Paradise

1 Capítulo 1 - Cigarros e Sushi


Notas iniciais
olaaaa *-*Nova Fic, tema novo. Estou ansiosa, então boa leitura. ;*

- Hola! Hola!

A voz encheu o lugar.

Muitos gritaram entusiasmados.

Era verdade que tinha muitos casais ali, mas era indiscutível, a platéia masculina de solteirões, era a grande maioria.

- Vamos? – Ela gritou para o publico. – Contem comigo.

- 1...2... – Em uníssono. – 3...

E a cortina branca de seda caiu. E lá estava Samantha sentada em cima de um grande caixote de madeira ainda trancado por três convincentes cadeados, ela nem mesmo ofegava ou dava sinais de qualquer esforço que seja, ao seu redor, circundava uma grossa corrente, a mesma que a prendera. As algemas soltas estavam caídas no chão do palco negro espelhado.

A peruca ruiva channel um pouco torta, escondiam as madeixas negras.

Aplausos. Muitos aplausos, alguns ate mesmo aplaudiram de pé.

- Ora, obrigada. Mas toda mulher tem que aprender a ser escorregadia, não é mesmo?

A platéia riu, enquanto ela desdobrava as longas pernas, enquanto saltou da caixa para o chão. Os assistentes cuidaram de levar todo o material usado na apresentação para os bastidores.

Com exceção do palco, todo o resto era branco. Desde a tela de fundo às roupas justíssimas de Samantha, que caminhava como gata, ao som dos assobios anônimos que saiam das mesas de cantos escuros e cheias de taças de rum.

Era uma casa de apresentação. Paradise. Onde todas as quintas, Samantha se apresentava. Era um lugar modesto, no entanto não era por esse fato que deixava de ser um dos lugares mais visitados as quintas noturnas. Muitas mesas reservadas para casais e bebidas para os solteiros.

- Não se distraiam, meus queridos. – Havia agora uma pequena e simples mesinha no centro.

O silencio parecia ser comum em horas como aquelas. Estavam todos atentos, olhos abertos, algo deveria explicar como ela fazia aquelas coisas incríveis. Muitos procuravam por fios invisíveis ou o velho truque das mangas. Alguns estavam mais interessados no belo traseiro da mágica, do que na própria magia.

- Tenho aqui um lenço branco, costuma ser muito útil. – Ela estreitou os olhos daquele jeito sedutor fitando os observadores. – Quando estou sem dinheiro. – Completou sacudindo o lencinho.

A piada parecera não ser entendida pelo publico.

Samantha balançou o pequeno tecido nas mãos, e o ergueu em cima na mesinha segurando as duas pontas com as duas mãos, depois de erguer ate os cotovelos às mangas da casaca branca.

- Não... – Ela balançou o lencinho. – pisquem.

Uma carteira caiu na mesa, por debaixo do tecido, como se tivesse acabado de aparecer.

- Oooohhhhhh... – Surpreenderam-se.

Ela jogou o tecido e pegou a carteira nas mãos.

– Abra a carteira de um homem, e conheça o coração de uma mulher. – Alguém gritou ao fundo.

Todos gargalharam.

- Então acho melhor olhar bem os seus bolsos cavalheiros, o coração das suas esposas pode estar nas minhas mãos agora.

Houve aquele silencio novamente, um silencio carregado de suspeita. E alguns tentaram disfarçar, enquanto tateavam seus bolsos por baixo da mesa, e suspiros aliviados quando encontraram o que queriam onde haviam deixado quando pagaram o ultimo drinque.

- Oh, então não há um dono?

Silencio.

Samantha abriu a carteira. E de esguia olhou o invólucro reservado as cédulas e confidenciou ao publico.

- Temos aqui um homem bem sortudo.

Mais risadas.

- Deixe-me ver. Cartão de credito, — ela listou, enquanto remexia. – duas passagens para Inglaterra e...

