Para Sempre Luna
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Semanas se passam, Luna e eu ficamos cada vez mais amigos e passo horas de minhas férias naquele hospital.
— Ela já está recuperada Miguel, creio que podemos deixá-la ir. – meu pai diz.
Não...não! Mil vezes grito em minha cabeça, eu não podia deixá-la, não conseguiria mais viver sem ela.
— Pense um pouco filho, será melhor pra ela. Voltar para a família, amigos. – ele percebeu meu desespero, sempre conseguiu ler meus pensamentos como ninguém.
— Tudo bem pai, Quando ela receberá alta?
— Ainda estou pensando, te digo até o fim do dia.
— Sim, por favor, quero poder me despedir.
Dou um sorriso fraco e me dirijo ao quarto da Luna.
— Achei que não vinha mais meu anjo. – Luna diz.
— Como abandonar minha Luna hein?! – sorrio.
— Esse apelido é ótimo, nunca vai me chamar de Katherine né?!
— Não, não irei... você é meu presente da Lua.
Ela sorri, está corando, linda como sempre. Abaixo a cabeça e suspiro, ia sentir falta daquele sorriso.
— O que houve meu anjo? – ela acaricia meus cabelos.
— Acho que você já vai embora e... Estou encarregado de ligar para sua tia, ou seu... Namorado. Alguém tem que saber que você vai voltar.
Ela sorri rapidamente, seus olhos brilham, mas, ao fitar meus olhos, seu rosto animado dá lugar a uma expressão séria.
— Não vou abandoná-lo anjo. – será que estava tão transparente assim?— Vamos manter contato.
— Sim, claro. Bem... Vamos ligar para a Ever.
Como Luna havia previsto, Ever estava em outro país, mas alegrou-se por saber que sua sobrinha estava viva. Informou que voltaria dentro de três dias.
Luna senta-se na cama, toma minhas mãos.
— Anjo, obrigada por tudo... – ela diz. – Sabe, você tornou-se um grande amigo. Eu agradeço por cada dia que você passou comigo aqui, desde o tempo em que eu estava desacordada e agradeço por ter salvo minha vida. E... pelo seu aniversário... quero te entregar isso. – ela pega uma caixa na cômoda. – Pedi a Laura que comprasse o caderninho.
Abro a caixa azul e tomo um pequeno caderno em mãos.
— São textos sobre você, sobre mim, sobre nós e nossa amizade. Tive tempo pra escrever... quando você não estava, isso aqui era um tédio... Sabe antes disso tudo acontecer eu escrevia, estava quase no fim de um livro, pretendo fazer faculdade de letras... Não é um presente muito bom, mas, pelo menos, você poderá lembrar-se de mim. – ela baixa a cabeça e fita as mãos.
Ouço tudo atentamente, meu coração encolheu-se até se transformar em nada, não queria que ela fosse e aquilo estava me matando.
— Jamais poderia esquecê-la Luna, nem se quisesse. É o melhor presente que já recebi. Obrigada. – Me aproximo e tomo suas mãos, ela levanta a cabeça e agora percebo quão escuro são seus olhos, brilhantes, lindos; perco-me naquele breve segundo, seus lábios entreabertos, tão convidativos... Aproximo-me um pouco mais, afasto seus cachos do rosto e deposito levemente um beijo em sua bochecha, sua pele é quente, percebo que ela fechou os olhos; beijo sua bochecha repetidamente, cada vez um pouco mais perto de sua boca e ela suspira.
— Katherine! – Laura abre a porta de repente e me afasto da Luna. – Miguel! É...- meio sem jeito ela tenta completar sua fala. – Interrompi? – ela me olha como se pedisse desculpas.
— Tudo bem Laurinha. – sorrio – o que houve?
— Só queria avisar a Katherine que ela receberá alta hoje e que amanha George – meu motorista— a levará para casa.
— Sério? – Luna pula da cama. – Obrigada Laurinha! Obrigada! – ela está tão feliz que me repreendo por estar odiando essa situação.
