Para Sempre Faberry

8 Coney Island Part.2


Notas iniciais
Volteeei com a continuação :333 respondendo a questão de CalPessoa: Deve ser muito difícil você acordar de uma dia para o outro e não ter mais 17 anos, não ser mais a pessoa que conhecia. Quinn já é uma mulher, mas em sua cabeça continua sendo menina, o que só a machuca :/ Mas são com os erros que aprendemos a viver, certo? ;)
Obrigada mais uma vez pelos comentários ♥

"Todos nos lembramos das historinhas de nossa infância: o sapato serve na Cinderela, o sapo vira um príncipe, a Bela Adormecida é acordada por um beijo… Era uma vez… e eles viveram felizes para sempre. Contos de Fadas – é do que sonhos são feitos. O problema é que contos de fadas não se tornam realidade. São as outras histórias, as que começam com noites sombrias e tempestuosas, que terminam de formas indescritíveis… Sempre são os pesadelos que parecem se tornar realidade…

A pessoa que inventou a frase “felizes para sempre” deveria tomar uma surra daquelas."

– Eu vou acabar com sua vida! Prepare-se, depois de hoje eu não responderei por meus atos, Evans, vou arrancar sangue! — gritava Santana numa especie de rugido.

– Eu já estou acostumado com a sua ladainha, mas quem está tirando sangue de você sou eu, perdedora! — ameaçava Sam do outro lado com um olhar maniaco.

Entediada, e assustada, Quinn decidiu intervir antes que a casa de Brittany fosse demolida.

– Muito bem, chega de jogar Street Fighter por hoje. — anunciou desligou a TV e o jogando para Mercedes que o escondeu em baixo do travesseiro.

Santana fez menção de jogar o controle do by Text-Enhance\">XBOX em Quinn, mas foi barrada por Brittany com um olhar de reprovação. Sam apenas se encostou na poltrona largando seu controle no chão e uma carranca descontente.

– Vocês são fanáticos. — comentou Mercedes passando a mão pelo cabelo de Sam e depositando um beijo em sua têmpora. O rapaz pareceu amolecer com o ato, então abraçou-a calorosamente.

– Eu jogo para by Text-Enhance\">ganhar, é diferente. — defendeu-se a latina ofendida, seu olhar recaiu em Quinn e algo de repente veio a tona. — Meu casamento é amanhã.

A loira olhou para os lados para ter certeza de que estava falando com ela.

– Eu sei?! — sua expressão passou para uma confusão divertida. Santana respirou fundo como se buscasse forças do além e calmamente, segurou a mão de Brittany para manter-se paciente e não espancar sua amiga.

– Suponho que você e o projeto de gente já tenham um dueto. — Quinn soube, pelo tom de voz de Santana, que ela sabia que elas não tinham um dueto. A resposta veio com o olhar tímido e um mudo pedido de desculpas. A latina sorriu maniaca e olhou para Brittany, que encostou suas testas em sinal de que tudo daria certo. — Eu te amo, Britt. — virou-se novamente para Quinn. — E eu espero que para o bem da humanidade, vocês não cantem nada que fale sobre: "eu perdi a memoria e agora preciso do seu amor." — fez gestos com as mãos que fez todos os outros rirem, menos Quinn.

– Isso não é engraçado. — disse uma loira sentida, bufando.

Santana ergueu as sobrancelhas, Sam e Mercedes se entreolharam tendo certeza de que algo bom não sairia daquele gesto.

– Não acha engraçado? — perguntou irônica. — Rachel também não achou engraçado quando você não apareceu na janela enquanto cantávamos. Porra, Fabray, eu fiz serenata para você!

Quinn sentiu vontade de rir, eles já tinham falado sobre aquilo e seu medo tinha ficado evidente para todos. Ela sabia que Santana só estava pegando no seu pé para aliviar a tensão.

