Para sempre, Catarina
3 Capitulo 3 - Penélope
Notas iniciais
As primeiras semanas depois da quimioterapia foram um pesadelo, nada que eu fiz para o senhor Klein consumir foi realmente consumido por ele, não era realmente sua culpa. Porque o homem estava enjoado e sempre cansado, sempre gritando e resmungando feito um velho rabugento. Eu tive que força-lo a tomar banho, dar os remédios e em todas às vezes que eu tentei dar a comida e mesmo ele comendo, só havia um caminho no fim. Peter sempre vomitava a cada refeição! Depois disso ele não me deixava mais ficar no quarto, enquanto ele comia ou quando ele tomasse banho. Era estranho demais, porque no primeiro dia eu o tinha visto completamente nu e agora não podia nem vê-lo comer.
...
Naquela manhã, o dia estava menos frio que o habitual, consegui até mesmo acordar cedo e me arrumar em tempo recorde,estranhei quando ao me aproximar do carro, Abernathy já estava me esperando na frente do carro, "Como consegui me atrasar?!"
— Bom dia Abernathy, fiz vocês esperarem muito? — Abernathy fez que não,com a cabeça enquanto abria a porta para mim, um sorriso cansado preenchendo seu rosto Britânico enquanto ele olhava para a mansão atrás de nós. — Bom dia Catarina, não esperei nada. O sr Klein ainda não chegou!
— Jura? Mas, ele nunca se atrasa, devo ir até lá?
— Aguarde um pouco, Catarina. O senhor Klein está tendo uma manhã difícil, o pai ligou pra ele. — Concordei e sentei dentro do carro, desde a primeira semana eu sabia que Peter e o senhor Klein — o pai — não tinham uma boa relação em família. Na verdade nenhum deles parecia ligar para o que aconteceu com Peter. O irmão mais velho, comandava a empresa da família e era casado — por um motivo estranho nenhum dos empregados falava na esposa dele — A irmã mais nova se chamava Penélope, essa eu conhecia e muito bem.
Penélope apareceu em uma quarta feira, na minha segunda semana de trabalho, foi a primeira vez que vi Peter sorrir verdadeiramente.
FlashBack (on)
Rennê e Denise estavam limpando a casa, a dupla de empregadas são doidas mas, sempre deixam a casa impecável. Já passava das dez da manhã e eu precisava que ele acordasse, o sol estava incrivelmente quente, quase me fazia lembrar dos verões brasileiros. Queria que Peter desfrutasse disso, que recebesse vitamina D, que pegasse uma corzinha. A cura não dependia só da medicação ou da quimio, dependia do paciente ter uma vida mesmo que com prazo de validade! Sentei-me nos degraus da varanda, deixando o sol fazer o seu trabalho — eu já tinha tentado, não iria derrubar a porta por causa daquele rabugento. O ronco do motor da moto foi a primeira coisa que chamou minha atenção, depois foi a morena baixinha que desceu dela.
Seu andar podia ser comparado ao andar de qualquer brasileira — sabe? Aquele gingado de quadril, sem ser vulgar, porém muito chamativo — seu cabelo caiu em cascatas de fios negros rebeldes quando ela tirou o capacete e quando me encarou. Reconheci os olhos de Peter imediatamente. — Não precisa se levantar lindinha. Eu só vim ver meu irmão, sabe se ele está acordado?
“Nossa, que direta!” Levantei-me mesmo assim e fiz uma leve careta involuntária. — Ele está acordado sim, se a senhorita conseguir tirá-lo do quarto, vou te dever um favor de verdade. — Ela sorriu parecendo interessada na proposta e estendeu a mão na minha direção:
— Sou Penélope Sophia Klein , a caçula da família. Sou infamemente conhecida como a ovelha negra dos três.
— Sou Catarina de Luca, a Enfermeira do seu irmão. — Digo apertando sua mão e ela sorriu.
— Vou ir tirar o meu magrelo do quarto, vou te cobrar o favor depois. — Ela disse entrando na mansão, voltei a sentar no degrau e contei no relógio, cinco minutos se passaram e depois dez. Quinze minutos depois eu já estava desistindo de acreditar que ela conseguiria, quando Penélope apareceu, puxando Peter e os dois surpreendentemente estavam rindo.
Os dois passaram por mim, Penélope sorriu e o levou para o labirinto do jardim, hoje os empregados não seriam os únicos a comer minha comida. Fui para a cozinha, separei os ingredientes e coloquei água para esquentar. Eu nunca fui boa cozinheira, foi a mãe de Cristina que me ensinou a cozinhar, ela costumava dizer que qualquer comida pode ser gostosa se você fizer com amor. Então mesmo comida integral pode ser saborosa, eu quero que Peter coma e que não tenha gosto de papel. Quando eles retornaram foi no mínimo estranho, ele parecia cansado porém feliz.
Denise pediu algo para servir para os dois que estavam na sala, bem, se ele estava disposto a comer com a irmã ali eu iria aproveitar.
— Diga que o almoço está quase pronto. — Denise concordou com a cabeça com um sorriso diminuto, levando dois sucos de amora. Terminei de cozinhar, passei pela sala de estar e os dois estavam jogando videogame. Penélope estava com os pés sobre a mesinha, comemorando a vitória de algo. Eles dois se davam bem em tudo, era o que parecia. Os dois riam e se acotovelavam, numa competição louca!
Depois daquele dia, Peter passou a comer tudo o que eu servia.
FlashBack (off)
Pena não ter durado muito tempo...
A batida da porta do carro me despertou de meus pensamentos, olhei para ele encontrando um par de olhos vermelhos e marejados, uma pequena fisgada no meu peito atrapalhou as batidas calmas do meu coração.
— Aconteceu alguma coisa? Eu posso ajudar? — Às palavras escaparam antes que eu pudesse recuperá-las, assisti como em câmera lenta minha mão envolvendo a dele, estava fria e tinha alguns arranhões e calos vermelhos de machucados recém adquiridos. O que aconteceu de tão ruim para que ele fizesse algo do tipo? Sua mão apertou a minha e a soltou tão rápido que eu nem pude acreditar que foi real.
— Eu vou ser tio! — Sua voz soou tão frio e ruidosamente amarga ao dizer aquilo. A notícia era ruim? Uma criança vai nascer, seu cordão umbilical pode ajudar porque ele estava tão chateado?
— Isso é bom, parabéns! -Recebi um resmungo de volta, Peter revirou os olhos e o silêncio se instalou no carro. Compreendo que ele esteja doente, mas como alguém pode ser tão egoísta a ponto de não ficar feliz com o nascimento de um bebê?
Nunca fui do tipo que fica abismada com algo, mas era estranho. Não falamos mais um com o outro depois daquele momento, Peter estava perdido em seus pensamentos confusos e eu queria muito entender todos eles!
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