Parallel
2 Capítulo II - Sigma
Notas iniciais
Revisão por: Fábio Roberto.
Capítulo II — Sigma
– Você encontrou a sua “ex-amorzinho” lá?. — Sarah, novamente com um tom "malvado" me perguntou.
– Não, ela provavelmente faltou ou matou aula. — Respondi com indiferença.
– Uuuuuhhh... Então ela matava aula pra ficar com você? — Ela perguntou, com um tom mais "malvado" ainda. Inclinei-me e olhei para os olhos dela, perguntando sarcasticamente em seguida:
– Você por acaso está afim de mim, querida? — Ela ficou com uma cara emburrada e deu um soco bem forte no meu braço do qual eu fingi não doer só pra irritá-la mais ainda. Ela então se jogou no banco do carro e respondeu:
– Eu jamais ficaria afim de alguém tão idiota e cretino como você. — Sinceramente não sei bem onde eu sou um cretino pra ela mas. Enfim. Havíamos acabado de chegar no quartel general da Sigma.
Sigma é uma organização fundada pelas três maiores nações do mundo: Amaria, Sigmund e Midgard com o intuito de manter a ordem no mundo e evitar o alarde por conta de casos, digamos, "sobrenaturais" que tem ocorrido a aproximadamente dois anos. Esses casos sobrenaturais têm ligação direta com uma realidade paralela existente, "em reflexo" ao nosso universo. Pela lógica, esses dois universos não podem interagir entre si e muito menos seres de um universo irem para o outro, porém, algo está perturbando essa ordem e fazendo com que seres dessa realidade paralela venham até esse mundo, criando então esses casos sobrenaturais. No momento, não temos a menor idéia ainda do que está causando esse distúrbio entre os dois mundos, mas muitos de nossos agentes estão procurando por respostas para esse mistério. A organização ao todo tem três quartéis generais, um em cada nação. O quartel general de Amaria, onde estamos, é um conjunto de sete prédios. Dois deles, ao nordeste e noroeste, logo na entrada do quartel, funcionam como os consulados de Sigmund e Midgard e são os dois únicos prédios do quartel cujo público tem acesso. Mais adiante, onde há outro portão do qual é protegido e vigiado 24 horas por dia estão os dormitórios ao sudeste, o centro de pesquisa e o centro de treinamento ao sudoeste e, no centro do conjunto, a central de operações para onde estamos indo.
Saímos do carro e pegamos o elevador até o décimo andar e caminhamos pelo corredor.
– O que você acha que ela irá dizer essa vez? — Sarah me perguntou.
– "Bom trabalho", em seguida ela irá nos entregar nossa parte do pagamento e dirá "Vocês estão dispensados" — Respondi, ironicamente.
– É. Você deve ter razão. — Ela comentou. Chegamos então ao final do corredor, onde ficamos de frente para um portão metálico e olhamos para o visor, que nos identificou e abriu o portão. Caminhamos até o centro da sala e ficamos um ao lado do outro, em linha reta. Na nossa frente, sentada á uma mesa estava a marechal do exército da Sigma em Amaria, Karen.
Karen é uma mulher com cerca de trinta anos, porém com uma aparência de seus vinte e quatro bem conservados, cabelos escuros compridos e uma postura de superioridade. Ela olhou fixamente para nossos olhos, levantou-se da mesa e disse, com tom de superioridade:
– Bom trabalho. — Em seguida ela pressionou um botão, em seguida nossos dispositivos vibraram e os pegamos, e lá estava o nosso pagamento. Ela então continuou:
– Estão dispensados.
– Sim, Milady. — Respondemos e saímos indo novamente até o elevador. Sarah então comentou, aparentemente desapontada.
– Ela nunca muda. Parece até que é sistemático da parte dela.
– É o jeito dela. Estamos aqui faz um pouco mais de quatro meses, acho melhor você se acostumar com isso — Respondi. Wallace, então, comentou:
– Vocês dois ingressaram juntos?