Ela roçou os dedos delicadamente no papel da passagem aérea. Via um homem, o aeroporto, e sentiu o cheiro de mármore do edifício. Havia muita gente, filas e pessoas apressadas. Viu as janelas envidraçadas e os aviões estacionados e outro preparando-se para decolar. Escutava os estalos dos saltos altos e dos sapatos de couro, pareciam tão mais intensos. Mas lá estava novamente as passagens que haviam acabadas de serem compradas, a atendente agradeceu a preferência pela companhia, e logo Samantha sabia da intenção do homem, de estar de volta na Inglaterra nos próximos dois dias, mas soube no mesmo instantes que a outra passagem estava destinada a ser sua. E tudo se apagou.

O show deveria ter continuado.

E a insatisfação da platéia, era a insatisfação de Samantha.

Ela estava sentada em uma das cadeiras do bar um pouco mais afastado de onde os frustrados telespectadores deixavam Paradise.

Fumava um cigarro. E ela odiava fumar, odiava mesmo. E só fumava quando odiava algo.

Depois de três apresentações que fizera para o publico, havia preparado a chave de ouro para encerrar a noite, e no entanto o que fizera depois de saber que uma daquelas passagens que ainda segurava e encontrara na carteira de um desconhecido que estava entre o publico daquela noite era sua, fora apenas sair do palco e pegar o primeiro maço de cigarro que vira em cima da mesa de um dos freqüentadores.

Odiava ter de estragar sua apresentação. Iria ser extasiante.

Uma passagem para Inglaterra, Londres.

- Anna... – O homem barbudo suspirou. – Mas que droga.

Ele estava detrás do balcão, onde serviam as bebidas.

Samantha apenas abaixou os olhos, e contemplou a fumaça odiosa do cigarro entre os dedos.

- Da próxima vez que algum truque dê errado, rebole mais um pouco em cima do palco e os clientes iram ficar satisfeitos pelo o que pagaram.

Esse era Jeremy, sempre sabia o que dizer naqueles momentos.

- Jeremy, estou indo para a Inglaterra, então acho que não vai fazer muita diferença.

As feições do dono da casa foi de raiva para surpresa em três rápidos segundos.

- O que?

- Esqueça. – Já havia trocada o casaquinho e a saia de couro, por um jeans surrado e uma jaqueta velha, a maquiagem forte fora limpa e o que lhe dava a impressão de ser mais pálida do que já era, de longe parecia a sedutora Samantha. – Não precisa me pagar essa noite, Jeremy.

- E quem vai se apresentar nas quintas?

Anna já estava abrindo a porta de saída, quando a brisa gélida bateu no seu rosto. Alguns dos que estavam na platéia ainda saiam, todavia jamais chegariam a achar que quem que se escondia naquela jaqueta grande demais para o corpo e de longos cabelos castanhos era na verdade Samantha.

- Anna! Anna! – Jeremy gritou ao alcançar as portas, mas a garota já dobrava a esquina.

Odiava quando aquilo acontecia. Não que ela pudesse evitar, mas aquilo a perturbava seriamente. A desconcentrava. Não era algo que algum dia iria se acostumar, ninguém se acostuma a perder um braço ou uma perna, ou no caso de Samantha a ter uma espécie de terceiro olho oculto. Era apenas adaptação.

Caminhou pelas ruas escuras e a noite em Las Vegas era assim. Sejam frias ou quentes, sempre terá gente o suficiente.Enquanto Anna caminhava, pessoas iam e vinham, riam e gritavam. E aquela movimentação fora o que fizera Anna escolher Las Vegas para se viver, todos estavam preocupados demais com seu próprio divertimento e prazer para vir a se preocupar com a garota de jeans velho que passava despercebida, o anonimato realmente fora algo que Anna aprendera a apreciar.

É claro que havia suas exceções. Já andara como Samantha por ai, com suas roupas brancas provocantes demais, com os olhos verdes maquilados de peruca chanel ruiva, as vezes era apenas seu ego que a fazia andar assim, todos a notavam, o que quer dizer, os homens a notavam e realmente era delicioso sentir-se desejada. Era Las Vegas, podia ser Anna e Samantha quando bem entendesse.

- Anna Manson.

E ela não precisou virar para saber que aquela voz era a do dono da carteira e das passagens.

- Ou prefere Samantha?

Anna virou-se para o homem, havia parado de caminhar, estava em um beco pouco movimentado, que cruzava as duas ruas principais para a interestadual.

- Fiquei surpreso com o numero da caixa em que você fica presa. É impressionante como se livra dos cadeados e algemas em um tempo tão curto. – Era um tom estranho.

