Paradox-0
2 Em um futuro não muito distante...
— Martha... Martha! – Diz o rapaz sussurrando alto.
— Hum? – A mulher olha para ele. Ela ainda estava saboreando um sorvete de limão. Sem dar importância ao papo furado dele.
— Sinto uma perturbação na força.
— Você e esses sentidos aranhas...
— É serio! Nunca falha. – Ele toma um gole de milk-shake e volta a falar. – E isso é uma referencia a Star Wars.
— Tanto... – Tudo ao redor deles desaparece ficando branco. -...Faz.
— Não falei!
— Droga. Meu sorvete sumiu...
— Você esta pouco se fodendo, não é Martha?
— Não, agora é pessoal... – A mulher diz apertando os punhos e olhando para o rapaz de cabelos azuis.
De repente, o mundo ressurge em volta deles. Mas, não era um mundo de 2073 que eles estavam acostumados.
O céu era negro. Os robôs, que antes possuíam design prático e silencioso, se tornaram rústicos e barulhentos. Os carros expeliam fumaça. E apesar de haver hologramas para dizer o contrário, tudo parecia ter voltado aos anos de 1920.
— Roger, você que é o nerd aqui. O que esta acontecendo?
— Isso parece Steampunk. Gostei.
— Como você pode gostar disso? – Martha diz pondo a mão no nariz. – Sinto que pegarei um câncer em breve.
— Não temos internet. – Diz Rogers olhando um painel holográfico em seu pulso. – E às pessoas já estão nos encarando...
Enquanto Martha possuiu cabelos arrepiados em tom de roxo e rosa, o cabelo de Rogers era longo e todo azul. Ambos usavam sobre-tudo branco e coturno branco. Suas roupas pareciam moldar em seus corpos, formando uma camada branca e opaca que aparentava ser solida. Completamente o oposto de todos que estavam a sua volta.
— Pare o tempo. – Diz Martha. – Vamos nos reorganizar.
Rogers toca dois dedos da mão direita na testa e franze o cenho. Instantes depois, às coisas foram ficando cada vez mais lentas até pararem.
— Estou conectando no ether para localizar a onde foi o desvio. – Diz Rogers aproximando-se da parceira e mostrando o visor em seu pulso
— Não é difícil de imaginar o que esse Walker fez. Ele alterou algo bem no passado. Provavelmente, antes da segunda guerra.
— É uma linha lógica de raciocínio. Isso indica que ele é um iniciante.
— Roger... – Martha segura no ombro dele e aponta para uma serie de códigos que indicava distorção temporal no ano de 2018. – Vá atrás dele. Eu concerto a linha do tempo.
— Você já sabe onde foi?
— Sim.
Os dois olham um para o outro. Como se estivessem prevendo a próxima palavra que viria.
— “Hitler”. – Eles respondem ao mesmo tempo.
— É... Sempre ele. – Rogers diz rindo. – Que droga! Você já é especialista em concertar coisas relacionadas a esse cara.
Rogers vê Martha colocar às duas mãos nos olhos, como se estivesse se escondendo de um bebe. Em seguida, desaparecer.
— Ok. A parte do diálogo fica comigo então.
Rogers repete o mesmo gesto ao qual fez o tempo parar e também desaparece.
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