Paradise City
5 Ah...o amor!
Já passara da hora de Edgar voltar para casa e nada. Florence caminhava preocupada e ansiosa. Ele prometera ás crianças ontem a noite que as levaria a praia assim que chegasse, e Thomas já estava nervoso.
–Cadê o papai?
Mais uma vez Edgar se atrasara, isso a deixava frustrada, era difícil ser casada com o homem mais importante daquela cidade, mas o que ela podia fazer se era totalmente dependente dele. Ela se jogou em uma cadeira e começou a devanear.
“Foi em Wiesbaden, ela estava morando temporariamente com os pais lá, ao mesmo tempo em que Edgar, servia ao exercito e fora transferido para o mesmo local.
Florence ia aos clubes ou restaurantes com a família e escrevia cartas para os amigos. Um dia, num daqueles lugares, uma garota chamada Annelise Louise, sua velha amiga, perguntou a ela:
–Você gostaria de conhecer Edgar Warmsley? Meus pais são bons amigos dele.
Claro que Florence concordara e naquela mesma noite foi conhece-lo; ela usava um vestido branco e azul marinho estilo marinheiro.
Quando ambos foram apresentados pelo casal pelos pais de Annelise, ele gostou dela imediatamente, e tentou impressioná-la com seu trabalho.
Após aquele dia, Florence não conseguia se concentrar na escola, mas ela não contou a ninguém que havia conhecido Edgar Warmsley, pois ela pensou : ‘’Quem iria acreditar que apenas ontem a noite eu estava na casa dele?’’
Durante os próximos seis meses, os dias passaram como se fossem um casal de namorados. Ela tinha somente 14 e Edgar a respeitava pela idade como um verdadeiro cavalheiro até o triste dia quando ele teve de voltar para casa, em sua cidade natal depois de ter sido dispensado do exercito, seu único contato com Florence era por telefone ou cartas. Florence lembra que na época muitos boatos surgiram de que ele teve namoradas, e ela se acostumou com os boatos, bem como a dor e frustração de amar o cara mais cobiçado do mundo a tantos milhares de distancia.
Então um dia de março, depois de vários meses sem contato, Edgar pediu a Florence que se juntasse a ele em Paradise City. Em extase, como cenas de um filme, ela disse que apesar de sua mãe aceitasse, seria praticamente impossível convencer seu pai, o capitão Larry Burton. Foi um desafio que Edgar parecia feliz em aceitar. Ele falou com o pai de Florence inúmeras vezes até que, depois de concordar com todas as regras em relação à segurança e bem estar da filha, o pai concordou com a mudança.
Florence não iria viver com ele por enquanto, mas sim com seus pais em uma casa nas proximidades de Paradise City. Ela seria matriculada na melhor escola católica, onde garantiu que ela iria se formar e seria bem cuidada.
Edgar jurou ao seu pai que a amava, precisava e respeitava Florence, como também insistiu que ele não poderia viver sem ela. O pai viajou para ter certeza que tudo seria preparado como combinado e então ela se mudou para Paradise City finalmente.
No decorrer dos meses que se passaram, muitos problemas assolaram o casal, devido aos filmes e romances de Edgar, mas ele decidiu que ela era a garota dos seus sonhos.
Em 1° de maio, Edgar e Florence se casaram e alguns anos depois, quando Florence já tinha seus 24 anos nasceu Thomas, o primeiro filho do casal e três anos depois a princesinha Alice, eles eram tão felizes, Florence no passado nunca imaginou que as coisas seriam assim.”
–Desculpe o atraso.
Florence despertou do devaneio com Edgar chegando.
–Que bom que você chegou!!
Florence arrumou tudo e foram para praia, Edgar brincou com as crianças, correu, mergulhou.
–Você me parece distraída – ele disse acariciando seus cabelos assim que se sentou perto dela
Ela sorriu.
–Estou ótima.
