Paralisia do sono
1 Capítulo 1 - Um aviso muito estranho
Notas iniciais
Tudo começou numa sala de aula enorme, a pintura branca das paredes estava bem gasta e cheia de rabiscos. Lá haviam cerca de 40 alunos, divididos nos clássicos e estereotipados grupinhos de colégio: as patricinhas no meio da sala, que estavam fofocando entre si e rindo; a galera do fundão, que simplesmente estavam mexendo no celular como se não estivessem em aula, os “excluídos” nas fileiras das paredes, escrevendo em seus cadernos ou desenhando e os nerds na frente, onde eu também estava, que prestavam total atenção ao que a professora explicava no momento.
A professora era bem estranha: possuía uma estatura média, cabelo escuro e liso que caia pelas costas até a altura da cintura, usava um jaleco branco e calça jeans. Seu rosto não era visível, pois estava sempre de costas para os alunos. Parece estranho, mas o jeito dela me lembrava minha mãe.
A aula era sobre algo parecido com uma paralisia do sono, em que a pessoa, mesmo acordada, não consegue se mexer por um período de tempo, podendo ter alucinações enquanto está paralisada.
– Uma coisa muito importante agora alunos, peço que todos prestem atenção – ela disse enquanto batia palmas para chamar a atenção dos alunos – Se uma pessoa for acordada, mas não conseguir se mexer, ela terá que voltar em seu sonho e assassinar todas as pessoas que apareceram nele. Depois que a última pessoa for morta, conseguirá acordar e levantar normalmente.
Logo após a professora acabar a frase, o sinal tocou e todos os alunos saíram correndo da classe para irem para casa. Esperei aquela manada de pessoas saírem e fui procurar meu pai para ir embora. Eu já tinha idade para ir sozinha até em casa, mas eu gostava da companhia de meu pai no caminho.
– Pai? Pai? – eu não estava vendo meu pai em lugar nenhum – Será que ele não vai vir hoje? Ele não me avisou de nada..
– Helena! Estou aqui! Perdão filha, acabei me atrasando por causa de problemas no trabalho.
Era bem difícil achar meu pai em uma multidão. Seu nome era Fábio. Não era muito alto, tinha cabelos castanhos e bem curtos, tinha olhos cor de mel e usava roupas de tons escuros porque falava que disfarçavam a barriga.
Como minha casa não era longe da escola, fomos a pé mesmo, conversando sobre provas e rindo das roupas que as pessoas estavam usando na rua ou nas janelas.
– Será que essas pessoas não tem noção que estão ridículas? — disse meu pai
– Tenho certeza que elas devem pensar a mesma coisa sobre a gente.
Cheguei em casa bem cansada, afinal na noite anterior eu não tinha dormido muito bem e, por causa da escola, havia acordado bem cedo hoje. Nem jantei, fui direto para o meu quarto me trocar e ir dormir. Vesti meu pijama azul de bolinhas brancas e fui escovar os dentes no banheiro. Enquanto penteava meus cabelos em um coque, me observei no espelho: Cabelos castanhos bagunçados que iam até um pouco abaixo do ombro, olhos cor de mel iguais aos de meu pai, não era nem baixa nem alta, nem gorda nem magra. Eu tinha apenas 15 anos, mas parecia mais velha, tanto por ser mais encorpada quando pelas roupas que eu normalmente usava.
Voltei para meu quarto, que me incomodava um pouco por ser todo branco, escolha de minha mãe. Apaguei a luz e como toda medrosa, corri pra cama o mais rápido possível. Depois de me cobrir com o edredom e colocar o celular para carregar, fiquei pensando: “Será que a professora estava falando sério? Imagina só ter que matar todo mundo dentro do sonho? Bom, deve ser legal porque você pode descontar a raiva em todo mundo e na verdade não vai ter machucado ninguém de verdade. Seria ótimo...” e assim acabei adormecendo.
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