Parallel

5 Capítulo V - Reflexões


Notas iniciais
E aqui vai mais um capitulo e espero que gostem porque foi hard escrever esse á tempo por conta de vários problemas que ocorreram ao longo da semana.
Revisão por: Fábio Roberto

Capítulo V — Reflexões

Karen nos encarava, sentada em sua mesa. O seu olhar demonstrava um certo desapontamento e talvez até raiva devido aos danos causados pela nossa missão. Ela levantou-se e disse:
— Três mortes, dezoito feridos, vários locais do estabelecimento altamente danificados... Essa missão com certeza foi algo vergonhoso para a organização, concordam?
Nos mantivemos em silêncio, qualquer resposta que déssemos resultaria em um problema maior ainda.
— Vocês por acaso lembram bem dos ideais da Sigma?! Nosso objetivo é manter a ordem nesse mundo e enviar as criaturas do outro mundo de volta para o lar deles. Proteger cidadãos, procurando evitar caos e mortes durante as missões e priorizando a vida deles. E manter a paz na nação e no mundo, evitando grandes alardes e pânico por conta das criaturas ou fenômenos do outro mundo. Vocês fracassaram em todos os ideais nessa missão e isso nos gerou um grande problema. — Ela continuou á dizer com um forte tom de bronca. Permanecemos calados apenas ouvindo.
Karen então sentou-se na mesa e apertou seu dispositivo na mesa, dando-nos nosso pagamento pela missão e então disse:
— Apesar disso, reconheço o quão complicada foi essa missão e o quanto vocês se esforçaram para cumpri-la, fizeram um bom trabalho e deram um bom exemplo com relação á dedicar-se ao trabalho e persistir mesmo diante das situações mais aterradores. Parabéns e estão dispensados, vocês estão de folga hoje e amanhã.
— Obrigado! Mas, marechal.... Há uma informação importante da qual precisamos lhe dizer. — Sarah disse.
— E o que seria? — Ela perguntou.
— Bom... — Sarah começou á explicar mas logo estendi o braço:
— Deixe que eu explico. — Eu disse.
— Após terminarmos nossa missão e recebermos o pagamento, notei que havia uma pessoa de capuz branco na escadaria do Distrito. Fui em sua direção mas ela fugiu e então a seguimos até o décimo primeiro andar, onde ela se jogou da sacada de um dos quartos e caiu no mar . Não a vimos subir para a superfície. — Contei á ela, decidindo omitir o fato dela ter me encarado por algum tempo, tinha a sensação de que aquilo significava algo importante para mim.
— Então. Ou ela morreu ou consegue respirar debaixo d'água. Mas mesmo respirando debaixo d'água, a temperatura ainda estava muito alta pra que ela sobrevivesse lá sem se queimar então ela deve ter morrido mas. A questão é por que ela iria preferir se matar?
— Talvez ela fosse outra criatura do outro mundo e seja possivelmente a responsável pelos frequentes casos sobrenaturais que tem acontecido — Locke comentou.
— É um ponto de vista á se pensar Locke. Iremos analisar o caso e obrigada pela informação. — Karen respondeu, nos dispensando logo em seguida. saímos de sua sala e entramos no elevador.
— Afinal, ela ficou desapontada ou satisfeita com o nosso trabalho? — Sarah questionou, nitidamente chateada com a forma que Karen agiu.
— Não é questão de estar desapontada ou satisfeita. Karen, apesar do seu jeito frio, sério, arrogante e com todo aquele ar de superioridade, se importa com os membros da sua equipe. Para ela, cada membro da Sigma de Amaria é uma vida da qual ela tem de cuidar e proteger ou seja, Karen é como uma mãe para todos aqui. — Locke respondeu, saímos do elevador e Sarah então perguntou:
— Como você sabe disso?
Locke continuou á caminhar até os dormitórios e respondeu:
— Digamos que uma mulher bêbada conta muito mais sobre ela do que deveria. Mas não conte a ninguém, ela me mataria se soubesse que contei isso para vocês.
