Notas iniciais
Olha, espero que ainda tenha alguém aqui. Desculpe a demora *---*

Um maravilhoso crepúsculo se fazia admirar por entre os prédios e casas. Uma brisa fresca arrepiou a minha pele sob o casaco fino. Abracei Abernaty bem apertado e ele me deu um outro número de celular.

— Não conte para ele que eu te dei esse número. Eu estou feliz que ele está melhor e que quer viajar com supervisão sua. Mas, se ocorrer qualquer coisa, ligue pra esse número e tentaremos resolver. Okay? — Concordo e guardo o número no bolso da calça enquanto vejo Peter se aproximar. Ele se despede de Abernaty com um aperto de mão e entrar no carro. Me acomodei no banco do passageiro colocando o cinto.

— Tudo bem? — Ele perguntou imitando o meu gesto, sua testa franzindo enquanto me encarava.

— Sim. Só estou ansiosa, mas tá tudo bem. Vamos? — Ele concordou com um meneio de cabeça e começou a dirigir. Peter parecia tenso enquanto nos afastamos da casa dele, eu confusa não sabia como reagir aquilo, então continuei lendo meu livro. Três horas depois chegamos na casa de férias que ele tanto falou, Era uma casa muito menor que a outra. Três quartos, cozinha, sala e sala de jantar. Os banheiros apenas nos quartos.

— Gostou? — Ele perguntou logo atrás de mim, parecia mais ansioso que eu.

— Claro. É um belo lugar. — Disse sorrindo, levei meus pertences para um quarto de frente ao dele. O cheiro de pinho e lavanda era proeminente por toda a casa. Provavelmente para manter o mofo afastado,terminei de arrumar minhas roupas na cômoda, e tudo o mais que trouxe na bagagem e desci as escadas. Encontrei Peter colocando as caixas sobre a mesa, algumas com comida, bebida e não foi surpresa encontrar tantos remédios. — Pra que tanta morfina?

— Se no futuro eu sentir dor. Você pode administrar em mim. — Ele disse aquilo, revirando os olhos como se fosse óbvio e continuou guardando as coisas. O ajudei a guardar a comida e limpar os móveis da cozinha. Abri uma garrafa de suco e deitei no sofá. Ainda podia ouvir o som dele guardando as coisas, porém estava cansada demais.

— Acho melhor eu ir pra cama. Boa noite… — Desejei bocejando e fiz o que disse. Acordei sobressaltada, com algo vibrando embaixo da minha cabeça. Olhei para o relógio e já passava das duas da manhã. Peguei o telefone embaixo do travesseiro e revirei os olhos ao ver o rosto de Gabbe na tela. Atendi tentando não revirar os olhos e nem gritar. Talvez, fosse algo importante. — Gabbe, O que houve? Pelo amor de Deus são duas da manhã.

Ele suspirou, quase podia vê-lo passando as mãos nos cabelos de nervosismo. — Catarina....eu estou na sua porta. Me deixe entrar!

— Eu não estou em casa. Eu estou na Flórida. — A chamada ficou silenciosa por alguns minutos e eu ia desligar quando o ouvi perguntar.

— Flórida? Porque? E com quem? — Ele ignora meu silêncio e continua falando . — Estou com saudade Amor, muita. Por favor, volta pra mim. — Seria mentira se eu dissesse que meu coração não se apertou no peito ao ouvir aquilo. Mesmo que tenha vindo de um Gabriel bêbado e revoltado. Suspirei profundamente e tentei pensar em algo para fazê-lo desligar. Eu não sou rancorosa, e eu amei Gabbe enquanto durou ainda o amo, mas o sentimento é bem mais fraternal do que romântico.

— Gabbe? Pare com isso. Vá pra casa, pare de incomodar meus vizinhos. Apenas... vá. Está tarde e você não me parece bem. Você não tem plantão mais tarde? — Gabriel rosnou do outro lado da linha. Quase podia ver seu jeito frustrado.

— Que se foda o plantão. Eu quero ver você.

— Mas não vai. E se me ligar de novo nesse horário, eu não atenderei mais. — Disse e bufamos juntos no telefone e eu reprimi uma risada. "Somos tão iguais."

— Desculpe acordar você. — Aquela voz de cachorro sem dono sempre quebrou comigo.