– Você poderia usar esse seu medo para terminar o livro, Quinn. — foi Sam quem disse apoiando os braços nos joelhos. — Seus fãs estão desesperados por uma conclusão, e eu também.

– Nós estamos. — corrigiu Brittany lançando uma piscadela para a loira que retribuiu com um sorriso.

Um som estridente foi ouvido na sala e então um sonoro "I will survive" começou a tocar. Todas as cabeças de voltaram para a origem do som e se depararam com Santana tirando o celular do bolso e um olhar ameaçador.

– Que foi? É um clássico. — defendeu-se. Levou o aparelho ao ouvido: — Alô? Berry! — aquele famoso sorriso cresceu novamente. Quinn encolheu-se e sentiu o estomago dar saltos. — Por que vocês tem a mania de achar que eu sei da presença uma da outra? Eu em. Sim, ela está aqui. — o silencio angustiante preencheu a sala enquanto Santana fazia caretas alternando entre sorrisos. — É claro que sim! Te vejo logo, não te amo.

Desligou o celular e voltou a brincar com o cabelo da noiva enquanto três pares de olhos simplesmente a encaravam a espera de alguma noticia. Bom, noticia essa que não veio logo, pois a latina fingiu-se de distraída ignorando os outros.

– Então? — perguntou Brittany segurando a mão de Santana para que ela parasse o que estava fazendo e a encarasse nos olhos.

– Então o que?

Brittany revirou os olhos e Quinn soltou um gemido impaciente.

– O que Rachel queria?

– Aaaaaaaaaaaaah! — gritou dramaticamente estalando os dedos e virando-se para Quinn. — Seu chaveirinho está vindo te buscar.

Santana sorriu satisfeita vendo o queixo de Quinn cair. Mercedes largou Sam e correu segurar a mão da loira em solidariedade, acompanhada de Brittany que olhou profundamente nos olhos dela e disse séria:

– Você não vai fugir.

Não, ela não queria fugir. Rachel não merecia isso e no fundo, Quinn sabia que queria estar na presença da pequena, era quando sentia-se ela mesma, liberta, feliz. Então não, ela não negou, apenas concordou com a cabeça e deixou-se ser abraçada por Brittany. Era certo que os jornalistas as veriam e que no dia seguinte suas fotos estariam em todos os lugares, mas como da ultima vez, ela não se importou, era automático. Quando Russell descobrisse, seu medo seria evidente, ela recuaria, ela jogaria a culpa no primeiro que aparecesse, mas enquanto estava vivenciando o momento, não conseguia fugir do que a tornava forte.

– Muito bem, agora posso voltar para o meu jogo lindo e maravilhoso e descontar toda a frustração que sinto vivenciando essa história dramática onde sou a coadjuvante gostosa que precisa juntar o casal gay principal. — Santana pegou o controle da TV a força de Mercedes e ligou novamente o jogo, os outros apenas a olharam abismados.

Quinn respirou fundo e levantou-se, Rachel chegaria a qualquer momento e ela não sabia se estava arrumada. Correu com Mercedes e Brittany até o quarto e olhou-se no espelho. Definitivamente, calça folgada e moletom não era a melhor vestimenta para a ocasião.

– A menos que você seja o homem da relação, acho que teremos que mudar isso. — comentário veio de Brittany que a analisava de cima a baixo.

– Não existe relação, Britt, estamos apenas saindo como amigas, ela sabe disso. — corrigiu Quinn indignada tirando o moletom e a calça. — E você está pegando o costume daquela latina maluca.

– EU OUVI ISSO! — berrou Santana histérica da sala.

– Tanto faz, preciso de um vestido. — pediu apontando para o guarda roupa, Brittany correu ate o móvel a procura de algo que coubesse na amiga.

Mercedes aproveitou o momento para pentear o cabelo de Quinn até deixa-lo liso e o antigo repicado ficar visível. Brittany volto em seguida segurando um vestido em cada mão. Vinho ou preto? Ela optou pelo vinho, lembrando-se de ter visto fotos suas usando um vestido da mesma cor no casamento de Burt e Carola e ter achado maravilhoso em seu corpo.