Naquele momento eu e Sarah ficamos sem reação, olhamos um para o outro com uma expressão incrédula e comentei com Sarah:
— Quem diria, não é?
— Pois é. Nem a marechal escapou dele... — Ela respondeu, desapontada e perguntou: — O que pretende fazer agora?
— Dormir. Estou cansado. — Respondi. Ela então começou á caminhar até os dormitórios e eu a segui. Nos dormitórios, pegamos um elevador que nos levou até o décimo andar, onde ela saiu do elevador
— Até mais tarde. — Ela disse, indo para o seu quarto. Subi até o décimo quinto andar e fui para o meu quarto. Como estava realmente cansado da missão, deitei-me e caí no sono rapidamente. Naquele dia, eu tive um sonho.
Nesse sonho, tudo estava escuro como se fosse noite. Eu estava de frente para um enorme lago da qual a lua bela e azulada iluminava. Minhas mãos tocavam o lago, eu sentia sua água ao colocar as mãos nele e continuava á observa-lo até que saltei para dentro dele, onde nadei o mais fundo que pude enquanto começava a ficar sem ar, logo o sentimento de desespero veio e tentei voltar para a superfície mas já era tarde demais. Em poucos instantes eu havia desmaiado e meu corpo foi caindo para as profundezas daquele lago.
Acordei assustado ás oito horas da noite. Tudo o que eu senti naquele sonho foi apenas ilusão e de certa forma eu estava feliz em ver que ainda estava vivo, fiquei a me perguntar o que foi aquele sonho, e por que ele me lembra tanto a pessoa de capuz branco que encontrei no Distrito. Como pensar nisso não me levaria á lugar algum, levantei-me da cama e respirei fundo para me acalmar, fui até o chuveiro, tomei um banho e vesti uma calça preta, botas e uma camisa de manga comprida. Considerando que recebi quinhentos de "caixinha" da ultima missão, não vejo problemas em ir ao Centro Amaria, um Shopping Center enorme localizado na região central de Amaria. Peguei meu dispositivo e saí do meu quarto indo até o elevador.
No corredor, encontrei Wallace com os braços apoiados na sacada de um prédio e uma garota estranha e escandalosa falando com ele.
— E a cirurgia dói? Mas o que exatamente é esse Limitador? — Ela perguntava, enquanto Wallace estava visivelmente irritado. Então tomei a liberdade de responde-la.
— O Limitador é um pequeno conjunto de células que constituem uma parcela insignificante da estrutura do corpo de um humano. Não tem função alguma além de evitar que o humano tenha total liberdade em manipular sua energia e a energia natural ao seu redor podendo, assim, moldá-la da forma que bem entender.
— Mas a cirurgia para removê-la dói?
— Dentro de condições normais, a dor para se tirar essa célula seria forte demais para qualquer ser humano aguentar. Porém, somos completamente anestesiados durante a cirurgia e tudo o que eles fazem é implantar uma célula que procura e absorve todas as células de Limitador existentes no nosso corpo, em seguida, não encontrando mais células, ela se autodestrói. Acabando assim com todos os Limitadores no seu corpo e suas outras células repõem as que foram mortas no processo. — Respondi.
— Mas por que exatamente temos de tirar essas células e manipular energia ?. — Ela perguntou. Me limitei a dar uma leve risada e responder:
— Espere e verá.
Segui então em direção ao elevador enquanto ela reclamava de eu tê-la deixado na curiosidade e enquanto aguardava o elevador, Wallace disse, se referindo á missão no Distrito Baron:
— Parabéns.
— Obrigado. — Respondi enquanto entrava no elevador e a garota continuava á tagarelar.
Saindo do quartel general, segui até o Centro Amaria onde visitei algumas lojas, comprei roupas, acessórios, fiz um rápido lanche e saí do shopping onde, na entrada, encontrei Sarah sentada em um banco no canto.
