Para Sempre

1 "(...) Mais do que a minha própria vida."


Quando tinha poucos dias de vida ouviu sua voz pela primeira vez. Quando tinha alguns meses a viu defendê-la com unhas e dentes — ainda que não tivesse forças para tal. Quando nasceu, a sua primeira visão foi ela. Frágil e linda, sim, porque sua beleza ia além de todo o sangue e toda aquela pele grudada aos ossos.

Ela era maravilhosa, mas não estava acordada, não podia conhecê-la ou ouvir sua voz outra vez e por isso ela chorou.

Então ela começou a crescer e outra vez, ela lutou por sua vida, deu tudo de si por um amor tão grande que ameaçava toda sua família. E Renesmee cresceu cada vez mais e ia crescendo cada vez mais rápido e elas aprenderam tantas coisas juntas que ninguém jamais diria que aquela era sua mãe, eram tão amigas!

Bella ajudou em seu primeiro dia de aula, quando Renesmee insistiu que queria aprender com outras crianças, foi difícil, é claro e não passou cerca de um mês na pequena escolinha, mas sempre guardaria em seu coração o apoio que sua mãe lhe dera, ajudando com as lições de matemática — mesmo que ela não tivesse dificuldades de aprender — e comparecendo à escola quando Renesmee arrumara uma encrencacom um garoto dois anos mais velho que ela, tecnicamente.

A memória trazia divertimento à ruiva, fora absolutamente inédito ver Bella — mais uma vez — defendendo Nessie com todos os argumentos que conhecia e se controlando para não voar no pescoço da pobre senhora que era a diretora do lugar.

Mas não foi só isso, quando Nessie finalmente se sentiu pronta para explorar o mundo e toda a sua família queria prendê-la, foi Bella quem a deixou livre, foi sua adorada e incrível mãe, quem a libertou de sua gaiola.

— Meu pai sempre dizia que criamos os filhos para o mundo. — Nessie lembrou de Bella sorrir com os olhos brilhando em um choro impossível. — Mas como qualquer passarinho, volte para o ninho, querida.

E Nessie voltou, três anos depois de viagens e estudos incríveis Nessie retornou para Juneau, onde sua família residia atualmente. Foi recebida com carinho e adoração e se sentiu contente de estar novamente em casa, era verdade que sentia muita falta dos pais e de Jacob, seu melhor amigo lobo.

Ela lembrava-se perfeitamente do reencontro com a mãe. Bella estava sentada sobre a neve, os cabelos mognos faziam um claro contraste com a branquidão do lugar e Nessie não pôde deixar de achar a mãe a mulher mais bonita que já viu, até mesmo mais bonita que sua tia Rosalie, entendia perfeitamente porque seu pai se tornara tão ciumento em relação a ela. Bella estava meditando, descobriu que a mãe adquirira o hábito peculiar para poder treinar seu dom mental. Quando Renesmee se aproximou, ambas sorriram juntas como se soubessem que estavam perto uma da outra — mesmo sem Bella vê-la.

— Como foi a viagem? — Bella perguntou com um sorriso resplandecente, a voz transbordava um amor profundo e especial.

Um suspiro escapou da ruiva e rapidamente estava nos braços acolhedores da mãe. — Foi muito longa mamãe.

Depois disso, Nessie passou longos anos em casa. Foi quando seus sentimentos começaram a se confundir em relação à seu melhor amigo e foi quando precisou de conselhos constrangedores de sua mãe. Renesmee lembrava-se perfeitamente da conversa com a mãe, de Bella contando a ela sobre seu relacionamento breve e intenso com seu melhor amigo, da forma como eles se conheceram, envolveram e como Bella lamentavelmente quebrou o seu coração. Lembrou-se de passar cerca de dois meses sem estar perto da mãe, na época sua atitude fazia todo o sentido, agora via que fora absolutamente infantil e egoísta. Passado dois meses, nenhuma das duas aguentavam a dor de estarem separadas, ambas queriam estar juntas e precisavam, afinal, sempre dividiram todos os segredos.

E foi com um segredo que Nessie retornou aos braços de Bella. Estava apaixonada, por quem, não sabia dizer. Contou à Bella que em sua viagem passou três meses na ensolarada Florença, três meses ao lado de Alec Volturi e ao contrário do que pensou, não houve repreensão da parte de sua mãe — apesar de Nessie ver mais de uma vez um olhar extremamente preocupado em seu rosto, — mas Bella a aconselhou e a ajudou a entender seus sentimentos, lembrou-se bem da mãe — mais de uma vez — ajudá-la a retirar todas as camadas de suas dúvidas, como uma grande cebola — que até mesmo a fazia chorar. Mas por fim, graças à mãe, conseguiu superar.