A campainha soou e todas paralisaram. O coração de Quinn anunciava que logo saltaria para fora de seu peito se algo não fosse feito, uma sensação tão nova e tão gostosa ao mesmo tempo. Mercedes bateu palma e Brittany a conduziu até a porta ignorando o assobio de Santana e o elogio de Sam.

– Essa é a sua noite, não estrague. — aconselhou Brittany segurando o rosto de Quinn para que a olhasse nos olhos. A loira concordou e suspirou virando-se para a porta, era agora ou nunca.

Levou a mão a maçaneta e a girou. Do outro lado, uma Rachel com um meio sorriso a esperava ansiosa, Quinn foi obrigada a sorrir com a visão infantil daquela pequena figura. Ela estava maravilhosa. Foi então que tudo aconteceu...

Uma outra figura pequena, pouco menor que Rachel apareceu na varanda. Um espelho, ou uma ilusão, diria Quinn. Sou sorriso morreu assim que constatou que aquela projeção de si mesma, na verdade era sua primeira e unica filha, Beth. Seu bebe, seu pequeno presente divino que por tanto tempo chamou de maldição. Quinn Fabray estava em frente a Beth, que a olhou tímida e insegura enquanto Quinn apenas respirava com dificuldade. Foi preciso apoiar-se no batente para que não desmaiasse ali mesmo, isso foi repentino, rápido demais, quase como se em menos de um minuto tivesse sido arrastada para o futuro. No começo ela sentiu raiva, uma grande raiva por Rachel intrometer-se assim em sua vida e lhe trazer a tona tão rapidamente; mas então Beth ergueu as mãos e mostrou uma rosa vermelha.

– Para você. — disse tímida, esticando o braço. Rachel segurava em seu ombro como incentivo, e olhava para Quinn com expectativa.

Muito bem, estique o braço, Fabray, pensava consigo mesma. É só uma criança, ela não morde, é a sua...Sua filha.

Tremendo, Quinn aceitou a rosa ainda sem esboçar nenhuma emoção. Notou o cartão preso a um fio e olhou diretamente para Rachel que sorriu angelicalmente para ela.

– Deixe para ler quando voltar. — apontou para o cartão e abriu caminho com o corpo puxando Beth. — Podemos ir?

Custou para recobrar seus sentidos, a loira sabia que Beth esperava palavras suas e ate mesmo abraço, mas sua cabeça parecia um liquidificador ligado nesse momento, absorvendo cada centímetro de emoção. Então Quinn fechou a porta de casa e caminho silenciosamente até o carro, notou também que não havia um motorista, era apenas uma BMW onde Rachel abriu a porta do passageiro para que ela entrasse e depois dirigiu-se até o motorista.

– Muito bem, garotas, próxima parada: Coney Island! — exclamou animada olhando pelo retrovisor para Beth que sorriu e fez um sinal positivo. Quinn balançou a cabeça e Rachel a olhou com medo de uma nova discussão. — O que houve...? Não gosta desse lugar? Se você quiser nós podemos ir para outro e...

– Não! Rach, é claro que não. — riu levando a mão ao rosto. — É só que...Eu sempre gostei de lá, algo me conecta a Coney Island. Mas, meus pais nunca me deixaram ir até lá então...

Sua voz morreu ao mesmo tempo que um rosto infantil surgiu ao seu lado. Beth segurou a mão de Quinn e a apertou forte.

– Hoje nós vamos juntas. — foi tão doce a maneira como Beth a abraçou, que Quinn simplesmente deixou-se levar pelo momento e abraçou-a de volta com intensidade e saudade.

Ela não queria chorar, e não iria. Estava sendo forte naqueles últimos dias, e o faria até o fim. Beth voltou para o banco de trás e Rachel ligou o carro. Elas entraram na pista a caminho do parque dos sonhos de Quinn.