— L... Laurence?! — Ela disse, surpresa com o fato de eu estar lá.
— O que faz aqui? — Perguntei, sentando ao seu lado.
— Compras, o que mais se tem pra fazer aqui? — Ela respondeu.
— Ir ao cinema, ou quem sabe sair com o namorado? — Respondi sarcasticamente. Sarah ficou sem graça e respondeu:
— Não! Não é nada disso! Eu estava pensando...
— Em? — Perguntei. Ela então levantou-se e, nitidamente sem graça, virou para mim e perguntou:
— P-Poderia vir comigo até a praça do litoral?
Eu não sabia exatamente o que ela planejava e não sabia se eu iria gostar do rumo que isso estava tomando mas levantei e respondi
— Vamos.
Caminhamos até a praça do litoral, uma praça coberta por um teto que fica de frente para o mar de Amaria. Era dia de lua cheia, e seu reflexo no mar estava algo esplêndido, fiquei observando a paisagem enquanto Sarah simplesmente sentou-se num balançou e abaixou a cabeça enquanto balançava-se lentamente.
— Você sempre gostou de paisagens, não é? — Ela disse, ainda muito sem graça. Ainda observando a paisagem, respondi:
— Sim. Eu pretendia ser fotógrafo depois de terminar a faculdade mas as coisas não foram como planejei.
— Por que? — Ela perguntou, aparentemente curiosa. Nunca fui de falar muito sobre mim para os outros e não seria agora que isso mudaria, então respondi:
— Apenas não foram, a vida é cheia de imprevistos.
Ela então abaixou a cabeça novamente e voltou á balançar-se.
— Diga. O que queres? — Perguntei, ainda olhando a paisagem.
— Hã?
— Você não me chamaria aqui por nada. — Continuei.
— Sim, é verdade. Bom, Laurence. — Ela respondeu, com a voz trêmula. Me virei e ela estava de cabeça baixa, nitidamente sem graça.
— O que foi? — Perguntei. Ela então levantou a cabeça, olhou diretamente para os meus olhos e respondeu:
— Eu. To pensando em abandonar a Sigma.
Eis uma coisa que não esperava e que realmente me surpreendeu. Sentei-me então no balanço ao lado do qual ela estava sentada até agora pouco e perguntei:
— Por que?
— Bom... Você quer mesmo saber? — Ela me perguntou, sentando no balanço ao meu lado.
— Fala de uma vez. — Respondi, mesmo que eu não quisesse saber ela iria me contar. Sarah calou-se por um tempo e ficou de cabeça baixa, era notável um ar triste ao seu redor. Ela levantou a cabeça, com os olhos fechados e começou a contar:
— Bom... Digamos que tudo começou quando eu me mudei para Amaria com meus pais, meu avô estava muito doente e minha mãe insistiu que tínhamos de vir para cá pra que pudéssemos passar um bom tempo com ele antes que falecesse. Eu nunca fui muito chegada ao meu avô, ele procurava me ridicularizar de todas as formas e reclamar de qualquer coisa que eu fizesse desde criança, e isso gerou uma pressão muito grande dos meus pais e isso acabou me tornando o que podemos chamar de filha rebelde, daquelas que fogem de casa pra sair com os amigos e que não se importam muito com o que a família pensa. Eu estava de férias e não conhecia nada na cidade, passava boa parte do tempo com meu avô no hospital, ouvindo ele falar coisas ruins de mim ou sobre como a família deveria melhorar os negócios da empresa que ele criou.
