Notas iniciais
Olá, querido! Me desculpem pela demora, prometo que foi só desta vez e os próximos capítulos serão postados bem mais rápido. Gostaria de agradecer a todos que comentaram, fiquei muito feliz em ver que já estão gostando da história. Bem, desejo a vocês uma boa leitura!

O dia estava nublado e a chuva intensa. Praticamente todos os dias estavam sendo assim, eu pouco me importava com o tempo mas ele parecia sentir prazer em me prejudicar, afinal ele sempre ficava deste jeito no exato momento em que eu saia de meu emprego e precisava pegar o trem que graças a chuva incessante atrasava por horas. Eu nada podia fazer a não ser ficar sentada no velho banco de madeira da estação, observando as multidões de pessoas andando de um lado para o outro.

Suas vozes conseguiam sobrepujar o som da água e dos trovões acima de nós. De certa forma me alegrava e muito o fato de ser apenas chuva ao invés de bombas caindo sobre nós. Pude notar que haviam alguns homens fardados abraçando mulheres em prantos e crianças risonhas, eram soldados que retornavam temporariamente para suas casas.

Enfim me recordei o porquê de estarem retornando, as épocas festivas se aproximavam e apesar do caos que assolava o mundo inteiro eles ainda permitiam que os homens visitassem suas famílias. Era uma visão alegre e triste ao mesmo tempo, poder estar com quem se ama mas em seguida ter que deixa-lo partir para talvez nunca mais voltar.

Eu não conseguia imaginar maldição maior do que amar um soldado. Entregar seu coração a ele e depois viver todos os dias de sua vida tentando descobrir se ele está morto ou vivo, se um dia retornará. Me parece uma tortura muito grande, prefiro mil vezes continuar a manter meu coração trancado a sete chaves do que ter que entrega-lo a algum infeliz condenado a morte.

O tempo continuava a passar e nem um sinal sequer do trem. Eu não tinha paciência alguma, levantei-me e caminhei saindo da estação, minha casa não ficava longe dali não seria dificuldade nenhuma caminhar até lá. Sem contar que Luce me mataria se eu não chegasse a tempo do encontro às cegas que ela havia me arranjado, eu não tinha a menor vontade de ir e fingir interesse em um desconhecido que com toda certeza não me agradaria em absolutamente nada.

Me deixando levar por meus devaneios nem me dei conta de que a tempestade tornava-se cada vez mais densa e acabei me esquecendo do rio que havia nas proximidades e começava a transbordar devido a chuva. Porém, infelizmente só me recordei dele quando acidentalmente acabei caindo nele, sem saber nadar era impossível que eu conseguisse me locomover e sair e não havia mais ninguém na rua.

Eu estava completamente sozinha, sem poder escapar daquele rio que me puxava cada vez mais para o fundo. Fechei os olhos e senti meu corpo sendo puxado para baixo ao passo que eu não podia mais respirar. Eu não podia acreditar no que estava acontecendo, eu não poderia simplesmente morrer ali. Mas não havia nada que eu pudesse fazer e sem conseguir reagir perdi a consciência.

Abri vagarosamente meus olhos, me surpreendendo por ainda estar viva. Eu pensei que havia me afogado naquele rio, porém alguém conseguiu me resgatar a tempo. Minha cabeça latejava e meus ossos todos doíam, com um pouco de dificuldade sentei-me na cama em que repousava e observei ao redor, eu não conhecia aquele lugar. A quem pertencia aquela casa? Onde eu estou?

Repentinamente um homem alto e jovem, de cabelos castanhos cacheados e os olhos verdes adentrou a porta do quarto. Eu nunca o vi antes, suponho que tenha sido ele que me resgatou, pois seus cabelos estavam molhados e ele parecia preocupado comigo. O olhei atentamente no momento em que ele aproximou-se de mim, eram tempos de guerra e ninguém era confiável.

De repente senti um calafrio atravessar todo o meu corpo e minha cabeça começou a doer ainda mais como se estivesse prestes a explodir. O homem colocou um cobertor em meus ombros, aquecendo-me e me entregou uma xícara de chá. A peguei e lhe dei um rápido sorriso, ele sentou-se na poltrona diante de mim e me olhou com interesse.

— Acho que pegou um resfriado. — constatou ele, como se tivesse feito uma grande descoberta, desde o momento em que abri os olhos eu havia notado o meu resfriado. Mas não desejava ser rude com o meu salvador.

— É. Infelizmente. A propósito, muito obrigado por ter me salvado, senhor... — agradeci me dando conta de que não sabia seu nome, esta era uma época em que muitos visitavam a França para reencontrarem parentes. Ele deveria fazer parte deste grupo.

— Eu sou, Robb Stark. — completou ele me dando um gentil sorriso.

— Eu sou, Margaery Tyrell. — retribui timidamente seu sorriso — Acho que nunca o vi antes Sr. Stark, você é daqui?

— Por favor, me chame de Robb, eu tenho sido chamado de “Sr.Stark” há uns cinco anos, estou quase me esquecendo de meu nome de batismo. — pediu ele como se quisesse afastar algum pensamento incomodo, porém logo voltou a sua aparência simpática e extrovertida — Bem, é porque eu não sou da França e sim da Áustria, e como estou com uma pequena folga decidi conhecer o país e suas belezas.

— E já encontrou muitas belezas pela França? — indaguei notando seus encantadores olhos sob mim.

— Na verdade meus olhos estão admirando a visão mais bela de todo o mundo. — senti meu rosto enrubescer de imediato, eu não estava me reconhecendo. Há muito tempo eu havia me tornado fria e fechada o bastante para manter todos os homens afastados e agora estava corando diante de um. Pensando nisso, me dei conta de que já entardecia e em breve se iniciaria o baile onde Luce desejava que eu conhecesse o primo de seu namorado do momento.