– Pensei que não aceitaria vir. — Rachel quebrou o clima perguntando diretamente a Quinn.

A loira simplesmente já tinha se acostumado a sentir-se envergonhada ao lado de Rachel, então respondeu normalmente:

– Nossos rostos estão estampados em todos os lugares.

– Se envergonha disso?

– Não.

– Arrepende-se?

– Não.

– Você emagreceu, andou caminhando?

Quinn simplesmente abriu a boca fingindo choque e deu um tapa no braço de Rachel. O sinal fechou e as duas continuaram sua pequena "discussão".

– Eu poderia estar morta. — retrucou a loira bufando e cruzando os braços.

– Pensei que a dramática fosse eu.

Ouviram um pigarro impaciente e viraram as cabeças no mesmo momento para o banco de trás.

– Só para constar, eu ainda estou aqui. — Beth ergueu uma sobrancelha e cerrou os olhos.

As duas mulheres entreolharam-se confusas e voltaram para frente rindo. Não demorou muito até chegarem a entrada do parque, imediatamente Quinn e Beth pareciam ter a mesma idade e Rachel precisou estabelecer regras quanto a não afastar-se uma da outra, devido a multidão dentro do parque. Ela estacionaram o carro e logo Rachel estava de mão dada com Beth, e Quinn caminhava ao lado delas sem saber ao certo para onde olhar. Era tudo tão maravilhoso, exatamente como era descrito por seus amigos no colégio, haviam mágicos e malabaristas, mais a frente, perto da cerca que dava acesso a praia, barracas espalhadas por todo o lado.

– Ok, isso é perfeito! — disse Beth apontando para um homem cuspindo fogo. Ela e Rachel riram, Quinn assustou-se.

– Ele me da medo. — reprimiu-se. Depois encontrou um homem estatua e caminhou puxando Beth para vê-lo mais de perto. — Isso sim é arte, olhe para isto.

Rachel observou a interação de Quinn e Beth e deu graças a Deus por tudo estar correndo bem, soube no mesmo instante que seus olhos estavam brilhando por rever aquela cena de alguns anos atrás.

– Acho que sei do que Rachel precisa. — falou Beth astuta posicionando-se atrás de Rachel e empurrando-a com os braços para frente. Quinn riu da situação e as seguiu sem entender para onde a menina estava levando a pequena.

Ficou encantada ao chegarem a uma área um pouco mais afastada da multidão, onde havia um pequeno coreto com três homens em pé tocando algo para uma família, as três observaram o caçula pedir algo para a mãe e em seguida colocar uma nota em dólar na caixinha ao lado. Em frente ao coreto, havia uma especie de pista de madeira para dançar. Rachel sorriu espontaneamente e cruzou os braços admirada, ela sempre adorou ouvi-los cantar, e Beth sabia disso. Quinn apenas ficou parada vendo toda a movimentação e acenando para algumas pessoas que a reconheciam. Estava ferrada. Oh, sim, ela estava muito ferrada.

– Eu preciso andar nela. — Rachel apontou para uma roda gigante perto da pequena casinha dos músicos, ela era maravilhosa e iluminada. As crianças pareciam se divertir com seus pais, e até mesmo casais acariciavam-se ao luar.

– Não antes de comprarmos algo para comer, não é? Eu estou faminta! — disse Beth fazendo carinha de inocente para as duas mulheres.

Beth gargalhou abriu os braços mostrando todas as barracas que tinham, eram em uma grande variedade, desde doces e brinquedos, até lanches e jogos, suas "mães" olharam-se vencidas e Rachel deu um até logo, apontando para uma roda de garotas que chamavam seu nome, por outro lado, era uma forma de deixar mãe e filha a sós.

– Eu quero um algodão doce, por favor. — pediu a menina para um homem vestido de palhaço que vendia doces, virou-se para a mais velha: — Quer um?

