Notas iniciais
a música é da Adele - Lovesong

Á três coisas na vida que nos pegam desprevenidos; a fome, a doença e a velhice. Mas o beijo inesperado que Emma deu em Regina, com certeza a deixou surpresa, não esperava tal coisa, e esperava menos ainda que ela mesma fosse corresponder. Agora estava parada no final da escada olhando a velha picape azul dobrar a esquina, e dentro dela, a mulher que lhe pegou desprevenida.

Entrou na delegacia fechando a porta atrás de si, e então um turbilhão de sensações começou a invadir-lhe o peito. Uma vontade de chorar lhe dominava, um embrulho no estômago e frio na barriga avassalador. Sentia-se invadida não apenas por esses sentimentos, mas também pelos lábios de Emma nos seus, não pensou muito bem quando a loira avançou e lhe roubou um beijo, apenas retribuiu em prontidão. A cabeça da morena estava a mil, em seu coração o normal seria cem batidas por minutos, mas certamente estava o dobro, tão rápido que Regina mal conseguia respirar precisou sentar-se em sua cama improvisada e respirar fundo para conter um enfarte. A cena que vivenciou com Emma há poucos minutos não saia de sua mente, não pensava em outra coisa.

Fechou os olhos com força, apoiou o cotovelo nos joelhos e mergulhou suas mãos em seus cabelos, sentindo seu coração se acalmar e a vontade de chorar já a tinha invadido por inteiro, mas ainda segurava o choro, não sabia o que estava sentindo, e isso estava a deixando confusa, respirou fundo e levantou-se, precisava de um banho quente.

Agora deitada em sua cama, ainda não deixara de pensa em Emma e em seus lábios colados um no outro, pensava no carinho em que a loira lhe dera o beijo, nunca tinha sentindo num beijo o que sentiu quando Emma a beijou. A insônia estava fazendo visita a Regina naquela noite, não pregaria o olho um só minuto.

xxx

A manhã chegou e com ela uma Regina cheia de olheira levantava de sua cama, não havia dormido nada na noite anterior, apenas ficara bolando de um lado para o outro como se estivesse procurando uma posição para dormir ou para não pensar no ocorrido.

Assim que pôs seus pés no chão, sentiu uma pontada na cabeça e ao seu redor tudo começou a girar, isso era consequência de uma noite de insônia e tudo por culpa de Emma e do seu beijo idiota, era o que a morena pensava. Levantou-se depois de ter se recuperado da pontada na cabeça e da tontura, foi em direção ao banheiro e fez sua higiene matinal, tudo no modo automático, não pensava direito, havia perdido a noção de hora, não sabia que dia era, estava apenas existindo.

Quando estava no banheiro terminando de se vestindo, ouviu um barulho na porta e a mesma se abrir, ligeiramente se pôs para fora do banheiro e viu o policial Hopper adentrar a delegacia.

— Bom dia, doutora Mills – fala de modo simpático, como sempre.

— Só se for pra você policial, pra mim esta sendo péssimo.

— Mas o dia mal começou, senhorita Mills.

— E eu queria que nem tivesse começado – a insônia tinha a deixado com o humor a flor da pele.

— Certo... O doutor pediu para avisa-la que hoje a tarde ira ter a festa dos fundadores e vai esperar a senhorita no salão de festas perto do Granny’s, todos da cidade vão está lá...

— Todos da cidade?

— Sim, todos. – diz afirmando com a cabeça.

— Isso inclui a senhorita Swan?

— Sim, ela também vai estar lá

— Droga – pragueja baixinho

— Algum problema doutora? – pergunta desconfiado.

— Não, se for só isso pode ir, diga ao doutor que irei– pedi.

Assim o policial faz, Regina se vê sozinha de novo e apenas a ideia de encontrar com Emma nessa festa a deixa nervosa, o frio na barriga esta presente novamente, a confusão em sua cabeça não a deixa, “Céus Emma Swan, o que você está fazendo comigo?”. Como ainda faltava algumas horas de trabalho a ser feito, decidiu que iria atender os paciente para assim manter sua mente ocupada e não pensar nos últimos acontecimentos.

xxx

Já a tarde volta à delegacia, toma banho, troca de roupa vestindo uma calça skinny preta justa fazendo par com uma blusa de ceda simples, nos pés botas de cano baixo também pretas. Sai da delegacia em direção ao tal salão de festa, não havia saído de lá de manhã pelo simples fato que não queria vê ninguém "conhecido", mas como era uma “celebridade” nessa festa, se sentiu obrigada a ir. Avista algumas pessoas caminhando em direção ao Granny’s, porem as mesmas passam direto e então confirma com umas das pessoas que estavam indo mesmo para a tal festa dos fundadores. Entra no salão que estava todo enfeitado com balões, havia um arco na entrada e vários espalhados pelo ambiente, uma banda tocava uma musica alegre e uma pista de dança em frente ao palco estava com algumas pessoas dançando, ao redor estava composto por mesas que já estavam ocupadas pelos moradores.

