Para nós, todo o amor do mundo
2 Capítulo 2 - Eu tenho p-e-n-a de você
Notas iniciais
[POV. Lily]
Durante o primeiro mês de aulas, eu e as meninas passamos muito focadas nas aulas, deveres e treinos, Marlene treinava quadribol, Joanna artes marciais e eu, enquanto isso, passava o tempo na beira do lago, com Sev. E foi num desses momentos que Potter resolvera dar o ar da graça pela primeira vez durante o ano.
Eu estava deitada sobre uma colcha xadrez, lendo um livro trouxa chamado “O Morro dos Ventos Uivantes” enquanto Severo brincava com Julius, meu gato branco. Éramos amigos de poucas palavras, nunca havia necessidade delas pois o silêncio nunca se tornava constrangedor. Foi ai que ouvimos risadas que ousavam atrapalhar nosso momento de paz, quando viramos a cabeça para a direita, vimos Potter, Black, Peter e Lupin correndo e brincando com as varinhas. Revirei os olhos e voltei a ler.
– Ei Evans! Olhe o que eu sei fazer — Potter gritou e apontou a varinha para Sev, fazendo com que ele ficasse completamente imóvel.
Rapidamente resolvi o problema de Severo e me levantei, furiosa, correndo até Potter.
– Você está de detenção, seu idiota! — exclamei, o empurrando para trás — e se você mover sua varinha novamente contra algum estudante que não esteja em sua brincadeirinha infantil, farei o possível para que você seja expulso!
– Evans, você só só uma monitora, não tem o poder de me expulsar, docinho — ele tocou meu rosto e eu o empurrei.
– Experimente, Potter. Eu tenho p-e-n-a de você.
Sai de perto pisando duro para dentro do castelo.
*
Na hora do jantar, cheguei atrasada, para variar, quando me sentei de frente para Marlene, notei que ela estava chorando, correndo, dei a volta na mesa e me sentei ao lado dela.
– Ô amiga, o que houve? — perguntei servindo um copo de suco de abóbora e uma salada verde para ela, que era vegetariana.
– Não entrei pro time! — e desatou no choro novamente.
– Lene, come — Joanna empurrou o prato que eu servi na direção dela — para de chorar e depois nos explica direito.
Enquanto comia, ela nos disse que havia feito mais gols que qualquer um que fez o teste, mas Black achou que, por ela ser uma garota, não podia fazer parte do time.
– Não se preocupe, vou dar um jeito nisso — falei terminando de jantar e me levantando.
– O que você poderia fazer? — ela ficou confusa
– Sou monitora, lembra? — Sorri para ela e segui em direção aos Marotos.
Eles estavam brincando (para variar, eu sinceramente duvidava que, num cálculo da idade mental deles, os quatro dariam mais do que 10 anos) sobre sei lá eu o que. Pedi licença para Peter, o mais sem sal dos marotos e encarei Black de frente.
– Quem você PENSA que é? — perguntei
– O que houve, para você se dirigir a nós duas vezes no mesmo dia? — Potter se intrometeu.
– Cale-se Potter, estou falando com Black.
– Do que você está falando, Evans?
– Que você, seu estúpido, impediu Marlene de entrar no time porque ela é uma menina.
– Uma garota não pode jogar quadribol, Lilian.
– Evans para você, Black. Vou resolver isso, veremos se uma garota não pode jogar — sorri friamente, e sai andando, em direção a mesa dos professores, Remus me seguiu.
– O que você vai fazer?
– Olha, Remus, você é o único daqueles quatro que presta — respondi — fiquei sua amiga no ultimo mês por conta da monitoria e tudo mais, mas nada que você fale vai me impedir de expulsar Black agora mesmo! — virei de costas e corri até Dumbledore.
– Sim, senhorita Evans? — Dumbledore sorriu para mim e me olhou sobre os óculos de meia-lua.
– Tenho uma reclamação sobre Sirius Black.
*
Resumo da ópera: Sirius Black foi obrigado a deixar Marlene entrar no time, ou seria expulso.
*
[POV. James]
Por culpa da Evans, agora tínhamos que jogar com uma garota no time. Não que a Kings fosse ruim, ela era ótima, mas agora éramos o único time com uma garota, o que nos fazia entrar em desvantagem.
Eu queria matar a Evans. Mas não tinha tempo para isso agora, era lua cheia.
Corri para fora do castelo, junto com Sirius e Peter, Remus já estava lá há meia hora e a lua estava quase aparecendo. Ao correr pela floresta e me transformar em cervo, observei uma luminosidade estranha vinda de uma clareira ali perto, infelizmente, não tive tempo de checar, pois ouvi um uivo de lobisomem, e corri para não permitir que Remus fizesse alguma bobagem.
Depois de colocar Remus para dentro do castelo — já na forma humana, não em seu formato humanóide abaixo da lua cheia, fechamos todas as cortinas da sala comunal e o deixamos descansando, Almofadinha e Rabicho ficaram cuidando dele e eu voltei para a floresta, tinha certeza que, no mês anterior, quando acompanhávamos Aluado, aquela luminosidade não existia, estava encucado.
