Paranóia

2 Capítulo 2 - New friend, new bitch.


Notas iniciais
Outro capítulo ^-^
Espero que gostem desse, e por favor não deixe de escrever um review com sua opinião. E obrigada pelo review no primeiro capítulo alyss, eu adorei. Beijo, e boa leitura.

Eita diacho.

-Sério? Mas eu tenho certeza que eu estava com ele.

- Vou te provar. – Fernanda disse e pegou um papel na sua bolsa. – Esse é o mapa de sala. – Ela me entregou o papel.

Eu abri como se fosse um pergaminho lendário, meus olhos buscaram automaticamente a penúltima cadeira da fileira do canto, onde havia grafado em letra de forma. “LUGAR VAGO”

- Não é possível. – Murmurei para mim mesma. – Eu conversei com ele, olha! – Disse entregando o papel da minha conversa com o Bruno na aula de filosofia, que eu tirei da mochila como se fosse uma carta de Yu-Gi-Oh!

- Vih... – Ela me deu um apelido. Se eu não estivesse tão assustada, talvez achasse fofo. – Só tem a sua caligrafia aqui.

- O que? – Eu puxei o papel da mão dela.

“Por que você não está copiando a matéria?”

“Copia quando quer? Preguiçoso.”

Nem vestígios da letra perfeita do Bruno.

Agora a porra ficou séria.

- Olha, eu sei que isso tudo é muito estranho. – Ela disse enquanto guardava o mapa de sala na bolsa. – Mas deve ter alguma explicação. Talvez você tenha dormido na aula e sonhado ou talvez algum produto industrializado que você consumiu deve ter causado alergia resultando alucinações... – Espera, ela tinha acabado de me chamar de paranoica? – Sei lá. Só tenta relaxar ok? Eu vou para casa, até amanhã.

Fernanda saiu da sala me olhando como se eu tivesse vindo de um hospício.

Ai que horror, eu tinha passado a manhã toda com um fantasma.

Um fantasma muito lindo.

Foco, Vitória, foco. Você tem é que estar com medo e não tarando ele.

Cheguei em casa, meu irmão estava deitado no sofá assistindo futebol.

- Já foi demitido? – Perguntei jogando a mochila no outro sofá.

- Foda-se. – Ele resmungou e aumentou o volume da tevê.

- Vitor meu anjo, vem almoçar. – Mamãe gritou lá da cozinha.

- Mãe! Para de me dar apelidos carinhosos, eu tenho 19 anos! – Ele berrou de volta.

- Então vem logo comer essa desgraça, antes que eu jogue a panela de pressão na sua cabeça. – Meu irmão arregalou os olhos e eu comecei a rir.

- Bem feito. – Disse enquanto ria.

- Cala a boca, pirralha. – Ele disse e foi para a cozinha.

Tomei um banho bem demorado, e tentei relaxar, mas não parava de pensar no Bruno. Eu estava mesmo louca? Eu tive uma alucinação? Cara, se eu tive alucinação, eu devia ter mais vezes, por que né. Vitória Lumina Alves, se controla.

Nem apareci para o almoço, toda essa história estranha me tirou a fome, então eu vesti uma roupa de malha enfiei algum dinheiro na minha bolsa e saí de casa. Minha mãe, como sempre, nem se importou. Eu andei algumas quadras e como sou uma garota atlética, comecei a desejar loucamente água fresca e um lugar para descansar. Comprei uma garrafa d’água, e me senti no banco da praça, olhando para o pessoal que fazia manobras de skate por perto.

Olha, eu não sei como não fiz isso antes, é muito proveitoso ver esses bonitinhos fazendo manobras radicais. Mesmo.

Um garoto veio em minha direção com o skate dele, ele encostou o skate no banco e ficou me fitando.

- Você não é Vitória, a aluna nova? – Pera, ele era da...

- Ah! Você é o garoto que vomitou na sala de aula! – O menino ficou vermelho de vergonha, é eu sou muito discreta.

- É acho que sou eu. – Ele disse pegando o skate de volta, acho que eu o constrangi, tipo, só acho.

- Você tá melhor? – Perguntei, engolindo loucamente o resto da água da garrafinha.

- Estou sim. Então, onde você morava antes? – Ele perguntou se sentando do meu lado.

- Em São Paulo. – Respondi.

- Legal, tipo, tem praia.

- É, mas eu odeio praia.

- Nem posso dizer muita coisa, eu moro aqui desde que nasci. Eu queria ver a praia de perto. – Ele disse com um ar sonhador.

