Paralisia do sono

2 Capítulo 2 - Um simples sonho....


Notas iniciais
As frases entre aspas ("") são os pensamentos de Helena, a personagem principal da história.

No sonho, eu estava de volta na minha classe, fazendo uma prova de múltipla-escolha dividida em três folhas com três dificuldades diferentes e com notas que dependiam do grau de dificuldade da pergunta. Só que a prova era com consulta, o que eu realmente nunca tinha feito antes.

– Acabei as provas professor Fábio! – gritou Sabrina, uma das alunas exemplares.

– Traga aqui na minha mesa e pode ir para o ônibus Sabrina.

“Espera, Fábio? Não tem nenhum professor chamado Fábio na escola.” Olhei para o professor e.. “Pai? Como assim? Meu pai nem é professor!”

– O que houve Helena? Já acabou sua prova também? – disse ele me encarando com uma das sobrancelhas levantadas.

– N-não professor, me desculpe. – eu respondi, olhando rapidamente de volta para as minhas provas e cadernos.

“Puxa, acho que olhei tempo demais para ele. Melhor eu voltar a fazer minhas provas.”

Depois de algumas horas só restava eu, minha melhor amiga Ester e meu pai. Eu e Ester acabamos a prova quase na mesma hora e saímos os três da sala em direção ao ônibus, porque iria acontecer uma excursão para a África.

Ester era bem pequena e magra, tinha o cabelo loiro e cacheado nas pontas. Era minha melhor amiga desde pequena. Tinha olhos azuis invejáveis e era muito inteligente, porém muito distraída também.

Quando chegamos todos já estavam nos esperando. Havia o número exato de cadeiras para os alunos e os dois professores, no caso, a mulher de jaleco branco e meu pai.

Sentei no banco vago ao lado da Ester e falei:

– Lugar estranho para fazer uma excursão não é?

– Nem me fale Helena, eles querem nos levar lá para aprender mais sobre os animais. Não era mais fácil levar a gente em um zoológico?

Algumas horas de viagem se passaram e acabamos dormindo. Fomos acordados pelo meu pai. Já havíamos chegado à África.

Passamos por alguns museus em Angola, conhecemos um pouco da cultura africana, fomos levados para dar um passeio de elefante, passamos por um lago de piranhas, conversamos com alguns africanos com ajuda da nossa guia, a professora de jaleco branco, sempre de costas para a gente. Até que passamos na frente de algo que eu acho que seja uma delegacia. Lá dentro era tão escuro que não dava para ver nada do que tinha lá dentro. "Não sei se isso é bom ou ruim. Parece bem macabro na verdade..."

A mulher de jaleco parou bruscamente e falou com ajuda de um megafone, ainda de costas:

– Alunos! Peço que não entrem ali em circunstância nenhuma, vocês entenderam? — ela apontou para a delegacia — Ali vive um espírito de um psicopata muito perigoso que foi amaldiçoado e preso para sempre naquela delegacia. Todos que entraram lá nunca mais voltaram, então, por favor, não entrem.

Foi só a professora voltar a conduzir a turma que a Ester tropeçou em uma pedra e sua bolsa foi parar dentro da tal delegacia amaldiçoada. E ela, distraída como sempre, não ouviu nada que a professora havia falado e entrou correndo para pegar sua bolsa. Eu fui tentar segura-la antes que ela entrasse, mas era tarde demais, ficamos ambas presas dentro da delegacia junto com o espírito psicopata.

Uma fumaça escura tomou conta do local e eu não conseguia mais ver a Ester. Na escuridão, a única coisa visível era um par de olhos cor de mel parecidos com olhos de gato. Mas não eram olhos de gato.

E lá estava eu, sozinha, cara a cara com o espírito de um psicopata. "E agora? Aonde eu fui me meter? Por que eu? Agora vou ser torturada e morta lentamente! Eu queria tanto morrer sem dor e dormindo.."

Os olhos cor de mel começam a se aproximar de mim chamando pelo meu nome. Eu estava desesperada mas não conseguia me mexer.

– Helena..... Helena...... Helena

De repente o espírito pula em minha direção e começa a me chacoalhar, então eu vejo que na verdade o espírito era meu pai!

–Helena, acorda! Acorda! HELENA!

Eu acordo do sonho e vejo-o saindo pela porta do meu quarto, mas quando tento levantar percebo que não consigo me mexer nem falar. "O que está acontecendo? Socorro!!! Pai!!!" então uma voz ecoou em minha cabeça:

– Se uma pessoa for acordada, mas não conseguir se mexer, ela terá que voltar em seu sonho e assassinar todas as pessoas que apareceram nele. Depois que a última pessoa for morta, conseguirá acordar e levantar normalmente.

"Ai não, não pode ser! Deve ser só uma continuação do sonho! Aposto que se eu me esforçar eu consigo me levantar!"

Tentei me mexer com o máximo de força que eu tinha, mas quanto mais força eu fazia, mais dor eu sentia, até que a dor foi ficando insuportável e eu desmaiei. Não via mais nada, mas a voz continuava ecoando em minha cabeça.

– Volte no sonho.... mate pessoas..... acordar.... volte no sonho.... volte...

E eu fui relaxando.... relaxando.... relaxando..... até que eu voltei ao sonho.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.