Ela então parou por um momento e respirou fundo, continuando á contar em seguida:
— Duas semanas depois de chegarmos á Amaria, meu avô faleceu. Foi uma grande perda para a família que deixou todos chocados, menos eu. Na verdade, eu não sentia nada, não conseguia sentir nada, nenhuma lágrima caía dos meus olhos e foi nesse momento que tudo mudou. Algumas horas depois meus pais e minha avó reuniram-se em uma sala e, ao notar a minha nítida falta de tristeza ou de qualquer sentimento com relação ao falecimento do meu avô, começaram a me culpar pela morte dele e dizer que eu o havia matado. Neguei, obviamente neguei e tentei tudo o que pude pra provar que eu não havia feito nada, mas tudo o que ganhei foi um tapa na cara dado pela minha mãe, que me chamou de monstro. Daquele dia em diante, minha família dificilmente falava comigo e quando falavam era para reclamar de alguma coisa ou falar sobre o quão miserável a minha existência na família era. E assim foi até meus pais terem de voltar para Sigmund por algumas semanas devido a assuntos da empresa e eu passar á morar sozinha com minha avó. O comportamento da minha avó era algo amável, incrivelmente amável de uma forma da qual ninguém da minha família nunca havia me tratado antes. Ela conversava gentilmente comigo sobre muitas cosas: A adolescência dela, sobre como ela entende a minha forma de agir e me vestir, o quanto ela apoiava pra que eu tivesse um bom futuro e até mesmo sobre como ela conheceu meu avô e nessas horas eu sentia uma certa tristeza nela a ponto de me ajoelhar e pedir desculpas chorando, mesmo que por algo que nunca fiz.
Sarah então começou a chorar e abaixar a cabeça
— Acalme-se. — Eu disse, tentando consolá-la. Ela apenas continuou a contar:
— Ela disse... "Está tudo bem. Não foi culpa sua" e aquilo realmente aliviou toda a dor e o sofrimento que eu estava passando. Eu realmente dormi bem naquele dia e pude viver tranquilamente nas próximas semanas que passaram-se com minha avó até a manhã do dia em que meus pais voltariam. Minha avó havia feito um suco pra mim na madrugada do dia seguinte, da qual eu tomei tranquilamente já que ela estava me tratando tão bem. Estranhamente, pouco tempo depois senti meu corpo adormecer e desmaiei. Ao acordar, eu estava algemada á minha cama e amordaçada. Na minha frente estava a minha avó, com vários apetrechos em uma pequena mesinha: Uma faca, um ferro de passar roupas ligado, injeções, e ate mesmo um cortador de charutos. Ela disse que estava na hora de eu sentir a dor da perda dela, sentir a dor que eu causei á ela. Eu conseguia entender o que ela dizia e olhar para ela, mas meu corpo ainda estava muito dormente por conta do remédio que ela colocou no suco.
Sarah então levantou-se e, de costas para mim, levantou um pouco sua blusa, mostrando-me uma marca de ferida em suas costas, como uma queimadura:
— Ela me virou de costas e colocou o ferro quente nas minhas costas por um bom tempo. Eu gritava, chorava e tentava reagir de todas as formas possíveis, mas meu corpo estava muito fraco pra reagir. Ela então pegou o cortador de charutos e colocou meu dedo indicador no meio dele, como se fosse cortá-lo. Em desespero, eu não conseguia parar de chorar e ela olhou para os meus olhos por um tempo. Largou o cortador na mesa e disse que iria acabar com meu sofrimento mais rápido pelo mísero fato de eu ser sua neta, mostrando-me um dispositivo em suas mãos e explicando que haviam Molotovs espalhados pela casa inteira e que explodiriam quando ela acionasse o dispositivo, queimando a casa inteira e que seria muito fácil pra ela me incriminar pela explosão e dizer que foi uma tentativa minha de matar á todos da minha família. Ela foi embora e alguns minutos depois, os Molotovs explodiram e a casa estava em chamas. Eu observei as chamas se aproximando e o calor se intensificando, aceitando que aquele seria o meu fim. Até que ouvi minha mãe gritar o meu nome e, ao olhar para a porta do quarto e ver meus pais correndo até mim, soltando-me da cama batendo com uma barra de ferro nas algemas e tirando minha mordaça. Meu pai então me carregou em seu colo enquanto minha mãe olhava para mim com os olhos cheios de lágrimas dizendo "Me desculpe" e meu pai jogou-me da janela do meu quarto, fazendo com que eu caísse no jardim da casa e em seguida, vi a casa desmoronar completamente já que sua estrutura era de madeira e ouvi sirenes tocarem antes de desmaiar. Acordei em um hospital, com curativos em várias partes do meu corpo. Os médicos disseram que era um milagre eu estar viva e depois um grupo de detetives vieram até mim, me interrogando com relação ao ocorrido e então me disseram que os meus pais e minha avó foram mortos no incêndio, e que eles encontraram o dispositivo dos coquetéis próximo ao corpo da minha avó. Explicando então que ela começou o incêndio. Eu os agradeci e eles foram embora. Alguns dias se passaram até eu receber alta do hospital. Nesse dia, uma mulher me visitou, essa mulher era Karen e ela me ofereceu de entrar para a Sigma, e foi assim que cheguei até aqui.