Quando cheguei lá, na minha forma humana, vi um círculo de velas cor-de-rosa que iluminavam uma clareira cheia de flores e três garotas, uma ruiva, uma morena e uma loira. Elas erguiam copos no ar e brindavam algo, foi só quando ouvi uma voz que mais parecia uma melodia que reconheci o grupo de meninas:
– À Marlene, que entrou pro time! À Joanna, que vai entrar pra Liga!
E eu poderia ter me vingado naquela hora: chamaria o diretor e as três seriam expulsas, mas resolvi ficar para ouvir. Um papo calcinha era sempre divertido.
Joanna falou sobre Aluado por quase uma hora, sobre como queria ficar com ele para sempre e como ele não lhe dava a mínima, Marlene falou sobre um garoto da Sonserina com quem ela ficou, mas já não suportava mais e Lily ficou quieta, apenas ouvindo.
– Ah Lily, somos suas melhores amigas, você pode nos contar! — Joanna disse, rindo enquanto virava um copo.
– Eu não estou ficando nem quero ficar com ninguém, estou focada nos NOMS — ela disse, corando à luz da vela.
Incrível como aquela garota era sem graça até em uma festa com as amigas. Peguei no sono, encostado a uma árvore enquanto elas conversavam sobre as roupas que usariam no baile.
Acordei com um grito.
– POTTER, O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI? — Evans me perguntou, estupefata de me ver ali, dormindo a menos de 10 metros de sua pequena reuniãozinha.
– Vim dar uma volta e resolvi ouvir, Evans. Agradeça, eu poderia ter me vingado de você e chamado o diretor — me levantei e dei as costas para ela.
Quando cheguei ao meu dormitório, peguei no sono quase instantaneamente, foi a primeira vez que uma princesa de cabelos ruivos apareceu em meus sonhos.
*
Depois da primeira noite, Lily passou a visitar meus sonhos todas as noites, durante uma semana inteira. E, quando acordado, eu passara a reparar mais nela, também, em suas curvas perfeitas, suas sardas, seus cabelos, seus olhos tão verdes, seu meio sorriso quando ela dizia, com todas as letras “Eu tenho p-e-n-a de você, Potter”. E foi em uma madrugada no salão comunal que Peter me falou, revirando os olhos:
– Cara, você está apaixonado por ela.
– O que? Não, cale a boca — neguei veementemente — James Potter nunca se apaixonou!
– Faz mais de dois dias que você só fala dela, está chato já — reclamou Almofadinhas — chama ela para sair.
– Ô, caras, vocês que estão chatos. Ah, Remus, acho que você deveria convidar a Joanna para o baile.
– Tá maluco, Pontas? Eu e Joanna terminamos faz tempo!
– Ouvi dizer que ela voltaria com você.
– Ouvi dizer que sou um lobisomem e não posso viver como um adolescente normal e namorar a luz da lua cheia — ele se lamentou.
– Deixe de ser ridículo — Sirius atirou uma almofada nele — mas voltando ao James, você deveria chamar a Evans para sair, ela é tão seca, fria, vive com aquele seboso.
Todos ficaram em silêncio, até que James anunciou:
– Vou chama-la para o baile.
*
No dia seguinte, que era sábado, as amigas de Lily não estavam com ela e eu resolvi fazer meu pedido, antes que a) perdesse a coragem b) outro alguém a convidasse. Quando a encontrei, ela estava linda, sentada sobre uma manta xadrez, com um moletom preto gigantesco e um cachecol da grifinória, devido ao inverno que se aproximava.
Resolvi observá-la e vi o Seboso aproximando-se dela. Eles conversaram, sorriram e se abraçaram. Quando finalmente ele saiu, eu me aproximei.
– Hum… Evans…?
– O que você quer, Potter? — ela me olhou nos olhos, arrogante, e eu quase me esqueci que tinha ido fazer um convite a ela.
– Você quer ir ao baile comigo? — disparei, para minha surpresa, ela riu.
– Ah, Potter, eu tenho p-e-n-a de você. E, em todo caso, estou indo ao baile com o Sev, ele acabou de me convidar — e se levantou, rindo, como se eu tivesse feito uma piada.
*
Dois dias depois, indo para a aula de Herbologia, depois de ter conversado com os marotos sobre o fora que havia levado, eles me aconselharam a humilhar o Seboso na frente de todos, resolvi por o plano em prática, o levantei no ar, junto com Almofadinhas, que me ajudava.
– POTTER — ouvi uma voz entre as risadas — O PONHA NO CHÃO, A-G-O-R-A!
– Evans, deixe comigo — Seboso gritou lá de cima — isso é tudo sua culpa, você é uma sangue ruim porca! Eu tenho p-e-n-a de você.
Assustados com o poder das palavras dele, eu e Sirius o deixamos cair, e vi os olhos de Lily se encherem de lágrimas, enquanto ela corria em direção a floresta. Corri atrás dela e a encontrei sentada na mesma clareira da noite em que me apaixonei por ela, sentei ao seu lado em silêncio e a ouvi chorar.
– E-e-ele não tinha esse direito, Potter, não tinha! — ela chorou e colocou a cabeça em meu ombro. Fui sua ancora pela primeira vez.
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