Estava escuro e frio, não conseguia ver o rosto do homem, como também não vira quando ele comprou as passagens de volta no aeroporto de Londres quando já ia embarcar para Las Vegas, mas sabia que era ele.

- Sou uma ilusionista. Não deveria ficar tão surpreso.

- Não seja modesta.

Era quase agonizante a ironia e frieza que ele expressava na voz.

- Fazer minha carteira desaparecer do meu bolso fora de me deixar verdadeiramente surpreso.

Ele sabia.

Ela sabia.

- Foi para isso que você pagou vinte dólares pela apresentação.

- Acho que tenho um pouco mais do que isso na minha carteira.

Sentiu antipatia por aquele homem. E sabia que devia odia-lo e com isso manter se longe. Era gritante o perigo que aquele homem pareceu representar em Anna. Não havia um motivo ou uma causa, havia apenas uma passagem aérea, mas não era nenhum toque, era apenas o primitivo instinto natural em estado de defesa.

Estavam no final da ruela, ele apenas dera uns três passos para a calçada e apertando o controle do alarme, deu a volta no Aoston Martin, estacionado ali e abriu a porta do passageiro.

- Entre.

- Não, obrigado. Eu lhe entrego sua carteira, damos as mãos firmemente e estaremos quites, não acha?

A idéia de tocá-lo era tentadora. A idéia de saber quem era aquele homem dependia apenas de um leve toque.

- Não acha que vai ser tão fácil assim, não é mesmo? – E por um momento aquilo que havia dito parecia ter um duplo sentido, como se ele soubesse a intenção de Anna.

Uma fraca luz iluminou o rosto do homem. Era verdade que tinha uma expressão muito severa, como as linhas de expressão no queixo e na testa, mas atrás disso estavam os olhos cinzentos/tempestade e a boca fina. Devia ter entre a faixa de 22 à 24 anos, nada mais do que isso. Bem se o tocasse saberia ate o que ele comera no café-da-manhã do seu ultimo aniversario. Se o tocasse.

Ele ainda segurava a porta. Anna ainda estava quatro passos distante dele, no final da ruela agora deserta.

- Eu estacionei meu carro no...

- Entre. – Disse em seco.

Era ridículo, mas seus pés voaram ate perto dele e a fizeram entrar exatamente onde ele a queria.

Ele deu a volta e assumiu o banco do motorista, ligando o carro, acelerou. O carro pareceu ir de 0 a 60 km em uma única segundo.

- Costuma ser sempre tão educado? – Aquilo era ironia.

- Pode me devolver a carteira.

Anna tirou do bolso e o entregou.

- As passagens. – Ele pediu sem olhar o que havia dentro da carteira, e apenas fitando a estrada a frente.

Anna bufou e as entregou.

- Você disse aquele homem que iria para a Inglaterra.

A garota pensou um pouco, realmente dissera isso ao dono de Paradise, quando este o questionou o fiasco da noite.

- Não vamos nos fingir de idiota. Eu sei que uma das passagens que você tem é minha, e eu não estou disposta a ir para Inglaterra que você esta tentando manter em segredo. Todavia eu vi droga, eu vi que querendo ou não eu irei para Londres depois de amanha. Você irá me fazer embarcar, mas eu não sei por que... — Ela explodiu, evitando tocar o carro.

Ele estava em silencio.

- O seu nome é Dylan Wallace.

- Você viu isso tocando em algo? – Era irritante o tom de voz arrogante dele.

- Apenas li na sua identidade.

Anna viu o velocímetro ir de 90 km a 160 km em segundos. E quando ele deu uma leve freada para fazer uma curva, não teve como não tocar o painel do carro.


Era uma morena, curvas perfeitas, cheirava à almíscar. Ela arfava entre um beijo e outro. Havia Dylan, não menos grosseiro, não mesmo arrogante, naquele momento apenas buscando prazer. Marcava a cintura da mulher com os dedos pressionados e inflexíveis. Ele nem a conhecia direito, Anna sabia. Viu ele agarrar com força o cabelo dela e puxá-lo para trás, e em seguida beijar ferozmente o pescoço da mulher. E as mensagens que chegaram ao cérebro de Anna naquele momento era a facilidade para aquele homem que viera a considerar repulsivo, estar com uma mulher tão linda quanto o imaginável e provocar o mesmo prazer absoluto que estava a procurar. Eram beijos e abraços. Havia peças de roupas em cima do banco de passageiro onde estava sentada. Gemidos. A morena segurou-se firmemente no painel do carro, enquanto...