Ela terminou de dizer, completamente em lágrimas. Sem saber direito o que dizer apenas levantei-me e dei-lhe um leve abraço para conforta-la. Isso explicava muito sobre o quão chocante foi para Sarah ver pessoas morrerem na ultima missão. Diante dessa situação, tudo o que eu podia dizer e disse foi:
— Eu não posso lhe impedir de ir embora. A vida é sua e você deve decidir o que fazer com ela mas seria uma pena vê-la partir. Afinal, você é minha melhor companheira de trabalho e se você fosse embora eu não teria mais ninguém pra ficar perturbando.
— Idiota... — Ela disse, dando-me um leve soco. Pouco depois nossos dispositivos vibraram e, ao pegarmos eles, vimos uma mensagem do quartel general dizendo para todos os membros voltarem para lá imediatamente.
— Agora? Isso é um toque de recolher? — Sarah comentou, aparentemente insatisfeita.
— Algo deve ter acontecido. — Respondi.
Seguimos até o quartel general, onde todos os membros da organização estavam enfileirados em frente á central de operações.
— Sensei! — Ryan, vindo da entrada, me chamou.
— Sensei...? — Sarah, olhando para nós, comentou.
— Ah. Desculpe. É que o Sir Laurence me ajudou com algumas dicas na área de treinamento e desde então passei á considera-lo um mestre. — Ele a respondeu.
— Por favor. Me chame só de Laurence. — Pedi educadamente, não gosto que me chamem como se eu fosse superior a alguém.
— Sim senhor. Mas, o que aconteceu aqui? — Ryan perguntou. Olhei para as filas e respondi:
— Um anúncio.
Caminhamos e adentramos a fila. Os comentários ao nosso redor eram pessoas perguntando sobre o que havia acontecido e o boato de que haviam encontrado uma pessoa morta. E assim isso continuou até Karen aparecer no segundo andar do prédio.
— Atenção! — Ela disse com um comunicador que era transmitido para todos os sinais do quartel, e todos ficaram em silêncio para ouvi-la e ela então anunciou:
— É com muito pesar e com uma grande e profunda tristeza que venho á anunciar que... O nosso subtenente Brian foi encontrado morto em seu quarto ás vinte e uma horas dessa noite. Ele foi encontrado com um tiro na cabeça e a perícia identificou a causa da morte como suicídio. Todos aqui reconhecem a importância que Brian tinha para nossa organização e devemos mostrar nosso devido respeito e honrar o quanto ele serviu á Sigma, portanto, seu funeral acontecerá amanhã ás quatorze horas e gostaria da presença de todos para darmos uma merecida despedida ao nosso grande companheiro de equipe.
Karen em seguida fechou as janelas e foi embora. Começou então uma enorme discussão entre os outros membros com relação ao que havia acontecido. Muitos se perguntavam por que ele se suicidou, outros já se perguntavam quem seria o novo subtenente e outros estavam cogitando ter sido um caso de assassinato. Para mim tanto faz, é uma pena ver um companheiro de equipe morrer de uma forma tão miserável mas pessoas vem e vão e todos um dia morrem.
