Para Sempre - A Escolha
24 Sentimento irresistível
Notas iniciais
Segunda-feira, 7 de outubro
Eis como tudo começa: estamos no período de provas, a época em que os conteúdos mais importantes do terceiro bimestre estão sendo revisados.
Posso sentir a tensão pairando na sala. Alguns suam frio – geralmente os que precisam recuperar a nota para não ficarem de recuperação –, outros tremem e poucos sorriem satisfeitos – geralmente os que se consideram espertos demais para serem reprovados, os que bocejam diante de um cálculo complexo. São quase sete e meia. A prova vai começar dentro de cinco minutos. Alguns têm plena certeza de que irão passar. Outros nem tanto. Eu me acho no meio-termo.
Apesar da leve tensão, me sinto contente, e devo isso a Miguel, pois graças a ele estou de volta à Crossfield, algo que provavelmente eu jamais faria sem a ajuda dele.
Para mim, não havia um motivo suficientemente convincente para me fazer voltar. Mas, claro, eu tinha esquecido da maior das razões. A promessa que fiz à minha mãe horas antes de nos mudarmos para São Paulo. E Miguel me fez lembrar dessa promessa enquanto conversávamos. Ele estava certo. Não posso deixar que o amor que sinto por Larissa me enfraqueça – embora no fundo não me sinta totalmente preparado para encarar esse fato. Devo fazer por onde.
Quando dá exatamente 7:30, o professor Ricardo Álvaro entra na sala, trazendo sua maleta de couro preta. Tem um sorriso brando no rosto, sinal de que a prova não está tão difícil como alguns pensam.
— Bom dia, pessoal. Espero que todos vocês tenham se preparado para o teste de hoje.
Alguns se entreolham, a pura nervosia refletida em seus olhares tensos e inquietos.
O professor começa a distribuir as provas aos alunos.
— Dá para ouvir seus dentes batendo daqui. Por favor, não se preocupem. A prova não está tão difícil como pensam.
Sinal verde! Alguém solta um suspiro de alivio no fundo. Outro solta um riso breve e exageradamente alto quando recebe a prova e vê que há perguntas tão simples que parece uma piada. É, há gente para tudo.
— A maioria das questões é sobre aquele assunto que vimos nas semanas anteriores. Quem lembra do que vimos com certeza vai se sair bem neste teste. Ah, quero deixar uma coisa clara. O tempo é igual para todos, portanto não adianta querer terminar a prova rápido. Ninguém vai sair antes das oito e trinta.
Posso ouvir claramente alguém dizer "tôlascado!"em algum lugar no fundo da sala. Rio discretamente. Miguel nota que estou sorrindo e murmura:
— Vejo que está confiante.
— É impressão sua.
— O quê?
— Brincadeira. Estou confiante, sim. E não é para menos. Estou prestes a fazer uma prova que eu tenho certeza que vou me dar bem. Estou outra vez retomando o caminho do qual me atrevi a me desviar. E como se isso fosse pouco, eu tenho ao meu lado os amigos mais sensacionais que existem na face da terra. O que mais posso querer?
Miguel sorri.
— Fico feliz por você, meu amigo – diz Pablo, sentado à minha esquerda. – É muito bom vê-lo de volta à escola. Sentimos sua falta.
— Obrigado, Pablo. Realmente é bom estar de volta. E devo isso ao Miguel. Nem sei como pagar tudo o que ele fez por mim.
— Amigos de verdade não cobram por suas ações. Só a satisfação de te ver bem já é prêmio suficiente.
— Ficamos muito preocupados com você, cara. Na boa, nunca mais pense em fazer isso.
— Não se preocupe. Tudo vai ficar bem a partir de agora.
Era o que eu achava. Até a chegada do professor Arthur, que leciona Ciências Naturais.
— Com licença, professor. Desculpe interromper. Tenho um aviso para dar aos alunos.