— Creio que este é o momento de partir. — tirei o cobertor de meus ombros e levantei-me. Para meu azar minhas roupas ainda estavam molhadas e eu estava morrendo de frio.

— Permita-me. — disse ele cordialmente retirando seu casaco e colocando sob meus ombros, aquecendo-me novamente.

Caminhei ao seu lado até a porta, a chuva enfim havia cessado e o céu finalmente se libertava das nuvens e permitia que a lua surgisse com todo o seu esplendor. No entanto, eu começava a me lamentar por isso, afinal eu não poderia escapar do tal encontro. Eu sabia perfeitamente que era um caso perdido, que acabei aceitando unicamente por insistência de minha amiga.

— Margaery, você parece preocupada. Tem algum problema? — perguntou Robb. Eu não costumava falar sobre minhas preocupações com ninguém além de Luce, mas eu estava tão nervosa com este encontro que precisava falar com alguém sobre isso.

— É que eu tenho um encontro hoje à noite, com alguém que nunca vi na vida. E eu costumo falar com a minha melhor amiga sobre isso, mas ela só pensa no namorado novo e não me dá atenção. E agora eu estou me sentindo como uma adolescente de quinze anos, cheia de ansiedade e insegurança e sinceramente eu estou detestando tudo isso. — as palavras simplesmente escaparam de minha boca e por um momento eu acabei me esquecendo que estava desabafando com alguém que acabei de conhecer.

— Margaery Tyrell. — murmurou ele a si mesmo, ele parecia pensativo e de repente deu um sorriso animado — Não deveria se preocupar, você é uma mulher linda e adorável, com certeza ele vai gostar de você. — afirmou ele me surpreendendo. Suas palavras fizeram com que meus temores diminuíssem consideravelmente. Ele me passava tanta tranquilidade e confiança, era impressionante — Então, até breve, Margaery.

— Acha que iremos nos ver novamente? — perguntei o observando com curiosidade.

— Sim, acredito que iremos nos ver muito em breve. — afirmou ele sorrindo. E por algum motivo seu sorriso foi contagiante o bastante para me fazer sorrir também.

Caminhava pela sala de estar, aguardando Luce que ainda se aprontava. Ela sempre me apressava para no fim ela acabar se atrasando. Fiquei diante do espelho avaliando minha aparência, vestia um vestido rosado a altura dos joelhos e usava sapatos da mesma cor, meus cabelos castanhos estavam soltos e em minha mente ainda reinava a lembrança de Robb.

Eu não conseguia deixar de agradece-lo por ter me salvado, se não fosse por ele eu estaria morta agora. Eu esperava realmente poder revê-lo e algum dia poder retribuir o que ele me fez e demonstrar minha eterna gratidão. Mas também torcia para que ele estivesse certo em dizer que meu companheiro da noite iria gostar de minha companhia.

Eu não sabia praticamente nada sobre ele. Luce apenas me disse que ele era um soldado que estava lutando na guerra e há três anos não tinha um minuto sequer de descanso, sobre sua aparência ela disse que ele me agradaria. Porém ela se recusou a dizer o mais importante: O nome dele. Eu não fazia a menor ideia de como poderia falar com alguém que nem sequer o nome sei. Ela me contou que no exército ele é chamado de “Jovem Lobo”, mas esse apelido não me ajuda nem um pouco, só falta ele ser bárbaro o bastante e por isso é comparado a um animal.

— Margaery, vamos! — gritou Luce chamando minha atenção, ela já estava na porta, finalmente pronta e com muita pressa para rever seu amado.

— Estou indo. — respirei fundo, acreditando nas palavras de Robb, que enfim conheceria alguém que eu gostasse e que o sentimento fosse reciproco.

O salão estava lotado, todos aproveitavam para se divertirem, era como os domingos de antes da guerra se iniciar. Ao anoitecer, todos vestiam suas roupas mais bonitas e saiam a procura de liberdade e alegria, e sempre encontravam naquele lugar sua libertação. A música animada fazia com que todos dançassem animadamente, os homens faziam com que as mulheres rodopiassem, e elas sorriam de felicidade. Aquela cena me fazia lembrar de uma época que eu gostaria de esquecer.

Da última vez que me apaixonei, não acabou nada bem, eu passei por um sofrimento imensurável, eu acreditava que não sobreviveria aquilo tudo. Porém por um milagre, talvez, eu sobrevivi e não desejo de maneira alguma passar por aquela situação novamente. Haviam grandes chances da história se repetir, provavelmente aquilo tudo tinha sido uma péssima ideia. Eu não deveria ficar naquele lugar. Virei-me decidida a ir embora antes que nossos acompanhantes chegassem.

— Aonde você vai? — indagou Luce me olhando com total incompreensão.

— Vou voltar para casa, eu não deveria ter vindo aqui. — respondi cruzando os braços, eu sentia uma necessidade imensa de sair daquele lugar o mais rápido possível.

— Por que? Eles já estão chegando. — insistiu ela, enquanto eu revirava os olhos impaciente — Você não pode viver no passado, você precisa conhecer alguém, amar novamente.

— Quer que eu ame um idiota com o apelido de "Jovem Lobo"? Eu me recuso. — resmunguei virando-me irritada. Decidida a sair de uma vez por todas.

— Ora! O que há de errado com o meu apelido? — ouvi uma voz masculina surgir diante de mim, levei os olhos até ele e fiquei boquiaberta ao vê-lo.

— Robb. — sussurrei inerte ao vê-lo na minha frente. Então era ele o "Jovem Lobo".

Notas finais
Até breve, meus queridos! Não se esqueçam de dizer o que acharam.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.