– Não, obrigada. — agradeceu constrangida, isso estava muito estranho. — Shelby sabe que você pegou dinheiro, não sabe?

A garota olhou Quinn ofendida e deu de ombros, as duas começaram a caminhar em direção a praia.

– Na verdade, papai me da dinheiro. — corrigiu tirando um pedaço do algodão doce e levando-o a boca. — Ele diz que eu posso gastar com o que quiser.

Quinn ficou aflita. Puck deixava dinheiro nas mãos de uma criança de 10 anos sem ao menos lhe dar um limite? Talvez isso fosse resultado da falta de uma mãe, vendo que Shelby não estava dando conta de uma pequena garota.

– Talvez seja melhor você deixar o dinheiro com Shelby, existem muitas coisas para aprender ainda e...

Beth lançou-lhe um olhar divertido e encostou-se em uma rocha. Ambas receberam uma rajada de vento frio, fazendo com o que o cabelo da menor ficasse todo arrepiado como o antigo de Quinn.

– Você não se da muito bem com essa coisa de ser mãe, não é? — perguntou brincalhona, e ao mesmo tempo séria olhando nos olhos de Quinn.

Uma criança saber ler toda a sua vida olhando apenas em seus olhos, Quinn sentiu-se exposta e amargurada.

– Não, não muito. — respondeu. Ambas ficaram em silencio, Beth comia seu algodão doce olhando para o movimento das ondas enquanto Quinn havia cruzado os braços e olhava diretamente para a filha. — Eu nunca teria abandonado você se tivesse outra opção.

Foi sincera pela primeira vez em muito tempo, sincera da boca para fora e não somente em seus arrependimentos que costumava sufocar-se. Beth desviou os olhos do mar para os da mãe e deu um pequeno sorriso compreensivo.

– Eu sei.

Uma lágrima reluzente escapou os olhos da pequena, o que pariu totalmente o coração de Quinn. Agora eram duas pessoas que não suportava ver chorar, Rachel e Beth. Suas duas perfeitas...

Quinn enxugou a pequena lágrima com o polegar e puxou Beth para seu peito com força. Ela precisava ceder aquela saudade de sua garotinha, tinha sido castigada demais ao perder o crescimento inicial daquele anjo, não seria idiota de perde-la novamente.

Baby, i've been here before. I've seen this romm and i've walked this floor, you know, i used to ive alone before i know ya. It's a cold and it's a broken hallelujah...

Acariciou o cabelo liso da filha e deu um beijo em sua testa, demonstrando sua fraqueza.

– Eu costumava cantar essa musica para você quando estava aqui. — segurou a mão de Beth e passou por sua barriga.

As duas sorriram e abraçaram-se mais uma vez, recuperando o tempo perdido em suas mentes e acalmando o coração, era incrível, pensava Quinn, reencontrar sua filha depois de 10 anos, mesmo que isso fosse apenas em sua cabeça.

– Shelby nunca cantou para mim. — contou a menor jogando o palito em uma lixeira, as duas encaminharam-se de volta para o parque. — Rachel era quem me fazia dormir, enquanto ela cantava, você me abraçava forte assim. — passou os braços pelo tronco de Quinn enquanto andavam. — E eu me sentia em casa, com uma família de verdade.

Uma família de verdade, era tudo o que Quinn sempre sonhou desde que se conhecia por gente, passou tanto tempo de sua vida observando seus pais discutirem e ignorá-la sentada sozinha no sofá, Frannie era sua unica companhia quando não saia com os amigos. Sua liberdade veio quando conheceu Brittany e Santana no WMHS, elas se tornaram juntas o topo da popularidade. Mesmo assim, a loira sempre sentiu falta de carinho fraternal, o que nunca conseguiu até acordar em uma cama de hospital e descobrir que perdera 6 anos de sua vida ao lado de uma mulher que era capaz de fazer tudo por ela, e uma filha maravilhosa.

