Para Sempre Luna
2 Capítulo 2
Notas iniciais
No dia seguinte me levanto e vou ao hospital, esqueci completamente que estou passando as férias com a banda, só o que importa agora é que a garota do mar acorde.
— Então pai, como ela está? – pergunto enquanto tomo um café gelado e amargo.
— Ainda não acordou, mas está se recuperando bem. Creio que acordará logo... Precisamos entrar em contato com a família dessa garota.
Suspirei ‘’ entrar em contato com a família ’’, eu não queria isso. Queria essa garota pra mim, meu presente, não queria perdê-la.
— Vou vê-la tudo bem?
— Sim, qualquer coisa me avise.
Vou até o quarto e a vejo dormindo. Sua pele é alva, seus cabelos tão castanhos que parecem pretos. Qual seria a cor de seus olhos? Provavelmente castanhos, mas... qual tonalidade? Um mel talvez, ou castanho escuro como seus cabelos. Tomo sua mão, sua pele é macia.
— Oi, meu nome é Miguel, seria muito se você acordasse , quero te conhecer. – Sinto algo dentro de mim, algo que nunca senti antes, talvez afeto, um carinho... paixão... sim, eu estava apaixonado pela garota.
...
Uma semana passou e ela ainda não havia acordado, mas estava se recuperando bem. Meu pai estava encarregado de cuidar dela e eu sabia que ela não poderia estar mais bem cuidada. Todas as manhãs eu estava lá, entrava no quarto e conversava com ela, ansiava que ela acordasse. Dei a ela um apelido, como não sabia seu nome, resolvi chamá-la Luna, como um presente da Lua.
— Já passou uma semana pai. – Passo a mão pelo cabelo e suspiro.
— Calma Miguel, ela vai acordar. A propósito, feliz aniversário! – Ele me entrega uma caixa embrulhada com muita habilidade. ‘’Marie, com certeza’’, penso enquanto abro o presente que revela uma camisa polo azul, simples, mas bonita.
— Obrigado pai. Gostei muito. – sorrio.
— Não vai aproveitar seu dia com seus amigos?
— Não... não agora, quero ficar aqui. Quero esperar a Luna acordar.
— Luna? Como assim Miguel?
— Ah pai, não sei o nome dela, então resolvi chamá-la assim ué. Minha Luna.
— Miguel, você nem conhece essa garota, não pode se envolver emocionalmente com ela. Ei, ela tem família, provavelmente um namorado. Sua? Acorda Miguel!- ele estala os dedos. – Pare já com essas fantasias. Quando ela acordar, entraremos em contato com a família e ela vai embora. Entendido?
Assinto com a cabeça.
— Ótimo. Vou atender um paciente. – ele sai a passos rápidos e eu entro no quarto da Luna.
— Ela vai ser minha, pai, você vai ver. – sussurro.
Sento-me na cadeira e espero pacientemente como todos os dias.
De repente vejo-a se mexer, ela abre os olhos com dificuldade, meu coração vai sair pela boca, ela acordou, no meu aniversario! É apenas nisso que consigo pensar. Ela tenta falar algo, me levanto.
— Victor?- ela sussurra e meu coração congela, quem é Victor? Será que meu pai estava certo? Seria um namorado? Não... melhor acreditar que é um irmão ou um amigo.
Vou até ela, sorrio ignorando qualquer pensamento ruim.
— Que bom que acordou!- Digo e aperto a campainha a fim de chamar meu pai.
Ele entra após alguns minutos.
— Pode ir Miguel, peça a alguma das enfermeiras para preparar outro quarto e uma refeição leve para ela.
— Sim... farei.
Sorrio... sorrio... sorrio. Estou transbordando de alegria!
...
— Deixa que eu levo!- digo sorrindo.- Vamos Laura, eu quero ver a Luna, conversar com ela.
— Você vai se meter em encrencas Miguel. – Laura sorri e me entrega a bandeja.
— Obrigado Laurinha. – deposito um beijo em sua bochecha e saio em direção ao novo quarto da Luna.
Bato na porta com uma mão livre e giro a maçaneta. Adentro o quarto e ela tem olhos castanhos escuros, seus cabelos caem em cascata sobre seus ombros, ela é linda!
— Boa tarde, meu nome é Miguel. – me apresento e ponho a bandeja em seu colo, sento-me na poltrona e espero.
— Boa tarde, você é enfermeiro também?- ela diz de boca cheia e eu sorrio. Faço um sinal de negação com a cabeça e explico que sou filho do Dr. West, peço que ela termine de comer para que possamos conversar.