— Tudo bem, boa noite Gabbe. Até mais. — Desliguei o telefone,jogando-me de costas na cama. Senti os pêlos da nuca se arrepiarem e olhei na direção da porta. Peter estava em sua cama, olhando para mim pelas portas abertas. Fiquei sem palavras, um calor vergonhoso se espalhando pelo meu rosto. — Você ouviu?

— Sim. À algo de errado? — Ele perguntou se erguendo e caminhando até a minha porta. Estava usando uma calça de pijama preta e camiseta branca.

— Não há nada de errado. Era só o Gabbe bêbado demais para ter juízo.

— Eu também perderia o juízo no lugar dele. — De novo aquele calor em meu rosto, era a segunda vez que ele falava daquele modo. Ele cruzou os braços e eu revirei os olhos.

— Pare de me fazer corar às três da manhã. Você está bem? Precisa de alguma coisa? — Ele negou todas as perguntas com um sorriso zombeteiro e eu joguei uma almofada na sua direção. Enquanto me cobria com o edredom.

— Boa noite, Klein. Vai dormir! — Disse fazendo uma pequena careta, rindo da sua cara de surpresa. Escutei as molas da sua cama se abaixando enquanto ele deitava, deixei o sono me envolver em ondas longas.



…


Eram nove da Manhã quando senti o cheiro de bacon, escovei os dentes rapidamente e desci os degraus de dois em dois.

— Não creio, que você fez bacon. — Digo sentando na bancada da cozinha, Peter ainda está de pijama e está tocando Maroon five no rádio.

— Você demorou pra acordar, fiquei com fome.

— Hummm... Fique com fome mais vezes! — Murmurei comendo uma tira de bacon, deixando a voz de Adam Levine me embalar. Com o passar das semanas conhecemos os Caltons, nossos vizinhos idosos e os Clintons os nossos vizinhos com três filhos e uma esposa fofoqueira.

— Ei, olha isso! — Peter chegou na sala passando a mão na cabeça e no queixo.

— O que foi? — Passei a mão em sua cabeça e pude sentir fiapos de cabelo crescendo, e uma barba rala também. — Logo logo, terei que cortar seu cabelo.

Digo sorrindo, a partir daquele dia seu cabelo não parou de crescer, do mesmo modo que ele foi ganhando peso e mais disposição pra fazer exercícios. Os clintons nos convidaram para um churrasco, levei macarrão com queijo e Peter levou cervejas.
— Você está parecendo um daqueles modelos barbudos. Fala sério, corte isso Klein.

Ele riu, coçando a barba e negou com a cabeça. — Eu nunca tive tanto cabelo na vida, me dá uma folga Catty.

Revirei os olhos em uma risada, enquanto Eleana caminhava até nós. Carregava uma jarra de limonada com gelo para as crianças e para outras pessoas no churrasco.

— Vocês estão se divertindo? — Ela perguntou com um sorriso, servindo-me de mais limonada. Eu não aguentava mais aquilo, preferia uma cerveja.

— Estamos no divertindo muito. Está tudo maravilhoso Eleana. — Peter disse com um dos seus sorrisos tortos e Eleana corou junto comigo. Acho que ele nunca reparou no efeito que causa nas mulheres.

— Vocês formam um casal tão lindinho. — Ela murmurou com um sorriso sereno e se afastou. Peter me olhou pelo canto do olho e eu me limitei a sorrir, virei de costas para as crianças e dei um gole na cerveja dele.

— Se você continuar sorrindo desse jeito para elas, vão se separar e ir atrás de você. Não estou afim de ligar a cerca elétrica contra vadias no momento. — Peter praticamente cuspiu a cerveja e gargalhou, foi impossível não rir junto ao ouvir sua risada rouca.

— Ei venham almoçar… — Corinne a prima mais velha de Eleana gritou, enquanto Jofrey desviava-se da churrasqueira quente e das crianças correndo.

— Vamos comer, senhor conquistador! — Disse mandando língua enquanto Peter segurava minha mão e íamos até a mesa no quintal. Ao todo éramos três casais e quatro crianças. Cada um conversando sobre algo diferente e Peter se envolvendo em cada uma das conversas. Era inusitado perceber o quanto ele era sociável, em alguns momentos e em outros não.
O almoço transcorreu leve e muito gostoso. Já passava das cinco da tarde quando nos despedimos de todos.

