Paralelo
29 Fênix
Notas iniciais
Its the eye of the tiger
Its the thrill of the fight
Rising up to the challenge of our rival
And the last known survivor
Stalks his prey in the night
And hes watching us all
With the eye of the tiger
(Survivor)
– Desgraçado.
Lobão tinha pego Karina e a levado para o camarim da Ribalta. A menina ainda permanecia desacordada devido ao clorofórmio que a fez dormir.
– O que você fez com a minha filha?
– Cal-ma, eu não fiz nada com ela... Ainda. Só depende de você.
– Covarde.
– Melhor você me tratar bem se quiser sua filhinha de volta, e se quiser ver ela inteira vai ter que me obedecer. Pra começar, não chama a policia.
– Olha aqui, eu não recebo ordem sua. O delegado, ele vai...
– ISSO AQUI É SÓ ENTRE NÓS DOIS, SENÃO... Ta avisado hein...
Lobão desliga a chamada pro desespero de Gael que tenta ligar de volta, e de propósito, o vilão não atende. Gael conta aos presentes que Lobão sequestrou Karina e que pediu para não avisar a polícia. A notícia deixa todos aflitos, especialmente Gael e Pedro, o guitarrista pelo medo de perder sua amada esquentadinha e ao mestre por saber da loucura que Jorge Lobo tem por ele. Lembra da frase que Heideguer lhe disse uma vez: O Lobão só vai parar quando te matar. A você e a todos que você ama.
Natália aconselha Gael a não chamar mesmo a polícia para que o vilão se sinta seguro e não coloque a vida de Karina em um risco maior. Duca tenta acalmar o mestre e à namorada.
– A Nat tem razão, o Lobão é capaz de qualquer atrocidade. Vamos manter o sequestro em segredo.
Gael não tem outra alternativa que não a de entrar no jogo do vilão e esperar seu próximo contato. Pedro comunica que também vai esperar por notícias, e Nat pelo enorme carinho que tem pela menina também pede para esperar.
– Posso esperar também mestre? Tenho muito carinho pela Ka, e muito ódio pelo Lobão. Ninguém conhece aquele psicopata como eu.
– Calma Marrenta...
Duca tenta acalmar a namorada e sabe que ela está com mais raiva ainda por tê-lo visto rondando a praça e não ter feito nada. A lutadora completa.
– Eu posso ajudar.
– Toda ajuda é bem vinda. Senta.
Na praça enquanto Mari canta, alheios à tudo que está acontecendo, Bianca e João procuram por Pedro.
– Cadê o maluco do Pedro? Ele saiu a mó tempão atrás da Ka e até agora não voltou.
– Bom, se eu conheço o meu amigo cabeludo, imagino que deve estar comemorando essa turnê com cantora internacional. Aliás a gente deveria aproveitar e fazer o mesmo...
Bianca agrada da malícia do namorado que lhe dá um selinho longo.
– Será que a gente consegue burlar a vigilância do meu pai em casa e escapar pro quartinho?
– A gente pode tentar...
O casal se beija, mas logo é interrompido pelo celular da atriz.
– Peraê, meu pai.
– Mas parece que adivinha...
– Alô! Ir pra casa? Na verdade já tava indo... To com o João sim por quê?
João não faz uma cara boa e coça a cabeça. A escapada falhou.
– Ta bom pai, to indo. Beijo!
– O que foi dessa vez Bianquinha?
– Sei lá. Só falou pra eu ir pra casa com você, e ele tava meio nervoso.
– Já vi que vai sobrar pra mim...
– Vamo logo!
O casal chega em casa e estranha encontrar além do pai e Dandara, Pedro, Duca e Nat, e todos apreensivos.
– O que ta acontecendo aqui pai?
– O Lobão sequestrou a Karina.
– O que?
– O Lobão ta com a minha esquentadinha de novo.
– Ja ligou pra policia?
– Não liguei e nem vou ligar.
– O Lobão mandou a polícia ficar fora disso.
Natália completa as palavras de Gael, e Duca também fala.
– Pode ser o melhor pra vida da Ka, pelo menos nesse momento.
– Bom, agora temos que esperar o Lobão ligar e falar o que ele quer.
