Notas iniciais
Um pouco da vida de Will e Tessa! *O* Nota sobre a fanfic: Owen é filho de James Herondale, e Mary é filha da Lucie Herondale (não encontrei em lugar algum o nome dos filhos de Lucie, então inventei Mary hihihi).

– As pessoas estão tão sem estilo nesses anos. No meu tempo, éramos muito mais estilosos.

Tessa riu.

– Will, você está virando um velho muito chato. — pegou nas mãos dele. — Mas eu concordo com você, apesar de aderir à moda de não precisar mais usar espartilhos e sete saias.

Will fez uma careta.

– Mas as coisas ficaram muito mais fáceis sem os espartilhos. Sabe, eu me preocupo com a Lucie, Tess. Nós demorávamos dez minutos até conseguirmos...

– Will! — Tessa bateu na mão dele, mas não conseguia esconder o sorriso. — Lucie já está bem crescidinha, inclusive casada, e faz o que bem entender. E você não se preocupava comigo quando tínhamos dezesseis anos e...

– Eu tinha dezessete, era já um homem feito.

– ... você só pensava em me deflorar.

Will sorriu, e seus olhos azuis brilhavam. Tessa adorava os olhos dele — transmitiam toda a alma e todo amor de Will, mesmo que estivesse em seus cinquenta anos. Will nunca envelhecera para ela, e acreditava que nunca envelheceria.

– Mas, voltando à Lucie...

– Will! — Tessa juntou as sobrancelhas, numa pose brava. — Você está mesmo virando um velho chato.

– E você é uma velha muito liberal.

Os dois riram mas, sempre que Tessa fazia esse tipo de brincadeira, Will sentia seu coração apertar.

Velho. "Você está ficando velho, Will".

Ele olhou para Tessa, e ela estava falando de forma entusiasmada, provavelmente sobre livros.

Ela era como um livro, sempre pensou: cheia de surpresas, cada dia uma novidade, cada página o amor aumentando pela história, o amor de Will aumentando por Tessa; os livros eram fisicamente frágeis, e Will sempre sentia que Tessa precisava constantemente de sua proteção, mas suas palavras e atitudes eram fortes, assim como as palavras contidas nas páginas de um livro; e mais: os livros têm sempre a mesma capa, e Tessa envelhecera, no máximo, três anos.

Will, por sua vez, envelhecia a cada dia. A cada segundo. Tentava não pensar muito nisso e deliciar-se de forma longa e intensa todas as páginas que viveriam — e viveram — juntos.

– Will? — Tessa o encarava, os olhos escuros. — Você não escutou nada do que eu disse?

Ele sorriu.

– Não. — e ajeitou os suspensórios que usava enquanto Tessa bufava.

– Estava falando da história que estou lendo atualmente. Você não quer saber? Acho que ia gostar.

Subitamente, Will a enlaçou em seus braços e começou a dançar com ela ao som da música que ouviam no rádio. Ele se inclinou para ela e sussurrou em seu ouvido:

– Só me interesso por uma história, Tess. A nossa.

Tessa suspirou. Achava incrível a maneira que seu marido sempre conseguia distraí-la e fazê-la se sentir especial, amada.

– Eu te amo, Tess. — ele sussurrou, a voz começando a ficar rouca pela idade, mas nunca perdendo o charme.

Ela o abraçou mais forte.

– Eu te amo, Will. Para sempre.

O coração de Will apertou-se novamente, mas ele tentou ignorar. Esses eram os momentos que faziam com que tudo valesse a pena: Tessa em seus braços, o rosto dele entre os cabelos dela, suas mãos acariciando delicadamente suas costas. Will se afastou e olhou para Tessa. O mundo ao redor desapareceu, e só existiam eles dois; Will colocou o rosto de Tessa entre suas mãos e...

... A porta da cozinha se abriu e Owen entrou, seguido de Mary.

Will se apartou de Tessa, mas não deixou que ela saísse de seus braços. Ele ouviu o suspiro de Tessa quando se virou para os netos que entravam no cômodo.

– Vovó! — começou Owen, esbaforido. — Sabe onde está minha estela?

Tessa se afastou de Will para colocar as mãos na cintura.

– Você perdeu de novo, Owen? Pelo Anjo, parece seu pai! — ela olhou de soslaio para Will, como que pedindo desculpas e prometendo que iriam continuar mais tarde, e saiu da sala bronqueando com o pequeno em seus encalços.

Will sorriu e olhou para Mary, que se aproximou dele. Ele estendeu os braços e ela correu até ele, que a ergueu e pegou no colo, tentando ignorar a dor nas costas. Ela tinha o sorriso de Lucie — doce e amável, e os olhos azuis dos Blackthron.

– Hoje vamos treinar corrida, não é, vovô?

Will a encarou com o rosto sério e, subitamente, começou a tremer, colocando a menina delicadamente no chão, ainda fingindo que tremia. Mary riu, entendendo a brincadeira, e fingiu-se apavorada.

– Oh, não! O vovô Will está começando a se transformar em um verme gigante! É a varíola demoníaca!

E Mary correu pela casa, gritando e rindo enquanto Will a seguia.
Tessa observava da janela da sala — já havia encontrado a estela, que estava na biblioteca, como sempre — e sorria, seu coração pulsante e amoroso, enquanto ouvia Owen começando a entoar a célebre música da Varíola Demoníaca, criada por Vovô Will durante a história que ele já tinha contado milhares de vezes e que ninguém nunca se cansava de ouvir — a não ser, talvez, Gabriel, que sempre rebatia Will quando ele falava do seu olhar "apavorado" e de como pediu "miseravelmente" ajuda a Will para matar o Verme Gigante.

Tessa encarou o marido e a neta, sentindo o coração inchar, e pensou sobre como os olhos dele nunca deixaram de ter 17 anos. Ela colocou a mão na pulseira de pérolas que ganhou de 30 anos de casamento — aquilo estava se tornado um hábito -, o seu olhar brilhante.

– Para sempre meu Will. — murmurou. — Para sempre, meu Will.

Notas finais
Espero ter gostado desse one-shot, que se passa num futuro beem distante do fim de Peças Infernais e bem antes do prólogo.Ai, ai, Will! #suspiros
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!