— Podemos ir para um bar agora? Aquele que vimos no outro dia parece perfeito. — Peter sorriu, fomos andando até lá em um silêncio cúmplice e foi prazeroso ver o bar cheio de gente desconhecida. Ao contrário do que acontece nos filmes, quando entramos o som não parou, as pessoas não pararam de conversar para nos olhar. Tudo continuou do mesmo jeito, Bastille Continuou tocando na jukebox enquanto nos sentávamos no balcão. O barman perguntou nossos pedidos, nem um pouco surpreso por pedimos a mesma cerveja. Fizemos um pequeno brinde a isso.

— Sobrevivemos ao nosso primeiro almoço.

— Sobrevivemos à um enxame de mulheres casadas. — Ele riu junto comigo, enquanto brindávamos. Foi nesse dia que conhecemos Coraline, uma mulher de quarenta e cinco anos viúva do seu terceiro marido. Ela era extrovertida, carismática e nos fez rir com suas histórias. Todas as vezes que nos encontrávamos, ela estava sorrindo e acompanhada de uma roda de amigos e seu filho Brian.
Peter não gostou dele instantaneamente, mas eu o adorei. Era tão Espontâneo e divertido sem falar que era um metro e oitenta de puro homem loiro e bonito. Com o passar das semanas, todo mundo tinha certeza que éramos um casal e nenhum dos dois fez questão de desmentir. Desde que nos mudamos Peter começou a ter pesadelos, talvez ele os tivesse antes e eu não notara. Mas, nessa noite eu o ouvi gritar e choramingar feito uma criança apavorada. Fiquei alguns segundos na dúvida se deveria ir até lá ou fingir que não ouvi nada. Porém como sempre meu corpo reagia antes do meu cérebro.
Pulei da cama e fui até o seu quarto, tocando o seu ombro e o balançando devagar.

— Peter....Acorda. É só um sonho! — Repito feito um mantra, ele resmunga algo e segura meus braços com força. Entro em pânico enquanto ele me jogava na cama e me imprensava contra o colchão. — PETEER! — Grito seu nome e seus olhos abertos se desnublam. Ele parece confuso ao me ver ali, havia lágrimas saindo dos seus olhos e molhando meu rosto. Era uma perspectiva diferente vê-lo frágil daquela maneira, nem quando ele estava doente o vi assim.

— Catarina? — Ele me chamou e pareceu apavorado com a força que usava pra me prender no colchão. Peter me soltou, se erguendo e eu soltei um gemido de alívio sem querer, massageando meus pulsos.

— Você está bem, Peter? — Pergunto tentando esconder o quanto estou assustada, tentando controlar minha respiração, ele passou a mão pelos cabelos recém cortados. E pareceu relaxar um pouco, seus ombros ficam menos tensos.

— E-eu machuquei você? — Ele perguntou, sua voz rouca e sombria. Sentei recuperando a compostura e notei o quanto ele estava suado apesar do quarto estar numa temperatura boa. Ele estava ofegante quando se virou na minha direção. — Feri você?

— Não. Eu estou bem. E você? — Perguntei, o vendo olhar para as minhas mãos, as suas massageavam minha pele no segundo seguinte e em silêncio beijou os lugares onde antes havia apertado. Meu rosto ganhando tons de carmim de maneira intensa.

— Me desculpe por isso....eu vou tomar um banho. — Ele sussurrou e foi para o banheiro. Troquei os panos da sua cama empapados de suor e fui comer algo. Se ele não ia me contar sobre o seu pesadelo, eu que não iria forçá-lo. Estava preparando um sanduíche quando ele desceu, "Meu deus" que vontade de ficar agarrada nele dando cafuné, Peter parecia tão envergonhado.

— Quer um? — Perguntei apontando para os pães e ele concordou com um meio sorriso — Pasta de amendoim e geleia, sempre funciona numa noite ruim. — Disse sorrindo e servindo leite pra ele. Comer em silêncio se tornou um hábito entre nós e eu não me importava. — Amanhã vou ir fazer compras, quer ir comigo? — Ele fez que sim enquanto comia e eu baguncei seu cabelo depois de beijar sua testa. — Boa noite, Peter. Vê se descansa!

Subi os degraus até meu quarto, voltei para debaixo das cobertas e não demorou nada para que eu cochilasse. Não sei quanto tempo depois, senti a cama afundando atrás de mim e meu coração acelerou um bocado no peito, senti Peter ajeitando o edredom como se eu fosse rolinho e deitando por cima do edredom. Peter não se moveu mais e depois de alguns minutos pude ouvi-lo roncar levemente. Dessa vez, fui eu que não dormi.