– Olha, Rachel está com os músicos. — Beth apontou para a figura pequena em frente ao coreto com os braços cruzados e uma expressão sonhadora. — Ela amava dançar ali.

Quinn levantou os olhos para a pista, Rachel estava bem ao meio, seus olhos focalizaram balões de luz acima de sua cabeça, parecia gostar de olhar para eles enquanto ouvia a musica espanhola tocar. Beth e Quinn pararam um pouco atrás, Rachel conseguia se tornar mais infantil e pura que Beth quando queria, como se não pertencesse aquele mundo e sim a um lugar onde o felizes para sempre existia de verdade, onde palavras não eram necessárias.

– Está está esperando o que? Chame-a para dançar.

Sentiu um cutucão de Beth e seguiu o olhar da filha. Não havia quase ninguém ali, uma vez que todos estavam interessados nos brinquedos e na praia, e Quinn não podia negar que estava com vontade de dançar com Rachel, de provar esse mal que tanto a atraia. Precisou de um pequeno empurrão da menor para conseguir se mover até o piso de madeira e tocar no ombro de Rachel, seu coração batia tão rápido e seu estomago rolava dentro de si.

– Rachel? — chamou, tocando o ombro da menor que não assustou. Rachel virou-se para Quinn com os olhos brilhantes e um sorriso amável. — Você...Talvez, você queira... — embaraçou as palavras e sentiu-se erubescer.

– Está me convidando para uma dança? — completou Rachel segura e maravilhada com a pessoa a sua frente.

Quinn coçou o braço e olhou para o chão.

– Só se você quiser...

Ouviu uma risada calorosa e viu que Rachel tinha se aproximado tanto que era possível sentir seu hálito quente. Beth deu a volta na pista e correu deixar uma nota na caixinha e sussurrar algo para os músicos. Uma melodia calma começou e ambas olharam para a menina que apenas deu de ombros e sentou-e ao lado dos rapazes com um sorriso travesso. Rachel voltou seu olhar para Quinn, e em seguida levou uma das mãos ao ombro da loira e a outra escorregou do braço até as mãos se cruzarem. Quinn segurou com a mão livre a cintura de Rachel e automaticamente, seus olhos se conectaram.

You're in my arms

(Você está em meus braços)

And all the world is calm

(E o mundo todo está calmo)

The music playing on for only two

(A música está tocando apenas para nós dois)

– Está me deixando constrangida. — Quinn quebrou o silencio sussurrando.

Rachel aproximou-se mais colando suas testas, Quinn fechou os olhos.

– Sabe qual foi a melhor parte disso tudo? — perguntou fechando os olhos também e levando o corpo de Quinn junto de si para uma eterna dança apaixonada.

Quinn suspirou e mexeu o rosto na tentativa de sentir Rachel mais perto, de qualquer forma, ela queria poder estar o máximo que pudesse próxima aquela mulher.

– O que? — sua voz saiu fraca.

So close to reaching that famous happy end

(Tão perto de alcançar aquele famoso final feliz)

Almost believing this was not pretend

(Quase acreditando que isso não é mentira)

Now you're beside me and look how far we've come

(Agora você está ao meu lado e veja como chegamos longe)

So far we are so close

(Tão longe estamos...tão perto)

– Eu pude me apaixonar por você outra vez. — respondeu quase que com uma careta, estava machucada, estava sendo torturada por estar tão próxima aos lábios de sua amada e não poder toca-los, suas respirações saiam com dificuldade.

– Rachel... — a voz de Quinn morreu, seus olhos marejaram no mesmo instante, apertou os lábios com força tentando conter o que insistia em sair de dentro de si.

How could I face the faceless days

(Como eu poderia enfrentar os dias)

If I should lose you now?

(Se eu devo te perder agora?)

We're so close

(Nós estamos tão perto)

To reaching that famous happy end

(De alcançar aquele famoso final feliz)

– Está chorando. — disse Rachel preocupada, parando de dançar e passando a mão pelo rosto da loira.