Droga!

Odiava não controlar aquilo.

Odiava ter de precisar ver aquilo. Saber que o carro onde estava, era apenas um motel ambulante de alguém sádico por sexo.

Era verdade que conseguia cancelar as imagens, mas sempre antes de tocar em algo, mandava essa mensagem ao cérebro, mas aquela noite provou mais do que qualquer outra como era difícil controlar o que se era tocado.

- Eu tenho uma gata... – balbuciou ainda tonta com as imagens. – Ela deve estar com fome, preciso ir para casa.

- Acho que ela não vai se importar se trouxer o jantar de fora. – sua voz saiu congelada.

Ela sentiu lentamente o carro desacelerar e parar.

- Chegamos? – Anna abriu rapidamente a porta.

Estavam do outro lado da cidade, em frente a um restaurante pequeno e charmoso, onde se podia ver poucas pessoas sentadas pela parede envidraçada.

- Venha. – Ele caminhou para a entrada, sem a esperar.

Ela o seguiu. Sentia-se uma idiota, entrando num carro de um desconhecido e parando a quilômetros do seu apartamento. No entanto, queria saber, mais do que isso, precisava saber, por que aquele homem viera de Londres e por que deveria ir com ele. Anna vira, eram muito raras as ocasiões em que previa o futuro. Não era necessariamente prever, o futuro estava condenado a variar, a mudar. Mas vira a sua velha bolsa de couro pender do lado esquerdo do seu corpo e um passaporte com a sua foto e um nome completamente estranho, esperava terminar o check-in do aeroporto.

Suspirou, enquanto estremeceu com o frio.

Poderia não ir. Todavia, havia ali um motivo muito forte para poder fazer pegar um avião para Londres. E precisava saber.

Abriu a porta do restaurante e o forte cheiro de comida japonesa a fez embrulhar o estomago. Dylan estava em uma mesa nos fundos do restaurante, era a única mesa onde a fumaça do cigarro dos ocupantes parecera criar uma nuvem em cima de suas cabeças.

Havia uma mulher, uma loira de olhos tão escuros, que pareciam maus. Tinha os lábios pintados de vermelho, e pode perceber que quase todos os cigarros usados que estavam no cinzeiro eram dela, pela marca de batom na bituca. Havia também outro homem, pálido e esquálido, com seus cabelos castanhos escorridos e seu nariz grande demais desapontando no seu rosto.

- Olá. – A loira disse sorrindo, seus dentes cintilaram para mim. – Achei que ia vê-la com uma micro-saia e corpete. – ela sorriu. – Talvez eu dê sorte da próxima vez. – ela sorriu maliciosamente olhando para o corpo de Anna.

Fitou Dylan nervosamente, e o vi olhar nos seus olhos pela primeira vez, um cinza prateado impenetrável. O viu melhor sobre a luz avermelhada do ambiente, os seus olhos continuavam ali como um prelúdio de tempestade, seus cabelos eram castanhos e tinham um jeito desorganizado de por o cabelo para o lado. Era alto, e por debaixo do paletó, podia-se ver a largura dos ombros fortes. Fica fácil agora imaginar uma morena no seu carro. Não que se sentisse atraída por ele, pois continuava sendo tão grosso e hostil que nem a sua beleza compensava.

- Sou Megan Gregor. Você é Anna, certo?

Assentiu com a cabeça. Sentia-se acuada, o que era realmente difícil de acontecer.

- Anna Manson. – completou.

- Este é nosso amigo Petris O’hel. – ela me apontou o rapaz magricela ao seu lado — E como você já conheceu, este é Dylan. Vamos, sente.

Fez o que ela disse, respirando fundo.

- Gosta de sushi? – Megan mexeu habilidosamente os palitinhos frágeis demais, pegou um rolinho de arroz com salmão e levou a boca. – Eles não são tão bons quanto hambúrguer, mas não são tão ruim.