Dandara diz sem saber que a verdade é que o que o vilão quer é machucar o amado.
– Eu sei o que ele quer.
– E o que ele quer? – Duca pergunta.
– Eu. – afirma Gael.
– Meu amor, isso é muita loucura.
Dandara não esconde o pavor, assim como os outros familiares e os amigos presentes.
– Mas nós estamos lidando com um louco.
João abraça Bianca que chora, ela lembra das maldades que o psicopata fizera a irmã enquanto a menina esteve em poder do mesmo, e mais ainda pela certeza de que seu principal alvo é seu pai.
Nesse tempo Karina finalmente acordou e se desesperou ao perceber que estava em poder de Lobão. Sobre ameaças a ela e a seu pai, foi obrigada a se acalmar, enquanto Lobão se divertia com toda a situação, principalmente ao imaginar o desespero e nervosismo de Gael ao esperar por notícias da filha. Luis, apesar de fazer tudo que o vilão lhe ordenava, e as vezes não gostava, mas sabia que era tão culpado quanto o louco do seu mestre.
Alguns instantes depois entrou mais uma vez em contato com Gael, marcou que o mesmo fosse ao teatro da Ribalta as três horas da manhã em ponto e exigiu que ele fosse sozinho, ameaçando Karina caso ele não fizesse tudo como mandou, não só ele, mas a todos que amava. Após a ligação, Gael mente dizendo que tem que esperar por outro contato afim de torturá-lo e pede aos não moradores que retornem às suas casas para que Lobão continue seguro do seu plano.
– Nós vamos ter que esperar.
– Esperar mais pai?
– O tempo que for necessário. A gente não pode deixar ninguém desconfiar.
– Mas, e o Cobra?
João lembra do filho mais velho do mestre que chegou e ninguém sabia ainda.
– O Cobra ta na cidade?
– Ta pai, nem deu tempo de te contar. Eu liguei pra ele ontem e ele veio fazer uma surpresa pra Jade.
– Deixa ele lá com a esposa dele então, acho que quanto menos pessoas souberem melhor. E aliás, ele só deve aparecer por aqui amanhã.
– É, com a saudade que ele e a Jade estavam aparentando ta um do outro, só amanhã mesmo.
Bianca reprova o comentário do namorado com o olhar, assim como Dandara e Gael. Em seguida, Duca e Natália seguem para a casa do lutador. O movimento na praça já havia diminuído e logo se acalmou de vez restando só os alunos acampados pelo movimento.
Contar a Dona Dalva o ocorrido não foi uma ideia boa, ainda mais comentar que Natália tinha visto Jorge Lobo circulando disfarçado pela praça. A velha senhora insinuou que a lutadora ainda poderia ter algum tipo de conchavo com o vilão, o que a deixou bem magoada e a fez ir embora para o QG. Duca desaprovou, e muito, a atitude da avó.
– Um dia a senhora vai ter que aceitar que eu AMO a Nat e que ela ME ama, e que vamos ficar juntos. E principalmente, pedir desculpas por todas essas coisas que falou pra ela. Poxa vó, a Nat ta do nosso lado.
Deixando a avó de lado foi atrás da amada no QG, e a encontrou chorando.
– Oh Nat, não liga pro que a minha vó fala, um dia ela vai perceber o quanto ta sendo injusta com você.
– Ela que ta certa.
– Não fala isso.
– Eu podia ter feito alguma coisa quando vi o Lobão na praça.
– A culpa não é sua, não dava pra imaginar.
– Eu sei, mas é a Ka, se acontecer alguma coisa...
– Xiuuu, quieta agora Marrenta. Não vai acontecer nada com ela.
Duca abraça a namorada que deita sua cabeça em seu peito enquanto chora pela situação da amiga, e também por saber do que o vilão é capaz, sentiu na pele.
Na casa de Gael, o mestre não se importou por João ter ido para o quarto de Bianca depois da mesma pedir pra que ele a fizesse companhia naquela noite, e também pediu a Dandara que não tirasse os olhos de Miguel. Pedro tinha ficado por lá, mas depois de um tempo optou por esperar na praça já que tanto ele quanto Gael se irritaram um com o outro andando pela sala da casa. Enquanto isso, Josefina e seu capacho Paulo, se preparavam para causar o incêndio acidental na fábrica.
