Notas iniciais
Hello, friend! É com prazer que posto mais um capítulo do livro A Escolha. No capítulo de hoje, uma excursão está sendo organizada para o camping mais famoso da região - o Field of Dreams -, mas, por escassez de vagas, nem todos poderão participar. Adrian, ignorando a possibilidade de não ser sorteado, planeja viajar com Hannah, mas seus planos vão por água abaixo quando Larissa decide se intrometer, com o único objetivo de provocar sua rival. Boa leitura, amigos! ♥

Junho de 2013

Os últimos três meses foram os mais felizes da minha vida, e, também, os mais longos de todos.

Falta apenas uma semana para o início de Julho. A turma inteira vibra de felicidade com a chegada das tão aguardadas férias escolares. Embora eu esteja acostumado com a rotina de sempre – que por sinal é muito desgastante e agitada –, fico feliz em poder sair um pouco do internato, ver novamente o mundo além daqueles muros. Claro que não ficarei longe da escola por mais de quatro semanas, mas para mim já é tempo suficiente.

Na última semana de Junho, exatos sete dias antes da chegada das férias, o professor de biologia, Arthur Parker, vem até nós com uma surpresa inesperada.

— Bom dia, pessoal! Quero que ouçam com atenção! O colégio está organizando uma excursão para o camping Field of Dreams...

O sujeito mal termina de falar e todos na sala vibram alegremente, gritando e batendo palmas.

— ... mas...

Esse mas faz todos se calarem ao mesmo tempo. O professor faz uma pausa, como se não soubesse o que dizer depois.

— ... apenas doze de vocês terão a oportunidade de fazer essa viagem.

Num estalar de dedos, todo o entusiasmo cai por terra. O desagrado se manifesta no semblante de todos. Vaias esparsas surgem.

— Isso não é justo! – Bianca protesta, do fundo da sala. – Todo mundo deveria ter a chance de participar da excursão!

— Eu entendo. E sinto muito. Sei que todos vocês adorariam fazer essa viagem, por se tratar de um dos pontos turísticos mais procurados para atividades campestres. Também concordo que seria mais divertido se fôssemos todos juntos. Mas, infelizmente, restam poucas vagas e, por conta disso, decidi fazer uma seleção. Todos estão de acordo?

— E tem outro remédio? – diz Pablo.

— Eu concordo. Fazer o quê? – diz Alex.

— Para mim tanto faz – responde Miguel. – Não estou a fim de viajar, mesmo.

Embora a decepção seja perceptível no rosto de cada um, todos assentem em concordância.

— Ok, pessoal. Então é assim que vai ser. Faremos um sorteio e assim veremos quais serão os 12 selecionados. Para tornar isso mais interessante, quero que formem duplas e anotem seus nomes num papelzinho para me entregar. Por favor, sem barulho. E que a sorte esteja ao lado de vocês.

Basta o professor dar as costas para a sala inteira virar uma bagunça tremenda. Todos – com exceção de Hannah e eu – se levantam e começam a se espalhar, alguns arrastando carteiras, outros gritando, gerando uma confusão de sons de arrepiar os cabelos. Estou tão entusiasmado com a notícia que nem estou pensando na possibilidade de não ser sorteado. Só consigo pensar em como vou aproveitar cada segundo da viagem ao lado de Hannah, caso ela também seja escolhida. Olho para ela, imaginando se ela também está pensando a mesma coisa. Me inclino para ela e pergunto:

— Vamos fazer essa viagem juntos?

Com um sorriso, ela assente e arranca um pedaço de folha do caderno.

Enquanto Hannah escreve nossos nomes na folha, eu deixo meu pensamento fluir. Me imagino deitado na grama, com Hannah ao meu lado, vendo o céu noturno pontilhado de estrelas, embriagando-me com o aroma das flores e o frescor da brisa da noite. Imagino todo mundo sentado num círculo em volta de uma fogueira enorme crepitando e aquecendo a noite, devorando um saboroso marshmallow enquanto ouve o relaxante som da natureza, os risos e conversas e os estalidos de madeira queimando.

Tudo parece perfeito demais, tão perfeito que nada será capaz de estragar isso. Exceto uma coisa:

— Profess...