– Na verdade, ele entrou duas semanas antes que eu, e me acompanhou na minha primeira missão. — Sarah o respondeu.
Saímos do elevador e Wallace foi para os dormitórios, calado como sempre. Ainda estava anoitecendo, então resolvi ir para o centro de treinamento. Como o próprio nome diz, ele serve como uma área de treino e preparo dos membros da Sigma. Aqui, novatos são instruídos para o combate e aprendem a utilizar suas energias, enquanto membros mais experientes vão lá para aprimorar suas habilidades.
– Até mais. — Disse á Sarah enquanto caminhava até lá.
– Ei! — Ela disse, mas fingi não ouvir, já que ela me tomaria o dia todo com algum assunto. Chegando até o centro de treinamento, fui para o quarto andar, conhecido como o andar da água. O andar da água tem várias câmaras separadas com piscinas cuja profundidade variam de um metro e sessenta á três metros de profundidade. O intuito é usar da energia da água, dentro ou fora dela para treinar suas habilidades aquáticas.
Escolhi então uma piscina de três metros. Posicionei-me em frente a ela e comecei sentir a energia da água ao meu redor. Logo passei á moldar a água da piscina, criando um turbilhão. Em seguida, o fiz absorver a água e levantá-la, criando um turbilhão maior ainda e com uma velocidade tão alta que a única janela da câmara estava estremecendo. Saltei para dentro do turbilhão e o fiz "explodir", criando então vários turbilhões menores ao meu redor e flutuando com o ar que era criado por eles. Após formar os turbilhões, só me restava manipulá-los e assim o fiz durante dez minutos para me acostumar com tal habilidade. Após isso retornei a água ao seu estado natural dentro da piscina e saí da sala. Enquanto caminhava até o elevador, ouvi uma janela se quebrar e notei uma esfera d’água em grande velocidade vindo em minha direção. Por ser um ataque básico de água, consegui neutralizá-lo mesmo em tamanha velocidade. Logo um garoto aparentemente jovem, com altura por volta de um metro e sessenta e cinco, cabelo castanho batendo na sombrancelha e moreno veio correndo até mim.
– D-D-D-D-D-D-e-eee-scuuuuuu-u-uuullll... — Ele tentou falar, muito nervoso pelo ocorrido.
– Relaxa, essas coisas acontecem. — O cortei e respondi. Ele então respirou fundo e disse:
– Esse é minha segunda semana aqui, então ainda não consigo controlar as minhas Artes. Me desculpe mesmo. — Logo olhei diretamente nos olhos dele e perguntei:
– Seu Limitador foi tirado faz pouco tempo, certo?
– S-Sim — Ele respondeu.
– Tenha mais concentração então, nas primeiras semanas sem o Limitador é muito difícil controlar suas habilidades, você precisa se concentrar e saber o que fazer. Você não deve simplesmente canalizar a energia e utiliza-la, mas sim senti-la fluir em você. Só assim você terá total domínio sobre as Artes. — Comentei.
– Certo senhor. Muito obrigado.
– RYAN!!!. — Um dos instrutores o chamou, aparentemente furioso pela janela quebrada. Ryan então parecia tenso mas não tinha outra opção a não ser ir até o instrutor. Mas antes fez questão de se despedir:
– Bom senhor, tenho que ir e acho que terei problemas. De qualquer forma meu nome é Ryan, tenho dezesseis anos. A propósito, aquilo que você fez na piscina de três metros foi incrível!
Ele então estendeu a mão e eu a apertei, correu até o instrutor que já estava reclamando da demora, e eu segui até o dormitório, no caminho até o meu quarto Wallace estava nos corredores. Eu passei por ele, comentou:
– Parece que teremos novas missões já amanhã pela manhã, esteja preparado.
Continuei caminhando e respondi:
– Certo.