Quase três da manhã, Nat via algumas fotos de Karina em seu cel.
– Não se tortura assim Marrenta.
– Vou acabar com a raça desse covarde.
– Mas essa raiva toda não vai te levar a lugar nenhum.
– A raiva acumulada é boa, pra quando eu ficar cara a cara com ele...
Duca conforta Natália que vê Pedro pela vitrine do QG sentado na praça enquanto toca seu violão, e em seguida vê Gael saindo disfarçadamente de casa.
– Gael?
Ela e Duca veem quando o mestre ultrapassa o lacre do prédio e adentra a fábrica. Duca se mostra curioso.
– O que o mestre foi fazer lá, e a essa hora?
– Isso só pode ser coisa do Lobão.
– Será que o Lobão entrou em contato com ele de novo?
– Vamo atrás dele.
Os dois saem do QG, mas logo Nat para o namorado.
– E se for uma armadilha?
– Armadilha?
– É Duca, o Gael deixou a família sozinha em casa, ele já tem a Ka.
– O que ta sugerindo?
– Que ele possa ter feito Gael sair de propósito. Não posso deixar passar nada dessa vez. Vamos fazer assim, eu vou pra fábrica e você vai lá na casa do Gael, chama o Cobra pra ficar com a família, e me encontra na fábrica.
– Boa Nat! Vou ligando pro Cobra.
Os dois dão um selinho, Duca segue para a casa de Gael e Natália para a fábrica. Pedro vê a movimentação do casal e segue atrás de Nat.
Dandara corre para abrir a porta de casa com a campainha que toca insistentemente, Bianca e João também chegam na sala um pouco assustados. Com a aflição de que algo pudesse acontecer, ninguém da casa vestiu roupas de dormir, continuavam todos com as mesmas roupas de antes.
– Duca?
– Oi Dandara! Tudo bem por aqui?
– Não deveria? Aliás, cadê o Gael?
– Então, a Nat e eu vimos o mestre entrando na fábrica agora pouco e estranhamos. Pode ter algo a ver com o Lobão.
– Mas o Gael não falou nada.
– Dandara, lembra que meu pai falou que o problema daquele louco é com ele?
Dandara vê razão no que Bianca diz e conclui que Gael possa ter escondido algo dela. Duca continua.
– A Nat foi pra fábrica atrás do Gael e eu vim pra cá. Nunca se sabe do que o Lobão é capaz, então nos separamos, poderia ser uma armadilha pra tirar o Gael de casa.
Dandara corre para o quarto e busca Miguel que estava dormindo no berço e todos se juntam na sala.
– Eu tava tentando falar com o Cobra pra vir pra cá, mas não to conseguindo falar com ele.
– Bi, tenta ligar pro seu irmão ou pra Jade.
Bianca consegue ligar para Jade, explica a situação a Ricardo que logo se prontifica a ficar com a família do pai. Duca espera a chegada de Ricardo. E, um tempo, depois ele chega com Jade, Edgar e Lucrécia. Duca corre para a fábrica.
***
Após entrar na fábrica atrás de Gael, Natália se assustou com Pedro que a seguia e o guitarrista quase apanhou por isso. Apesar de não gostar da ideia deixou o rapaz acompanhá-la. Nesse tempo quem chegou ao local foi Josefina acompanhada de Paulo, afim de colocar em pratica seu plano incendiário. Pede que o capacho não deixe pistas e ele se diz profissional.
Gael estava no teatro da Ribalta, encontrou Lobão com Luís e Karina.
– Gael Duarte, bem vindo ao nosso último encontro!
Depois de ver a filha mais nova amarrada e amordaçada numa cadeira, Lobão explica que Gael terá que lutar com ele, só os dois, e numa luta nada limpa já que o vilão tira do bolso e põe em uma das mãos um soco inglês.