— Claro, Arthur. Fique à vontade.
O professor se adianta. Tem uma folha de papel na mão. Parece uma lista.
— Bom dia, turma. Só vim avisar que já tenho a lista com os temas que vocês vão utilizar para os trabalhos de biologia. Amanhã eu trago a lista, sorteamos os temas e marcamos as datas das apresentações. Ok? Ah, e outra coisa. O trabalho não será mais individual. Portanto, amanhã, quero que o resto de vocês formem duplas e me entreguem os nomes anotados numa folhinha. Seguindo aquele mesmo método. Está bom assim? Alguém tem alguma dúvida?
Bianca ergue o lápis.
— Como assim "o resto de vocês"?
— Vou explicar. Como vocês já devem saber, a dupla vencedora da gincana de ciências deste ano foi a de Adrian e Larissa.
Eu já temia isso! Claro, o professor tinha que lembrar da maldita gincana de ciências da qual eu fui obrigado a participar junto com Larissa duas semanas atrás. É uma espécie de competição entre as melhores escolas do estado, onde cada escola seleciona no máximo dez alunos para apresentarem trabalhos "geniais" e concorrerem a uma medalha de ouro e uma viagem ao Museu do Louvre, em Paris, no período das férias. Todos ficaram muito contentes e festejaram, como o professor havia previsto. Mas, assim como da última vez, a decepção tomou conta de todos quando Arthur revelou que apenas dez de nós fariam a gincana e concorreriam ao cobiçado prêmio. Para mim pareceu que todo aquele episódio ridículo da Seleção iria se repetir. Houve o sorteio e quatro duplas foram escolhidas. Sim, quatro. O professor esclareceu, no final do sorteio, que havia escolhido a quinta dupla voluntariamente. Para ser mais claro, a mesma que ganhou a viagem para o Campo dos Sonhos, a mesma que todos invejam por ser a melhor da classe: Larissa e eu. Fiquei pasmo.
Infelizmente, não pude fazer nada para evitar. Do ponto de vista de Arthur, Larissa e eu somos os alunos mais inteligentes da classe – senão de todo o colégio –, e isso o levou a ter a brilhante ideia de nos escolher para participar da gincana. No fim, não tivemos escolha e passamos o resto da semana planejando uma impecável apresentação. O professor aconselhou que apresentássemos um projeto sobre o aquecimento global, por se tratar de um assunto que está sendo muito falado atualmente. E foi exatamente o que fizemos. Isso nos levou à vitória. Os juízes aprovaram o projeto e nomearam a gente como os vencedores da gincana.
Foi um momento de glória. Durante uma semana nossos nomes percorreram as escolas da cidade e chegaram à Universidade de São Paulo, onde recebemos a medalha de ouro e um belo cartaz com fotos magníficas do Museu do Louvre, nosso próximo destino nas férias escolares. Assim como eu, Larissa não conseguiu esconder o entusiasmo e a satisfação, mas não demorou muito para ambos ficarmos emburrados outra vez, pois uma viagem à Europa significa passar mais tempo juntos, e desde a última viagem ao Campo dos Sonhos, ficou bastante claro para mim que minha companhia a incomoda. Honestamente, isso é algo que eu também quero evitar, embora me deixe feliz a oportunidade de desfrutar da companhia dela.
— Decidi escolhê-los para fazerem o trabalho e apresentarem na semana que vem.
— Semana que vem?
— Vocês mandaram muito bem na gincana. Quero vê-los em ação.
Vejo Arthur piscar o olho para mim e imagino se a razão para ele ter nos escolhido é realmente a competência, ou se, como alguns por aí acham, nos considera um casal perfeito. Nem em sonho, digo para mim mesmo, tentando me convencer de que o melhor para mim é parar de ficar alimentando ilusões.
— Eu não acredito... – Larissa murmura.
— Nem eu.