Entrei em meu quarto e tomei um banho, em seguida fritei dois pedaços de bife e, após comê-los, me deitei. Sempre tive o horroroso hábito de, quando me deitar, ficar pensando até cair no sono. Os pensamentos de hoje foram apenas sobre como as coisas mudaram nos últimos quatro meses:
~ Eu era professor temporário em um orfanato em troca de comida e um quarto, quando de repente um dia eu caminhei de madrugada pelos corredores para beber água e vi um homem de máscara com uma das minhas alunas, que tinha por volta dos seus onze anos, andando até o porão. Eu o segui e então notei que ele estava começando a despi-la e a mesma estava dopada e com uma mordaça em forma de bola. Caminhei lentamente até ele e o puxei para a parede, socando sua barriga e sua cara até que a máscara quebrou e o rosto revelado era de ninguém menos do que Richard, o filho da diretora do orfanato. Ele então começou á gritar:
– Socorro! Socorro! — Acordando as crianças e conseqüentemente essas chamaram os funcionários enquanto eu e ele lutávamos intensamente e ele continuava gritando por socorro. A diretora então chegou e, junto de outros dois funcionários, apartou a briga. Ele então começou a me acusar de estar tentando estuprar a garota:
– Ele estava tentando estuprar essa pobre garota! Eu o segui até aqui e tentei pará-lo mas ele começou a me espancar!
– Diretora! Ele tentou estuprar a menina! — Respondi, com certo desespero devido a situação.
Nesse momento, os dois funcionários que estavam com a diretora me empurraram e me imprensaram na parede.
– O que fazemos com ele, senhora? — Um deles perguntou. A diretora então andou em minha direção olhando friamente nos meus olhos e disse, com um tom de desprezo:
– Jamais esperava essa atitude de você, Laurence, você parecia um jovem tão bondoso. Mas as aparências enganam muito, não é mesmo?
– Diretora! Richard estava tentando estuprar a garota, escuta o que estou falan... — Tentei novamente explicar em desespero, até ser interrompido pelos gritos de Richard:
– Cale a boca! Eu jamais faria esse tipo de coisa seu monstro!! Assuma seus erros, assuma que você é um canalha, um safado! — Ele então puxou a diretora pelo braço, dizendo:
– Mãe, precisamos chamar as Autoridades agora! Não podemos deixar esse monstro impune!! — A diretora então olhou para mim e fez um sinal com os braços para que os funcionários me soltassem e disse:
– Você tem meia hora para arrumar suas coisas e sair daqui, depois disso irei chamar as Autoridades.
– MÃE! Você vai deixar um monstro estuprador fugir?! — Richard questionou, ainda com a voz alterada. A diretora então se virou para Richard e respondeu:
– Durante sete meses, Laurence serviu ao orfanato muito bem, ele educou as crianças e as ensinou valores muito importantes. Me surpreendeu muito esse tipo de atitude vindo dele então, esse é o meu presente de "gratidão".
Frustrado, me dei conta que independente do que eu dissesse, jamais acreditariam em mim. Me dirigi ao meu quarto e arrumei minhas coisas, enquanto terminava de arrumá-las, a diretora veio até mim e disse:
– Robert foi chamar as Autoridades, apresse-se.
Por sorte, já havia terminado de arrumar as minhas coisas e deixei o orfanato com um grande sentimento de amargura e frustração. Sem nenhum lugar pra ir, decidi ir para a casa de um velho amigo, ele me daria abrigo por pelo menos uma noite. Porém, após caminhar dois quarteirões, encontrei Richard e os dois funcionários me esperando.
– Então você acha que simplesmente vai embora e ficará tudo bem após você quase acabar com a minha vida, reputação e diversão?. — Ele com uma voz arrogante disse. Eu me limitei a tentar passar por eles, mas impediram minha passagem, empurrando e me puxando pelo braço até um beco, em seguida me empresando na parede.
– Diga-me. Você, que era professor de todas aquelas menininhas... Nunca sentiu vontade de tocá-las? — Ele disse, me dando o primeiro soco em seguida e continuando. — Ou de vê-las nuas? — Dando-me outro soco na cara, puxando meu cabelo e continuando á falar:
– De acariciá-las, apertá-las, de se satisfazer com elas e, quem sabe, de deixá-las satisfeitas também?