Da porta onde estava correu os olhos pelo salão e avistou Ruby sentada junto de Henry, olhou mais alguns segundo se certificando que a loira não estava por perto e decidiu ir ate lá.

— Regina – Henry exclamou alto o bastante para chamar a atenção de Ruby.

— Henry, é senhorita Mills – o repreende.

— Tudo bem Ruby – fala e da um sorriso – Oi Henry, você esta muito bonito com essa roupa, sabia?

— Fui eu mesmo quem escolheu. – fala de modo orgulhoso.

— Serio? Nossa ficou muito bom – ambos sorriram um para o outro.

— Regina, por que não se senta aqui, aposto que ainda não conhece ninguém – oferece Ruby.

— Eu agradeço muito – diz sentando-se – Eu certamente ficaria isolada.

— Sem problemas. Você já comeu?

— Ainda não, mas eu estou sem fome...

— Não pode ficar sem comer Regina, vou pegar algo pra você comer – diz Henry já se levantando.

— Henry não preci...

— Tarde demais doutora, esse ai não gosta de vê ninguém sem comer, é igual a tia.

Emma, Ruby mencionou a loira e Regina de repente ficou desconfortável, estava curiosa para saber onde estava Emma, mas não iria deixar a curiosidade ser maior que seu orgulho, talvez a conversa com Ruby a levasse a descobrir onde a loira se meteu.

Henry voltava com dois pratos com cachorro quente em suas pequenas mãozinhas, o garoto a fez comer alegando que se não comesse poderia morrer de fome, iria comer não porque estava com fome e sim pelo garoto, o menino conquistaracasa e coração tão rapidamente mais que todos ali naquela cidade.

— Então Regina, está gostando? – pergunta o menino.

— Sim, está muito bom.

— Eu digo da festa.

— Ah sim, sim estou gostando muito, é muito animado.

— Eu gosto mais quando a tia Em está aqui, mas ela resolver se esconder de mim, onde está ela mamãe? – pergunta a Ruby.

— Não sei Henry, ela só saiu e não disse aonde ia – Regina que estava calada prestava atenção na conversa dos dois.

— Regina! – exclama David que estava passando por ali.

— Doutor, feliz dia dos fundadores pro senhor – diz sua fala ensaiada que decorou antes de sair da delegacia.

— Feliz dia dos fundadores pra você também, espero que esteja se divertindo muito.

— Eu com certeza estou – diz num bom humor falso. David apenas da um sorriso de lado e sai

Ficaram em silencio apenas a musica que a banda tocava era ouvida. De repente Henry quebra o silencio.

— Regina você também gosta de meninas? – a morena quase se engasga com a pergunta repentina.

— Henry isso não é pergunta que se faça – Ruby o repreende.

— Tudo bem Ruby – Regina ainda tentava se recuperar da tosse – Depende do modo que você esta falando Henry.

— O modo como a minha tia Em – explica.

— Não, o modo como a sua tia Em não.

— Ah... – fica pensativo – Mas você gosta da minha Tia Em? Não gostar como amiga – explica.

— Henry, eu sou noiva com um homem, eu não posso gostar da sua tia porque já gosto de outra pessoa, entende – recebe apenas uma afirmação de cabeça.

Ruby que ate então estava calada, observava como Regina agia, o modo como ficou surpresa pela pergunta repentina de Henry e no modo como respondeu as perguntas dele, ela sabia que Regina sentia algo pela loira assim como sabia que havia acontecido algo entre elas na noite anterior, soube disso no modo como Emma chegou em casa, do jeito calada que entrou em casa e ficou ate trancar-se em seu quarto, estava assim ate a hora em que fora deixar ela e Henry na festa, falava apenas palavras monossílabas, sim, havia acontecido algo entre as duas mulheres, se certificou disso quando Emma chegou a mesa e Regina prendeu a respiração olhando a loira em pé, ambas se encaravam como se não houvesse nada ao seu redor, precisou Ruby chamar atenção com um limpar de garganta para elas voltarem a si.

— Oi garoto, que tal me acompanhar nessa dança? – pergunta ao Henry estendendo sua mão e o menino a pega prontamente.

Regina baixa o olhar, não soube decifrar o que sentiu quando viu Emma, os flashes da noite passada lhe invadiram a cabeça e sentiu suas mãos soarem enquanto Emma a encarava, prendeu a respiração e só soltou depois que a loira se afastou com Henry ao seu lado. Olhou para Ruby e a mesma estava olhando para onde Emma e Henry dançavam animados.