***
No fundo, eu quero acreditar que sou forte o bastante para não me deixar levar pelo instinto, mas prefiro mil vezes não ter que provar isso em vez de me arriscar tanto. Estou indo ao quarto da minha amada, fazendo um esforço enorme para não dar meia volta e voltar para o dormitório.
A poucos metros do Residencial Feminino, decido parar e refletir um pouco sobre o que vem acontecendo ultimamente. Faz dias que tento evitar qualquer tipo de contato com Larissa, mas é como se existisse um laço que nos unisse, uma coisa sobrenatural que de forma alguma pode ser rompido. Então, como posso deixar de sentir algo tão forte por alguém se as circunstâncias não me permitem ficar longe dela nem por um dia sequer? Que chances eu terei de ser feliz se dependo dela para sorrir? Não tem como algo assim funcionar. Posso manter a promessa de nunca me entregar ao desespero por causa dos fantasmas da vida, mas nunca vou conseguir esquecer a garota que eu tanto amo.
O quarto dela é o 123, e fica no segundo corredor à direita. Me aproximo e bato de leve. Três segundos depois, ela atende a porta. Engulo em seco. Ela está maravilhosa. Usa um vestido curto cor escarlate e seus cabelos platinados estão presos em um rabo de cavalo, evidenciando a tez alva do seu pescoço.
— Oi.
— Eu não acredito! – diz com hostilidade. – O que faz aqui?
— Nossa. Esquentadinha, você, hein? Por acaso eu te fiz alguma coisa?
— Tenho mesmo que responder?
— Não – digo, fingindo não dar muita importância ao que acabei de ouvir. Noto que há uma marca roxa em sua bochecha esquerda. – Tem uma mancha de rímel bem aqui, você sabia?
— Você ainda não me respondeu. O que faz aqui?
— Como assim o que eu faço aqui? Somos parceiros de trabalho, esqueceu?
— Não, eu não esqueci. Mas o trabalho é só para a semana que vem.
— Acontece que eu detesto deixar as coisas para a última hora. Não pega bem, sabe?
— Mas acontece que não estou com a menor pressa, então... – ela estende a mão para fora, mas simplesmente ignoro.
— Vou fingir que não ouvi.
Entro calmamente, olhando em volta. O quarto é enorme e bem arejado – com lindas cortinas finas que voam com o bater do vento –, mobiliada com bom gosto: um armário, duas beliches, uma TV e vários quadros de pinturas abstratas. Há também uma pequena estante de metal cinzento lotada de livros, a maioria de suspenses românticos escritos por Jayne Ann Krentz, Sandra Brown, Nora Robents e outros do tipo.
— Gostou do ambiente?
— Adorei. Mas é uma pena que a atmosfera do lugar não seja assim tão agradável.
Larissa estreita os olhos, deixando claro que entendeu a indireta.
— Vamos iniciar o trabalho ou prefere olhar um pouco mais?
— Calma. Olha só. Baixa a bola, tá legal? Cuidado com a pressão alta. Isso mata, sabia?
— Se vai ficar fazendo piadinhas, é melhor cair fora.
Encaro-a em silêncio por alguns segundos.
— Quem está sendo arrogante com quem agora, princesa?
Larissa estreita ainda mais os olhos, depois sacode a cabeça, soltando um suspiro tenso.
— É melhor calar a boca e ir embora. Sai daqui agora mesmo.
Larissa mudou. De repente, me pego lembrando dos burburinhos que ouvi no dia em que Roberta comentou sobre a volta dela ao internato. Ela não é mais a mesma de antes. Agora posso ver claramente que ela tinha razão. Estou diante de um outro ser, alguém cujo coração se tornou indomável, no qual só há espaço para tristezas e ressentimentos.
— É como eu pensei. Você não só mudou por fora, como também mudou por dentro. Não é sequer a sombra do que foi.
Dou meia volta para sair, mas Larissa me impede de cruzar a porta.