Quinn fechou os olhos apreciando o toque, aquilo era tão bom que não se importava se seria castigada por seu pai, ou por Deus, ela só precisava daquilo para si, tanto quanto precisava de oxigênio.

– Me perdoa, eu só não...Só não posso, entende? — tentou dizer entre o choro, Rachel afastou-se um pouco triste e sua expressão passou para desapontamento. — Eu não sou assim, e ainda tem o...

Almost believing this was not pretend

(Quase acreditando que isso não é mentira)

Let's go on dreaming for we know we are

(Vamos sonhar para saber onde estamos)

So close

(Tão perto)

So close

(Tão perto)

And still so far

(E ainda tão longe.)

– Noah. — terminou Rachel balançando a cabeça com um pouco de raiva e angustia. — Você ainda o ama, vi como olha para ele. — complementou, desviou os olhos para Beth sentada olhando-as com esperança, e com dor no coração, voltou-se para Quinn. — Sei disso porque era como costumava olhar para mim.

Ao contrario das historias infantis, Quinn não interrompeu Rachel e desmentiu. Ela apenas ficou parada, culpando-se por já não ter certeza disso, culpando-se por desejar aquilo mais do que nunca. Mas, ela nada fez. Rachel entendeu o que significava aquele silencio e perguntou-se em voz alta:

– Como você deve olhar pra garota que ama, e dizer a si mesma que é hora de seguir em frente?

Um trovão alto ecoou fazendo Quinn saltar com a mão no coração. Rapidamente alguns pingos começaram a cair e ela odiou aquela parte da historia em particular, pois de um lado estava vendo uma princesa com o coração em pedaços partir, e por outro, estava aterrorizada com a chuva que se iniciava. Ouviram-se gritos e as pessoas começaram a correr de um lado para o outro procurando abrigo fora da chuva, a maioria fugiu para o estacionamento, os funcionários entraram dentro das barracas e apenas três figuras estavam em baixo da chuva. Não contendo a dor do adeus que sentia, Rachel deu as costas ao seu passado e correu para longe atrás de algum lugar para se esconder, Beth a seguiu. Quinn estava amedrontada e chorava impulsivamente com a chuva que só aumentava, ela estava indecisa, ela poderia se esconder com os músicos que estavam a poucos metros, mas seu coração não a deixava prosseguir, ela queria mais do que tudo correr atrás de Rachel e desfazer aquela dor. Seu corpo todo tremia agora, seus olhos estavam tão fechados que chegava a doer.

"Só me diz uma coisa: Como é acordar todos os dias sentindo-se uma covarde?"

A voz de Sam ecoou em sua cabeça, seguida por Frannie.

"Se eu fosse você, iria parar de agir como covarde e enfrentar o mundo lá fora ao invés de se esconder atrás de nossos pais e deixar que eles te controlem!"

Abriu os olhos e correu em direção oposta aos músicos. Correu em baixo da chuva suportando o medo que estava sentindo, pela primeira vez estava fazendo algo arriscado por alguém que não fosse ela mesma, e isso era o certo. Tão certo quanto o que estava sentindo. Encontrou Rachel apoiada em um dos cavalos do Carrossel, o brinquedo estava todo iluminado ainda, então ela se encaminhou o mais rápido que pode para escapar daquela chuva infernal. Quinn viu quando Rachel arregalou os olhos com a sua presença, e quando a pequena tentou argumentar, a calou com o dedo indicador e com o seu corpo a empurrou até encostarem-se em uma das barras de metal. Era disso que elas precisavam, de silencio, da paz... De apenas elas duas.