Porta afora, Nat e Pedro estranham a porta do teatro trancada, e o guitarrista se oferece para procurar algo que possa arrombar a mesma. Ao mesmo tempo, depois de entrar pelos fundos, Paulo encharca todo o piso inferior da fábrica com gasolina e usa um isqueiro para atear fogo no lugar.
– Adeus fábrica maldita!
Pedro volta com um extintor de incêndio e a medida que Nat tenta arrombar a porta escutam barulhos vindos de dentro do teatro, além do cheiro de fumaça acusar que algo a mais está acontecendo. Pedro descobre que a fábrica está pegando fogo e se desespera.
Paulo escapa antes do fogo tomar conta do lugar, no momento em que Duca sai do prédio de Gael, vê o fogo e se apressa para entrar no local.
– NAT!
Entender a mente de um louco pode ser bem complicado, quando ele se abre e diz os motivos que o fez planejar uma vingança, uma morte, pode ser assustador. Escutar os motivos de Lobão ter tanto ódio acumulado por Gael não foi nada fácil para o mesmo, achar que foi traído por Gael por ele ter abandonado a luta para ser pai de família? O motivo parecia pequena mas para a mente de um psicopata pode ser muito sofrimento, seu único desejo era lutar contra Gael, com artifícios legais ou não, até sua morte. Os dois então começam um embate, na frente de Karina aos prantos sem poder fazer nada que pudesse ajudar o pai. Com o soco inglês na mão não é difícil para Jorge Lobo machucar o rosto de Gael e fazer seus golpes mais dolorosos.
Após várias tentativas, Nat finalmente consegue arrombar a porta do teatro e entra numa luta com Luís, ao passo que a contragosto Pedro tira Karina do lugar. Com a saída da filha Gael fica mais tranquilo para lutar com o inimigo.
– Agora que minha filha foi embora, eu sou todo seu Lobão.
– Assim eu gamo.
Com um golpe de direita o mestre leva o vilão ao chão. A verdade é que Gael era melhor que Lobão, por isso o mesmo tinha que roubar para ter vantagem.
No acampamento, os alunos se desesperam ao ver o fogo tomar conta do prédio da Ribalta, Bárbara liga para os bombeiros. Da sacada de casa, Dandara vê o fogo acompanhada de Edgar e Lucrécia que lamentam a destruição. Assim que veem o incêndio, os casais Ricardo e Jade, e Bianca e João descem atrás de saberem o que está acontecendo, chegam no momento que Pedro esta saindo com Karina nos braços, e ficam sabendo que além do pai e de Lobão, Duca, Nat e Luís também estão lá dentro. Cobra nem pensa e corre para dentro do prédio, João ameaça fazer o mesmo, porém Bianca o impede.
– Você não vai a lugar nenhum.
– Bianca, eu posso ajudar...
– Já basta meu pai lá dentro com aquele monstro e agora meu irmão. Não preciso de mais uma pessoa que amo no meio desse fogo.
O nerd não se aguenta e se rende aos apelos da amada a abraçando e confortando. Outro que tem de conter a namorada é Pedro, não a deixando voltar e se declara ao dizer que não suportaria perdê-la.
Com a fumaça, lutar ficava cada vez mais difícil e Nat não conseguiu conter Luís que tenta fugir, todavia é parado por Duca que o imobiliza. Cobreloa chega em seguida e o ajuda a levar Luís para fora. Os alunos de Gael ajudam a segurar o comparsa de Lobão e chamam a polícia. Duca e Cobra voltam a entrar no prédio é uma explosão acontece para o desespero de Jade.
– VAGABUNDOOOOO.
Assistir a fábrica pegando fogo não era fácil para ninguém ali presente, tanto esforço para salvar a construção que agora se transformava em cinzas. A dor era maior ainda para Nando.
– Era uma vez a Ribalta. Era uma vez a academia do Gael. Era uma vez a minha fábrica.
Dentro do teatro, Gael tentava acabar com a luta enquanto tudo desabava ao seu redor por conta do fogo. Natália chega a pensar que algo possa ter ocorrido ao mestre, contudo ele se levanta e continua seu embate com o inimigo. Com vigas e pedaços de madeiras caindo ao sua volta, mais uma vez Gael consegue derrubar Lobão ao chão, e Nat ajuda o mestre a sair do teatro. Encontra Duca e Cobra que ajudam a carregar o mestre, porém a lutadora retorna para buscar Lobão.