— Engraçado ouvir você dizer. Faz alguma ideia do que eu sofri nesses últimos anos? Sabe quantas lágrimas eu derramei por sua causa?
— Isso. – Começo a ir em direção a ela. Ela recua. – Esfrega na minha cara tudo o que eu te fiz. Não é isso que você quer? Estou aqui! Vamos! Diga tudo o que tiver vontade!
— Só Deus sabe o quanto eu te odeio – diz ela, rangendo os dentes. – Você é desprezível, Adrian! Um imbecil! Um infeliz!
— E o quê mais?
— Não sabe como eu adoraria fazer você pagar por tudo que me causou, pelas noites em claro que você me fez passar. Eu sempre me perguntei por que você tinha ódio de mim, o que eu fiz para merecer seu desprezo.
— Cala a boca!
— Por que você me odiava tanto? Por que nunca deixou que eu me aproximasse de você?
— Chega! – O grito irrompe, involuntariamente. – Cala essa boca! Chega desse sermão! O que você quer! Quer que eu sofra, é isso? Quer que eu sinta o que você sentiu?
— Nem se você tivesse mil vidas e mil vezes você sofresse o que eu sofri. Nada disso compensaria. Quer saber de uma coisa? Tenho pena de você, Adrian. É isso mesmo. Eu deveria te odiar, mas não consigo sentir outra coisa que não seja pena.
— Já disse para calar essa boca!
— Me faça calar!
Não consigo me conter. Ela está perto demais. Minhas mãos voam para a sua cintura, agarrando-a com força. Puxo ela para mim, enquanto meus lábios, enlouquecidos, procuram os dela. Ela resiste, se debatendo em desespero, tentando se livrar dos meus braços. Mas, por um único momento, os lábios dela se entreabrem e ela me beija como se estivesse se afogando. De repente, sinto as unhas dela cravarem em minha pele. Ela me empurra com força e, num ato de defesa, lança a mão no meu rosto, fazendo um tapa sonoro estalar em minha bochecha.
— Idiota!
Ponho a mão na bochecha, sentindo a pele arder como se estivesse em chamas. Percebo tarde demais que cometi um grave erro. Beijei Larissa pela primeira vez, mas não como eu queria. Era para ter acontecido em um momento especial. Mas não. Beijei ela à força, contra a sua vontade, e isso é imperdoável.
— Sai daqui agora mesmo! Esqueça o maldito trabalho! Posso muito bem fazê-lo sozinha! Some!
Não há nada que eu possa fazer. Pego minha mochila e saio sem olhar para trás. Quero chorar, mas então lembro que há um motivo para sorrir. Por um momento, Larissa correspondeu ao beijo. Isso só pode significar uma coisa: ela ainda me ama. Mesmo se fazendo de difícil, seu corpo e sua alma desejam desfrutar do prazer de amar e ser amado por alguém.
E esse alguém sou eu.
***
— Não acredito que você fez isso! No que estava pensando, Adrian? Já se perguntou como ela pode estar se sentindo?
— Já. E acredite, me sinto mal por causa disso. Não estou arrependido, mas um lado meu acredita que eu poderia ter feito um esforço maior para manter o controle da situação. Mas não consegui. E acabei me deixando levar.
— Entendo você. Penso que, se estivesse no seu lugar, provavelmente também não teria me segurado. Mas o que você acha que ela está pensando a respeito disso?
— Posso até estar enganado, Miguel, mas acho que ela gostou daquele beijo tanto quanto eu.
— Tem certeza disso, Adrian? Acha que a Larissa ainda sente alguma coisa por você?
— Alguma coisa dentro de mim me diz que sim.
— Não se deixe enganar, amigo. Não deixe a emoção subir mais alto que a razão. E pense bem antes de agir.
E depois não diz mais nada.