— Tenho que ir meninas. – digo.- Tenho que... ensaiar umas musicas. – Dou uma desculpa qualquer, sinto as lágrimas querendo escapar dos meus olhos e saio daquele quarto sem dar chances de ouvir alguma resposta.
Pego o carro e vou para casa, corro para o quarto e o Guilherme me segue.
— Achei que você já tinha voltado pra casa ou que estava com a Elisa. – digo.
— A Laura me contou que a Katherine já teve alta. – ele senta-se na poltrona a minha frente.
— Laura conta tudo não é?! – sinto as lagrimas escorregando por minhas bochechas e escondo o rosto nas mãos.
— Ei cara, não precisa chorar, e não precisa se esconder também, sou teu amigo, teu irmão lembra? Sei que a ama, mas lembra do que eu disse, deixe ir...
Enxugo as lagrimas e levanto a cabeça. Ele se levanta e me abraça dando leves tapas em minhas costas.
— Ah, que cena linda!- diz Gabriel encostado na porta.
— Há quanto tempo está ai? – pergunto.
— Desde o '' Ei cara, não precisa chorar '' do Guilherme. – O Gui está certo, deixe ir...
— Não sei se ela volta cara. – digo.
— Claro que volta, você é um gatão. – ele brinca.
— E você é muito gay. – rimos e eu me sinto melhor.
— Meninos! – ouço Marie chamar. – O almoço está pronto!
Entreolhamos-nos e saímos em disparada, como quando éramos crianças.
— Quem chegar por ultimo... – Guilherme começa. Gabriel para e impede a passagem.
— Ah! Não acredito que você vai começar com essa palhaçada. — ele espera um pouco e se afasta.
— Lava a louçaaa!- ele grita, corre e chega primeiro a mesa.
— Isso não vale Gabriel! – Guilherme protesta, pois é o ultimo a chegar.
— Marie, hoje você descansa por que a boneca aqui vai lavar a louça. – Digo apontando para o Guilherme.
Passamos a tarde jogando vídeo game e ensaiando musicas e, à noite, vamos à praia. A Lua está cheia e linda, admiro-a por um tempo.
— Está pensando em quem anjo?- reconheço essa voz, sorrio antes de virar. – E então? Está pensando em mim né?! – Luna brinca.
— Convencida você hein?!- me levanto, retiro a areia da bermuda e a abraço. – Que surpresa é essa?
— Dr. West me deixou vir... pra me despedir sabe?
— Está linda nesse vestido branco. – minha cor predileta.
— Gostou? – ela rodopia e sinto seu perfume de flores invadir minhas narinas. — A Elisa me emprestou, ela é legal.
— Sim, muito.
Elisa está com o Guilherme, e o Gabriel está com uma ruiva, eles formam belos casais. Vejo Luna admirando-os.
— Gosto de demonstrações publicas de afeto. – ela diz de repente, sem desviar ao olhar de nossos amigos.
— Serio? – digo.
— Sim, se eu fosse fotógrafa, só teria imagens assim.
— Interessante.
Estamos sem jeito... a despedida, o quase beijo, o ar de romance na praia, a Lua cheia... tudo colabora para que minha timidez aumente, nunca fui tímido, mas com a Luna, não sei o que acontece.
Horas se passam e todos se vão, Luna e eu permanecemos para ver o nascer do Sol.
— Sabe, foi ali que te encontrei, há um mês. – aponto para perto das pedras.
— Vamos lá. — Ela se levanta e toma minha mão. Andamos juntos em silencio ate chegar ao local.
— Vou sentir saudade. – digo finalmente.
— Eu também anjo. Novamente... obrigada.
Puxo-a pela cintura e a abraço, beijo seu pescoço, seu queixo e a sua bochecha, ela fecha os olhos, ma aproximo de sua boca e sinto seu hálito contra meu rosto, passo levemente meus lábios nos dela, ela sorri... Meu celular toca e nos afastamos.
— Merda! – sussurro. — Oi George. Sim, já estamos indo, a Ever foi avisada? Uhum, ok. Não precisa vir, estamos de carro, chego em um minuto.
— Tenho que ir não é? – ela morde o lábio inferior.
— Sim, vamos.
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