— Professor Arthur! – Uma voz se sobrepõe. Olho para trás e vejo Larissa de pé, com um pedaço de papel na mão. Ela sorri para mim, lançando um olhar safado. Uma coisa eu não posso negar: Larissa sabe perfeitamente como me deixar acanhado. – Eu já escolhi minha dupla.

— Mesmo? E a folhinha?

— Aqui está.

Larissa vai até o birô, passando bem perto da minha carteira. Não evito ficar hipnotizado ao sentir o perfume dela invadindo minhas narinas. Também não consigo evitar sentir um arrepio de excitação ao fitar suas pernas lindamente torneadas. "O tempo lhe fez muito bem," penso comigo mesmo. "Não! Isso é apenas um jogo. Não vou cair nessa. De jeito nenhum". Balanço a cabeça, tentando afastar qualquer pensamento absurdo.

— Deixe-me ver... – diz o professor, examinando o papel. – Ok. Adrian e Larissa, vocês são os primeiros da lista!

— O quê? – Não consigo evitar gritar a pergunta. – Que papo maluco é esse?

Hannah se levanta num salto, e fico surpreso ao vê-la olhando para Larissa com uma raiva quase mortal.

— Mas que história é essa?

— Por que essa cara, fofa? – pergunta Larissa, abrindo um sorriso provocador. – Fiz algo de errado?

Hannah fecha os punhos com tanta força que as veias em seus braços saltam para fora.

— Adrian e Larissa? Isso só pode ser uma piada!

— Piada? Não estou entendendo, Adrian. Você disse que íamos viajar juntos nessas férias. Achei que gostaria de aproveitar a oportunidade.

— Como é que é? – O olhar de desprezo que ela lança para mim é pior do que se eu tivesse levado um tiro no peito, ou se meu coração tivesse sido estraçalhado mil e uma vezes. – Me fala, por favor, que isso não é verdade!

— É óbvio que não! – respondo imediatamente. Olho para Larissa. – Gosta de jogar sujo, não é?

— Não tenho ideia do que você está falando!

— Alguém pode me explicar o que está havendo aqui? – pergunta o professor.

— Acontece, professor, que a Hannah está um pouco triste porque eu não a escolhi para ser minha parceira na viagem. O fato é que nós três somos muito chegados e, infelizmente, essa viagem é só para dois. Mas ela sabe que se não fosse por isso, eu colocaria o nome dela também. Não é mesmo, fofa?

Hannah abre a boca para responder, mas não diz nada. Fico olhando incrédulo para Larissa, sem saber se o que estou sentindo é raiva ou decepção. A intenção dela é clara. Quer me provocar e isso ela sabe fazer muito bem. "Essa estúpida. Não consegue deixar de demonstrar o quanto quer que eu a corresponda". Mas eu jurei que isso nunca iria acontecer. Independentemente de ser sorteado ou não, a última coisa que eu quero é passar uma semana junto com ela em um acampamento. Nem em lugar nenhum.

— E a senhorita? – pergunta o professor para Hannah.

— Está falando comigo?

— Sim. Já escolheu sua dupla?

Hannah fica em silêncio. Depois disso, imagino que ela não tenha outra opção a não ser desistir da viagem. Mas as coisas não são bem assim. Ela começa a olhar ao redor, procurando alguém para formar dupla com ela.

— Então, Srta. Anderson? Já escolheu seu parceiro ou parceira?

— Eu...

Hannah continua olhando ao redor. Ainda tenho esperanças de que ela desista da ideia absurda de tentar me substituir e, independente do resultado, sejamos capazes de esquecer tudo isso e seguir com nossas vidas normalmente. Mas logo percebo que sua vontade de dar uma lição em Larissa é o que está falando mais alto. De repente, ela pára de procurar. Agora está olhando para um garoto alto, de cabelos negros, nariz pontudo e olhos profundamente verdes, sentado no fundo da sala. Seu nome é Victor Taylor, o menos provável entre todos os marmanjos deste lugar que eu considero razoavelmente digno de ser o acompanhante de Hannah nessa viagem. Não que eu tenha ciúmes dele. Talvez sim, talvez não... O fato é que Hannah o escolheu, e por razões que eu não consigo entender.

— Já me decidi. Eu vou com Víctor Taylor.