Passo as dez horas seguintes me perguntando o que Miguel quis dizer com isso. Não que eu dê muita importância. Afinal, o que ele pode saber sobre os sentimentos de Larissa? Ele não viveu o que eu vivi. Não experimentou o que eu experimentei, o beijo que me trouxe a certeza de que Larissa Oliveira ainda é apaixonada por mim.
Mas a firmeza com que ele falou aquelas coisas me deixou intrigado.
— O que você quis dizer com "não deixe se enganar" e "pense bem antes de agir"?
Miguel fica calado, encarando o chão.
— Me diz o que você sabe, Miguel.
— Do que está falando?
— Você sabe, Miguel. Não mente para mim. É sobre a Larissa. Sinto que há uma verdade que você está tentando esconder. Foi isso que você quis dizer, não foi? Você sabe de algo que eu não sei. Por favor, preciso que me conte.
— Você entendeu mal. Não há nada a ser dito. Só disse aquilo para você não se iludir com ela.
— Por quê? Miguel, fala de uma vez!
— Já disse que não há nada para falar. Adrian, eu só disse para você tomar cuidado. Talvez os sentimentos dela por você tenham mudado. Ou talvez não. Mas, independente do que ela sinta ou não, você não deve se precipitar. Você a beijou à força. Cometeu um erro. Essas marcas no seu rosto significam que ela não gostou do que você fez. Larissa é uma garota, e como tal merece respeito. Além disso...
— Ok! Já entendi.
— Não fique irritado. Só estou te dando um conselho.
— Desculpa, mas o que eu menos quero agora é um conselho. Você acabou de me fazer perceber o que estava debaixo do meu nariz esse tempo todo. Larissa e eu não nascemos um para o outro. O beijo mais excitante da minha vida, que para mim foi motivo de felicidade, para ela foi motivo de desgosto. Eu a magoei de novo, mesmo depois de ter jurado que nunca mais faria isso. Deixei que o desejo assumisse o controle dos meus atos, sem imaginar que poderia feri-la ainda mais do que já havia ferido. A fiz chorar, como sempre. E sabe o que passou pela minha cabeça? Que, apesar de tudo, ela ainda me amava e por isso me beijou.
"Mas foi o que aconteceu. Juro que, por um segundo, os lábios dela se agarraram aos meus, e por isso essa vontade de ir procurá-la e dizer a ela tudo o que eu sinto. Mas depois disso, não acredito que ela vá me perdoar.
— Escuta, Adrian...
Miguel está prestes a dizer algo quando ouve a voz de Roberta atrás dele. Novamente, tenho uma sensação de Dejà vu. Roberta vem correndo em nossa direção, seus cabelos ruivos esvoaçando para lá e para cá, ofegando como se tivesse corrido uma maratona.
— Meninos!
— Já vi essa cena antes – murmura Miguel.
— Oi – diz ela, beijando cada uma das nossas bochechas.
— Olha, Roberta. Imagino que queira nos contar alguma novidade, mas não estamos nem um pouco a fim de ouvir fofoca hoje.
— Assim você me ofende. Fala como se eu vivesse futricando a vida dos outros.
— Bem, é o que muita gente acha que você faz.
— Estão errados. Eu simplesmente gosto de me manter informada.
— Não sei qual é a diferença.
Roberta estreita os olhos para ele, mas depois relaxa.
— Mas você tem razão. Eu realmente tenho uma novidade. E garanto...
— ... que ninguém aqui está interessado em saber. Lamento, Roberta, mas o Adrian e eu combinamos de fazer uma boquinha antes da aula começar.
— Combinamos?
— Sim – diz Miguel, piscando um olho para mim. – É melhor irmos agora.
— Esperem, não vão! Aposto que vocês ainda não estão sabendo.
— E nem queremos. Vamos, Adrian.
— Mas é sobre a Larissa!
Paraliso no mesmo instante. Se é sobre Larissa, me interessa saber, não importa o que seja.Não posso ficar um minuto sem saber nada sobre ela.
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