Tonight the sky above

(Esta noite, o céu acima)

Reminds me of you, love

(Me lembra de você, amor)

Walking through wintertime

(Andando através do inverno)

Where the stars all shine

(Onde todas as estrelas brilham)

Sem hesitar, Quinn fechou o espaço que havia entre suas bocas, e foi recebida por um gosto doce e angelical. Ela deixou que Rachel explorasse sua boca com a língua, deixou-se ser dominada por aquele ser magnifico que a encantava a cada minuto. Rachel deixou seus braços no pescoço da loira que a envolveu pela cintura, puxando a pequena contra seu corpo com necessidade. Separam-se por um momento para tomar folego quando o carrossel começou a se mover, as duas mulheres olharam para fora e viram Beth acenando para elas perto do controle. Ambas sorriram e encostaram as testas antes de se beijaram outra vez.

Era uma vez… Felizes para sempre… As histórias que contamos são feitas de sonho.

I've been sitting watching life pass from the sidelines

(Estive sentado vendo a vida passar sobre mim)

Been waiting for a dream to seep in through my blinds

(Esperando um sonho entrar através das minhas cortinas)

I wondered what might happen if i left this all behind

(Imagino o que aconteceria se eu deixasse tudo isso para trás)

Would the wind be at my back ? could i get you off my mind

(O vento estaria atrás de mim? Eu conseguiria te tirar da minha cabeça?)

This time

(Desta vez)

A roda gigante parou próxima ao céu, ou era assim que Rachel e Quinn imaginavam. Tinham pago o maquinista para que parasse o brinquedo quando elas estivessem alto o suficiente para sentirem-se livres do mundo. E agora, Rachel recostou-se ao peito de Quinn que passou um braço por seu ombro.

Contos de fadas não se tornam realidade.

– O que acha que vai acontecer amanhã? — perguntou a pequena franzindo o cenho.

Quinn olhou para o céu que ainda continha algumas nuvens a suspirou.

– Eu não quero pensar no amanhã. — disse sincera passando o dedo indicador pelo braço de Rachel. — Só quero estar aqui com você.

The neon lights in bars

(As luzes de neon dos bares)

And headlights from the cars

(E faróis dos carros)

Have started a symphony

(Começaram uma sinfonia)

Surrounding me

(Dentro de mim)

Quinn estava deitada em sua cama olhando através da porta da sacada aberta. Observava o mesmo céu que a abençoou enquanto tinha Rachel Berry em seus braços. Não tinha tomado banho, ela ainda precisava sentir o cheiro da pequena sem si, e era viva aquela lembrança, quase como se pudesse senti-la ali. Correu a mão pela extensão da cama até alcançar o cartão. Ela abriu e começou a ler:

A realidade é muito mais agitada… muito mais turva… muito mais assustadora.

"3° ano. Nós decidimos que é hora de inserir Beth em nossas vidas. Então nós a levamos até Coney Island, eu não sei quem ficou mais encantada, você ou ela. Mas nos divertimos como uma família, dançamos ao som de Copacabana, e brincamos na praia. Você diz que me ama e que quer ter filhos comigo, Beth adora a ideia de ter um irmãozinho. E aquela noite as estrelas são nossas, apenas nossas."

I've been sitting watching life pass from the sidelines

(Estive sentado vendo a vida passar sobre mim)

Been waiting for a dream to seep in through my blinds

(Esperando um sonho entrar através das minhas cortinas)

I wondered what might happen if i left this all behind

(Imagino o que aconteceria se eu deixasse tudo isso para trás)

Would the wind be at my back ? could i get you off my mind

(O vento estaria atrás de mim? Eu conseguiria te tirar da minha cabeça?)

This time

(Desta vez)

Realidade – ela é tão mais interessante do que viver feliz para sempre.”

Abraçou o papel e se aconchegou no edredom, aquela tinha sido a melhor noite de toda a sua vida, e Quinn só tinha uma certa: Estava apaixonada por Rachel Berry.

Notas finais
A música que Quinn canta para Beth é Hallelujah.
A musica da dança é So Close, Jon Mclaughlin
e a Musica do final é This Times, Jonathan Rhys Meyers

Espero que tenham gostado. ♥