As estradas do oeste são pontos turísticos para os insólitos de plantão.

Cantam, dançam, e é só deserto e vento. O silêncio dos cactos, de esferas de palha percorrendo o chão de terra batida.

Sei que espera por mim, mas posso não chegar tão cedo. Não que o caminho seja muito longo, porém seria uma maldade não apreciar a paisagem. Acredite, estou correndo.

Chegarei com roupas abarrotadas, as tempestades de terra tem a sutileza de me deixar intacto exceto pela roupa desnivelada. A benção é estranha e irreal.

Neste sonho, não sei o que ganho, se o que me resta são dúvidas, prefiro ficar aqui, neste tubo inenarrável de pedra.

Diria que vejo coiotes, entretanto confundo-os com as suas femininas aparências, perfeitamente arquitetadas por uma força superior, talvez sejam agentes... A bala está na cabine, meus pés na areia e terra e a vida, parece uma areia movediça, nessa paroleia desmedida, demorada.

Apenas uma carta, e só você poderá entender, afinal, todos os meus textos têm o inquebrável dote de serem designados para uma alma unitária, a junção de tudo, e ainda assim... Alma. Termino por aqui, espero que os leitores extraviados, encontrando essa carta ao lado da bagagem, entendam que Alma é o seu nome, além de ser um ótimo enigma do que significa para mim. Nem tão enigma para você.

Prolixo, adeus.

FIM

24/11/15

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