…



Era sexta feira, Coraline nos convidou para jantar e comemorar seu aniversário com ela e outros amigos próximos. Eu e Peter não conversamos sobre os pesadelos ou sobre ele invadir meu quarto de madrugada e depois sair antes que eu acorde.

— E ai,eu to legal? — Peter perguntou girando na minha frente, estava usando calça jeans e uma blusa de manga azul marinho. Seus cabelos castanhos já estavam no tamanho ideal. Nem sinal de que ele tinha algo antes. E isso apertava meu coração do mesmo modo que me deixava feliz.

— Está ótimo. Eu vou só falar com a minha irmã, se você quiser ir na frente tudo bem.

— Eu vou esperar você. — Concordei com a cabeça. Feliz pela escolha dele, pelo menos três vezes na semana, eu conversava com minha irmã no mesmo horário,ele sempre ficava lá observando de longe. Peguei o notebook e me sentei na bancada da cozinha. Esperei a chamada e pontualmente Lily me chamou no Skype. Estava usando um vestido vermelho e seu sorriso era lindo.

— Você cresceu leãozinho?

— Você notou? — Fiz que sim, e ela sorriu. Seus cabelos cacheados estavam bem ornamentados e fofos.

— Vai pra alguma festa?

— É aniversário do Caio. Meu amigo da escola. — Ela disse corando, minha irmãzinha tem um namoradinho que fofo. Sorrio para tela, tentando não parecer uma psicopata e tentando não perturbar minha irmãzinha, como eu faria se estivesse em casa.

— Sua irmã está bem? — Peter perguntou confuso atrás de mim e compreendi, eu estava falando em português e ele não entendia quase nada do meu idioma, as vezes eu falava alguns palavrões em português e mais de duas vezes o peguei assistindo novelas em português no youtube.

— Está sim, quer falar com ela? — Peter coçou a nuca e fez que sim. Olhei para a tela do computador e Lily me encarava empolgada.

— Peter quer conhecer você, seja legal.

— Eu sempre sou legal, mana. — Ela disse sorrindo, mas parou quando Peter sentou do meu lado. O calor do seu corpo ao encostar no meu ombro me fazendo lembrar dos assuntos não compartilhados entre nós e do quanto tínhamos nos aproximado nos últimos meses. Os dois se encararam por um tempo e Lily que disse, em um inglês carregado de aulas da escola. — Nice to meet you, Mister Peter.

Peter sorriu, olhando-me pelo canto do olho e a respondeu.

— You are so beautiful, Lily. Like your sister. — Lily corou junto comigo, ela sorriu abertamente. Sussurrando um "Obrigada".

— Thanks, You too. — Ela respondeu e ele riu. Escutei o grito da minha mãe e ela pulou da cadeira ansiosa. — Eu tenho que ir agora, minha carona chegou. Bye bye Peter. Eu te amo mana. — Ela disse rapidamente e mandou beijos antes de desligar.

— O que houve? Não entendi nenhuma palavra que ela disse.

— Ela foi pra uma festa, a carona dela chegou. E nós também temos que ir. — Digo sorrindo, Peter colocou uma mecha de meu cabelo atrás da orelha e seu sorriso iluminou seu rosto, como as luzes se acendendo no natal.

— Okay. — Saímos juntos, depois daquele momento íntimo e estranho. Caminhamos em silêncio até o carro, Peter deu a partida e eu só conseguia pensar nele com minha irmã, o jeito como ele sempre queria saber de tudo, como sempre estava ávido por me conhecer. — Eu fico perdido quando você fala em português. — Ele diz chamando a minha atenção — Acho tão bonito, seu tom de voz muda e você tem um sotaque fofo.

— Oxi... pare de me fazer corar Peter. — Ele riu enquanto estacionamos, entramos juntos na casa de Coraline. Phil collins ecoava por todo o recinto, sua casa iluminada pelos lustres, deixava todo o ambiente muito aconchegante.

— Bem vindos.

— Feliz aniversário! — Falei a abraçando, Coraline era a única que sabia pelo que Peter tinha passado. E nada mudou, ela continuou o olhando da mesma forma.

