Notas iniciais
Esse é o capítulo extra que se passa 10 anos após o último capítulo do anime :( espero que gostem ♥

Dez anos depois...

Um garotinho corria desesperadamente entre ás árvores do local, ofegante. Os cabelos castanhos estavam bagunçados e tudo o que ele conseguia fazer era correr com o coração palpitando. Esgueirou-se por entre as árvores e parou, escutando atentamente qualquer ruído.

Não tem ninguém me seguindo, pensou aliviado. Começou a relaxar, tentando normalizar o ritmo de sua respiração. Não devia estar correndo daquele jeito, mas não podia evitar. Não podia ser pego.

Continuou caminhando e surpreendeu-se ao ver que estava em um lindo jardim. Já conhecia aquele lugar embora só lembrasse de ter estado lá uma vez. Era o local onde estava o memorial das crianças. Diminuiu o ritmo de seus passos e parou diante das estacas de madeira com números gravados. Ele nunca entendeu o porquê de ter números ao invés de nomes. Também não sabia muito sobre quem eram aquelas crianças e parou pra pensar porque nunca havia perguntado a ninguém sobre essa história. Havia flores em todos os túmulos e tudo ali estava bem arrumado. Era um belo local. O túmulo das crianças estava em meio a um jardim florido.

– Inari-chan. O que faz aqui? – Ele reconheceu voz feminina de imediato.

– Dra. Mishima! – Exclamou assustado. A mulher parecia estar chegando ao local. Estava usando um jaleco branco, mostrando seu crachá de doutora. Os cabelos negros passavam um pouco dos ombros. A mulher era linda e não chegava há ter 30 anos. Era Mishima Lisa, a médica responsável por todo aquele lugar e também era ela que fazia o tratamento contra a asma de Inari. – E-eu...estava brincando de pega-pega, mas acabei indo para longe do pátio. Desculpe, sei que deveríamos brincar perto das enfermeiras, mas eu não queria ser pego e vim para o jardim.

Lisa sorriu gentilmente. Estendeu os braços e acariciou os cabelos castanhos do menino, que corou sentindo-se meio culpado por desobedecer àquela mulher que sempre foi tão gentil com ele.

– Já disse que não precisa me chamar assim. – Ela abaixou-se para ficar do tamanho dele. – Sei que não fez por mal. Mas lembre-se que não pode correr tanto assim, ainda está muito frágil, Inari. Sua asma não permite que corra assim.

O menino por sua vez, apenas observou os túmulos atento.

– Você sempre vem aqui né, Dr. Mi...Quer dizer, Lisa-san? – Corrigiu-se. Lisa sorriu e voltou a fitar as estacas que tanto visitou.

– Sim. Eu amo este lugar. Tenho duas pessoas muito queridas enterradas aqui. – Respondeu, olhando carinhosamente para as estacas de Twelve e Nine.

– Você conheceu essas crianças, Lisa-san? Eu sempre me perguntei, porque são números e não nomes? – Perguntou Inari.

Lisa suspirou. Se Twelve e Nine tivessem vivido um pouco mais, poderiam ter visto seu objetivo sendo cumprido. A verdade por trás de Sphinx. Toda a história sobre o Purgatório e as 26 crianças foram reveladas para todo o Japão. Centenas de pessoas se compadeceram depois de descobrirem a verdade e até hoje, as 26 crianças eram homenageadas.

Não pode evitar pensar em Nine. Tudo o que ele queria é que a existência de todas as crianças não fosse esquecida, por isso, não apenas Lisa, mas Shibazaki também ia até o túmulo das crianças todas as semanas para rezar por todos.

– É uma história complicada, Inari-chan. Mas tudo o que precisamos saber é que as crianças que estão aqui não querem ser esquecidas. Entende isso?

O menino pareceu pensar no que sua médica acabara de lhe dizer. Ao observá-la viu que Lisa estava perdida em pensamentos. Os olhos escuros estavam diferentes, parecia se lembrar de algo. Inari sorriu e pegou uma flor que estava ao seu lado no jardim.

– Entendo sim. Eles não querem ficar solitários, não é? – Respondeu enquanto caminhava até o local onde estavam as estacas. Depositou a flor perto do túmulo mais próximo e voltou a caminhar em direção a Lisa, que sorriu ao observar o gesto de carinho do menino.

Ela se sentou em um banco que havia debaixo de uma das árvores. Aquele local estava tão diferente do que era naquele dia. Agora parecia ter vida. Ao longe podia ouvir gritos e risadas infantis animados, provavelmente estavam brincando no pátio da clínica enquanto aguardavam o dia de ter alta. Inari se sentou ao seu lado.