Ela estava com seu melhor maiô aproveitando o resto da tarde, a brisa que vinha do mar, de chapéu e óculos escuros, deitada sob sua toalha, o por do sol bem diante a ela, maravilhoso, só que ela se sentia um pouco triste, espantou aqueles fantasmas, eram coisa da sua cabeça, Edgar estava ali, gentil e carinhoso.
Ela decidiu que devia retribuir seu carinho, tinha o melhor marido do mundo!! Não tinha do que se queixar... abraçou ele forte e em seguida foi brincar com sua querida filha, seu bebê, que brincava na areia fina da praia. Dias como este podem nunca mais existir, ela pensou.
...
No outro dia de manhã quando Edgar chegou para trabalhar Evan já estava lá, um sorriso no rosto ao pronunciar o bom dia.
Edgar a contratara recentemente e ela lhe parecia feliz com o emprego, feliz até demais por ser só uma secretária. Ela fazia tudo corretamente, mas havia algo que incomodava Edgar. Ela ficava ali, encima dele, direto, para tudo.
Aquele dia foi um dia normal, vigiado por Evan o dia todo, que estava na sala ao lado mas não perdia nada.
Albert Christie, o diretor, foi conversar com Edgar sobre o filme que iria começar a gravar em breve, ele estava empolgadíssimo, Edgar também, sabia que iria lucrar muito.
–Já temos Annelise Louise como Odete, Simon Doyle como Amon Gruber e seu sobrinho Jimmy Burton como Jonathan Gruber. Sem contar na Marilyn, só que dei um papel qualquer para ela, vai fazer sucesso, eles gostam dela, ela é sexy.
–Não conheço essa Marilyn pessoalmente, mas porque um papel qualquer se ela é tão famosa assim?
–A Marilyn simplesmente não se encaixa no meu conceito do que se deve oferecer ao público, ela não faz filmes bons. É muito ferina para isso.
–Entendo – uma pausa e Edgar parecia pensativo — Albert, sei que a Annelise é famosa e vai ser a protagonista, sou muito amigo dela e minha mulher também há muito tempo e não quero atrapalhar seu trabalho, mas ela está nos causando muitos problemas. Na vinda para Paradise City, ela levantou várias vezes pra fumar no banheiro do avião. Vê se pode uma coisa dessas, os passageiros ficaram furiosíssimos, com razão, foram obrigados a viajar com o alarme de fumaça disparado.
Albert riu bastante.
–Eu confio nela, ela vai fazer um bom papel. Ela é meio louca, mas dará tudo certo.
Albert e Edgar conversaram sobre detalhes técnicos do filme, data prevista para inicio das gravações, Edgar leu o texto e estava quase tudo acertado.
–Agora precisamos da trilha sonora, Marilyn cantará uma música e precisamos de uma outra pessoa disposta a gravar uma música especialmente para o filme – disse Albert meio preocupado
–Isso é o de menos, podemos abrir um concurso musical e o vencedor grava as músicas para o filme. Temos muitos cantores na cidade, essa cidade é das estrelas, vai ser fácil.
–Que ótima ideia.
–Sua mulher não é produtora musical?
–Sim...
–Ela pode cuidar disso – Edgar sorriu vendo a gratidão estampada no rosto de Albert.
–Muito...muito obrigada Edgar!
–Mande ela vir falar comigo e acetaremos tudo.
–Não sei nem como agradecer.
Edgar sorriu, ele era muito generoso. Albert saiu satisfeito.
Depois de um dia cheio Edgar resolveu passar em um pub tomar um drinque para relaxar. Quando ele chegou não havia muitas pessoas, mas aos poucos foram chegando mais e mais, as pessoas o cumprimentavam e parabenizavam por seu trabalho, perguntavam sobre o novo filme e diziam estar ansiosas, eram pessoas absurdamente ricas iguais a ele, cantores famosos, atores, banqueiros, todos o conheciam, e os paparazzis na porta esperando a oportunidade para dar os flagras. Ele pediu um drinque e enquanto esperava no balcão uma moça chegou com um vestido vermelho impecável. Chamou a atenção de todos, ela parou ao seu lado, ah, era Evan.
Fale com o autor