— Você notou? — Locke veio até mim e comentou, interrompendo meus pensamentos.
— O sentimento de tristeza nas palavras de Karen? Todos notaram... — Respondi.
— Ela não estava só triste, ela estava despedaçada. Karen e Brian tinham um caso faz alguns meses e ela o amava. — Ele comentou, ainda olhando para a janela onde Karen estava.
— Você tá falando serio? — Perguntei, meio que sem acreditar no que ele acaba de me contar.
— Claro. Afinal, Brian roubou um coração que era pra pertencer á mim. — Ele respondeu, indo para os dormitórios em seguida.
Me lembrando sobre o que Sarah me contou antes de virmos pra cá, procurei por ela em meio á multidão de pessoas já que ela provavelmente estaria chocada com mais uma morte mas não a encontrei. Segui então ao dormitório, onde peguei o elevador até o décimo andar segui o corredor até o quarto de numero 1016, o quarto de Sarah, e toquei a campainha. Fiquei parado lá por cerca de um minuto e toquei a campainha de novo, alguns segundos depois, ela disse, através da porta.
— Laurence?
— Sim, você está bem? — Perguntei.
— Se não for pedir muito, você poderia me deixar sozinha agora? — Ela me pediu, com uma voz visivelmente triste.
— Certo. Até amanhã então. — Respondi, caminhando de volta até o elevador e indo até o décimo quinto andar, onde entrei no meu quarto e tomei um banho. Em seguida, deitei-me na cama. Eu estava preocupado com o peso que a morte de Brian dentro do próprio quartel general possa ter em Sarah, além disso, por que Brian se suicidaria? Ele tinha uma ótima posição na organização e segundo Locke tinha um caso com Karen, o que levaria ele á se suicidar? Problemas pessoais?
Na tarde do dia seguinte, ocorreu o velório de Brian no Cemitério da Província. Todos os membros da Sigma estavam em silêncio enquanto o sacerdote rezava para Brian:
— Que o nosso grande lorde Gaia, com a sua bondade e o seu amor, abraçe o espírito de Brian Mikaellis Jr., purificando-o de seus pecados e das vezes que quebrou nosso juramento com o supremo deus Gaia de preservarmos o mundo e vivermos em harmonia. Que seu espirito retorne para o planeta em seguida para curar as feridas do planeta e purificar a alma dos impuros que mal á ela fazem. Descanse em Paz.
Todos então deixaram flores ou pedras ritualísticas em seu túmulo e começaram a ir embora. Vi Sarah indo para outra saída e a segui, ela então foi para a praia de Amaria e sentou-se na areia. Caminhei até o seu lado e perguntei:
— Como se sente?
— Eu não sei. — Ela respondeu.
— Entendo. — Comentei, sentando-me ao seu lado e ficando em silêncio.
— Eu tomei minha decisão. — Sarah comentou.
— Certo. — Respondi.
— Você não quer saber? — Ela perguntou, inconformada com a minha falta de interesse.
— Quero, mas é você quem deve decidir se me conta ou não. — Respondi, ainda indiferente.
— Bom... Laurence, poderia me dizer que as mortes que aconteceram nos últimos dias não foram minha culpa? — Ela pediu, olhando para o mar.
— Você nem precisa pedir isso porque nada disso foi culpa sua, você deu o seu melhor e graças a você conseguimos derrotar aquela Salamandra. — Comentei, olhando para o mar também.
— Obrigada. Sabe, desde aquele incidente eu sempre me senti responsável pela morte dos meus pais e extremamente triste por só no meu ultimo momento com eles ver que eles me amavam, foi um choque enorme pra mim e levou tempo até que eu me recuperasse do choque. Quando eu entrei pra Sigma, eu pensei 'legal, assim eu posso salvar vidas e evitar conflitos de outras pessoas' e segui com essa filosofia até ontem. As pessoas que morreram no Distrito Baron, a morte do subtenente, tudo isso foi algo que pesou muito pra mim e eu realmente considerei desistir até ontem de madrugada mas... Foi aí que eu notei o quanto esse trabalho significa pra mim.