– Lisa-san? – Chamou-a.

– Sim?

– Você disse que aqui tem duas pessoas muito importantes pra você. Quem são? – Perguntou com os olhos azuis brilhando de curiosidade.

– Twelve e Nine. – Respondeu. Pronunciar o nome deles depois de tanto tempo era nostálgico. – Doze e Nove.

– Ah... Um dia você vai me contar mais sobre essa história ou sobre eles?

Lisa sorriu para seu paciente. Mesmo sendo tão pequeno, Inari era uma criança esperta e curiosa. O modo como os olhos dele brilhavam ao observar algo era exatamente igual aos de Twelve. Aquilo fez seu coração apertar um pouco.

– Um dia talvez. Mas pra isso você precisa começar a obedecer e parar de correr assim. – Começou ela e Inari revirou os olhos com a cobrança. – Lembre-se que ainda está frágil.

– Sim, sim. Eu sei. Mas é que eu gosto de correr. Eu quero me sentir livre, Lisa-san. – Tentou convencê-la de que estava certo. Sem sucesso.

– Então não esqueça a bombinha pelo menos. Vamos, acho que já terminou o horário de brincadeiras. – O menino resmungou baixinho. Não queria voltar ainda, gostou de ficar ali. — Não me olhe assim, Inari-chan. Em breve você terá alta e poderá ir pra casa.

– Não é isso, Lisa-san. É que eu gostei daqui desse jardim. Pode me trazer aqui de novo depois?

Lisa sorriu com a pergunta do garoto.

– Claro que posso. Mas só se você se comportar.

– Isso!!! – Comemorou Inari com um grande sorriso.

O sorriso de Twelve era como o sol, quente e acolhedor. O de Inari era como o céu, pacífico e lindo.

Lisa voltou a caminhar em direção a clínica e Inari logo correu para acompanha-la. Ela ofereceu sua mão e o menino a aceitou de bom grado. Continuaram a caminhar pela calçada que havia ali e não demorou nada para que saíssem do meio do jardim e chegassem ao terreno onde antes havia um prédio abandonado que abrigava o laboratório onde Nine e Twelve viveram.

Lisa sorriu, cheia de esperança. Agora aquele parecia outro local. No lugar no prédio abandonado havia outro menor e mais bonito, perfeitamente reformado. Havia uma faixa de carros para as ambulâncias e para os carros dos pais que vinham buscar os filhos quando recebessem alta. Ao lado do prédio havia um espaço com alguns brinquedos. Duas enfermeiras observavam um grupo de crianças brincarem animadamente.

Cada criança sofria de algum problema, mas Lisa queria que elas aproveitassem ao máximo a vida que possuíam e não ficassem presas dentro de um quarto durante todo o tratamento. Por isso tomava um extremo cuidado com todas elas, com exceção de um garotinho que sempre tentava escapar para “explorar” a floresta e o jardim, Inari. Os pais de todas ficavam extremamente felizes com o fato de seus filhos continuarem sorrindo, mesmo com problemas, e sempre agradeciam Lisa por tudo.

– Elas parecem estar se divertindo, Inari-chan.

– Tudo bem, Lisa-san. Eu me diverti mais! – Ele sorriu e continuou a segurar a mão dela.

– É muito bom ouvir isso.

Inari encarou a fachada do prédio e, ao ver a placa com o nome da clínica lembrou-se de uma pergunta que há muito tinha vontade de fazer, mas que sempre se esquecia.

– Lisa-san? – Chamou. – O que significa VON?

Lisa não pode conter o sorriso e uma pontada de saudade. Lembrou-se de Nine e da música que ele sempre escutava. Voltou a caminhar em direção a entrada do prédio e Inari não soltou sua mão.

– Um amigo me disse uma vez, que em uma terra gélida, VON significa algo que eu quero que todas as crianças aqui tenham.

– O que? – Perguntou, e novamente seus olhos brilharam de curiosidade.

“Twelve, os olhos dele brilham iguais aos seus...” pensou.

Quando atravessaram a entrada da clínica, Lisa viu as crianças correrem para recebê-la com gritos de felicidade. Mas, antes de abraça-las, virou-se para Inari e respondeu:

–... Esperança, Inari-chan. Enquanto todos vocês tiverem esperança, meu sonho estará completo e eu poderei ser feliz.

Notas finais
Muito obrigado por lerem essa fanfic, estou planejando uma long fic que vai contra o final do anime, afinal, é sempre bom ter um final feliz né? XD Se vocês tiverem gostado deixem um review :) Bjsss
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.