— Você gosta dela – afirmou.

— Dela? De quem você está falando Ruby?

— De Emma, você gosta dela como Henry disse.

— Não Ruby... – tentou falar, mas teve a fala interrompida.

— Regina, você pode mentir pra você mesma, mas não pra mim, posso conhecer você há pouco tempo, mas sei quando uma pessoa gosta de outra e sei também que aconteceu algo entre vocês ontem.

— Não aconteceu nada – diz franzindo o cenho.

— Aconteceu sim, mas eu não vou ficar insistindo pra que você ou Emma me digam, vocês são adultas e sabem o que fazem – pegou a mão de Regina em cima da mesa e apertou – Emma já sofreu muito nessa vida, não a faça sofrer mais Regina, seja sincera com ela sobre seus sentimentos – fala e levanta-se.

Depois de ouvir o que Ruby lhe dissera e esperar a ruiva sair da mesa, fechou os olhos com força e negou com a cabeça, negava a voz de Ruby em sua cabeça, negava os sentimentos que estavam aflorando dentando de si, negava que estava mesmo gostando de Emma. Voltou a abri-los quando escuta a voz da loira ao seu lado.

— Me trocaram por um cata-vento – aponta para o menino que brincava pelo salão com seu mais novo brinquedo – Dança comigo?

— Eu não sei dançar Emma...

— Eu ensino, vem – diz já pegando a mão da morena e a levando ate a pista, bem no centro onde alguns casais dançavam.

Nessa hora uma musica lenta começa a tocar, ambas nervosas não sabiam o que fazer. Emma, pôs suas mãos suadas na cintura de Regina a trazendo para mais perto de si, Regina sem jeito rodeou o pescoço da loira com seus braços. Começaram uma dança sem jeito, apenas movimentando os corpos para os lados.

Whenever I'm alone with you

(Sempre que eu estou sozinho com você)

You make me feel like I am home again

(Você me faz sentir como se eu estivesse em casa novamente)

Whenever I'm alone with you

(Sempre que eu estou sozinho com você)

You make me feel like I am whole again

(Você me faz sentir como se eu estou inteiro novamente)

— Eu não sei dançar, senhorita Swan – repete olhando ao redor e vendo que algumas pessoas as observavam.

— Deixe apenas que a música te guie – falou isso e apertou ainda mais suas mãos ao redor de Regina trazendo mais para si como se ainda fosse possível.

Whenever I'm alone with you

(Sempre que eu estou sozinho com você)

You make me feel like I am young again

(Você me faz sentir como se eu fosse jovem novamente)

Whenever I'm alone with you

(Sempre que eu estou sozinho com você)

You make me feel like I am fun again

(Você me faz sentir como se eu fosse divertido novamente)

As respirações de ambas estavam descompassadas, os corações das duas mulheres era uma escola de samba dentro de seus peitos, os olhos não desprendiam um do outro. Não havia nada ao redor delas, senão apenas a musica de fundo e os corações batendo acelerados. Não sabiam ao certo o que estavam fazendo, só não queria que aquela conexão que elas mesmas tinham criado se esvaísse.

Estavam coladas demais, sentiam as respirações batendo contra o rosto uma da outra. Como se não fosse o bastante, Emma invade o espaço pessoal de Regina e encostam suas testas. Narizes se tocando, respirações aceleradas, olhos fechados e bocas a centímetros era assim que elas se encontravam, no mundo particular delas, na bolha que se formou ao redor delas, onde só elas, apenas elas eram o que importavam.

However far away I will always love you

(No entanto longe eu sempre vou te amar)

However long I stay I will always love you

(Não importa o tempo que eu ficar, eu sempre vou te amar)

Whatever words I say I will always love you

(Quer que eu diga que eu sempre vou te amar)

I will always love you

(Eu sempre vou te amar)

Regina que não pensava, não falava e não agia. Não tinha forças pra sair de onde estava e assustou-se quando ela mesma admitiu que não queria sair dali. Ter Emma ali, perto o bastante que poderia sentir seu cheiro cítrico a desconcertava, a desnorteava. Não ligava mais se as pessoas estavam observando, apenas queria ficar ali, naquele aconchego que era os braços da loira, sentiu a mão de Emma subir suas costas e acarinhar sua nuca, sua respiração falhou e pouco que sobrou da mesma ficou preso em sua garganta, voltou à solta o ar quando sentiu um carinho na maça de seu rosto. Parecia que esse era o conforto que esperava a vida toda, se sentia em casa ali, se sentia aconchegada naqueles braços, havia ali um convite mudo para que ficasse e experimentasse cada momento ao lado de Emma.