— E? — Respondi, aguardando que ela chegasse logo ao que interessa.
— Na Sigma eu tenho uma vida tranquila, uma vida com aventuras e pessoas das quais gostei de conhecer, além de pessoas das quais eu quero proteger e observar. E também... Não é uma missão que vai fazer com que eu desista de tentar salvar vidas, eu vou me esforçar mais para que nas proximas nenhuma vida seja desperdiçada em vão! — Ela terminou seu longo discurso só pra dizer que resolveu permanecer na Sigma. Então a respondi:
— Fico feliz pela sua decisão, iria sentir falta da sua carinha de irritada e dos seus socos.
Sarah então deu uma leve risada e disse:
— É... Os socos são relaxantes.
— Então vocês estavam aí. — Alguém nos chamou e, ao olharmos pra trás, era Wallace que veio até nós e, de pé, disse:
— Sarah, Laurence. Nós fizemos muitas missões juntos e creio que já temos uma relação boa o suficiente pra que possamos confiar uns nos outros e guardar segredos, estou certo?
— Sim mas, por que? — Perguntei.
— Bom... Eu conheço Brian desde que entrei para a Sigma, ele foi meu instrutor na minha primeira missão e sempre tivemos uma boa relação, era como se ele fosse meu irmão mais velho.
— Entendo... Sinto muito pela sua perda.. — Sarah o respondeu, um tanto sem graça.
— Isso não é o que importa. Eu irei dizer uma coisa á vocês agora mas prometam que isso irá ficar só entre nós três, e que ninguém mais poderá saber a respeito disso ou vocês causarão um grande problema á Sigma que pode resultar em mais assassinatos. — Ele pediu, com um tom de voz muito sério.
— Pode dizer. — Respondi, intrigado com o que ele queria nos contar.
— Tudo bem, não contarei a ninguém. — Sarah concordou.
Wallace então caminhou um pouco mais e, observando o mar, respirou fundo. Olhou para nós e disse:
— Bom, quem encontrou o corpo de Brian fui eu. Já que éramos muito próximos ele pediu para que eu comprasse umas coisas para ele e levasse pra lá pois ele estaria ocupado e não poderia ir. Eu fui ao mercado e comprei o que ele pediu e fui até seu quarto, onde notei que a porta estava destrancada e abri, imaginando que fosse porque ele estava me esperando mas, ao abrir a porta, vi um vulto correndo em direção á janela usando uma Arte do ar para aumentar a velocidade. Eu a segui e pulamos da janela, mas ela preparou uma armadilha para que, quando eu descesse, ficasse preso em uma esfera de ar e isso foi o suficiente para que ela escapasse.
— Então... Ele foi realmente assassinado e por alguém da Sigma. — Comentei, surpreso pelos boatos serem verdade.
— Não é só isso. Eu pude identificar facilmente a estrutura física da pessoa que o matou e isso faz com que só haja um possível assassino.
— E quem é ele? — Sarah perguntou, aparentemente surpresa e chocada. Wallace virou-se novamente para o mar e respondeu:
— Brian Mikaellis Jr., subtenente da Sigma de Amaria foi assassinado por ninguém menos do que sua superior: A tenente Karen Reid.

Notas finais
E chegamos ao fim do Quinto Capítulo. Gostaria de avisar que devido á questões pessoais eu devo passar á postar os capitulos de Parallel uma vez por semana, geralmente sempre na Sexta-feira ou no Sábado.
Obrigado á todos pelo apoio e saibam que essa história seria muito menos divertida e interessante de se escrever se não fosse pelos meus leitores.
Até mais!
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Capítulo VI - O Orfanato