Para Sempre - Parte II

18 No apartamento


Minhas mãos não paravam de tremer quando entrei no apartamento de Steve. Seu pai me levou até o quarto em que ele estava e só quando vi que sua mãe estava trocando os curativos e que os ferimentos já não pareciam tão agressivos que eu fiquei calma. Ele me olhou quando entrei e parecia forçar sua mente a trabalhar em alguma lembrança.

— Olá, Julie — a mãe dele disse. Colocou o último curativo em sua testa e depois se levantou da beirada da cama. — Vou deixar vocês sozinhos.

Balancei a cabeça porque era a única coisa que eu podia fazer. A porta se fechou e ficamos só nós dois no quarto.

— Tenho uma foto sua na carteira. Você sabia disso? — Ele perguntou.

Balancei a cabeça de novo, afirmando.

— Isso quer dizer que eu e você tínhamos uma relação. Julie, preciso que me conte para que eu tente lembrar.

— Sim, Steve. Namoramos há cinco anos, nos envolvemos de novo quando voltei.

— E como eu posso estar noivo?

— Você conheceu Samanta quando fui para Paris.

— Por que você e eu terminamos?

Ele parecia estar com as perguntas todas montadas, independente das minhas respostas.

— Terminamos porque...

— Por favor, não me esconda nada.

Eu não estava muito perto, mas conforme ele foi fazendo perguntas eu fui me aproximando até me sentar na cama, ao lado de seus pés.

— Você teve uma namorada...Mary. Se lembra dela?

— Sim, me lembro muito bem dela. Eu traí você?

— Não, não traiu. É...ela voltou depois de uns meses dizendo que estava grávida de você. Ela morou na casa dua sua mãe e os dois acabaram se aproximando, eu tive a oportunidade de morar com meu pai em Paris e diante de tudo que estava acontecendo eu achei melhor você seguir sua vida com a sua nova família e eu ir para outro país.

— Entã...então eu tenho um filho?

— Não. Você descobriu depois que o filho não era seu e então, pelo que me disse, não teve mais noticias de Mary e da menina.

— É bem típico dela isso. — Então ele pareceu se tocar de alguma coisa. — Você disse que nos envolvemos de novo quando você voltou. Quando foi isso?

— Há umas...duas semanas atrás.

— Então eu traí Samanta?

— Sim — eu disse e não me orgulhava nada disso.

— Ela sabe disso? Digo, ela continua vindo me ver...

— Ela sabe. Meu namorado...ex namorado sabe disso também.

Ele ficou em silêncio por um tempo e eu não disse nada, mesmo que minha vontade fosse querer agarra-lo e tentar fazê-lo lembrar de mim aos beijos.

— Somos amigos agora, Steve. — Eu disse.

— Que bom. Você pareceu ser uma amiga bem próxima desde o começo e agora que descobri que namoramos, isso mostra que talvez eu lembre de algumas emoções, sensações e sentimentos.

Alguém bateu na porta e então Samanta entrou.

— Ah, estou atrapalhando?

— Não, eu já estava de saída — eu disse.

— Não, Julie, você precisa ficar e me contar.

— Steve, Samanta pode te contar tudo, ela viveu com você por mais tempo que eu. Não sei o que se passou da sua vida nesses cinco anos. Até mais, Steve.

Me despedi dos pais de Steve e fui embora. Chorei muito no caminho e o pior é que não era culpa dele. Se fosse, acho que seria melhor.