Quando teve sua primeira vez, Renesmee lembrou-se de contar a mãe no dia seguinte e a mesma ir furiosa em direção a Jacob, gritando ofensas e palavrões que ninguém imaginaria sair da boca de uma mulher tão pequena. Até Nessie pará-la e informar que não fora Jacob quemabusara de sua garotinha.Havia sido Alec.

Então Bella surtou outra vez, mas com Renesmee, o que não durou muitos minutos. Nessie sempre se admirava com a capacidade da sua mãe de ser compreensiva, principalmente quando Nessie anunciou a maior noticia de todas.

Iria de casar.

E iria se casar com Alec Volturi.

Sua mãe foi quem conseguiu controlar toda a ira dos Cullens, seu tio Emmett e sua tia Rosalie estavam a ponto de fazer os olhos de Alec de bolas de gude, estavam furiosos por ela estar se envolvendo com um Volturi.

Ele tentou matá-la! Eles diziam com crueldade, o que realmente, era verdade.

Mas quem manda no coração? Retrucava Bella, lembrando a todos que Edward também tentou matá-la. E Renesmee precisava admitir, nunca viu amor igual ao dos pais. Era algo que queria para si mesma e que vinha alcançando nos braços do Alec. Sua família jamais podia negar que o vampiro também tinha sentimentos fortes pela ruiva.

Eram bons e especiais juntos.

Sua mãe entendia isso perfeitamente. Sua mãe sempre a entendia, de todas as formas, sem Nessie precisar falar ou tocar.

Foi trazida à tona das lembranças pelo som suaves de passos femininos.

— Você está... Maravilhosa. — Nessie virou-se encarando a mãe, Bella estava muito bonita em um vestido de tom lilás, os ombros brancos à mostra e usava um par de saltos que sua tia Alice morreria para ter. Observou a si mesma no espelho, mais uma vez. Usava um vestido branco simples mas sofisticado, era bonito e delicado, um vestido que não tinha muito à ver com ela, é verdade, mas era o vestido da sua mãe. Em seu primeiro casamento com o companheiro, queria homenagear a mãe. Os olhos de Bella, através do espelho a encaravam com admiração e brilho, Nessie sabia que se fosse permitido, sua mãe já estaria chorando e borrando toda a maquiagem bem feita.

— Ficou melhor em você do que em mim. — Pontuou com um sorriso, Bella se aproximou, passando os braços ao redor da cintura da filha, ambas encarando-se no espelho, notando as semelhanças entre elas. — Eu vou me casar. — Murmurou Nessie.

Bella sorriu. — Sim. — Então suspirou suavemente. — Eu nem acredito que... Bem, que eu consegui. — Tocou as bochechas rosadas de Nessie com carinho. — Você está aqui, está a salvo e está feliz, não está?

Nessie sorriu e os cachos ruivos se agitaram no penteado. — Sim, muito feliz. — Tocou as bochechas da mãe, assim como ela tocava as suas, ambas se aproximaram um pouco mais. — Obrigada mamãe. — Um sussurro soou tão baixo que os vampiros ao redor não podia ouvi-las. — Obrigada por ser tão boa e tão generosa, por mesmo vampira, ter um coração tão vivo. Obrigada por ter cuidado de mim e por ter me amado mesmo quando todos me odiavam, obrigada por ter sido meu apoio e ter me deixado ser o seu, obrigada por ser tão compreensiva e por jamais ter me limitado, obrigada por ter me ensinado à viver e me aceitar como eu sou.

Elas se abraçaram fortes o suficiente para não amassar o vestido de Nessie.

— Você sempre vai ser minha pequena cutucadora, Nessie.

Renesmee riu ao som do apelido.

— Eu sempre vou te amar, mamãe.

— Mais do que minha própria vida. —Bella sorriu beijando a testa de Nessie carinhosamente.

Naquele dia, quando Renesmee caminhou pelo tapete vermelho observando os olhos de Alec Volturi encara-la com devoção, ficou aliviada ao ver que a mãe estava ali, bem ao lado da mesa do altar. Um sorriso gigantesco enfeitava o seu rosto e Nessie se sentiu segura.

Sabia que não importava o tempo ou as circunstâncias, sempre teria os braços da mãe para recorrer.

Um suspiro contente saiu dos seus lábios.

A eternidade não era de todo o mal, afinal.

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