- Você não está perdendo nada. É um horror, tipo, a água é tão salgada que você sai de lá todo ardido. – Ele riu. – Sério, e depois aquela areia maldita fica grudando no seu corpo molhado e sem falar que o cabelo fica um lixo. E também eu odeio sol. – Completei arremessando a garrafa d’água vazia em uma lixeira próxima.

- Então você prefere morar aqui? – Ele perguntou.

- Na verdade, não. — Ele me olhou todo ofendido. – Tipo, nada contra, aqui é legal, mas eu deixei todos os meus amigos importantes para mim em São Paulo sabe? Eu sinto falta do pessoal. – Desabafei.

- Eu te entendo, mas olha, aqui não é tão ruim assim. Você tem oportunidade de fazer mais amizades. – Ele disse sorrindo.

- Obrigada. – Sorri de volta.

- Sabe andar de skate? – Ele disse balançando o skate dele com as duas mãos.

- Não, mas eu sei cair de skate, sou profissional nisso. – Ele riu.

Velho, como é o nome desse menino?

- Qual o seu nome mesmo? – Perguntei.

- Miguel. – Ele respondeu e se levantou do banco. – Quer que eu te ensine a andar de skate?

- Pode ser outro dia? Eu estou toda suada por que eu estava fazendo caminhada, sem contar que agora eu estou com uma fome desgraçada. – Disse me levantando também.

- MIGUELITO MEU FOFO! – Uma garota veio gritando do outro lado da praça com duas latas de coca-cola na mão.

Sabe aquela pessoa que começa a rir no momento mais impróprio possível? Então.

Eu comecei a rir, não um riso normal e fofo, mas eu comecei a gargalhar. Sério, eu não aguentei quando vi aquela figura de cabelo vermelho, correndo com a blusa super curta como se quisesse mostrar para Deus e o mundo que tem seios. Não querendo julgar precocemente, mas já julgando, parecia uma cadela no cio.

- Felícia? O que faz aqui? – Miguel perguntou.

A ruiva agarrou o pescoço dele, dando um abraço sufocante e desajeitado no garoto que deixou o skate dele cair. Eu peguei o skate dele do chão e tentei parar de rir.

- Eu estava passando casualmente e te vi aqui na praça, resolvi comprar coca pra gente. – Ela disse quase que esfregando a lata na cara do Miguel. – Quem é ela? – Ele disse com um tom de ciúmes. Só me fez ter vontade de rir mais ainda.

- Essa é a Vitória da minha sala. – Ele disse massageando o pescoço. – Vitória, essa é a Felícia, ela estuda no 1º ‘A’.

- Oi. – Eu disse quando parei de rir.

- Oi. – Ela disse seca.

Vish, muita treta.

- Então, eu pensei que a gente podia ir no cinema hoje. – Felícia virou-se para o Miguel fingindo que eu não estava ali.

- Não. – Ele respondeu cortando ela.

Vish, muita treta.²

- Outro dia então? – Ela riu, como se ele não tivesse acabado de recusar na maior ignorância.

- Felícia, eu realmente não quero ir ao cinema. Em dia nenhum. – Ele disse sério.

- Tudo bem, então vamos ao zoológico. – Ela deu pulinhos de alegria. – Vai ser muito divertido.

Na boa, que garota chata.

- Com licença Felícia, eu preciso conversar com o Miguel. – Eu disse entrando na frente dela.

A garota mudou a expressão de alegria, por nojo em questão de segundos.

- Tudo bem. – Ela cuspiu as palavras. – Te ligo depois Miguelito. – Ela riu para ele e saiu saltitando.

Miguel tirou o celular do bolso, desligou, tirou o chip de dentro do celular, amassou e jogou na fonte de água que tinha na praça. Eu ri.

- Obrigado. – Ele respondeu pegando o skate de volta.

- De nada, eu sei como é ser perseguido por gente indesejada. – E pior que eu sabia mesmo. – Mas caramba, precisava ter jogado seu chip fora? – Eu ri.

- Qualquer coisa para me livrar da Felícia é lucro. E eu tenho outro chip em casa. – Ele riu também. – Você quer? – Ele me ofereceu a lata de coca que a Felícia tinha trago para ele.

- Quero sim, obrigada. – Eu abri e dei umas boas goladas, bom, de alguma coisa aquela ruiva estranha serviu. – Eu acho melhor ir para casa agora.

- Tudo bem, a gente se vê amanhã na escola então?

- Claro, até mais. – Eu acenei e desci a rua.

Acho que aquela garota vai começar a me odiar, sei lá, só acho.