- Eu sou alérgica. Acontece com muitas pessoas. –

- É uma pena. – ela a fitou por alguns segundos. — Quer um cigarro Anna?

- É... eu quero. – disse lentamente.

Ela pegou do maço quase vazio, um cigarro e ergueu a mão por sobre a mesa para entregar a Anna que estava a sua frente.

Anna viu os dedos finos segurando o cigarro, as unhas roxas se destacando, era a sua oportunidade de tocá-la. De saber por que estava ali. Mas antes que conseguisse roçar o indicador na pele da mão daquela mulher, o cigarro caiu dentro de um copo de uísque. Ela o soltou tão rápido quanto afastou sua mão.

- Espertinha você. – ela deu um sorriso cúmplice.

Todos sabiam. Sabiam o que ela podia saber ao tocá-los.

- Estou em uma mesa com desconhecidos muito estranhos, longe do meu apartamento e temporariamente sem emprego, preciso saber de algo. — Anna tentou ser vaga o suficiente.

Megan gargalhou, mas todos os outros continuaram sérios.

- A trouxemos porque nos tem algo realmente interessante a nós oferecer. E nós a você.

- Não acho que vocês queiram um show de mágica para o domingo a noite. – Anna sorriu irônica.

- É exatamente isso que queremos querida. Exatamente. – Megan soprou a fumaça quente da sua ultima tragada.

- Desculpe, mas eu não estou interessada.

- Mesmo sem saber o que temos a lhe oferecer? – A loira arqueou a sobrancelha.

- Tenho certeza que nada do que vocês tenham me satisfaria. E não estou a fim de me meter em qualquer coisa que os envolvam. Me parece um terrível problema, e bem, e de problemas eu já tenho meu ex-namorado.

- Trevor é mesmo um grande palerma, não é?

Os orbes verdes de Anna pararam em uma Megan inquieta em sua cadeira, com se não estivesse se segurando para responder a próxima pergunta de Anna.

- Como sabe de Trevor?

- Meu bem, você é muito bonitinha para a perdemos de vista.

Anna cruzou os braços sobre o busto. Eles sabiam do ultimo namorado que tivera a três meses atrás, então a quanto tempo espionavam a sua vida?

- E o que eu tenho de tão interessante?

- Não me faça dizer em voz alta... – ela sorriu e acendeu mais um cigarro. – Mas eu há já acho muito interessante sem isso.

- Bem achei que iríamos chegar a um acordo. – Anna estava impaciente.

- Você vem conosco para Londres daqui a dois dias, precisamos da ajuda dessas suas maravilhosas mãos.

- É uma pena, tenho uma agenda lotada de apresentações. – ela mentiu e sorriu, apertando a alça da bolsa, queria poder sair dali naquele instante.

- Entendo. Dylan achou adorável sua apresentação, não foi? – Megan voltou-se para o rapaz que apenas a fitou, sem alterar suas feições. – No entanto, de longe suas apresentações seriam mais vantajosas do que se aceitar a vir conosco.

Anna fitou seus olhos escuros, por cima da barca com as peças de sushi. Petris parecia estar em outro mundo, às vezes seu olhar caia sobre ela, outras vezes parecia apenas estar drogado. Dylan continuava com os seus olhos atentos e mesmo que não falasse nada, a sua presença oscilava entre perigosa e repressora.

- Eu tenho de ir.

- Nós já nos apresentamos. Sabe que queremos que venha ate Londres. Sabe o que sabemos sobre você. – a viu estreitar seus olhos negros. – Esperaremos sua resposta pelos próximos dois dias.

Dylan tirou de dentro do bolso paletó preto a passagem e a esticou para Anna.

- Pegue-a. – Megan a encorajou. – Se vier conosco teremos muito tempo para lhe explicar o que acontece a nossa volta, o que precisamos de você e o que irá ganhar com isso. Não se engane isso também é um assunto seu.

- Dificilmente. – disse ignorando a passagem e dando as costas ao grupo.

- Quer que Dylan...

- Eu pego um taxi. Adeus. – Anna interrompeu Megan.

- É apenas um “ate logo”. – Disse amassando o ultimo cigarro contra o fundo do cinzeiro.

Notas finais
merece review?