Whenever I'm alone with you

(Sempre que eu estou sozinho com você)

You make me feel like I am free again

(Você me faz sentir como eu sou livre de novo)

Sentia-se uma adolescente por esta com um frio idiota na barriga, as borboletas já há bastante tempo adormecidas, pareciam acordadas e em festa na sua barriga, em sua cabeça não se passava nada, apenas ouvia a musica que tocava e por ironia do destino, acaso ou qualquer outra força do mundo, combinava muito com o momento entre elas.

Whenever I'm alone with you

(Sempre que eu estou sozinho com você)

You make me feel like I am clean again

(Você me faz sentir como se eu estou limpo novamente)

O momento, a bolha, o que elas haviam construído foi por agua abaixo quando Regina tirou seus braços ao redor do pescoço de Emma, seu celular tocava insistentemente em seu bolso, tirou o mesmo de lá e o nome “Robin” apareceu no visor, rapidamente olhou para Emma e a mesma estava olhando o aparelho em suas mãos.

—Fique a vontade para atende-lo – disse e se afastou.

Regina olhou seu celular em sua mão, o nome de Robin ainda piscava, ficou em duvida entre atender aquela ligação ou ir atrás de Emma e voltar ao que estavam fazendo, mas tinha que atender, alias era o seu noivo.

— Robin? – atende enquanto vai para um canto do salão onde o barulho era barulho todo é esse? – quis saber.

— Hoje aqui é o dia dos fundadores e eu sou uma celebridade – fala empolgada – Robin?

Regina, estou perdendo dinheiro aqui enquanto você de diverte em festas no maine, quando você chega aqui?

— Eu não sei Robin, talvez amanhã, eu já cumpri com minhas horas aqui, só estou aproveitando minhas ultimas horas — fala enquanto prende seu olhar em Emma que está um pouco adiante falando com David.

Aproveitando? O que tem de se aproveitar em uma cidade velha Regina? – questiona irritado – Sabe, parece ate que achou algo mais interessante ai do que ganhar dinheiro — fala com desdém.

— O que você quer dizer com isso? Olha Robin, talvez amanhã eu chegue por volta do meio dia, é um longo caminho a percorrer ate ai, e sim talvez eu tenha encontrado algo aqui mais interessante que ganhar dinheiro – com isso encerra sua ligação, havia ficado com raiva de Robin e de tudo que o mesmo havia lhe dito.

Procurou Emma mais uma vez pelo salão e a viu brincando com Henry, foi até ela e nesse momento a loira levanta a cabeça olhando diretamente para onde Regina estava e vê a mesma se aproximando.

— Quero sair daqui – diz a morena quando chega perto o suficiente da loira para que só ela escutasse.

— Você quer ir para onde? – pergunta.

— Não sei, eu só quero ficar a sós com você – fala finalmente.

— Você quer o que? – não acreditara no que a morena estava lhe pedindo.

— Por favor, só me tire daqui e me leve num lugar calmo o mais rápido possível – pedi quase em suplica.

É o que Emma faz, se dirigiram ate a porta, mas antes de ultrapassar a saída, a loira da uma ultima olhada para trás e vê que Ruby as observam em um canto do salão, a mesma a olha e balança a cabeça em negativa, Emma apenas ignora e se vai com Regina.

Saíram do salão caladas, e caladas ficaram enquanto adentram o veiculo de Emma e a mesma dirigia pelas ruas de Storybrook. Vez ou outra olhava para o lado e via uma morena pensativa olhando pela janela, se perguntava o que Regina tanto pensava naquela hora e o que tinha acontecido no telefonema de seu noivo para querer sair daquele jeito da festa. Encostou enfim a caminhonete, o destino tinha sido a casa de Swan.

— Sua casa? – Regina pergunta incrédula, ainda dentro do carro.

— Você queria um lugar sossegado, não queria?!

— Tanto faz – diz e sai da camionete.

“Ficar só com Emma Swan, o quanto isso é louco?” se perguntava enquanto se dirigia ate a porta da casa da mulher. Nunca ficara só com ela, tirando a parte das caronas que a loira lhe dava, nunca tinha ficado realmente a sós com ela. Passou a sentir um nervoso quando passou pela porta e ouviu ela se fechar. Talvez tenha sido um pedido impensado, talvez se arrependeria de estar ali com a loira ou talvez não acontecesse nada demais e só ficariam conversando. Eram tantos talvez, que por hora estava mais interessada na presença de Emma e no bem que ela a fazia sentir, do que em qualquer outra coisa. Não estava bem certa do que iria acontecer no hoje, mas amanhã seria um novo dia, e talvez quem sabe, um recomeço.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.