– Você... É pior que uma lata de lixo. — Respondi.
Ele então sacou uma seringa do bolso de seu casaco com um fluído vermelho. Ainda puxando meu cabelo, virou o meu pescoço.
– Isso aqui é conhecido no mercado negro como Fúria. As pessoas injetadas com ele sentem tanta dor, mas tanta dor, que não agüentam e entram em colapso, morrendo pouco tempo depois. Eu pensei em poupar sua vida, mas... Lixo? Eu? Você não tem a menor idéia de quão safadas essas garotas são! Elas olham pra mim com aquela cara de "tire minha virgindade!", que culpa eu tenho?! Elas começaram isso e eu só dou á essas pequenas princesinhas o que elas querem! Então, meu nobre professor, quais são suas últimas palavras?
Com ódio do que acabo de ouvir, não conseguia expressar palavras que definissem o que sentia, então limitei a cuspir em sua cara. Ele, com cara de nojo, limpou o rosto com as mãos e as esfregou no meu.
– Gostosa a sua saliva, não? — Disse, sarcasticamente. Em seguida puxou-me pelo cabelo e injetou a seringa em meu pescoço. Após isso tudo o que senti foi o que posso definir como dor ardente, como se meu corpo estivesse literalmente em chamas até o momento em que tive um colapso.
Inesperadamente, quando acordei, estava no que me aparentava ser um hospital. Havia um médico e uma mulher me observando.
– Você está bem?. — O médico perguntou.
– Onde... estou? E como... vim parar aqui? — Perguntei, ainda meio tonto e sem entender absolutamente nada. O médico então começou a examinar os meus olhos e perguntou:
– Nós o trouxemos aqui. Qual é o seu nome e quantos anos você tem?
– ....Meu nome... Laurence. Tenho 21 anos. — Respondi. A mulher então se manifestou:
– Laurence, meu nome é Karen, marechal de uma organização de escala mundial conhecida como Sigma. Há algo que eu gostaria de propor á você.
– E o que seria? — Perguntei.
– Gostaria de tornar-se membro da Sigma?.
Deste dia em diante, minha vida mudou completamente.~
No dia seguinte, às sete e meia da manhã, Karen já havia começado a chamar os nomes de quem tinha missões a serem realizadas hoje. Os nomes incluíam o meu, Sarah, Wallace, Ryan, entre outros. Coloquei uma camisa de manga comprida e fui para o centro de operações, onde todos os convocados estavam alinhados de frente para Karen, que começou a dar as coordenadas:
– Ryan, Wallace, Joseph. Vocês irão para o monte Condor, detalhes estão nos seus dispositivos.
– Laurence, Sarah, Locke. Vocês irão para Baron, detalhes estão nos seus dispositivos.
– Sim, Milady. — Respondemos e nos viramos até o portão principal, porém:
– Locke! — Karen chamou. Locke logo virou de lado para ela.
– Tenha juízo, lembre-se que isso é uma missão. — Ela então comentou. Locke se limitou a dar uma leve risada enquanto caminhávamos pelo portão. Ele é conhecido por aproveitar demais os prazeres carnais até mesmo dentro do quartel general, a ponto de ter fama de galanteador e safado.
– Era realmente necessário ela dizer isso? — Sarah questionou.
– O motivo pelo qual Karen me deu esse aviso não foi pela minha reputação. O local para onde estamos indo não é nada menos do que o meu lugar favorito.
– Então isso significa que... — Sarah começou a falar, mas foi logo interrompida por Locke:
– Isso mesmo, estamos indo para a casa de striptease Distrito Baron.
Notas finais
Estou aberto á críticas, sugestões, etc. Se tiver alguma, é só enviar por comentário.
Em breve teremos mais um capítulo.
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"Capítulo III - Brincando Com Fogo"
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