Para Sempre - Parte II
9 Escolhas
STEVE
Meu Deus eu só queria tocá-la, eu queria aperta-la, trazê-la para perto de mim...e não era isso que eu estava fazendo? Minhas mãos estavam circulando pela sua cintura, indo para seu pescoço e eu segurava seu rosto, impedindo que ela parasse de me beijar. Se o mundo acabasse hoje eu estaria feliz.
Minha mãe havia me dito uma vez que quando não resolvemos assuntos e relacionamentos com as pessoas, aquilo nos acompanha para o resto da vida. Eu e Julie não acabamos bem e por isso eu nunca tinha parado de pensar nela – bom, pelo menos era isso que eu pensava. – Até que então eu tive a oportunidade para me resolver e tocar a minha vida para frente, quem sabe até excluir todas as suas fotos e excluir de vez esse sentimento da minha vida, mas foi tudo ao contrário. Eu continuei amando e agora eu a queria ainda mais.
Não pensei em Samanta, não pensei em ninguém.
— Droga! – Ela disse e me soltou. – Eu não podia ter feito isso.
— Eu sei – eu disse, quando a realidade caiu sobre mim. – Eu também não podia.
Ela respirou fundo, colocando a mão no rosto.
— Eu sou uma pessoa horrível! Stuart está lá em Paris achando que eu...e tem Samanta também. E agora?
— Eles não precisam saber que isso aconteceu.
E ficamos em silêncio.
— Eu com todo aquele papinho de me toca...ah, eu sou uma merda – ela disse. – Me deculpa, a culpa foi minha.
— Julie.
— É sério, eu realmente...
— Julie, me escuta – segurei ela pelos ombros. – Você não queria ter feito isso?
— Não, mas não me arrependo.
Abri um leve e breve sorriso.
— Quer dizer, eu queria. Ah, eu não sei de nada. Você está me confundindo. É melhor você ir embora, por favor.
— Eu vou.
Ela abriu a porta e eu sai. Virei antes dela fechar e não disse nada, apenas fiquei olhando para ela e ela para mim. Julie fechou a porta e eu fiquei encarando a mesma, pensando no que tinha feito. Claro que não me arrependi, eu estava transbordando de emoção e sentimentos. Ela era o meu amor de verdade, e por mais que tivesse um enorme carinho por Samanta, era Julie que realmente me importava.
***
No dia seguinte eu estava jogado no meu sofá, pensando que eu simplesmente caguei com a minha vida. Eu estava indo bem sem ela, estava feliz com Samanta e então ela me aparece do nada, trazendo tudo de volta como uma bomba. Respirei fundo duas vezes, imaginando as possibilidades que eu tinha para a minha vida. Eu poderia permanecer com Samanta e tentar esquecer ela de novo, o que agora seria difícil já que uma traição a gente nunca esquece, ou eu tentaria conquistá-la de novo – apesar de que eu tinha certeza que ela sentia o mesmo por mim – e terminar tudo com Samanta e ela terminar tudo com Stuart...
Meu Deus, eu iria me casar! Se ela estava confusa então imagina eu... Puta merda, eu não conseguia esquecer essa menina!
Peguei uma foto de Samanta e fiquei olhando para ela.
— Samanta é linda – eu disse para mim mesmo. – Gosta muito de você, tem um ótimo gosto, cuida de tudo, é independente, ama crianças, quer construir uma família comigo e é uma pessoa incrível. E vocês estão noivos. Ótimo, é isso. Eu te amo, Samanta. – Eu tentei me convencer. – Eu não te amo mais, Samanta.
Eu realmente cheguei a amá-la, em pensar que tudo estaria certo. Mas isso até Julie chegar e roubar todo o meu coração para ela – de novo.
De noite, enquanto eu jantava no meu apartamento, meu telefone tocou e eu atendi.
— Alô?
— Alô?
Congelei. Era Julie.
— Julie?