Falamos por um bom tempo, descubro que seu nome verdadeiro é Katherine – Katherine... até combina com ela, mas, particularmente, prefiro Luna. – explico como ela foi parar no hospital e sua expressão muda.
— Devem achar que estou... morta... – ela diz com a voz entrecortada, as lágrimas começam a rolar por seu rosto, ela não tem pais, tem apenas uma tia que, provavelmente estaria fora do país e um namorado que já devia estar em outra.
Sinto meu coração apertar, me aproximo e enxugo suas lagrimas.
— Farei o possível para que você volte tudo bem? – não sabia se poderia cumprir aquela promessa, eu a queria perto, mas também queria vê-la bem.
Sinto meu celular vibrar e sei que preciso ir pra casa, teria show com a Angel’s e eu não podia faltar afinal eu sou o vocalista, e ainda era meu aniversário e meus amigos queiram comemorar. Deposito um beijo na cabeça da Luna, que eu não conseguia me acostumar a chamar de Katherine e me dirijo à porta. Se pudesse, ficaria com ela o dia inteiro, mas tinha um show para fazer e não podia abandonar a banda.
...
— Finalmente voltou. Feliz aniversario cara. – diz o Guilherme me abraçando. – Agora você passa mais tempo com aquela garota do que conosco, tudo bem que você está apaixonado, o que eu acho bem precipitado, mas você tem uma vida cara e amigos, tem que viver!
— Pois é garotinha apaixonada, vai logo se arrumar que temos um show importante. – diz o Gabriel. – O resto da banda já está lá nos esperando.
— Ok, já volto!- digo.
Subo para o quarto, olho para o céu pela janela, já está anoitecendo; vou em direção ao chuveiro e tomo um banho rápido, me enxugo, ponho uma calça jeans preta e uma camisa branca com um colete de alfaiataria cinza por cima. Pego o violão e desço as escadas.
— Vamos.- digo.
Os garotos me seguem e nos dirigimos ao local do evento. O lugar está cheio, estou vibrando. Arrumamos os! instrumentos e nos aquecemos.
— Boa noite galera!
Angel's! Angel's! Angel's!— todos gritam e sei que esse show vai ser incrível.
...
— Foi muito massa! – Guilherme joga-se no sofá.
— Sim, e viram como o Miguel estava todo inspirado? Essa guria deve ser gostosa mesmo, ele até dedicou uma musica pra ela. – Gabriel sorri.
— Vá a merda Gabriel!- sorrio também.- Estou feliz, a Luna acordou hoje, foi o melhor presente de aniversario que eu já tive.
— O nome dela é Luna mesmo?
— Não, o nome é Katherine, mas, pra mim, é Luna e pronto. Amanha irei vê-la, quer dizer... hoje, mas antes vou descansar. Guilherme você vai pra casa do Gabriel ou vai ficar aqui?
— Não, vou ficar.
— Beleza galera, então to indo viu?!- Diz o Gabriel. – Ainda vou encontrar uma guria que me deu mole no show. Fãs, sabe como é né?! Ser gostoso é dureza.
— Vai La cara, boa sorte.
Ele sai e o Guilherme me acompanha ate o quarto; jogo-me na cama e espero que ele saia do chuveiro, entro logo em seguida.
— Pode dormir no colchão de baixo. – Grito.
— Ok. – ele diz.
Saio do chuveiro, ponho uma camisa e uma bermuda e deito-me.
— Ei cara, tá acordado?- sussurro.
— Sim, qual foi?
— Gosto dela, da Luna... quer dizer... Katherine. Gosto dela desde o dia que a tirei do mar. Não sei se estou pronto para deixá-la.
— Nunca o vi falando desse jeito Miguel, nem quando você namorava a Sophia, sei lá cara, você deveria falar com ela.
— Os pais dela morreram e ela só tem a tia e um... namorado.
— Difícil... – Guilherme pensou por alguns segundos. – Sabe aquela coisa de ‘’ deixe ir e se voltar é seu? ‘’
Olhei para ele com desdém e ele sorriu.
— Ok, clichê e ainda falei errado, mas essa é a questão, pelo que vejo, ela não tem muita coisa que a prenda, duvido que esse namorado aí ainda esteja esperando por ela, levando em consideração que do ponto de vista dele, ela está morta. Diga a ela como se sente e depois a deixe ir, Se tiver que esperar, espere, nunca é tempo demais a se esperar por algo que vale a pena obter.
— Uou, muito bem, muito bom. – disse assentindo com a cabeça.
— Eu sei, sou um gênio.
— E nada humilde. – sorrimos.
— Vamos dormir cara, to morto. O show foi massa né?!
— Sim Guilherme, foi incrível.
— Boa noite cara, feliz aniversario.
— Boa noite.
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