— Catty está linda hoje. — Brian berrou, me puxando pra dançar depois de um abraço de urso. Ele parecia relaxado em uma camiseta preta e calça jeans, aparentava ter muito menos que seus vinte e cinco anos. Ele me girou e sorriu. — Você parece feliz, qual o motivo disso, falou com sua irmã hoje?

— Sim. Acho que ela tem um namoradinho. — Os dois riram, Brian estava pronto para dançar mais uma vez, porém Peter apareceu.

— Posso pegar minha namorada de volta? — Eu ainda me arrepio toda a vez que ele diz isso mesmo que seja de mentirinha. Brian fez que sim com a cabeça, deu tapinhas no seu ombro e saiu. Senti sua mão em meu quadril estreito e seus dedos se entrelaçando com os meus. — Eu mal pisco e ele te tira de perto de mim. Eu hein.

— Se eu não te conhecesse diria que está com ciúme . — Peter esbugalhou os olhos desconfiado e depois ficou sério, pareceu pensar por alguns segundos e então seu rosto adquiriu um tom meio rosado.

— Eu só não quero perder a amiga.... Você é tão... — Seus olhos me prescrutavam de cima a baixo e ele sorriu. — Tão linda e sociável. Uma hora vai se cansar de ficar cuidando de mim e vai embora.

"AMIGA" Meu subconsciente gritou momentaneamente desorientado. Acho que até mesmo ele estava levando essa história de namorados a sério demais. "Mas ele paga a você. E vocês nunca se beijaram. E isso não era certo!" Meu subconsciente continuava a falar e falar sem parar.

— Eu não vou me cansar de ficar com você. Você até que é divertido. — Digo fazendo uma careta enquanto ele me gira. Seus dedos apertavam meus quadris levemente e seu sorriso era lindo e sereno. — Acho que você deveria ligar para o seu pai. — Me arrependi de falar aquilo, segundos depois. Peter parou, travado no lugar, seu sorriso se desfez em uma carranca. — Desculpa, eu não queria te deixar chateado nem nada, e-eu só acho que estão preocupados com você. Faz quase cinco meses que estamos aqui e você não....

"Seus lábios" seus lábios tocaram os meus devastadoramente. Eram quentes, macios e úmidos. Sua língua tocava o céu da minha boca sem pudor nenhum, atiçando minha língua com a sua. Suas mãos mantinham-me próxima à ele, o calor do seu corpo aconchegando-me e me deixando sem ar. Nos separamos e seu olhar era caloroso e intenso. — Eu devia ter feito isso antes. — Ele sussurrou com um sorriso de canto, enquanto minha cabeça girava um pouco. Escutei Brian falando algo com alguém enquanto meus ouvidos zuniam, ele havia me beijado, um beijo de verdade. — Fala alguma coisa. — Ele pediu praticamente rosnando e eu não sabia o que dizer, Coraline foi quem apareceu naquele instante,como um anjo salvador.

— Eita casal mais fofo. Agora desgrudem e vamos beber algo. — Ela disse abraçando a nós dois pelos ombros sorrindo, seus cabelos loiros platinados caindo em ondas até seus próprios ombros e seus olhos verdes muito observadores sobre nós. Estava muito bonita em um vestido longo e floral.
Brian fez alguns mojitos, enquanto Beyoncé cantava Crazy in love. Os convidados dela chegaram, a maioria eram vizinhos dela ou pessoas do trabalho.Todos muito simpáticos e me mantinham distraída, Peter estava conversando com todo mundo mas, seus olhos estavam sempre em mim.

— Hora do jantar! — Coraline cantarolou e todos fomos para mesa de jantar. Sentei ao lado de Peter e ele se inclinou perto do meu cabelo.

— Tudo bem? — Ele perguntou, colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha, tomei coragem para encará-lo. Não queria tornar aquilo um problema maior do que poderia ser. Seus olhos, eram um misto de receio, desejo e medo. A compreensão daquilo me deixou sem chão.

— Está sim. Só fiquei surpresa, depois falamos disso. Tá bom? — Pergunto e o observo perder o ar.

— Disso? — Ele repetiu a palavra como se ela fosse algo de gosto ruim, não era minha intenção. Eu só não queria perturbar ninguém com os nossos problemas.Seus olhos ainda estavam me encarando, dessa vez não mostravam nada. Nenhum sentimento e me senti mal por isso, não queria que ele voltasse a ser aquele escudo de gelo de quando o conheci.
Me inclinei na sua direção e o beijei nos lábios. Meu rosto queimando por chamar tanta atenção pra nós e se soubessem a nossa verdadeira relação estariam chocados. Senti sua mão acariciando minha nuca e um caloroso arrepio desceu pela minha espinha. Afastei meu rosto do dele e sorri ao dizer.