— Ah, oi Steve...acho que liguei errado. – E então desligou.
Fiquei olhando para o telefone até ele tocar novamente.
— Oi – eu disse.
— Foi de propósito eu só não sabia o que dizer...hã, você está livre?
— Não sei – eu disse.
— Precisamos conversar, você sabe.
— Por que não passa aqui no meu apartamento? Não estou com muita vontade de sair.
— Ah, está bem. Qual o endereço?
Passei o endereço para ela e Julie disse que chegaria aqui em meia hora, o que foi o tempo de eu terminar de comer, lavar a louça, escovar meu dente e passar desodorante. O interfone tocou e o porteiro avisou que Julie estava lá embaixo. Pedi para que subisse.
Cinco minutos depois a campainha tocou, eu abri a porta e pedi para que ela entrasse. Seu perfume se instalou no ambiente, ela ficou em pé me olhando até eu pedir para que ela se sentasse.
Suspirei pesadamente.
— Quer comer alguma coisa?
— Não, obrigada.
— Beber?
— Ah, não.
— Então podemos prosseguir. Fiquei surpreso com a sua ligação, realmente imaginei que você não fosse mais querer me ver.
— Fiquei pensando muito no que aconteceu e não queria voltar para Paris com a mesma sensação de cinco anos atrás, seria como voltar no tempo e foi muito difícil, não queria passar por isso de novo.
— E você acha que vindo aqui conversar comigo você vai poder voltar para Paris com a mente limpa? Sem nenhuma culpa ou ressentimento, sem nenhuma tristeza?
— Eu só não queria ficar assim com você de novo. Quando conversamos no bar eu realmente imaginei que estaria tudo certo e eu realmente estava bem. Quer dizer, não imaginei que fossemos virar amigos e esquecer tudo mas imaginei que estivéssemos bem. Nós dois.
— Estamos bem, Julie.
— É só que eu não consigo tirar aquela cena da cabeça!
— Aconteceu ontem, é claro que você vai lembrar disso.
— Para de agir assim, Steve. – Ela me cortou. – Agir como se estivesse tudo bem não ajuda em nada, eu vim aqui para tentar resolver.
— Então você já tem a minha resposta: Não vai resolver, não vai adiantar. Eu trai Samanta e você traiu o menino lá, o Stuart. Isso aconteceu, não da para voltar atrás.
— Eu não estou incomodada com o fato de eu ter beijado você e ter traído o meu namorado, só estou dizendo que quero um ponto final nisso. Um ponto final de verdade.
— Você quer um ponto final? – Eu perguntei, já ficando irritado.
— Ou você prefere ficar alimentando isso?
Eu não estava preparado para um ponto final.
— Pode ficar tranquila. Não vamos mais nos ver, não vamos mais nos falar. Vamos esquecer isso, certo? É melhor. Você volta para Paris e eu continuo aqui. Pode ser que demore mais cinco anos para tudo ser esquecido de novo mas...são só cinco anos. Eu vou ficar com Samanta, você com Stuart, vamos seguir nossas vidas como estávamos fazendo antes e é isso. Aí está o seu ponto final.
— Eu nunca esqueci o que aconteceu entre nós, Steve.
— Olha você de novo voltando para o antes do ponto final.
Ela parou e olhou para o chão.
— Eu só estou fazendo o que eu tenho que fazer, e não de fato o que eu quero.
— Se você quisesse, daria um jeito. Sempre tem um jeito.
— Eu sei, mas teríamos que entrar num acordo juntos. Eu não posso simplesmente terminar com Stuart para voltar para você sem ter a certeza que você vai terminar com Samanta.
Parei e abri um meio sorriso.
— O que?
— Então agora nós estamos tentando resolver outro ponto. Ótimo, era isso mesmo que eu queria. Vamos pensar porque tem pessoas envolvidas nessa história e então nós...nos resolvemos. Ou voltamos, ou vai ser o fim.
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