Victor levanta a cabeça, desentendido. O professor anota os nomes depressa. Percebo, pelo semblante de Larissa, que por algum motivo a escolha de Hannah a deixou um tanto nervosa. De repente, ela levanta o olhar azul-elétrico na direção de Hannah, que por sua vez abre um sorriso largo, encarando-a desafiadoramente.

Que dia! Achei que não podia ficar pior do que já está. Me enganei.

***

Quando as 18 duplas estão finalmente formadas, Arthur guarda cada papelzinho com os nomes dos concorrentes dentro de uma urna de madeira e, depois de agitá-la, convida Bianca para ajudá-lo.

Todos – com exceção de mim, Miguel e Hannah – estão bastante ansiosos e entusiasmados. Alguns alunos cruzam os dedos de olhos fechados, suas bocas a murmurar "por favor" repetidas vezes, a cabeça a balançar inquietamente e os pés que não param de bater alternadamente no chão.

Meia hora atrás, essa mesma ansiedade tomava conta de mim. Mas, graças a um estúpido capricho, meus planos de viver uma das semanas mais felizes da minha vida estão arruinados. E, mesmo que eu não queira admitir nem demonstrar, estou com muita raiva de mim mesmo por não ser capaz de reverter esta maldita situação.

Agora, só o que me resta fazer é desejar do fundo do coração que Larissa e eu não sejamos sorteados.

— Podemos começar? – pergunta o professor, com as mãos levantadas pedindo silêncio. – A colega de vocês, Bianca, vai chamar os nomes das seis primeiras duplas que farão a viagem. Conforme forem sendo chamados, peço às duplas que fiquem de pé. Ok? Pode começar, Bianca.

Sem olhar, Bianca enfia a mão na caixinha e tira um pedaço de papel dobrado. Embora esteja tentando me manter calmo, o nervosismo que emana dos meus poros é quase palpável. O que vai acontecer se nossos nomes estiverem escritos aí? Como será passar uma semana inteira ao lado de uma pessoa que eu não quero ver nem pintada de ouro? Por Deus, realmente mereço isso?

— A primeira dupla é... – anuncia Bianca, fazendo uma pausa para criar um clima de suspense. É o que eu mais odeio. – Giovanna e Andreia.

As garotas se levantam animadas, soltando gritinhos agudos como uma criança que ganha um doce deliciosíssimo.

Solto o ar num suspiro aliviado. Não foi dessa vez... Opa! Espere! Ainda não acabou.

— Segunda dupla... Miguel e Roberta.

— Yeah!! É isso aí, cara!!

Roberta se levanta, mas Miguel permanece sentado, obviamente chateado por não ter ficado de fora. Ninguém aqui faz a menor ideia do porquê de ele estar assim, e só o que posso supor é que algo o está incomodando. Talvez seja um pressentimento. Como da vez em que sonhou com o retorno de Larissa ao internato. Eu briguei com ele acreditando que ele estava errado, que aquele mau presságio não passava de mera suposição, um medo sem sentido. Mas, com tudo que anda acontecendo, estou começando a concordar com meu amigo.

— Terceira dupla... Henrique e Alex. Quarta dupla... Jéssica e Leticia. Quinta dupla... Daniel e Milena.

Passam-se dois minutos até que Bianca finalmente pega o último pedaço de papel dobrado, um simples ato que deixa todo mundo com os nervos à flor da pele. Apesar de acreditar que as chances de Larissa e eu sermos selecionados são mínimas, não posso descartar completamente essa possibilidade. Algo me alerta para não confiar muito em minha sorte.

— Dupla N° 6...

Congelado, prendo a respiração. Olho para Larissa, que, com os dedos cruzados, não pára de bater os pés. Algo em seu olhar me diz que ela tem certeza absoluta de que nossos nomes estão naquele papel.

Dito e feito.

— ... Adrian e Larissa.

Não consigo evitar gritar um NÃO alto e claro quando meu nome salta dos lábios de Bianca com um sarcasmo quase palpável como se dissesse "cuspiu para cima, cai na cara".

Com certeza uma viagem como esta será algo de que nenhum dos escolhidos esquecerá por muito tempo. Temo não ter a oportunidade de compartilhar essa sensação.

Notas finais
Larissa conseguiu o que queria. Mas será que isso vai funcionar?