— Vamos poder jantar com Coraline ou você quer ir pra casa? — Perguntei o mais irônica que podia, provocando uma risada dele, eu o preferia rindo assim. O jantar foi servido e Coraline bateu na taça com um talher de sobremesa, pronta para um brinde:

— Quero agradecer a todos pelas presença, hoje é um dia especial pra mim e quis compartilhar com todos. Amo vocês demais por estarem comigo hoje e espero que os novos amigos fiquem para sempre. — Brindamos a isso e tenho que dizer. A comida estava deliciosa e eu nunca tinha tido um jantar tão fantástico na vida como naquele dia. Talvez a mão de Peter possessivamente em meu joelho seja o motivo, entre as conversas e a troca de pratos. Ele sempre me dava um sorriso e apertava meu joelho.
Tudo aquilo era confuso. Confuso porque Peter era meu paciente, confuso porque morávamos na mesma casa, confuso porque eu recebia para cuidar dele. Mais confuso ainda porque eu gostava dele.
" E o que você vai fazer?" Meu subconsciente fez a pergunta, que eu não sabia responder.

— Obrigada por terem vindo. — Coraline disse me abraçando e depois fez o mesmo com Peter. — Voltem sempre, depois ligo pra você Catty.

— Tá bom. Feliz aniversário Cora. — Murmurei beijando seu rosto e nós fomos para o carro de mãos dadas. Peter abriu a porta do carro pra mim e depois começou a dirigir.

— Você se divertiu? Está cansada? — Ele perguntou, num misto de curiosidade e ansiedade.

— Foi legal. Não estou cansada, só um pouco alta. Acho que coraline me deu algo forte naquelas bebidas. — Digo rindo, enquanto chegamos em casa.
Os pêlos da minha nuca se arrepiaram enquanto saía do carro, Peter deu a volta no carro e antes que eu fechasse a porta, seus lábios estavam nos meus. Estavam quentes e com gosto de vinho, sua língua passeando pela minha boca. Meus dedos coçando para se entranhar nos seus cabelos, quase gemi de felicidade quando pude fazer isso. Suas mãos estavam tocando e provocando todas as partes do meu corpo. Seus Beijos faziam todo o meu corpo entrar em combustão, cada aperto e cada mordida era a perfeição.

— Boa noite! — A voz de Jeremias Calton. O nosso vizinho, nos fez voltar a realidade.

— Boa noite, senhor Calton. — Peter disse com um sorriso de orelha a orelha e eu não segurei a risada. Abri a porta de casa ainda rindo e subi as escadas. Tomei um banho rápido, coloquei o pijama e me joguei debaixo do edredom olhando pra porta aberta.

Desde que chegamos naquela casa que as portas não se fecham na hora de dormir, é um jeito de dizer que estávamos próximos e disponíveis um para o outro pra ajudar. Era esquisito acordar e dá de cara com um homem te olhando toda descabelada, mas valia a pena ver que ele estava melhorando visivelmente. Escutei seus passos no corredor e meu coração quase explodiu.

" Se controla, Catarina!" Murmurei e o vi tirar a camiseta ao entrar no quarto. Não haviam músculos super definidos, só que ele tinha ganhado peso. Era uma diferença gritante entre a primeira vez que o vi sem roupas para agora. Antes ele parecia um garoto de dezesseis anos subnutrido e agora parecia um homem da idade dele,jovem e magro mas, muito saudável. Escutei o som do chuveiro, apaguei a luz do abajur e deixei o som me embalar. Quando amanhecesse, logo depois de um longo gole de café, vou poder pensar direito em tudo.
Meus olhos se fecharam lentamente e se esbugalharam quando ao meu lado a cama afundou. Senti Peter ajeitando o edredom atrás de mim e me abraçando por cima de todo aquele pano.

— Boa noite, Catarina! — Ele murmurou beijando o topo da minha cabeça e eu apaguei rapidamente. Talvez fosse seu cheiro, ou o calor do seu corpo, mas o sonho foi perfeito!

Notas finais
Obrigada por ler. Criticas são muito bem vindas e comentários dizendo o que achou do Capitulo também.