– Nat volta aqui, não vale a pena.
Natália levanta Lobão do chão e o carrega. Duca vê a namorada vindo atrás e continua carregando Gael com Cobra, que se apressam e saem. Bianca e Karina correm para abraçar o pai agradecendo Duca e Cobra, e Jade abraça forte o marido.
– Não me assusta mais assim Vagabundo.
Duca se dá conta de que a amada não saiu, ao mesmo tempo que o fogo, cada vez mais forte, derruba uma grande viga em seu caminho, cujo Nat, com muito esforço, a retira para que eles continuem. Lobão na sua loucura, acha que Nat está ali por ele.
– Sabia Nat, eu sabia que vocês não ia me deixar morrer.
– Morrer é muito bom pra você.
Faltando alguns poucos degraus para terminarem de descer a grande escada da Ribalta, uma outra viga cai, os atingindo e o fogo os cerca. Mais uma explosão. Duca se desespera do lado de fora.
– NAAAT.
Os amigos tentam contê-lo, porém o lutador entra no prédio em chamas novamente. Encontra Lobão segurando Natália que está fraca tanto pela fumaça quanto pela dor da viga que a atingiu. Estão cercados pelo fogo.
– NAT.
– Qual é menino prodígio, vai querer encontrar seu irmão comigo e com a Nat hoje no inferno?
– Do que você ta falando?
– EU atropelei seu irmão aquele dia, uma pena você não ter ido junto com ele. Mas se é pra morrer hoje, vou levar sua queridinha pra virar churrasco comigo.
Duca fica incrédulo com as palavras que saem da boca do vilão, a medida que o mesmo ameaça, com bastante dificuldade, levar Nat de volta para cima.
– Foi bom te ver sofrer pela morte do seu irmãozinho querido, agora sofre pela sua namoradinha.
Escutando a confissão do psicopata, Nat junta suas últimas forças e empurra Lobão para próximo de Duca, que ainda aproveita o momento da raiva de tudo que escutou e soca a cara do vilão.
– Leva esse louco pra fora daqui, ele merece apodrecer na cadeia.
Nat pula o fogo, os dois saem do prédio e entregam Lobão à polícia que já se encontrava no lugar.
– Nat, sua marrenta, te amo!
– Também te amo lutado, demais!
Os dois se abraçam e se beijo, mas logo são interrompidos por Karina que abraça a amiga e agradece pela ajuda a salvar seu pai. Bianca também se aproxima acompanhada de João para agradecer tanto a Nat quanto a Duca pelo esforço. E outra que se aproxima é Dona Dalva.
– Natália.
– Oi Dona Dalva!
– Você foi muito corajosa hoje. To aqui pra me redimir e desculpar. Você me desculpa?
A senhora na cadeira de rodas extende uma das mãos para a lutadora.
– Desculpo.
Natália aperta a mão da velha senhora que a puxa para um abraço, e Duca vendo a cena, se junta as duas no abraço.
Os bombeiros tiveram dificuldade para apagar o fogo e quando conseguiram já era dia. Depois daquela madrugada de horror vendo a Ribalta ser destruída, a placa desabando, tudo virando pó, todos se reuniram na praça. Os professores fizeram um discurso emocionado para alunos, amigos e simpatizantes da causa.
– O sonho que se sonha só é só um sonho, o sonho que se sonha junto é realidade.
– O fogo pode até ter destruído nossa fábrica, mas não destruiu nossos sonhos.
– O grande poeta Fernando Pessoa nos ensinou que matar o sonho é mutilar a nossa alma.
– Na verdade as pessoas não param de perseguir seus sonhos porque estão ficando velhas. As pessoas ficam velhas porque param de perseguir seus sonhos.
Após escutar as bonitas palavras de, em ordem, Nando, Dandara, Lucrécia e Edgar, Gael também divide seu sentimento.
– Esse foi uma ano muito difícil pra mim, mas foi o melhor ano da minha vida! Então só tenho a agradecer às forças superiores... A gente sabe que o sonho não acabou.
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