenho o ano todo para ir, já que fico atoa na caixa — agora azul — sem compromisso nenhum, mas verão só há 1 durante o ano inteiro.

As coisas que eu amo estão me machucando por conta da Paranoia. Ela é um caixeiro-viajante, que migra de tempo em tempo para o que me interessa no momento.

Queria eu poder viajar o tanto que ela viaja, mas a caixa azul é tão espaçosa e acomodada quanto a cinza, que me resta observar a Paranoia junto com os viajantes dos meus sonhos.

Não importa se estão a pé ou de moto, eles derrubam a quarta parede para continuarem vagando e eu me pergunto se conseguirei derrubar uma da caixa azul. De vez em quando a Paranoia para em frente a mim e me dá as costas só para exibir suas asas belas e grandiosas.

Ela é um pássaro, livre como um.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!